sábado, 30 de maio de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 288 - Por Luiz Domingues

Retroagindo um pouco na cronologia, ainda falando da fase do Fran Alves na banda, em 1985

Ainda falando sobre o jornal-zine do nosso fã clube, o sucesso foi enorme entre os fãs que o receberam, e claro que nos animamos a prosseguir, melhorando-o cada vez mais. 

Em princípio, tentamos mantê-lo então com periodicidade trimestral, e apesar da crescente chegada de novos membros, mantivemos envio gratuito para todos, porque o caixa da banda permitia esse gentileza, e claro que era um investimento de carreira que valia a pena, visto que graças à essa propaganda, não fomentávamos só a carreira da banda, de forma indireta, mas também movimentávamos o merchandising da banda, com a venda de produtos, naturalmente.
Nesses termos, lançamos o número 2, em setembro de 1985 com uma pequena melhora no formato do primeiro, ao acrescentar uma página a mais (na verdade, como verso e reverso), além de uma nítida melhora no lay-out.

Os tópicos do número 2, foram os seguintes :

1) Disco - Anunciamos o lançamento oficial do disco com uma breve descrição da ficha técnica e repertório do mesmo, além do toque para adquiri-lo na loja Baratos Afins.

2) TV - Muitas dicas de programas que fizemos recentemente e alguns onde havia a perspectiva de aparecermos e que acabou não se concretizando, tais como : "Clube dos Esportistas" (TV Record); "Destaques" e "Foco" (TV Gazeta); "Batalha 85" (TV Bandeirantes);"Perdidos na Noite" (TV Record, e sobre este inclusive, eu já contei uma história hilária aqui...) e "Marília Gabriela" (TV Bandeirantes). Além de falar que a TV Cultura ainda não havia dado perspectiva sobre o programa "Trilha Sonora", cujo piloto nós participamos, mas na verdade, tal programa nunca foi aprovado e morreu nos arquivos daquela emissora.

3) Rádio - Falamos sobre muitos programas de rádio que haviam tocado nossas músicas e nos citado com testemunhais. De fato, ao longo desta autobio, falo bastante de emissoras que nos auxiliaram bastante tocando nosso trabalho em suas respectivas programações (Fluminense FM do Rio; Ipanema FM de Porto Alegre; 97 FM de Santo André/SP, entre as mais significativas), mas tivemos apoio de inúmeros programas de rádio, isoladamente, mesmo que tocando alguma música nossa ao menos uma vez, seguido de um pequeno testemunhal. Neste número do jornal, citamos alguns deles, tais como : Sinergia (USP-FM); Rádio Matraca (USP-FM); Matéria Prima (Cultura FM); "Tempo de Rock (Alvorada FM - Ribeirão Preto/SP); Sessão Rockambole (97 FM - Santo André/SP); Heavy Metal Rock (FM Notícia - Americana/SP);  Super Stars do Rock  (Eldorado FM - Bauru/SP); Concerto de Rock (USP-FM); Central Rock (Ipanema FM - Porto Alegre/RS). "Rock Expresso ( Cultura AM).

4) Revista - Anunciamos uma entrevista que concedemos à Revista "Visão", uma revista de economia e negócios, predominantemente, mas que esboçava ter um caderno cultural e ampliar assim o seu leque jornalístico. Outra coisa bastante exótica para nós, foi uma entrevista que saiu na revista "Amiga", uma revista popular/popularesca, mais centrada no metiér da TV, e em artistas da música brega. Mas por um lado, era genial para nós estarmos saindo do nicho fechado do Rock e alcançando novo público. E seguia uma tendência que tínhamos iniciado com várias incursões em programas de TV populares, tipo femininos, na TV, desde 1984.

Ainda falando de revistas, anunciamos com ênfase, o lançamento do álbum de figurinhas onde A Chave do Sol também estava representada com um cromo e anunciamos uma misteriosa novidade, que viria a ser o songbook de partituras que na verdade nunca concretizou-se, e cuja história já contei com detalhes, muitos capítulos atrás.

5) Claro que a ênfase sobre os próximos shows que aconteceriam, recaiu sobre os shows de lançamento que faríamos numa micro temporada no Teatro Lira Paulistana, em setembro de 1985.

Tem um comunicado em tom de desabafo, que lendo hoje em dia soa hilário...transcrevo-o :

"O show do Radar Tantã (20 de setembro de 1985) foi cancelado por falta de profissionalismo dessa nefasta danceteria"

Ha ha ha...realmente tínhamos uma data marcada nessa danceteria, mas decadente no fim de 1985, não levava para as suas dependências aquela multidão que costumava arrebatar nos seus primórdios de 1984, portanto, o trato fácil, com cachets gordos (muitos capítulos atrás, contei a incrível história de nossa apresentação nessa casa, em julho de 1984), não era mais a realidade daquela casa de shows, portanto, o cancelamento sumário, após termos disparado divulgação via mailing, portanto gastando dinheiro, gerou frustração, daí o tom de desabafo no fanzine, mas pensando hoje em dia, acho que nos livramos de uma bela "roubada", isso sim...

