terça-feira, 6 de outubro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 186 - Por Luiz Domingues



Após uma rápida confusão com alguns funcionários do Sesc, finalmente alguém nos indicou o caminho para o ônibus descarregar o equipamento, numa entrada de serviço.

Todavia, essa entrada era localizada na rua paralela detrás da entrada principal da instituição e por ser uma ladeira, deixava a entrada de serviço numa espécie de encosta íngreme.

Com isso, tivemos que descer um declive acentuado de gramado, visto que a tal entrada era recuada da calçada, e quando nos aproximamos do portão, fomos informados pelos funcionários que o ônibus não entraria, pois logo adiante do portão, havia uma escada que já dava acesso ao ginásio poliesportivo, onde aconteceria o show.

Dessa forma, tivemos que estacionar o ônibus na proximidade do portão e fazer o descarregamento ali, com os roadies enfrentando o declive, e uma escada perigosa a seguir, caminhar por toda a quadra, e finalmente enfrentar outra escada, para suspender o equipamento no palco de altura bem alta (acredito que mais de 2 metros do chão).

Além desse esforço hercúleo, o tempo urgia. Tínhamos pouquíssimos minutos para arrumar o palco, tentar fazer um soundcheck muito básico, e nos arrumarmos para o show.

Os técnicos de som e luz contratados pelo Sesc, eram solícitos e foram bastante camaradas em nos auxiliar a ter um soundcheck mínimo, ainda que o tempo estivesse estourado e os funcionários do Sesc aflitos para abrir o portão principal, e deixar o público que estava impaciente na rua, entrar.

Contudo, mais um desastre nos aguardava...essa tour não seria marcada só pela inundação de Ribeirão Preto, infelizmente !

Isso porque ao estacionarmos o ônibus, com a dificuldade em estacionar aquele bólido numa ladeira íngreme e levando-se em conta o fato de que não tínhamos o "manequinho" (freio de mão de ônibus e caminhões) em ordem, usávamos nessas circunstâncias um calço muito forte e manufaturado especificamente para essa função, com formato anatômico ao pneu de n° 900 (carros de passeio geralmente usam o 175...). 


De maneira muito imprudente, quando o "seu" Wagner solicitou que alguém colocasse o calço, com ele segurando o carro no freio de pedal, o Marcello prontamente se prontificou a realizar tal tarefa. Poderia ser qualquer um de nós e geralmente era o roadie Samuel Wagner, ou eu mesmo quem fazia isso, mas naquele dia o Marcello se antecipou e apanhou o calço, que ficava sempre colocado perto da poltrona do motorista.

Eu estava dentro do ônibus, preocupado em apanhar as malas pessoais de todos, quando ouvi um grito horripilante !!

O ônibus descera um pouco e esmagara a mão do Marcello entre o calço e o enorme pneu !!

Por uma fração de segundos pensei : sua mão está arruinada, meu Deus !!!


Continua...

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