quarta-feira, 8 de julho de 2015

Autobiografia na Música - Pitbulls on Crack - Capítulo 113 - Por Luiz Domingues

Depois que passou o show de Caxambu, eu já estava elucubrando a criação de minha nova banda. Em conversa particular com o Deca, soube que ele estava também cansado dos rumos do POC, não pela banda em si, que ele gostava sem reservas pela parte artística, mas por também sentir que as grandes chances tinham passado e a tendência, era a da banda ficar marchando no mesmo degrau doravante, num processo decadente e desanimador. Diante dessa afirmativa, convidei-o a integrar a minha nova banda, onde já tinha convidado Rodrigo Hid para ser guitarrista; vocalista, e tecladista. Eu estava esperando só o momento propício para anunciar a minha saída para o Juan Pastor e Chris Skepis, mas ainda surgiu um novo compromisso. Desta vez, esse contato surgira da parte do guitarrista "Perna", da banda "Genocídio", e seria um show dividido com outras bandas, numa casa noturna na cidade de Mogi das Cruzes, na grande São Paulo.
Perna, "gente fina" e guitarrista da banda de Heavy-Metal, Genocídio

O "Perna" era gente boa, e nos últimos meses de 1996 e nos primeiros de 1997, estreitamos contato, pois ele fora contratado pelo selo Primal / Velas e tornara-se então, um funcionário da gravadora, onde quase diariamente víamo-nos. Os últimos ensaios do POC, foram bastante desanimadores, pois ninguém parecia ter mais motivação para tal.
Fazer músicas novas foi proposto, e o Chris sempre tinha kilos de músicas prontas em suas demo tapes caseiras, pois seu tempo era gasto habitualmente em compor e gravar músicas em seu port-estúdio. Mas ninguém estava com vontade para tal, pois aquele ânimo do início, tinha esvaído-se pelo ralo, para todos, dava para sentir.
Com isso, fomos tocar nessa casa em Mogi das Cruzes (chamava-se "Espaço Oito"), no dia 22 de agosto de 1997, onde dividimos a noite com o "Zero Vision", "P.U.S." e "Genocídio".  Era uma casa muito grande e bem decorada. O palco era muito bom e alto, com um equipamento legal de som e luz. A decoração da casa, lembrava a de quiosques de praia, com móveis rústicos etc. Por ser uma cidade que vive em função da sua famosa universidade, a presença de jovens estudantes universitários era maciça. Cerca de 300 pessoas estiveram presentes nessa noite de uma sexta-feira. O público era o típico de uma casa noturna, com bastante dispersão. Nem todo mundo presente na casa estava interessado nos shows, claro. Mas quando tocamos, foi bastante respeitoso e razoável em termos de número.
Syang, a guitarrista da banda "PUS", que fazia Metal extremo

Nem mesmo durante o show do "P.U.S.", com sua bela guitarrista, Syang, esse panorama mudou, portanto, não era pelo POC em si, mas a dispersão era para qualquer banda. Aliás, cabe lembrar que poucas semanas antes, havíamos tido um convívio com o "P.U.S.", dividindo os bastidores de um programa de TV obscuro, onde eles estiveram presentes também. Não consigo nem lembrar-me o nome dele, que era obscuríssimo, e a cópia que tinha dessa aparição, em VHS, foi perdida num desses "empréstimos" dos quais arrependo-me amargamente, principalmente agora que escrevo minhas memórias e cada item desse, vale ouro...
Só lembro-me de que o apresentador do programa era Otaviano Costa, ainda desconhecido do público, mas hoje bastante conhecido por conta de novelas na Rede Globo, e nos dias atuais (2016), ser apresentador do "Vídeo Show".
No camarim do show de Mogi das Cruzes, em foto do acervo de Jason Machado 

Voltando ao show de Mogi das Cruzes, creio que não foi um show ruim, mas tal como em Caxambu, foi um show que nada acrescentou à nossa vida. Foi o meu último show com o "POC", o glorioso Pitbulls on Crack.

Continua...

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