6) Falamos sobre o espaço de merchandising nos nossos shows, que agora era uma constante e com a presença do Edgard no comando, o Extraterrestre que viera do "Planeta Glapaux"...

Essa era uma onda Sci-Fi que eu forjei, evocando o Rock setentista , certamente, e que dava um efeito legal para chamar a atenção. Claro que o Edgard topou a brincadeira e curtia o assédio das meninas com essa história de ser um extraterrestre radicado no planeta Terra etc e tal...

7) Um curioso adendo no tópico sobre shows que passaram, davam conta de que o Rubens "agora" usava um transmissor da marca Nady, modelo GT 49. Era um típico recurso tecnológico da década de oitenta e eram poucos os que dispunham da possibilidade de possuir um naquela época, daí o destaque dado, como se fosse uma grande nova tecnológica da banda e de certa forma, foi mesmo.

E mais curioso ainda, foi o toque em defesa do Fran, quando eu escrevi que era a hora dos fãs pararem de reclamar da presença dele como vocalista, e sonharem com a volta do trio instrumental de outrora. Infelizmente, lutávamos contra a maré e a rejeição à participação do Fran na banda era muito grande.  Tanto que alguns dias depois dessa edição chegar ás residências dos membros do fã-clube, ele anunciou sua vontade de sair da banda. Era inevitável...

8) Outro toque que hoje soa hilário !!
Anunciamos que este seria o último número enviado gratuitamente para as pessoas, pois a despesa não poderia ser mais coberta pelo caixa da banda...

A frase final do comunicado, é uma pérola : "Aproveitamos para deixar claro que esta situação não foi imposta por nós, mas sim pelo sr. Delfim Neto"...

Ha ha ha...o velho Delfim e seu "milagre econômico" não teve meios de colaborar com o fã clube da Chave do Sol...

8) Anunciamos que estávamos vendendo fotos doravante. De fato, tal receita nos ajudou bastante a tocar o fã clube e ajudar a divulgar a banda por extensão.

9) Fã clubes que estavam nos apoiando : "Quiet Riot of Bad Girls Fan Club; Karisma Dirt Club; SP Liga Metálica; Neapdor Club do Rock; Heavy Metal maniac e Rock Brigade Fan Club de Heavy Metal. A tendência era essa mesma, ou seja, havíamos feito a opção de andar com essa turma, a partir de 1984 e assim fomos caminhando. Mesmo não tendo nada a ver com o mundo do Heavy-Metal , muita gente nos enxergava dessa forma e claro que o apoio, ainda que inadequado, era sempre bem vindo.

Com essa história da crise financeira que não nos permitiu prosseguir enviando gratuitamente para todos os fãs cadastrados, criamos uma faixa de membros que se tornaram apoiadores financeiros. Claro que os interessados em colaborar representavam uma fatia ínfima do contingente total, mas ficamos muito surpreendidos com a adesão, que beirou 150 pessoas aproximadamente.

Mas tivemos um atraso operacional com essas mudanças e o terceiro número que deveria sair em dezembro, acabou ficando para janeiro de 1986.

Tornou-se rotina administrarmos também a entrada de recursos financeiros, e também com o movimento de vendas pelo correio e na barraca dos shows, uma contabilidade caseira, foi estabelecida, para não misturar com o dinheiro dos cachets de shows e acertos com a venda de discos da gravadora. Eram três receitas distintas e nos esforçamos para não misturá-las para que o fã clube pudesse andar com seus próprios pés, sem recorrer ao caixa da banda propriamente dito.

Caixa 2 e caixa 3...ha ha ha...

E outra coisa : o volume de trabalho para o fã clube, cresceu muito e quando 1986 chegou, começamos a cogitar seriamente a possibilidade de contratarmos um funcionário, pagando salário etc. 

Seria em princípio, algo informal, pois ainda não tínhamos condições de abrir uma firma oficialmente falando, com CNPJ e demais oficializações contábeis e governamentais, mas era uma possibilidade de médio prazo inevitável, eu diria.

Por enquanto, a única certeza que tínhamos, era que o volume de trabalho e movimento financeiro estava aumentando, e isso tomava o meu tempo e do Zé Luis, prejudicando a rotina de ensaios da banda.

Logo mais falo sobre os demais números, até alcançar a cronologia onde me encontro na narrativa. 

Lançaríamos o terceiro número, no início de 1986, e daí, já com a presença do Beto Cruz na formação.

Continua...  

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