terça-feira, 11 de março de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 82 - Por Luiz Domingues


E logo após a nossa participação pela segunda vez no programa "A Fábrica do Som", a repercussão foi muito grande e assim sendo, a produção do programa nos convidou a participarmos da festa de aniversário de um ano dessa atração musical da TV Cultura. 

Seria uma edição especial e gravada fora do seu palco tradicional do Sesc Pompeia, mas sim no "Circo Mágico", um picadeiro montado no estacionamento do complexo de exposições e espetáculos, Anhembi, localizado na zona norte de São Paulo.
Lógico que topamos na hora, pois era o reconhecimento de que A Chave do Sol era sem dúvida, uma das mais citadas bandas emergentes naquele universo que girava na órbita da "Fábrica". 

E isso era muito significativo, pois ali também tocavam diversos (para não dizer todos), nomes do BR-Rock mainstream oitentista.
A Fábrica do Som, ajudou a catapultar as carreiras de artistas como os Titãs; Ira; Ultraje a Rigor, e outras tantas daquela cena do Pós-Punk / New Wave, e que tais.

E fora essa euforia pela confirmada terceira aparição, estávamos a todo vapor ensaiando e compondo, a respeito do baque psicológico que foi para A Chave do Sol, o fato de eu ter voltado ao Língua de Trapo, simultaneamente. 

Como já expressei algumas vezes, isso gerou conflitos nos meses subsequentes, nas duas bandas, e eu no meio do fogo cruzado, pois precisava do emprego no Língua, e também tinha meus laços afetivos naquela banda, por ter sido membro fundador, ter uma parceria com o Laert desde os meus primórdios na música, e também gostar bastante do trabalho.

Mas o próprio Laert sabia que o meu sonho era o Rock, e portanto, A Chave do Sol representava a minha esperança nesse sentido.

Enfim, foi uma fase em que pisei em ovos, 24 h por dia...

Voltando à Chave, digo que apesar desses climas, estávamos muito felizes e em momento de intensa criatividade. 

Músicas novas não paravam de ser criadas, e nem só de longos temas instrumentais, nós vivíamos. 

Aliás, nós nunca tivemos essa determinação fechada. 

Os temas instrumentais que nos tornaram conhecidos pelas aparições na TV,  eram nuances de nosso repertório, e não a sua essência definitiva.

Portanto, nessa época, tínhamos canções com melodia e letra, muito interessantes e que acabaram nunca sendo gravadas e pouco ou mesmo nunca, executadas ao vivo, infelizmente. 

Lembro-me que nesse final de 1983, tínhamos uma música que eu gostava muito, chamada "Superstar". 

Era uma canção que me lembrava demais o som do The Kinks, e tinha uma letra interessante, que fazia uma irônica crítica às pessoas que querem ser famosas sem ter motivo nenhum para tal. 

Caramba ! 

Estávamos em 1983 e como isso piorou tempos depois, com programas de TV que tem essa proposta idiota como mote...

Outra canção que eu gostava demais, era "Vestido Branco". Salvo engano, foi a primeira letra do poeta Julio Revoredo, que musicamos. 

Era uma canção "swingada", de forte acento Soul, com groove de baixo e bateria, que remetia ao Vanilla Fudge.

Uma pena mesmo, mas nem "Vestido Branco", nem "Superstar", foram gravadas ou executadas ao vivo, onde eu pudesse ter ao menos uma cópia preservada numa fita K7 hoje em dia.

Para não dizer que não há registro algum, existem pequenos fragmentos de ensaios com tais canções, mas creio não ser adequado lançar no You Tube, pois realmente são trechos minúsculos, e que não conseguiriam dar ideia, mesmo que pálida, de como eram tais trabalhos. 

E outra nova que preparávamos, era "Reflexões Desconexas". 

Tratava-se de uma música de apelo prog, mas com elementos de MPB muito interessantes, principalmente na inserção de backing vocals onomatopaicos, criados pelo Zé Luis, que sempre foi um arranjador nato.

Era na linha de "Intenções", e cheia de convenções, ritmos quebrados, e outras ousadias instrumentais. 

Na sua letra, expressava uma complexa reflexão subjetiva, quase uma intervenção psicanalítica...

Antes de falar da terceira apresentação no programa A Fábrica do Som, farei um parênteses para falar de duas coisas paralelas. 

Uma delas, uma pequena explanação sobre o poeta Julio Revoredo, nosso grande parceiro, e incentivador incansável.
                    O Poeta Julio Revoredo, em foto de 2001

Continua...

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