segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 104 - Por Luiz Domingues



Uma das coisas pitorescas que aconteceram no Lira, na verdade não necessariamente tem a ver com essa retomada de temporada em abril de 1984. De fato, já acontecia nas temporadas anteriores.

Era um piada pré-show, mas também tinha sentido de estratégia para a banda.

O Marcelo Moraes, que era colega de faculdade, e um agregado do Língua de Trapo, tinha experiência como locutor de rádio. Se não estiver enganado, naquela época ele já estava na Rádio Jovem Pan AM.

Então, como era muito bom com humor improvisado, estilo Stand up comedy, atuava com maestria nos minutos que antecediam o show.

Assim que as pessoas começavam a entrar no teatro, e buscavam seus assentos, ele já estava com um microfone aberto, onde ia conversando com elas, e contando piadas.


Mas a grande estratégia era brincar diretamente com as pessoas, fazendo com que na base da palhaçada interativa, elas topassem ir se apertando, abrindo espaço para entrar mais gente no teatro.

As brincadeiras eram hilárias e a pessoas riam muito, mesmo antes do show começar e consequentemente, depois do show começado, algumas já tinham até dificuldade para rir, num processo de desopilação total.

E onde cabia uma pessoa confortavelmente instalada, o espaço acabava sendo ocupado por duas, dobrando a capacidade de audiência.


Visto nos padrões de hoje em dia, realmente era uma prática perigosa pelo quesito segurança, mas naquela época, ninguém sequer pensava nessa possibilidade e por sorte, apesar da superlotação que conseguíamos, nunca nada de errado aconteceu, ainda bem...

Contudo, a estratégia logrou êxito, pois levamos público muito acima da capacidade oficial do teatro, muitas vezes, conseguindo um resultado de bilheteria bem acima do esperado, fazendo dos encontros das segundas, na casa do empresário Jerome, uma festa para todos, na hora de acertar as contas da semana !



Continua... 

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