terça-feira, 11 de março de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 83 - Por Luiz Domingues

Eu (Luiz Domingues), e o poeta Julio Revoredo, em foto de julho de 1984. Detalhe : Ele estava usando uma camiseta com o primeiro logo da Chave do Sol. Acervo do próprio poeta.

Conhecemos o poeta Julio Revoredo no dia da primeira apresentação oficial da banda, 25 de setembro de 1982.

Ele apareceu no Café Teatro Deixa Falar, conduzido por uma amigo em comum, meu e dele, chamado Wagner.
Wagner "Sabbath", o rapaz que nos apresentou o poeta Julio Revoredo. Acervo do poeta Julio Revoredo.

Mas o curioso, era que o Julio já tinha me visto tocar ao vivo no ano de 1981, pois o Wagner era um admirador da minha banda de covers, com a qual atuei entre 1979 e 1982, chamada "Terra no Asfalto" (cuja história completa já está disponível neste Blog, com 68 capítulos).
Outra foto do poeta Julio Revoredo e eu, Luiz Domingues, com ele exibindo a capa de nosso compacto, lançado em 1984 


Mas só nos conhecemos efetivamente, a partir da formação da Chave do Sol, quando tomei conhecimento de seu talento literário, e tornei-me um admirador de sua obra.

Portanto, em 1983, a nossa ligação com o poeta Julio Revoredo, já estava muito sólida e nossa parceria consolidou-se, enfim.

Então, desde 1982, eu também já tinha tomado contato com a sua produção poética, e profundamente impressionado pela profusão e erudição de seus poemas, conversei com o Rubens e José Luis, sobre aproveitar essa oportunidade extraordinária de termos um amigo poeta e entusiasta da nossa música, como um colaborador artístico, em parcerias efetivas.

O Julio não é só um poeta brilhante, mas também expert em cinema, música em geral, e Rock em específico, daí a nossa amizade ter se solidificado de forma quase instantânea. 

Com muito conhecimento também de Artes Plásticas, Literatura e Teatro, nos ajudou muito em diversas ocasiões, principalmente nos shows performáticos que faríamos em 1984 e 1985, mesclando elementos cênicos avant-garde, nos respectivos shows de lançamento do compacto, e do EP posterior (contarei tudo no momento oportuno e tem muitas histórias sobre os dois !!).

Fanático pelo Cream (famosa banda britânica dos anos sessenta), brincávamos que ele era o "Pete Brown" do Brooklin (Pete Brown era um poeta que escreveu muitas letras para as músicas do Cream, e o Brooklin, é um bairro da zona sul paulistana, onde o Julio mora até hoje).

Contentes com essa perspectiva, nós três e o Julio, começamos a trabalhar, musicando um poema dele, chamado "Vestido Branco".

Aliás, esse poema fugiu um pouco às características normais de sua produção, pois foi feito por encomenda, pois normalmente ele nos dava manuscritos de sua produção para musicarmos.

Ponderamos que a produção era complexa, com erudição linguística e até com o uso de expressões em latim, sendo assim, pedimos algo mais coloquial pois estávamos com uma música nova sendo composta e ela seria algo mais pop do que os habituais números instrumentais que vínhamos preparando, com enfoque nas "firulas" do Jazz-Rock.

Dessa forma, ele nos apresentou a letra de "Vestido Branco".  

Não foi muito difícil musica-la, encaixando-se muito bem naquela canção de forte apelo Soul. Lembrava bastante o som do Vanilla Fudge, cheio de swing de baixo e bateria.

Infelizmente, nunca a gravamos e por circunstâncias alheias à nossa vontade, nunca a tocamos ao vivo.

O poeta Julio Revoredo em foto de 1985, usando camiseta da Chave do Sol com o logotipo do primeiro álbum, e exibindo a capa do segundo álbum da banda, o EP lançado nesse mesmo ano. Acervo : Julio Revoredo. 

Recentemente achei uma fita K7 de ensaios dessa época e verifiquei mediante decupagem, que só existem pequenos trechos, onde acertávamos detalhes de introdução, levadas de bateria etc. Achei um pouquinho só da banda tocando, mas de forma truncada e mesmo assim, com qualidade sonora sofrível, o que inviabiliza a esperança de montar um promo e lançar no You Tube.

Salvo falha de minha memória, "Vestido Branco" foi a primeira parceria Chave-Julio Revoredo, que foi prolífica, doravante.

A seguir, outro parênteses, desta feita para falar da histórica caixa postal 19090 -SP...


Continua...

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