domingo, 19 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 373 - Por Luiz Domingues


Antes de avançar sobre a análise final, devo dizer que nossa situação era tão dramática, que nem deu tempo para entrar em depressão...

Alheio ao teórico fim da banda, decretado naquela reunião fatídica de 17 de dezembro de 1987, já no dia 21, eu estava no Rio de Janeiro efetuando vendas do LP The Key em diversas lojas pela cidade, e também por Niterói.

Trabalhando como um burro de carga, literalmente, carregando caixas de discos por diversos bairros, usando ônibus e metrô. 

Por conta do apoio do presidente do fã-clube da Chave do Sol no Rio, Ricardo Asmann, concedi entrevista na Transamérica FM do Rio, em 21 de dezembro, com a cabeça fervendo, mas sem poder falar em hipótese alguma que a banda acabara...falei sobre o disco, e as perspectivas de shows que realmente estavam marcados para janeiro de 1988, como se estivesse tudo às mil maravilhas. E foi horrível, é claro, pela angústia que eu sentia internamente.

E também incólume à esse imbróglio, matérias e resenhas estavam saindo e continuariam saindo na virada de 1988, falando sobre o novo disco, fora entrevistas que já havíamos concedido anteriormente, e que só foram publicadas a posteriori.

Reproduzo neste capítulo tal repercussão do disco, mesmo avançando sobre o período de 1988, quando a banda simplesmente não existia mais.
Em se tratando da Folha de São Paulo, onde um certo editor desse periódico disse certa vez que a melhor banda de Rock vinda da cidade de Liverpool, Inglaterra, era o "Echo and the Bunnymen", ter uma resenha discreta e sem depreciação, até que foi legal...
Essa nota nesse jornal popularesco (Notícias Populares), que era conhecido em São Paulo, como "espreme sangue", tamanha a sua apelação para o sensacionalismo do "mundo cão", foi forjada na raça. Fruto raro de um contato que nos fora proporcionado pelo inoperante Studio V, em 1986, não tive preconceito em ir à redação e abordar a jornalista Sonia Abrão. Numa época onde a triagem em redações de jornais mainstream ainda era frouxa, fui diretamente à sua mesa e abordei-a. Ela me tratou com simpatia, mas claramente não se lembrara de mim por conta de termos participado de seu programa de rádio em 86, mas publicou a nota, ainda que uma mera reprodução do press-release oficial do LP.
Um amigo no Rio me colocou em contato com um colunista da Revista Amiga, que cobria tradicionalmente o mundo da TV, sobretudo novelas. Mas esse rapaz tinha uma coluna de Rock e Heavy-Metal e portanto, não perdi a oportunidade, e lhe entreguei o material em sua residência no bairro da Lagoa. Uma resenha curta, mas bem positiva, saiu então.
Muito boa a matéria do jornalista do Popular da Tarde de São Paulo, Arnaldo Branco Filho. Só o enaltecimento que fez no primeiro parágrafo, foi notável e explicava muito de nossa trajetória ter tido tantos percalços para penetrar no mundo mainstream. Dá para notar que na maior parte do tempo, usou o nosso press-release como base, mas soube dar sua interpretação e adendos pontuais.
Bacana ter apoio em jornais de bairro, um tipo de imprensa de pequeno porte, mas muito eficaz a meu ver, pois mesmo tendo pequena tiragem, geralmente tem público leitor fidelizado. Neste caso da Gazeta do Tatuapé, bairro da zona leste de São Paulo, onde eu morava na ocasião, o destaque foi bem bacana, apesar do texto ter sido a mera cópia do nosso press-release. Mas melhor isso, com um texto bem "explicadinho" sobre o disco, a jornalista incauto que escreve asneiras, ou "inimigos" comprometidos com estéticas antagônicas, e que vão falar mal, sem nem ouvir o trabalho.
Outro exemplo de jornal de bairro, o Jornal da Paulista circulava por bairros que são cortados pela avenida Paulista, como o Paraíso, Cerqueira César e Consolação. Uma nota curta e baseada no press-release, mas claro que ajudou.
Mais um exemplo de simplicidade franciscana, mas útil no cômputo geral, com a Folha Metropolitana.
Do mesmo grupo editorial da  Folha Metropolitana, o Metro News era outro jornal distribuído gratuitamente em estações do Metrô, bem cedinho. E neste caso, apenas replicou a nota do seu coirmão.
Ah, se não tivéssemos Leopoldo Rey como amigo, jamais teríamos resenhas na Revista Bizz, naturalmente comprometida com o enaltecimento e manutenção do status quo de estética vigente das correntes derivadas do Pós-Punk. Tirante a informação errônea de que os nossos discos anteriores eram "totalmente instrumentais", a resenha foi bem simpática e ser comparado ao Deep Purple, uma grande honra, embora eu desconfie que ele se referia ao DP-pós1984, portanto kilometros distante de seus melhores dias...
Na revista Metal, mais uma resenha ótima do Tony Monteiro, detalhista e sempre isento, pois mesmo sendo nosso amigo, nunca deixou de apontar aspectos negativos. Ainda bem, ele enxergou muito mais méritos do que deméritos no disco.

