segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 75 - Por Luiz Domingues

Como já disse, o show do Hermeto acabou acontecendo, e a julgar pelo bate-boca entre seu empresário, e os organizadores do festival, deve ter aparecido um dinheiro vivo, pois chequinho para compensar na quarta-feira de cinzas não acalmaria o empresário furioso. 

E claro, entre a saída dramática de Raul Seixas, e a entrada de Hermeto, aconteceu mais um atraso razoável. 

O sábado foi cansativo para todos, principalmente para o público que se enlameou, viu shows truncados e aguentou longa e entediante espera. 

Devido à chuva, a estradinha de terra que dava acesso à estrada vicinal, estava intransitável. Dessa forma, tivemos que esperar horas, e só quando já estava amanhecendo, pudemos ir ao hotel em Bauru. 

Lembro-me de uma cena bizarra dentro do ônibus, na volta... Jards Macalé (ele tocaria no domingo, mas foi ver os shows do sábado), vendo-me exausto, tirou um barato da minha cara dizendo : "E aí, bicho ? Está de volta ao mundo material, do telefone, carro, avião" ? 
Era o sinal de que eu parecia um zumbi... 

Encerrando, no hotel em Bauru, um produtor anunciou que um ônibus da produção iria para São Paulo naquele instante, para buscar outros artistas e levar equipamentos avariados pela tempestade. 
Todos preferiram dormir, e voltar no outro ônibus depois do almoço, o que seria o correto, mas eu queria estar em São Paulo o mais rápido possível para tentar fazer um ensaio com a Chave do Sol, e assim, voltei sozinho, me sentindo num navio cargueiro, com tantos equipamentos amontoados. 

E sobre os maus presságios financeiros do festival, claro que o empresário do Hermeto Paschoal estava certo... 

O Jerome, nosso empresário, voltou com um chequinho para ser depositado na quarta de cinzas, mas...esqueceram de nos dizer de que ano, pois até hoje não vimos a cor do dinheiro. 

Um baita chapéu tomamos de Águas Claras...

Continua...    

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