domingo, 4 de outubro de 2015

Autobiografia na Música - Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada - Capítulo 15 - Por Luiz Domingues


Feito esse sacrifício de montar às pressas absolutamente tudo, e fazer "auto-soundcheck", tivemos pouco tempo para um relax pré-show, e por se tratar de casa noturna, logicamente que não havia estrutura de camarins, portanto, o jeito era ficar despojadamente à espera do show, confraternizando com as pessoas da plateia.

Logo de cara, achei interessante verificar que o público presente era heterogêneo. Haviam fãs da carreira oitentista do Ciro; mas também fãs de sua carreira solo; e fãs da carreira da vocalista Luciana Andrade, que convenhamos, por ter passagem com um grupo vocal pop que teve sucesso no mainstream dos anos 2000 ("Rouge"), atraía seu público, mesmo não sendo um trabalho seu, propriamente dito.

Achei isso muito interessante, pois denotou o forte poder da mídia num trabalho popular, que proporcionou à ela, seguidores fiéis de seu trabalho, aonde ela estiver, mesmo fazendo com o Ciro, um trabalho muitíssimo mais hermético do que o som popular do "Rouge".

Essa fidelidade de seus fãs, respeitando essa sonoridade com a qual não tinham familiaridade, só para prestigiá-la, achei fantástica.

Conheci alguns fãs dela e do Ciro nessa noite, e curti muito essa possibilidade de estar embrenhando-me num mundo novo, ainda que tocando um som que remetia-me à ícones do Rock e da contracultura, que fazem parte de minha formação básica.

E nesses termos, era muito estimulante para mim, estar tocando um som fortemente influenciado pela psicodelia sessentista, com toques generosos de surrealismo, e tendo fãs dos Titãs/Cabine C e Rouge na plateia, ou seja, uma salutar mistura que era por demais estimulante, ainda que estranha.

Continua...

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