quinta-feira, 21 de maio de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 260 - Por Luiz Domingues


Falando sobre a canção "O Cometa", não a relacionei como uma das quais tínhamos mais esperanças, mas na verdade era uma de minhas prediletas nessa nova safra por um motivo muito simples : era nitidamente influenciada pelo Hard-Rock dos anos setenta, portanto, muito mais próxima da sonoridade que eu apreciava mais, como gosto pessoal.

E numa análise fria, talvez não fosse a mais adequada para angariar a simpatia de quem analisava música como um "produto" de gôndola de supermercado, caso dos homens de gravadoras majors, mas na minha ótica, tinha potencial, certamente. 


Sua estrutura harmônica e melódica era bem adaptável ao padrão de pessoas não acostumadas às sonoridades do Rock de uma maneira geral. Por ser Hard-Rock, era até amena em sua agressividade inerente, portanto, tornava-se híbrida e passível de ser digerida portanto, por não rockers.

Bem, isso era uma expectativa apenas, e não uma máxima científica, é claro...

E havia um elemento a mais nessa equação : a letra da canção. 


O Beto nos mostrou sua primeira versão, e logo de cara ficamos com a impressão que seria oportuno o tema que abordaria um assunto que em 1986 tomou conta da mídia. Tratava-se da "visita" do cometa de Halley, que cumpria sua rota de 76 anos para aproximar-se do nosso planeta. 

Particularmente, a história do cometa era antiga para mim, pois desde a infância eu convivia com essa perspectiva, visto que meu avô materno me contava sobre como ele tinha tido a experiência de vê-lo em sua última passagem em 1910, quando era um adolescente de 18 anos de idade etc e tal.

Quando eu era criança, achava o relato do meu avô fascinante e mal podia esperar para chegar 1986, e poder ver com meus olhos a presença do astro celeste, mas quando aproximou-se de fato a data, meu interesse pelo fenômeno astronômico havia diminuído substancialmente, todavia, claro que a perspectiva de ter uma música abordando tal assunto soou-me oportuna e dessa forma, contar com essa possibilidade, podia ser considerada um trunfo a mais nessa demo-tape. 


Na letra, o Beto levou a sua construção para algo meio místico. Tem pessoas que a interpretam quase como uma mensagem religiosa. De fato, tem algumas partes que eu não escreveria, pois também sinto um certo ranço nesse sentido. mas ele veio com a letra praticamente pronta e nós acabamos acatando-a da maneira como fora concebida originalmente por ele, Beto.

Era dessa forma, uma aposta no oportunismo que nortearia 1986. 


Quando se lembra desse ano, basicamente o que o cidadão comum se lembra ?
 


1) Copa do Mundo de 1986;
2) Araken o "showman";
3) O "Plano Cruzado e os fiscais do Sarney"
4) A aparição do Cometa de Halley... 


Musicalmente falando, "O Cometa" lembrava bastante o som do Whitesnake, principalmente em sua fase inicial ainda bem calcado no som setentista. De fato, a banda de David Coverdale atravessou a década de oitenta com dignidade, mesmo sendo fiel à uma estética que era violentamente desprezada, graças ao signo máximo oitentista de repúdio ao passado, via niilismo barato.

Claro, tinha bastante de Led Zeppelin, Bad Company e Free, bandas setentistas clássicas, em seu rol de influências básicas. 

Foi uma das primeiras músicas da nova safra do repertório, assim que o Beto entrou na banda, no final de 1985, e foi executada ao vivo logo no primeiro show do Beto como novo vocalista em Santos, no ginásio do Santos F.C., conforme já relatei com detalhes, vários capítulos atrás.

Infelizmente, essa música cairia numa espécie de limbo posteriormente, saindo do set list dos shows, e nunca sendo gravada oficialmente num disco. 


Portanto, só existe essa versão da demo de abril 1986, como registro de sua existência. Apesar de ser um áudio simples, sem muitos recursos, fico feliz que tenha conseguido sobreviver ao armazenamento inadequado de uma perecível fita K7 por tantos anos, e agora esteja salva num CD, e disponibilizada no You Tube, com imagens na forma de um promo, feito em 2011.

Aliás, agradeço o empenho do Site/Blog Orra Meu, na pessoa de Emmanuel Barreto, que muito me ajudou nesse processo de resgate e promoção desse tesouro escondido da banda, após quase 30 anos de obscuridade.


http://www.youtube.com/watch?v=SBCS5cVK4x0

Continua...

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