domingo, 31 de maio de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 295 - Por Luiz Domingues


Como já disse anteriormente, vou repercutir algumas matérias que saíram como resenhas de shows que comentei recentemente.

Por exemplo, na Revista "Metal", número 22, o jornalista Antonio Carlos Monteiro falou sobre suas impressões do Show "Metal 4", realizado no Palmeiras em maio de 1986 :
"...Mais uma pausa, e surge A Chave do Sol". É impossível falar dessa banda sem usar adjetivos elogiosos. Inexplicável a cegueira absoluta das grandes gravadoras, que ainda não descobriram esse grupo. Além de músicas conhecidas, a Chave ainda mostrou  alguns ótimos temas novos, provando que sempre é possível se superar"...

Na mesma Revista, em sua edição de n° 23, a jornalista carioca Claudia C. Schafer resenhou o show que fizemos no "Caverna II" no final de maio do mesmo ano, e comentado nos capítulos imediatamente anteriores :
"No último domingo de maio, um grupo paulista muito querido pelos cariocas se apresentou pela terceira vez no Rio de Janeiro : o Chave do Sol. Além do Chave, tivemos a presença do Azul Limão e Fim do Mundo. Como de costume, ás quatro horas, os vídeos começavam a agitar a galera...

...Apesar de ter vindo poucas vezes ao Rio, a galera carioca o conhece pelo EP da Baratos Afins. A chave é uma banda extremamente profissional e seus músicos são excelentes, todos tem o mesmo nível. São eles : Luiz Domingues (baixo); Zé Luis (bateria); Rubens (guitarra) e Beto (vocais). Com temas falando de amor e também com conotações humanitárias eles levaram "Anjo Rebelde", a baladinha "Um Minuto Além", um protesto contra o Apartheid, "Sun City", entre outras encerrando com um belíssimo blues "Forças do Bem"...

Comentando as matérias, agora, em relação à resenha do Tony do show do Palmeiras, digo que seu entusiasmo para conosco era emocionante. Daí em diante (para ser mais preciso, acredito que desde 1985), ele sempre demonstrava publicamente em suas matérias que não se conformava com o fato da Chave não ser cogitada por nenhum produtor de gravadora Major para uma possível contratação e remanejamento de nossa banda no mainstream.

Isso era muito bacana como lobby para nós, considerando que o Tony já era um jornalista top e escrevia para publicações bem situadas no ranking das publicações musicais do Brasil, caso das revistas Roll, Metal e Mix, todas da mesma editora, além de colaborar com jornais e fanzines independentes, também.

No caso da resenha da Claudia, ela se preocupou em situar a banda no imaginário do público carioca, e fazer uma descrição das músicas. "Forças do Bem" era uma pauleira, quase um heavy Metal. Ela deve ter confundido o nome, pois ao descrevê-la como um Blues, se referia naturalmente à "Que Falta me faz Baby", essa sim, um Blues. 

Lembro-me que tocamos várias novas, dentro daquela determinação de tirar o "ranço heavy metal" inadequadamente adquirido após o lançamento do EP de 1985. Mesmo assim, tocar "Forças do Bem" foi uma escorregada na estratégia...

Ela omitiu a questão do calor, o desmaio do Zé, e a ovação incrível que tivemos, fatos marcantes do espetáculo, escrevendo uma resenha quase burocrática, apesar de simpática.

Como dado curioso, acrescento que ela era uma mulher muito bonita, loira natural e com cara de "gringa", destoando-a do padrão típico da carioca bronzeada (era descendente de alemães), e na mesma época em que escrevia na Revista Metal, apresentava um programa de Vídeo Clips na TV Bandeirantes do Rio. Pouco tempo depois, ficamos amigos, pois ela era muito amiga da minha namorada na ocasião, que era do Rio, também. Chegamos a irmos juntos ao show do Eric Clapton, na Praça da Apoteose, em 1990 : eu; minha namorada; Claudia; e seu namorado, o baixista da banda X-Rated (que fêz relativo barulho na cena do início dos anos noventa).

No próximo capítulo, ainda no embalo de falar sobre matérias de veículos impressos, comentarei sobre uma entrevista que concedi à Revista "Roll", e aí, tem bastante coisa para repercutir e comentar à luz de trinta anos passados...

Continua...

Nenhum comentário:

Postar um comentário