sábado, 18 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 368 - Por Luiz Domingues


Portanto, a gravação da bateria foi tranquila, tecnicamente falando, pois do ponto de vista emocional, fora bastante intensa para todos, devido ao fatores que relatei anteriormente.

Apesar da pressa extrema com a qual estávamos lidando por conta de não termos meios de bancar adequadamente uma gravação mais folgada em termos de tempo, optamos pela metodologia tradicional do "um-por-vez", apostando na rapidez da captura individual, em detrimento de uma gravação de bases ao vivo.

Portanto, encerrada a participação dos bateristas Ivan Busic e José Luis Dinola, o próximo na ordem tradicional, fui eu. Também muito seguro daquelas canções e sem percalços, gravei rápido e até me dei um luxo extra, ao ver que dentro do que havíamos planejado em termos de tempo para a minha parte ser gravada, havia sobrado mais de duas horas do previsto. Na faixa "Profecia", onde um micro solo de baixo se fazia necessário, porque fazia parte do arranjo da música ao vivo, sendo executado desde 1986, por isso, acabei gravando-o num canal extra, somando-se ao baixo regular da música. Essa foi a primeira vez que usei tal recurso em estúdio e somente mais uma vez, em 2003, gravando uma faixa no álbum solo do guitarrista Xando Zupo, fiz algo semelhante, mas desta feita por sugestão dele, e não minha ideia.  

As bases de guitarras foram muito tranquilas também. O Rubens não teve dificuldades em gravar faixas que conhecia muito bem por toca-las ao vivo há bastante tempo, e o Beto teve participação fazendo guitarra base em três faixas : "A Woman Like You"; "Sweet Caroline" e "Lírio de um Pantanal".

Em outras sessões posteriores, os solos também foram tranquilos, sem percalços técnicos. Rubens naturalmente era o nosso "lead guitar", mas infelizmente, por conta do clima ruim em que a banda mergulhou desde a virada do primeiro para o segundo semestre de 1987, estava mal humorado quase todo o tempo, e colocando-se inacessível para diálogos. Parecia estar ali apenas cumprindo uma função profissional, mas não havia o envolvimento emocional.

Aquilo era horrível em todos os sentidos, mas entristecia-me ainda mais, pois nós dois éramos as células primordiais da banda, e como se não bastasse não termos mais o Zé Luis entre nós, agora amargávamos esse distanciamento.

Bem, eu não cogitava que essa contrariedade dele resultaria num mal maior em poucas semanas, e na época, achava que o mal estar passaria e tudo se normalizaria após o lançamento do disco e volta da maratona de shows e contatos na mídia etc etc.

Terminadas as gravações de bases e solos, chegara a vez dos vocais, backing vocals e convidados do disco.

Sobre os convidados, foram apenas dois, além do Ivan, obviamente : Fernando Costa e Andria Busic.  
Foto promocional do Inox, com Fernando Costa ("The Crow"), sendo o segundo da esquerda para a direita

Fernando Costa era guitarrista do Inox, mas sua formação mesmo era de tecladista, e de fato, sua afinidade com o Rock Progressivo setentista era total. Um exímio tecladista e geralmente envolvido com bandas de orientação progressiva, Fernando surpreendera à todos quando surgiu como guitarrista de uma banda de Heavy-Metal nos anos oitenta e de fato, "pilotando" bem uma guitarra numa banda dessas características e sozinho, sem uma segunda guitarra a apoia-lo, portanto, se assumindo como "lead guitar" da banda. Na verdade, ele é um multi-instrumentista, e nos dias atuais (2015), tem se apresentado como baixista em vários trabalhos, versátil e dono de um excepcional dom musical, sem dúvida.

Nessa participação como convidado, Fernando, ou "The Crow" como gostava de ser apelidado, gravou algumas intervenções de teclados, nada rebuscado, apenas dando um leve colorido aos arranjos de "Sun City", "Lírio de um Pantanal", "Change my Evil Ways", e "Keep me Warm Tonight".  
Andria Busic em foto bem mais atual, do Site oficial do Dr. Sin, sua banda há muitos anos.

Já no caso de Andria Busic, sua participação foi fazendo alguns backing vocals, nos emprestando sua bela voz aguda. Ele cantou nos refrões de "A Woman Like You"; "Sweet Caroline"; e "Sun City".

Sobre a rotina no estúdio Guidon, lembro-me que trabalhamos com dois técnicos, que eram gente boa e interagiram bem conosco e com o Edy Bianchi : Edelson e Pepeu.

A mixagem do disco também foi tranquila, com o Bianchi nos auxiliando bastante.

Claro, tudo foi feito a toque de caixa, porque o dinheiro era curtíssimo, impossibilitando totalmente um maior esmero, isto é, a dura vida do artista independente e pobre...

Por volta do final de novembro, encerrou-se essa etapa de estúdio, e agora tínhamos que correr com o processo posterior de corte e contarmos posteriormente com a rapidez da fábrica, para prensar o quanto antes, pois queríamos e na verdade, precisávamos ter o disco em mãos o quanto antes.

Encerrando sobre o estúdio, lamento muito que não haja uma única foto desse momento histórico da banda. Além da verba curta que tínhamos para tudo, mesmo uma despesa barata como providenciar filmes para um amigo registrar em máquina Polaroid que fosse, estava inviabilizado. Só lamento, portanto, não ter tal material aqui e agora, em 2015, quando publico estas linhas...
Continua...

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