quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 199 - Por Luiz Domingues



Independente dessa animosidade que o "seu" Walter criou por sua conta própria, nós relevamos completamente essa colocação vinda de uma pessoa que era nossa amiga, e sua observação não era ofensiva à nós, diretamente, mas uma constatação, ainda que a maneira pela qual ela se expressara não fora a mais adequada, e nesse ponto, nosso motorista tinha razão em ter se aborrecido.

Enfim, gostando ou não do nosso ônibus velho, era tal bólido que garantiria sua volta à São Paulo...  

Fizemos o soundcheck com tranquilidade nas dependências do ginásio de esportes do Sesc Bauru e enquanto passava aqueles momentos vespertino ali, claro que fazia minha reflexão pessoal sobre a longa trajetória pessoal que eu fizera, desde que ali mesmo me apresentara no já longínquo maio de 1980, quando ali me apresentei com o Língua de Trapo que dava seus primeiros passos na carreira, concorrendo num festival universitário local.

Bem, claro que tudo isso foi uma conjectura de segundos...estava ali com outros propósitos e não numa visita afetiva e nostálgica.

Voltando ao hotel, o relax foi bom após uma viagem cansativa e sob aquele intenso calor interiorano.

Lembro-me do Andreas Kisser surtando, mas no bom sentido, quando numa conversa sobre futebol, ficou eufórico ao exaltar seu clube do coração, aos berros lançando odes ao São Paulo FC, fanático torcedor que é daquele clube da Vila Leonor...

Nos reunimos para voltar ao Sesc, e na van a descontração e camaradagem era total.

Quando a van estacionou no pátio do Sesc, vimos que uma pequena multidão de caçadores de autógrafos estava a postos, mas sem ilusão alguma, sabíamos que nenhum de nós seriamos assediados e toda aquela movimentação era única e exclusivamente para o Andreas Kisser.

Sim, apesar dele estar nesse espetáculo apenas como convidado especial, e não haver nenhuma menção de que se tocaria músicas do Sepultura, seu nome com apelo internacional no mundo do Heavy-Metal, despertava comoção, naturalmente.

E assim ocorreu...

Quando passamos pelo séquito de fãs separados pela ação dos seguranças, houve comoção total e vimos uma menina passando mal de tão emocionada que ficou, numa crise nervosa de choro compulsivo, desmaiando. Claro que foi socorrida prontamente pelos seguranças do Sesc e nada de mais grave lhe aconteceu, mas foi até chocante ver essa cena.

Bem, assim como no show que fizéramos com sua participação em janeiro no Sesc Pompeia, eu nutri preocupação em ver tantos fãs do Sepultura presentes só para prestigiar o Andreas, e que fatalmente se frustrariam ao ver que não tocaríamos nenhuma música de sua banda.

Mas durante o show, nada ocorreu que denotasse tal insatisfação de seu público específico. Foi um show normal, um pouquinho reduzido, porém, para dar espaço ao Tutti-Frutti.

Ao final, repetimos a dinâmica apresentada em janeiro, e as duas bandas e seus respectivos convidados, subiram ao palco para um número final. 

Foi uma boa noitada para as duas bandas e seus convidados, com o público respondendo bem.
Aconteceu no dia 15 de março de 2002, com público estimado de 1500 pessoas presentes, segundo informação do Sesc, passada à produtora Sarah Reichdan.

Nos despedimos de Sarah; Andreas, e Bocato que voltaram para São Paulo imediatamente após o término do espetáculo, e fomos para o hotel repousar.

Nem todos no entanto, pois alguns foram curtir a noitada de Bauru, numa casa noturna local. Claro, preferi o silêncio monástico do quarto do hotel.

No dia seguinte, bem cedo, fui ao saguão do hotel para tomar o café da manhã e lá encontrei-me com Luiz Carlini e Rufino, que também buscavam o mesmo objetivo. Na mesa, Carlini recordou-se das muitas vezes em que se hospedara naquele mesmo hotel em ocasiões anteriores, tocando com o Tutti-Frutti ou mesmo  
acompanhando medalhões como Guilherme Arantes e Erasmo Carlos. Café recheado de histórias saborosas do Rock brasuca.

Estava tudo tranquilo e chegara a hora, fomos para a estrada, voltar para São Paulo.

Sob o clássico calor de rachar do interior paulista, iniciamos a viagem de volta e o clima no nosso "azulão" era o melhor possível. Somente o "seu" Walter guardava para si a bronca adquirida com uma pessoa ligada à comitiva do Tutti-Frutti. Quando ela entrou no ônibus, ele rapidamente procurou-me visualmente, e deu aquela piscada de olhos com ar de deboche, para me fazer relembrar de sua bronca e eu ri, internamente, é claro...  

Paramos exatamente nesse aí, da Rede Rodoserv, na estrada Castelo Branco, cerca de 50 KM antes de Sorocaba, no sentido São Paulo, Capital

Numa parada no meio do caminho para nos refrescarmos num desses super postos luxuosos e caríssimos de beira de estrada, conseguimos amenizar um pouco do calor tórrido que nos atormentava. A tal pessoa que criticara nosso carrinho velho estava esbaforida e tinha razão em lamentar não ter voltado para São Paulo naquela van de ar condicionado glacial que a levara para Bauru...

Paramos num outro posto adiante, para outra sessão de refresco geral, um pequeno fenômeno natural aconteceu entre nós e foi registrado em vídeo pelo Rodrigo. Um mini tornado levantou muita poeira do chão e ficou nos circundando de forma engraçada.

O chato de assistir esse vídeo é que dois membros do Tutti-Frutti que ali estavam rindo e brincando conosco, já não estão mais entre nós. O saudoso Rufino e o tecladista.

Mas, mesmo com essa constatação triste, um dia essas imagens vão para o You Tube...

Deixamos a comitiva do Tutti-Frutti na porta da residência do Carlini, na Pompeia, e de lá, deixamos o nosso backline na minha residência na Aclimação, para a seguir, levar o ônibus para uma oficina de tapeceiro automotivo.

Já estava programado que deixaríamos o ônibus lá após a volta de Bauru e que por alguns dias ele lá permaneceria para receber várias benfeitorias no seu acabamento interno.

E assim foi...

Teríamos um pequeno hiato de shows doravante e nosso próximo compromisso seria só no início de abril, no Sesc Pinheiros, no bairro homônimo, em São Paulo.

Continua...

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