domingo, 31 de maio de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 301 - Por Luiz Domingues


Dessa forma, fomos na chamada "cara dura", para tentar uma abordagem direta com Rita Lee, e cabe aqui algumas ponderações prévias sobre tal resolução de nossa parte :

1) Nossa intenção na verdade era outra, além do agradecimento puro e simples... 

Queríamos na verdade, estreitar relação com a "Rainha do Rock", e tentar assim um "amadrinhamento", se possível...

2) Era terminantemente proibida visitas nos estúdios da emissora e o programa era ao vivo. Portanto, era quase certeza de que não conseguiríamos nem passar da recepção.

3) Mesmo não sendo lá uma estratégia bem engendrada e correndo o risco de não lograr êxito, tentamos...

Sendo assim, chegamos na referida emissora em cima da hora do programa começar e isso foi proposital. 

Julgamos ser mais conveniente tentar entrar com a certeza de que ela e Roberto de Carvalho já estivessem no estúdio, a tentar uma abordagem de rua, onde naturalmente poderia haver a presença de seguranças truculentos, ou deles nem pararem para nos ouvir, alegando pressa pelo horário. Seria incerta a estratégia, portanto.

Naquela época, não havia interceptação no hall de entrada do edifício onde a 89 FM se localizava, portanto, entrar no prédio era tranquilo, mas o impasse seria entrar nas suas dependências no 18° andar.

Foto da antiga Sears (1952), na rua 13 de maio, onde desde 1989, existe o Shopping Paulista

Portanto, ficamos nas imediações da Praça Oswaldo Cruz, onde se localiza o referido edifício e aguardamos alguns minutos, para efetuar a nossa entrada. Naquela época, as dependências da antiga loja de departamentos Sears que ficam em frente, no início da Rua 13 de maio, estavam decadentes. Somente quatro anos depois, ali se reformaria e tornar-se-ia o Shopping Paulista.

Na espreita, aguardando na praça que marca o início da Avenida Paulista (Praça Oswaldo Cruz), vimos o casal chegando apressadamente. Estavam num carro particular, e com uma terceira pessoa presente que o dirigia, que os deixou na porta do prédio e partiu, provavelmente indo estacioná-lo.

Quem seria, não sabemos, talvez um produtor do staff do casal, provavelmente.

Vimos portanto o casal entrando apressadamente no edifício, e sem seguranças, tampouco abordagem de fãs, pois achávamos que na porta do prédio aglomeravam-se caçadores de autógrafos, "paparazzis", e curiosos em geral. Na verdade, nada...tudo absolutamente tranquilo.

Subimos então sem problemas, visto que naquela época o edifício não tinha uma recepção para filtrar entradas. Chegamos no 18° andar, e aí sim, enfrentamos a barreira da recepção da rádio.

Nos apresentando à recepcionista, fomos francos : "queremos falar com a Rita Lee"...

A recepcionista da rádio não nos mandou embora como achamos que faria, de forma "incontinente", obedecendo ordens naturalmente, mas resolveu interfonar para o estúdio, e anunciar nossa presença e nosso desejo.

Algum tempo depois, uma produtora apareceu, e educadamente nos disse que a Rita estava no ar, e não poderia nos receber bla-bla-bla...

Então insistimos no discurso de que a Rita gostara da nossa banda, que curtíamos o Bad Company também...e mais bla-bla-bla...

A produtora então nos disse que não era comum a Rita interromper sua performance que era ao vivo, para receber pessoas, mas falaria com ela. Ora, parecia que daria tudo certo, enfim, pois o normal teria sido nos convidar a nos retirarmos do recinto...

Mais um tempo se passou quando ela apareceu e disse para aguardarmos mais um pouco, pois a Rita falaria conosco, mas rapidamente, durante um intervalo comercial do programa, portanto seria bem rápido.

OK, ficamos animados com a perspectiva...

Continua...

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