quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 90 - Por Luiz Domingues


Na terça, dia 3 de abril de 1984, estreamos no auditório Sidney Miller, da Funarte, no Rio de Janeiro. 

Antes de iniciarmos, contudo, durante o soundcheck, passamos pela experiência de nos submetermos à apreciação de um diretor de cena. 
Ocorre que era uma norma da Funarte, que mesmo sendo um show musical, seria obrigatória a assinatura de um profissional de teatro, e dessa forma, o Jerome contratou um diretor no Rio. 

Como o nosso show era todo teatralizado, e já estava montado, o cara limitou-se a dar pequenas dicas de marcações, que mais serviram para auxiliar o iluminador, que também era do teatro e não nos conhecia. 

A única dica valiosa que somou, foi durante a gag de uma música nova.

Era um fado português ("Fado da Falência"), e o Laert entrava vestido com roupas folclóricas lusitanas. E para reforçar a piada, eu, Serginho Gama, Lizoel, João Lucas e Naminha que participavam do número, levávamos cadeiras para tocar bem próximo dele, Laert, simulando músicos portugueses de fado, que geralmente tocam sentados e perfilados, próximos ao cantor. 

E enquanto ele entrava em cena, fazia parte da encenação que nós fizéssemos uma tremenda trapalhada com os instrumentos e as cadeiras, brincando com o estereotipo da suposta falta de inteligência dos lusitanos (eu participava sob protesto, claro...), que aliás hoje em dia nem seria usado sob ameaça de ser politicamente incorreto. 
Nesse sketch, o tal diretor achou a confusão excessiva, e nos aconselhou a coibir exageros. Foi só essa a orientação do rapaz, e sua atuação foi justificada então, mais para preencher a exigência burocrática. 

Nós fazíamos o show das 21:00 h, mas às 18:00 havia outro projeto de shows, chamado "Projeto Pixinguinha". 

Nas duas semanas em que usamos o teatro, dividimos o espaço com a cantora de MPB, Nana Caymmi.
Então, após o show da Nana, que assistimos pela coxia, fizemos o nosso primeiro show dessa temporada, e o primeiro da minha carreira, no Rio de Janeiro.
Ticket de show da Sala Sidney Miller. Acervo de Paulo Presley, um fã da banda que esteve presente

Era uma terça-feira e apenas 45 pessoas passaram pela bilheteria, o que era pouco para os padrões do Língua em seus shows de São Paulo, mas era o primeiro dia, e esperávamos uma melhora significativa nos decorrer da temporada. E foi o que aconteceu, animando-nos.

Continua... 

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