quarta-feira, 8 de julho de 2015

Autobiografia na Música - Sala de Aulas - Capítulo 94 - Por Luiz Domingues

O Sesc anunciou a inauguração de mais uma unidade em São Paulo, desta feita no bairro de Santo Amaro, na zona sul da cidade.

Nessa inauguração ocorrida em dezembro de 1998, fomos em massa, como tantas vezes fizemos ao longo dos anos noventa, prestigiar um show de Rock internacional que ocorreria em tal cerimônia de inauguração.
 

Vimos os shows de Magic Slim, um bluesman americano de relativa fama, eu diria, e o outro, muito mais famoso a se apresentar seria Ike Turner, polêmico guitarrista; bandleader, e cantor, que notabilizou-se pela dupla que tinha com a ex-esposa, Tina Turner, nos anos sessenta-setenta.

Bem, era o fim de 1998, e Ike já não tinha aquele apelo todo, portanto, e muita gente presente no show, mal sabia de quem se tratava. Outros, ao contrário, gritavam provocações, mas na base da galhofa, sobre o fato dele ter maltratado Tina Turner por anos a fio etc etc.

Mas eu curti o show e minha tropa, que naquela noite tinha mais de 35 pessoas, seguramente, também.

Foi o último ato de 1998, fechando-o bem, eu diria.

Quando 1999 iniciou-se, eu ainda tinha três ou quatro alunos, mas já estava bastante propenso a não prosseguir mais.

Essa dinâmica de não renovação, vinha desde o segundo semestre de 1996, e estava mais do que claro que era irreversível, mesmo que eu quisesse e lutasse por isso, com vigor.

Mas apesar de todo o meu entusiasmo pelo desenvolvimento positivo do Sidharta, a seguir, era ainda muito nebuloso na prática, tal futuro promissor para a banda.
                     Ensaio da Patrulha do Espaço, em 1999

Foi só em meados de março, que o Sidharta deu uma reviravolta total e metamorfoseou-se na Patrulha do Espaço, revivida.

A partir de abril, quando a Patrulha do Espaço estava oficialmente trabalhando e gerando expectativas de entrar rapidamente na estrada, para valer, que anunciei aos poucos alunos que ainda tinha, a minha decisão de encerrar e minha atividade como professor.


Minha última aula, ocorreu em abril de 1999, e meu último aluno a deixar a sala de aulas, foi José Eduardo Niglio, também conhecido como "Zé Louco" pelos outros alunos, e que mantém laços de amizade comigo e principalmente com o pessoal do Tomada até hoje, tendo até participado de vídeo-clips e trabalhado como Web Designer dessa banda de meu aluno Marcelo Bueno.

Não senti o baque emocional de ter encerrado tal fase de minha vida, porque estava mergulhando novamente na música como sempre quis fazer, ou seja, com exclusividade total.

Claro que nesses doze anos em que dei aulas, a prioridade sempre foi a mesma, porém nesse período, de 1987 a 1999, a carreira artística deixou também espaço para a atividade didática, e mesmo tendo entrado nessa atividade pela necessidade, e não por vocação ou prazer, foi muito importante para mim em vários aspectos.

Encerrando este capítulo, mas anunciando que haverá mais um, para considerações finais, registro que tive um aluno extra, em caráter gratuito, muitos anos depois, por volta de 2003, quando o filho caçula do Junior, James Castello, manifestou vontade de aprender a tocar baixo. Mas foram poucas aulas, pois a Patrulha vivia na estrada, e o próprio James viajou conosco muitas vezes, trabalhando como roadie da banda.

Então foi isso, encerrando essa trajetória da minha vida na música, no próximo capítulo, tecerei as considerações finais...

Continua...   

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