sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 179 - Por Luiz Domingues

 
Não tendo outra alternativa, tivemos que queimar a cabeça tentando achar tais soluções que mencionei no último capítulo. 

O terceiro estacionamento que arrumamos, ficava no bairro vizinho, da Liberdade, mas o acesso era fácil, e a distância pequena devido ao fato de ser bem na divisa entre os bairros da Liberdade e da Aclimação.

Ali, aparentemente teríamos um período de estabilidade maior, devido ao fato de ninguém nos alertar sobre o fim do estacionamento, sendo vendido para uma incorporadora levantar suas torres "maledettas"...mas isso mudaria em breve, como contarei logo mais.

Estávamos sem perspectivas de contratar um novo motorista, até que um golpe de pura sorte ocorreu...

Passando por uma rua próxima à residência do Junior, ele próprio e o Marcello avistaram um ônibus particular estacionado, e seu motorista ali conversando com comerciantes locais. Resolveram parar e lhe perguntar se conheciam algum motorista particular com habilitação para conduzir tais veículos, e que se interessasse em nos conduzir ao interior.

O tal senhor não se fez de rogado e lhes disse que ele mesmo aceiraria !!

A conversa evoluiu de uma forma muito rápida, e o senhor demonstrou real interesse pela oportunidade que lhe caíra do céu, pois era um homem simples e conduzia aquele ônibus de frete, de forma irregular, fazendo viagens urbanas não autorizadas, levando pessoas do bairro do Cambuci até São Mateus, no extremo da zona leste de São Paulo, pelo preço de uma passagem urbana normal, mas dando-lhes a vantagem de viajarem num ônibus de viagem, portanto sentados em poltronas muito mais confortáveis. 

A desvantagem era o perigo iminente de serem parados em blitz policiais de trânsito, e terem a viagem interrompida, com o veículo sendo confiscado e o seu dono se enroscando todo com uma multa pesada, fora amargar ficar sem o ônibus até regularizar tudo.

Dizia ter sido um motorista de companhias de viagens interestaduais de linha, no passado, além de caminhoneiro, e que tinha experiência na estrada, além de ser mecânico.

Sem grandes perspectivas no momento e só tendo aquele meio de trabalho proscrito para sobreviver, passando medo diariamente pelo caráter clandestino de seu transporte irregular, mostrou-se muito interessado em conhecer a nossa proposta, e claro que nos animamos, mesmo sendo um completo desconhecido que conhecêramos na rua.

De nossa parte, tínhamos um prazo curto para contratar um motorista e a perspectiva dele ser mecânico, era convidativa, pois fora com essa perspectiva que compramos o ônibus, meses antes, confiando no nosso ex-sócio que no acordo inicial, se responsabilizaria pela manutenção.

Independente desse senhor estar falando a verdade e ser de fato um bom motorista e mecânico, se o fosse, estaríamos no lucro, pois o ex-sócio não era mecânico, mas apenas um fuçador sem muitos conhecimentos. Portanto, viajar com alguém que tivesse esse atributo, seria uma mão na roda para nós.

Mostrando-se realmente interessado, quis conhecer o nosso ônibus e assim que chegou ao estacionamento, se dispôs a dar uma olhada inicial nos pontos mais críticos do carro. Foi quando descobrimos uma coisa chocante e completamente incautos que éramos em relação à manutenção de um ônibus, nem havíamos nos dado conta disso.

Há muitos capítulos atrás, eu deixei um anúncio enigmático, que tenho certeza de que o leitor, mesmo o mais atento, já não deve se lembrar mais, dado o volume grande de histórias que arrolei posteriormente.

Mas refresco-lhe a memória, amigo leitor : na primeira grande turnê que fizemos, com cinco shows em cinco cidades diferentes, em dezembro de 2001, nosso ex-sócio resolveu trocar o óleo do veículo em São Carlos, segundo destino daquela tour. Para tanto, comprou dois baldes de plástico, com o objetivo de não emporcalhar o estacionamento local.

Bem, quando o nosso novo motorista / mecânico abriu a tampa do motor para checar o óleo...

Continua...

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