terça-feira, 28 de julho de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 99 - Por Luiz Domingues


Um mês depois, a revista "Cover Guitarra" lançou matéria com os dois guitarristas da Patrulha, seguindo a tendência iniciada comigo, um mês antes, na "Cover Baixo".

"Rodrigo Hill & Marcelo Schevano - Patrulha Setentista

"Nosso show é uma volta aos anos 70". É assim que Rodrigo Hid e Marcelo Schevano  definem as apresentações da Patrulha do Espaço, antológica banda fundada pelo ex-Mutante Arnaldo Dias Baptista e pelo batera Júnior, que vem mantendo as tradições vintage num Rock 1n Roll cada vez mais assolado pela música eletrônica.

"Nós sempre escutamos um som mais antigo e só nos sentimos confortáveis tocando  instrumentos daquela época", afirma Marcelo. "No Brasil, há o mito que diz que uma banda só é boa quando está "antenada" com as últimas tendências, usando equipamentos ultra-modernos. Besteira ! No exterior, existe uma série de bandas especializadas em som vintage, acrescenta Rodrigo.

Essa falta de tradicionalismo no país também acarretou muitas dificuldades para os músicos conseguirem os instrumentos. "Você vai em uma loja e o vendedor nunca ouviu falar num pedal Ecoplex, por exemplo", afirma Rodrigo.

"Achar instrumentos vintage no Brasil, é muito complicado. Você tem que ter dinheiro e garimpar muito, inclusive no interior de outros estados. Conheço até uma loja especializada em garimpar órgãos Hammond em pequenas igrejas espalhadas pelo país".

Um dos detalhes mais interessantes de Chronophagia, o novo disco da banda, é o fato de que cada música é dedicada a grandes nomes, como Yes, Grand Funk Railroad e Paul McCartney. "Isso surgiu durante a mixagem, já que sempre que alguém ouvia uma faixa, imediatamente se lembrava de algum músico ou banda. Decidimos então, prestar a devida homenagem não só a grandes nomes, mas também a figuras menos conhecidas, como o "Som Nosso de Cada Dia" (ótima banda brasileira dos anos 70), diz Rodrigo.

Marcelo começou suas investidas pelo universo guitarrístico  aos quatorze anos, fazendo aulas particulares que duraram apenas oito meses. "Não aguentei a rotina de aprender e decorar escalas. O meu negócio era compor e fazer os solos de meu próprio jeito".

Já Rodrigo iniciou seu aprendizado no instrumento com seis anos, influenciado por uma longa lista de músicos na família. "estudei muito violão clássico e jazz, mas sempre soube que o meu negócio era o Rock'n Roll. Então, larguei os estudos e passei a tirar músicas de ouvido, aprendendo com elas.

Além da guitarra, ambos também tocam piano e orgão - Marcelo também é hábil na flauta transversal. "Nós simplesmente compramos os instrumentos e aprendemos a tocar na "raça", de modo totalmente autodidata", confessa Marcello.

"Valorizamos muito as músicas que compomos, e o processo de composição é muitas vezes facilitado pelo fato de você tocar mais de m instrumento. Você pode, ás vezes, expressar melhor algo que está em sua cabeça no piano do que na guitarra, por exemplo", conta Rodrigo.

"Você não tem que ser um virtuose em cada um deles, mas simplesmente saber colocar suas ideias"

RV


Não sei exatamente quem é o jornalista que assinou só com as iniciais "RV", mas creio que fez um bom apanhado do que os dois guitarristas da Patrulha representavam para a banda.

Sobre as respostas que deram, nota-se um pouco de imaturidade de ambos em algumas colocações, mas dou o gigantesco desconto de que eram absolutamente jovens nessa ocasião.

Pelo contrário, relevo tudo, e prefiro dizer que quando saiu essa matéria, além de comemorar o baita benefício que trazia à banda, tal reconhecimento do talento dos dois, enchia-me de orgulho. Mais que isso, tal tipo de manifestação pública, era o triunfo de uma percepção que eu tinha desde 1998 sobre o talento deles, e do quanto seriam enaltecidos no futuro, e de certa forma, ler uma matéria desse teor publicada em 2000, dava-me a impressão de que tal reconhecimento estava chegando até que rápido demais, pois em apenas dois anos antes, eram adolescentes imberbes tocando comigo e José Luis Dinola, no Sidharta, somente em estúdios de ensaio, e agora, estavam numa revista importante de guitarristas.

Quanto ao teor da matéria, creio que o jornalista os deixou a vontade para se expressarem livremente, sem pressioná-los com perguntas técnicas ou pior ainda, capciosas.

A única ressalva que faço, foi na diagramação, onde o nome do Marcello foi sempre grafado com um "L" apenas e pior, na manchete em negrito, o sobrenome do Rodrigo foi grafado como "Hill" e não "Hid".

Um erro crasso da revista, mas que gerou uma série de piadas internas que custaram a cessar. Por um bom tempo, as brincadeiras com o sobrenome errado, "Hill", ecoaram entre nós...

Continua...

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