segunda-feira, 17 de março de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 87 - Por Luiz Domingues


Depois da festa no sitio do irmão do Zé Luis (João Dinola), chegou a hora de participarmos da finalíssima do Festival FICO. 

Não estávamos nem um pouco preocupados em vencê-lo, mesmo porque, nem éramos alunos do colégio Objetivo, e graças à uma maracutaia da qual hoje em dia me arrependo de ter participado, estávamos ali indevidamente. 

Mas, se a meta era usar o festival como ferramenta de divulgação, que o fizéssemos da melhor maneira possível e foi assim que procedemos, de fato.

Essa finalíssima ocorreu no dia 21 de outubro de 1983, e foi realizada no Ginásio do Ibirapuera. 

O público presente foi de aproximadamente 12 mil pessoas, pois o ginásio estava abarrotado. 

Eram exclusivamente alunos do colégio, vindos de diversas unidades espalhadas por São Paulo; de cidades interioranas, e até de outros estados, pois o colégio Objetivo havia crescido muito e expandido-se. 

Tocamos com a nítida preocupação de divulgar o nosso trabalho e aproveitando o fato do festival estar sendo transmitido ao vivo pela rádio Jovem Pan AM, eu quebrei o protocolo, e não me fiz de rogado, pois assim que o apresentador anunciou a nossa música, e seu falso autor, eu fui ao microfone e falei que éramos "A Chave do Sol" e tocaríamos a música "Luz", de nossa autoria.

O poeta Julio Revoredo estava acompanhando essa transmissão pelo rádio e contou-me posteriormente que a minha intervenção ao microfone foi providencial, e que ficou claro que não éramos amadores juvenis disputando o Festival. 

Tocamos como se o show fosse nosso, ignorando o corpo de jurados e saímos satisfeitos com a performance. 

De fato, apesar de ter sido um público de adolescentes agressivos e invariavelmente torcendo por esta ou aquela música, arrancamos aplausos.

Nos bastidores, ao entrarmos no backstage, vimos os músicos do Rádio Táxi ali, preparando-se para entrar em cena, visto que fariam o show da noite, ao lado do Kid Abelha. Havia uma terceira atração mainstream que não me recordo exatamente quem era. Acho que era o Lulu Santos. 

Alguns membros do Rádio Táxi fizeram menção de rir do Rubens, assim que ele saiu de cena. Mas pensando hoje em dia, acho que foi uma interpretação errada que fizemos naquele momento, certamente.

Os rapazes deviam estar conversando qualquer coisa que não tinha nada a ver conosco, bem na hora que passamos e olharam furtivamente para o Rubens quando passava, rindo, mas certamente que foi absolutamente ocasional. 

Contudo, o fato é que no calor do momento, achamos que fosse alguma manifestação de desdém da parte deles.

Anos depois, conheci o Wander; o Gelsinho, e o Lee, e nunca comentei esse fato com eles, pois não teria o menor cabimento questioná-los por uma bobagem dessa monta, que certamente nem se lembrariam. 

E os conhecendo melhor, tenho a certeza de que não teriam sido capazes de um ato de deboche gratuito desse nível. 

Mesmo porque, estavam consagrados, estabelecidos no mainstream e eram adultos, portanto, deve ter sido um mal entendido que interpretamos erroneamente.

A nossa vontade era ter ido embora, mas aguardamos o resultado, pois poderíamos ser convocados a tocar novamente se tivéssemos obtido lugar entre os três melhores classificados do Festival. 

Isso não ocorreu, mas nós não nos importamos com o resultado do Festival, pois não era nosso objetivo e além do mais, seria embaraçoso obter uma colocação, pois "Luz" estava inscrita no nome de um aluno "laranja", e era nossa música, não dele. 

Fomos embora portanto, com o dever cumprido, divulgando um pouquinho mais o nosso som, principalmente pela execução radiofônica numa estação com audiência maciça, em rede nacional, fora o público presente em grande número no Ginásio do Ibirapuera.

Falta só um item no grande parênteses que fiz, antes de mergulhar na história da nossa terceira participação no programa "A Fábrica do Som". 

Seria a segunda viagem ao interior, e primeira vez como atração principal do evento.


Continua...  

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