quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 193 - Por Luiz Domingues


Estávamos extenuados e abalados psicologicamente pelo fato de termos suportado tantas adversidades nesses dias, e as palavras proferidas pelo "seu Wagner", soaram como um bálsamo naquele instante. 

Ninguém lhe respondeu, pelo menos verbalmente, pois a resposta veio com a atitude quase ensaiada de todos, com cada um buscando se ajeitar individualmente nas poltronas do ônibus, em silêncio profundo...

Porém, mais uma desgraça estava por vir...

Acordei por volta de seis e meia da manhã, com um forte estampido, semelhante a um tiro de rifle, e claro que voei da poltrona. Naquela fração de segundos, demorei um pouco para entender o que havia ocorrido, mas a voz do "Seu" Wagner esclareceu tudo, de forma prosaica, pausada e resignada : -"Estourou um pneu"... 


Apesar de estar numa velocidade razoável, tal ocorrência assustou mais pelo som, pois o "seu" Wagner assegurou-nos uma condução tranquila até o acostamento.

Bem, estourar um pneu não é o fim do mundo para ninguém, teoricamente. Troca-se rapidamente e por prudência se procura o borracheiro mais próximo, para efetuar o reparo e recolocá-lo, voltando o estepe para o bagageiro.

Mas um pneu  de ônibus/caminhão não é tão fácil de consertar ou repor na estrada, como ingenuamente achávamos nós que nunca fomos caminhoneiros...

No primeiro posto onde paramos, não conseguimos êxito e no segundo, o borracheiro nos informou que o pneu em questão não suportaria um conserto e pior, o estepe estava nas mesmas condições...

Sem um pneu melhor para nos vender, ficou aquele impasse insuportável para ser resolvido. O borracheiro sensibilizou-se com o nosso caso e ofereceu-se a nos levar de carro até a cidade de Taquaritinga, cerca de oito Kilômetros de onde estávamos e nos levando numa concessionária, para comprarmos dois pneus novos ou seminovos. 


Voluntariei-me para tal missão e junto com "seu" Wagner, fomos nessa missão, por volta de sete horas da manhã. O cansaço e a contrariedade por estar passando por mais essa adversidade, era gigantesco.

Mas alguém precisava tomar a providência e lá fui eu, novamente. De fato, nesses três dias eu fui o bombeiro da maioria das ocorrências, e não foram poucas.

Chegando em Taquaritinga, ainda tivemos que esperar a loja abrir, e minha cara de insatisfação por estar ali nessas circunstâncias devia ser gritante, acredito.

Bem, fizemos a compra e retornamos ao posto da estrada. Mais um bom tempo para efetuar a troca, e finalmente voltamos para a estrada, com a viagem de retorno para São Paulo, prosseguindo.

Claro que o clima estava pesado. Foram muitas as adversidades e para piorar tudo, tivemos gastos monetários imprevistos, mas era melhor se acostumar com essa dinâmica : ter um ônibus próprio, demandava gastos com manutenção, constantes.

Chegamos em São Paulo fatigados e chateados, mas a vida tinha que prosseguir. Desde o começo das atividades da banda, essa fora sem dúvida, a pior tour, mas não havia sentido em lamentar, pois teríamos novos compromissos em breve, e não era oportuno abaixar a guarda.

Independente de tudo o que ocorrera nesses três dias, o "Seu" Wagner estava aprovadíssimo como motorista/mecânico, e estávamos felizes por ele ter minimizado a situação, pois nas mãos do motorista anterior, teria sido muito pior, visto que não tinha os mesmos atributos e a malandragem de estrada do "Seu" Wagner.

O próximo show seria em Osasco, na Grande São Paulo, portanto sem o uso do ônibus, mas uma nova investida no interior de São Paulo, já estava marcada para a semana subsequente.

E assim, encerrou-se a "tour do azar", com os três shows de Ribeirão Preto; São Carlos; e Mirassol, em 22, 23 e 24 de fevereiro de 2002, respectivamente. 


Continua...

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