quinta-feira, 9 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 359 - Por Luiz Domingues


Foi quando Zé Luis nos comunicou a sua decisão pessoal de deixar a banda...

Não ficamos exatamente chocados, pois ele já vinha dando sinais há tempos de sua insatisfação com os rumos da banda. Creio que de todos, ele fora o que mais sentira a frustração pela inoperância do Studio V em nos levar para um patamar acima, e se isso era crucial para todos, para ele tinha um significado ainda maior, porque estava vivendo uma fase de cobrança pessoal e familiar.

Já com 26 anos de idade completos, estava profundamente preocupado com sua estabilidade sócio/financeira, e frustrando-se com o fracasso de nossa associação com aqueles empresários, deixou de ter esperanças numa nova chance que a banda poderia ter.

Até os shows de Caraguatatuba, e consequente esperança de uma nova investida em gravadoras majors, ele foi "empurrando com a barriga", mas depois da negativa da RCA (e me perdoem pelo sarcasmo, mas da parte "do Barriga"), suas esperanças esvaíram-se de vez.

Pressionado a tomar um rumo acadêmico tradicional na vida, tinha a proposta de seu pai, o Dr. João Batista Dinola, em lhe doar o consultório dentário inteiramente montado e modernizado, caso se dedicasse à faculdade de odontologia.

Não era nem de longe a sua vocação, é claro. Fora o músico incrível que ele é, José Luiz Dinola sempre teve um talento incrível para múltiplas tarefas, consertando e criando coisas, seja em eletrônica, seja em trabalhos que envolviam marcenaria; carpintaria etc etc.

Portanto, sua capacidade inventiva e incrível habilidade manual, eram qualidades natas dele, mas odontologia, de maneira alguma era algo que ele levasse jeito.

Contudo, estava fechado nessa questão, e ao nos comunicar sua saída, na verdade já havia se matriculado num curso pré-vestibular e imbuído da determinação de estudar com afinco, e não mais fazer parte da nossa banda. Mais que isso, Zé Luis estava radicalizando naquele instante e seu discurso inicial, era o de abandonar a música.

Ainda bem, para ele e para o Rock brasileiro, tal radicalização total jamais aconteceu, mas em termos de Chave do Sol, sim, foi o fim de sua participação na nossa banda.

Depois de um comunicado desses, claro que o baque foi enorme. 

Não estávamos perdendo apenas um baterista de nível técnico incomparável, mas um companheiro de irrepreensíveis qualidades humanas e acima de tudo, um remador fortíssimo dentro de nosso humilde bote, em meio ao mar revolto.

Irredutível, não acatou nossos apelos para tentar demovê-lo de sua decisão, e assim, a banda estava irremediavelmente caminhando para o seu final, embora eu; Rubens e Beto ainda empreendêssemos esforços para salvá-la e nessa luta, um novo disco surgiria em questão de pouco tempo.

Continua...

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