sábado, 18 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 366 - Por Luiz Domingues


Fugindo completamente do padrão da Chave do Sol, as circunstâncias geradas por todos os fatos que já expus anteriormente, nos levou a realizarmos um baixíssimo número de ensaios.

Nossa sorte, era a de que no caso da maioria das músicas, nós já havíamos tocado-as muito ao vivo, e naturalmente estavam sem indícios de ferrugem decorrente dessa nova fase em que nos encontrava-nos, com a ausência completa de empenho, contrastando com o esmero do qual nos orgulhávamos durante todos os anos anteriores de nossa existência.

Outro fator de sorte, era que se havíamos perdido nosso grande baterista, José Luis Dinola, o convidado para suprir tal gravação, era ninguém menos que Ivan Busic, ou seja, um baterista de grande técnica, e que apesar de poucos ensaios, nos inspirava total confiança de que no estúdio desempenharia com enorme categoria a sua função, e de fato, foi o que ocorreu.

Outra ação muito positiva da parte do Beto, foi a de contatar o produtor Edy Bianchi, que havia produzido o LP do Inox anteriormente. 

Edy Bianchi era (é) um grande Rocker, com formação pessoal inteiramente calcada no som vintage das décadas de sessenta e setenta.

Não era nossa intenção deliberada trazer tais influências para a sonoridade do disco. Não era nossa preocupação na época, soar vintage, e pelo contrário, a intenção era ser atual para os padrões da época, buscando o pop possível dentro das características de uma banda de Hard-Rock oitentista.

Mas, no meu caso, onde tais influências eram queridas para mim, trabalhar com um produtor como Bianchi, que entendia a mesma linguagem, seria no mínimo, um tremendo prazer. E de fato, o foi.

Ressalto, não buscamos tais signos 60/70 nesse trabalho. Se eles existem, e eu acho que sim, existem, são por fatores absolutamente sutis e não deliberados para o propósito do álbum nessa época. Todavia, se Bianchi tivesse participado das gravações dos discos da Patrulha do Espaço, quando fiz parte da formação, muitos anos depois, e aí sim, com a intenção de soar retrô sendo explícita, teria sido perfeito !

Bem, fora dessas considerações estéticas, Edy Bianchi aceitou o convite do Beto, e ciente de nossa penúria, foi além e se predispôs a trabalhar sem cobrar cachet, por puro prazer e esforço colaborativo com o projeto da banda. Creio ter sido esse, um patrocínio que deu certo para a banda, sem reservas, e um golaço do Beto para o nosso time, sem dúvida.

Então, num cenário que era tétrico para a banda pelo seu profundo momento de baixo astral interno, com direito à uma perda que reputo irreparável, caso da saída de Zé Luis Dinola, a arregimentação de recursos para materializar o que viria a ser o LP The Key, foi notável, e sem dúvida, revelou-se o último alento para salvar a banda.

Nessa circunstância, o grande artífice dessa tentativa de manter a chama acesa, foi o Beto, não tenho dúvida, que sempre teve espírito empreendedor por natureza, e vendo o circo pegando fogo, tratou de correr para arrumar um extintor; balde d'água; chamar os bombeiros...enfim, não mediu esforços para extirpar o fogo e nos salvar.

Com estúdio marcado; baterista substituto pronto; selo garantido; capa sendo preparada; produtor de estúdio a postos, e três patrocínios acertados, fomos para o estúdio Guidon, nos primeiros dias de outubro de 1987, para a nossa cartada final : era ganhar a rodada desse jogo de poker, ou perder tudo...


Continua...   

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