sábado, 18 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 363 - Por Luiz Domingues



Não sabia de onde tirávamos forças para prosseguir com aquele cenário pintado à nossa frente...

Sem um empresário decente; sem gravadora; sem dinheiro, e o pior de tudo, rachados internamente pela perda irreparável de nosso baterista querido, essa sim, a maior das perdas que poderíamos ter tido.

Mas, vendo hoje em dia, acho que tenho a resposta para tal indagação que expus no primeiro parágrafo deste capítulo, ou seja : puro instinto de sobrevivência, era o que nos movia.

Mas também havia o sentimento que um término de atividades seria a coroação de uma frustração enorme por termos morrido na praia, após tanto nadarmos, e pior que isso, naquela sensação de perdermos tudo o que tínhamos conquistado (e era muita coisa), com nossa heroica jornada em alto mar.

Antes de seguir em frente na cronologia, preciso só registrar que uma última tentativa de abordagem em gravadora fora feita, mas nessa altura, ninguém mais tinha esperanças, após nos habituarmos com o modus operandi em voga em todas as companhias.

Resumindo, uma fã nossa do Rio, disse que conhecia um contato dentro da EMI-Odeon. Claro que sua gentil oferta em intermediar um encontro foi atendida e assim, desta feita, Eliane Daic, ainda exercendo função de produtora da nossa banda, se encontrou com essa fã no Rio, e levou o material para tal contato, mas...nem resposta de reunião de audição com o diretor de repertório tivemos, o que era de se esperar.
Voltando à cronologia, a nossa realidade era de profunda aspereza nessa época, mas louvo muito a predisposição do Beto em tomar muitas frentes de trabalho simultaneamente, com muita energia, e praticamente suprindo esse tipo de característica de profunda força de trabalho obstinada, que era marca registrada do Dinola.

Nesses termos, como já mencionei antes, ele alinhavou o contato com o Estúdio Guidon, conversando com seu gentil proprietário, um rapaz chamado Guto; resgatou o artista que fizera um raf de capa e foi atrás para fechar um acordo para ele tocar em frente para concluir o lay-out; contatou Ivan Busic para tocar bateria em nosso disco, e não parou por aí, pois foi rápido no gatilho e começou a alinhavar possíveis patrocinadores para nos auxiliar nessa despesa maluca com a qual não tínhamos a mínima condição de arcarmos sozinhos.

Nessa seara, logo anunciou um patrocínio conquistado, mas que na "Hora H", revelou-se insípido e mais que isso, praticamente um alvo fácil para piadas prontas...

Tratava-se de um salão de cabeleireiro masculino ("Lazinho's"), que não nos daria dinheiro para ajudar nas despesas, mas oferecia o uso de seus serviços...bem, éramos cabeludos e artistas, portanto precisávamos de um serviço profissional bacana nesse quesito, mas convenhamos, eu não me importava em acertar as pontas da minha cabeleira de Rocker setentista, em salões bem mais modestos e pagando por isso.

Porém, na penúria em que nos encontrávamos naquele instante, qualquer ajuda ventilada era válida, e se não empolgava, era melhor ter o patrocínio, do que não tê-lo.

Fora isso, Beto não perdeu tempo, e começou a cotar preços de fábricas de prensagem de vinis, e gráficas para imprimir as capas.

De minha parte, o acordo com a Rock Brigade fora feito, mas minha participação fora pequena, pois a intervenção mais incisiva fora por parte do saudoso Eduardo Russomano.

Também prontifiquei-me a manter o fã-clube em atividade, e ele era vital para as nossas ações de marketing.

Outra colaboração singela foi ter conversado com o amigo Carlos Muniz Ventura, e garantirmos assim uma sessão de fotos com custos minimizados, praticamente só pagando o material, visando as fotos oficiais do álbum, e também promocionais que precisaríamos para a divulgação.

Uma última ação de minha parte, foi combinar com o Walcyr Chalas, uma tarde de autógrafos para o lançamento do disco, nas dependências de sua loja e mais para frente, darei detalhes sobre tal ação, que reputo ter sido um dos últimos suspiros de vida da banda, com enorme sucesso.

Infelizmente, Rubens parecia alheio à todo esse esforço e profundamente chateado pela somatória de coisas ruins que nos ocorreram nos últimos tempos, estava distante de nós, e não se empolgava  com a produção do disco. Relevamos, compreendendo que seu astral estava baixo, e continuamos nos esforçando, apesar dessa discórdia que ainda minava a banda, internamente.


Continua... 

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