Na mesma edição, em outra página, uma nota nos citando, numa análise sobre o panorama de 1987. Engraçada a afirmação quase jocosa da legenda da foto, nos dando a alcunha de "Hard-oxigenado", numa clara alusão ao cabelo tingido do Beto.
Resenha na mesma edição n° 43, da revista Metal, sobre o nosso show no teatro Mambembe, no início de dezembro de 1987. O Tony Monteiro citou o desconforto do Azul Limão, que eu contei em capítulo anterior, e na sua opinião seu set fora longo demais, coisa que eu não achei na hora, mas nesse caso fez um certo sentido a animosidade do público, apesar da detestável demonstração de bairrismo que eu me lembro que ocorreu, também.
Covardia total, mas foi Eduardo Russomano quem assinou essa resenha do The Key...mas a despeito de ser nosso amigo; roadie e ex-funcionário, o Edu escreveu bem, e acho que não transpareceu ao leitor comum, que talvez não fosse muito correto ele ter escrito, por questões éticas de conflito de interesses.
Uma opinião forte da jornalista Amanda Desireé, na revista Roll, dando conta de que o preconceito contra bandas do mundo pesado era grande na mídia mainstream e ao mesmo tempo, nos tirando desse espectro, deixando claro que o nosso negócio era bem mais ameno... 
Eu e Beto concedemos essa entrevista para o jornalista Tony Monteiro, que foi publicada na revista Metal, n° 43. O tom de desilusão e medo pelo futuro sombrio era terrível, e refletia o que passávamos nessa época que precedeu o lançamento do disco, e quando a matéria foi publicada, nossos piores temores já haviam se confirmado, infelizmente...
Uma entrevista conduzida pelo Eduardo Russomano para a revista Rock Brigade. Bem, quando iniciou falando da Sonia e o Studio V, o Edu sabia de cátedra o quanto aquela associação nos fora prejudicial...
Nota num fanzine do México, chamado "Heavy-Metal Suterraneo", onde o Eduardo de Souza Bonadia, da Rock Brigade, era correspondente no Brasil.
Essa matéria não tem assinatura, mas acredito ter sido escrita pelo jornalista Sérgio Martorelli, para a revista Roll. Ela é boa em linhas gerais, mas dá seus pitacos em alguns pontos negativos do novo trabalho que lançáramos, principalmente no quesito letras. Bem, nesse caso, receio que ele tinha razão em criticar, pois o excesso de romantismo que o Beto imprimiu nas suas criações, foi realmente um ponto negativo.

Uma resenha que eu infelizmente perdi para o portfólio, mas é digna de nota, saiu no Jornal da Tarde de São Paulo. Nela, o crítico desceu a lenha nas nossas letras, e as qualificou como "ginasianas", fazendo menção à sua infantilidade romântica. Infelizmente ele tinha razão...
Na revista Metal de janeiro de 1988, ficamos bem cotados na lista dos "melhores de 87"...
E lá estava novamente o Leopoldo Rey nos colocando na revista Bizz, num ranking de melhores discos de 1987... 
Resenha sobre o show do Teatro Mambembe em dezembro de 1987, e na mesma edição, nota sobre a formação da banda dissidente, na revista Rock Brigade, em janeiro de 1988. 
Na revista Metal nº 46, estávamos em 7º lugar no ranking de vendas de discos, numa lista mesclada com lançamentos internacionais, e levando-se em conta se tratar do mundo do Heavy-Metal
Uma resenha muito boa no jornal alternativo Contracorrente, assinada pelo Tony Zimmermann, que era o pseudônimo de um jornalista famoso que eu conhecia bem, mas em respeito ao fato de que o uso de um pseudônimo denota desejo de se manter oculto, oficialmente, claro que não revelarei quem era, de fato.
Resenha do LP The Key, na Revista Burrn!, do Japão, que era uma das maiores revistas do mundo do Heavy-Metal e Hard-rock nos anos oitenta.
Continua...

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