sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 51 - Por Luiz Domingues


Satisfeitos com esses dois shows iniciais, paralelamente já tínhamos a notícia de que alguns jornalistas tinham tido boa impressão sobre o nosso primeiro CD, e também pela forma criativa que encontramos para embalá-lo. 

Em off, um veterano critico musical que conhecíamos desde os anos oitenta, nos disse que ficara impressionado com a diversidade sonora do trabalho, e também com a criatividade do encarte com inserções psicodélicas, e fotos com atitude. 

Nesse quesito, acho que a necessidade foi realmente a mãe do invenção como dizia Frank Zappa, pois tudo em relação ao encarte foi precipitado pela urgência em definir um caminho e sobretudo pelo improviso, onde Rodrigo Hid teve o mérito de esforçar-se nesse sentido. 

Cabe aqui uma menção honrosa. Esqueci de mencionar, mas uma figura importante na conclusão desse lay-out final, que foi a do web designer e baixista, Fabio Mulan. Graças a ele, toda a formatação do texto, em termos de tipologia e diagramação, foi agilizada.

E o próximo show estava definido, aconteceria numa casa noturna chamada "Blackmore", localizada no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo.  

Para quem não conhece SP, o "Blackmore" é mesmo referência ao guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore, e a casa tem tradição de fazer shows de Hard Rock e Heavy Metal, predominantemente, e até já promoveu shows internacionais (de memória, lembro-me de Joe Lynn Turner, ex-vocalista do Rainbow e com passagem rápida pelo Deep Purple; Nicky Simper, primeiro baixista do Deep Purple, e John Lawton, Ex-Lucifer's Friend e Uriah Heep). 

Novamente dividiríamos a noite com o Carro Bomba e fizemos um esforço interessante de divulgação, inclusive com inserções de chamadas radiofônicas, e um bonito cartaz que fizemos, bem colorido à moda psicodélica dos sixties.

A casa tinha uma estrutura boa de palco; som e luz, e dessa forma, mesmo sem a presença de nosso técnico, Renato Carneiro, estávamos seguros de que nos entenderíamos com o técnico do estabelecimento, e faríamos um bom show, como houvera sido no Café Aurora. 

Era um dia útil, mas como estávamos vivendo época de Copa do Mundo, o clima era de dias úteis relaxados, com aulas suspensas, comércio trabalhando em ritmo brando etc. 

Eu estava com um problema familiar já há alguns meses, com o caso de uma prima minha muito doente. O vai e vem ao hospital tinha se intensificado desde março daquele ano de 2006, mas o que eu não imaginaria era passar por uma situação limítrofe, bem no dia do show no Blackmore. 

O pior aconteceu infelizmente, e na madrugada daquele dia do show, minha prima faleceu, e com meus outros primos, irmãos dela, morando fora de SP, eu tive que tomar a dianteira das providências funerárias, auxiliando meus tios, idosos e abalados, naturalmente. 

E eu também estava em frangalhos, pois apesar do estado dela nos últimos tempos ter se degenerado ao ponto de não termos outra esperança, o choque da perda sempre atordoa e machuca, fora o fato de ser uma prima com quem tive estreita relação fraternal desde a infância, portanto, foi um soco no estômago.

Em suma, pois não quero, e não vou entrar em detalhes aqui, obviamente, mas o fato é que o funcionário do hospital me ligou por volta de 1:30 h da manhã para comunicar o ocorrido, e dali em diante, passei a madrugada cuidando dos trâmites e emendando no velório. 

Não pude acompanhar a cerimônia do crematório, pois seria no final da tarde, quando teria de estar no Blackmore, realizando o soundcheck.

Pedi desculpas aos meus tios e primos; minha mãe; irmã e demais parentes e amigos da família presentes, e parti então, com a compreensão de todos. 

Claro, o cansaço era imenso, mas tiraria de letra após uma boa noite de sono. Mas o fato era que eu estava bem chateado com essa perda, e tive que fazer um esforço extra para não prejudicar a minha performance pessoal, tampouco a da banda, em meio à esse drama pessoal que enfrentava. 

Foi difícil, mas dei o melhor de mim naquela noite. 

O Carro Bomba tocou depois de nós naquela noite, invertendo a ordem que cumpríramos no Café Aurora em maio.

O show foi bom, temos muitas fotos e uma filmagem em Mini-VHS dele.  
Meu amigo, Marinho Rocker, de Lavras-MG, diante de sua estante de LP's, grande colecionador que é.

Destaco a presença de meu amigo Marinho Rocker (que foi o precipitador desta autobiografia, dando início à narrativa abrindo cada tópico, ainda na extinta Rede Social, Orkut, em 2011), que veio de Minas Gerais, de sua querida cidade de Lavras, especialmente para assistir o show do Pedra, e também do Carro Bomba, do qual é fã, também. 


Esse show ocorreu no dia 14 de junho de 2006, com 60 pessoas na plateia, aproximadamente.

Como último fato curioso, destaco que num dado instante do show do Carro Bomba, o baixista Gerson Tatini, ex-Moto Perpétuo e que era coproprietário da casa, assumiu o controle da mesa de P.A., tentando equalizar o som do CB, mas como eles tocavam muito mais alto do que nós, e seu som era praticamente um Heavy-Metal, realmente estava difícil de se fazer as vozes ficarem audíveis. 

Foi assim o terceiro show do Pedra, então. Um show bom, mas numa noite de muita tristeza pessoal para mim, infelizmente.

Todas as fotos deste capítulo, são de Grace Lagôa, com exceção da foto de Marinho "Rocker", extraída do banco de imagens da Internet.

Continua...

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