terça-feira, 15 de outubro de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 77 - Por Luiz Domingues


A perspectiva era de ter bom público em dias improváveis, e super lotação nos finais de semana.

E o mais extraordinário, em se comparando aos dias atuais (escrevendo este trecho em 2012), é que não havia um grande esforço de divulgação. 

O boca-a-boca garantia esse sucesso, com pouco suporte de material de cartazes, filipeta ou lambe-lambe. 

Nem se cogitava anúncios pagos em jornais e revistas, tampouco chamadas de rádio e claro, comerciais na TV, nem pensar pelos seus preços proibitivos. 

Logo no começo dessa temporada, lembro-me que fomos escalados para participar de um programa musical dito jovem, da TV Manchete.
A gravação foi realizada em locação, dentro de uma casa noturna "moderninha", localizada no Morumbi, zona sul de São Paulo. 

Apesar de não ter característica de banda de Rock, o Língua estava naquele contexto, e eu me recordo bem, participaram também daquela gravação, o Kid Abelha, Lobão e os Ronaldos, Paralamas do Sucesso e mais próximo da nossa realidade, o Premeditando o Breque, igualmente uma banda de sátira e humor e também egressa do movimento "Vanguarda Paulistana". 
Como de praxe, os membros da produção do tal programa, eram bem afetados. 

Excepcionalmente, algumas pessoas chamaram-me a atenção por serem afetadas além da conta. 

Era um festival de rispidez e nariz empinado de certas meninas produtoras, que impressionou-me.
Dava-se um desconto por serem estagiárias, e estarem naturalmente inebriadas por estarem trabalhando na TV, e lidando com artistas que estavam na "crista da onda", caso das bandas do BR-Rock oitentista, mas que era exagerado, isso era... 

O Língua gravou sua participação dublando a música "Vampiro S/A", do primeiro LP. 

Era um simulacro de Heavy-Metal, com o Laert entrando vestido de Drácula, e traçando toda uma ironia em torno do verdadeiro vampiro, que é o criminoso do colarinho branco, sugador do sangue do povo etc e tal.

Nos shows, essa encenação era engraçadíssima, com o ator Paulo Elias fazendo o assistente corcunda, muito genial como escada do sketche.

Como tudo isso fazia sentido no contexto da sátira, claro que no show era incrível, mas jogado à esmo como uma apresentação normal de uma banda, causou estranheza naquele programa. 

Muita gente ali não percebeu o caráter de sátira e ficou com aquela carinha de desaprovação, não entendendo como "aquilo" estava em meio aos rockinhos "New Wave" dos artistas do BR-Rock presentes.

Bem, isso não mudou a cotação do dólar, nem abalou as Nações Unidas, mas foi engraçado naquele momento.

Continua...   

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