sábado, 23 de maio de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 80 - Por Luiz Domingues

Uma nova oportunidade de fazer um programa de TV surgiu, mais ou menos nessa época. Era o Programa Miguel Vaccaro Netto, uma produção independente, exibida no canal comunitário de São Paulo.

O convite surgiu não para a Patrulha do Espaço exibir-se propriamente dito, todavia, para o Junior participar de um debate com outros convidados, falando possivelmente sobre o panorama musical daquele instante, 2001.

Então, fui com ele à um pequeno estúdio localizado na Vila Sonia, bairro da zona sudoeste de São Paulo, numa tarde de um dia de semana.

O músico e jornalista/crítico musical, Régis Tadeu 
O hoje saudoso crítico musical, Toninho Spessoto 
A banda "La Carne", cujo guitarrista que compareceu ao debate, é o primeiro à esquerda e se chamava Jorge Jordão  
Sérgio Dias, o mito mutante que dispensa maiores apresentações

Chegando lá, soubemos que além do mediador Miguel Vaccaro Netto, participariam também os jornalistas Régis Tadeu e Toninho Spessoto, além do guitarrista da banda independente, "La Carne"(Jorge Jordão), e Sérgio Dias, guitarrista dos Mutantes. 
A Chave do Sol reunida no gabinete de Miguel Vaccaro Neto, em 1986. Da esquerda para a direita : Eu, Luiz Domingues; Rubens Gióia; Sonia Magno (sócia de Miguel); Miguel Vaccaro Netto; Beto Cruz e José Luis Dinola.

Eu tinha um envolvimento com o Miguel Vaccaro Netto, pois ele houvera sido empresário da Chave do Sol, num curto período entre 1986 e 1987. Não fora uma experiência positiva, mas tantos anos depois, não haveria porque ter ressentimentos, e eu fui tranquilo, sem nenhuma preocupação em revê-lo.

E de fato, a culpa por esse fracasso não havia sido dele diretamente, mas sim de sua sócia que...bem, conto essa história no capítulo da Chave do Sol, naturalmente !

Chegando ao estúdio, fomos bem recebidos por uma produtora, e na sala de espera, encontramos com Régis Tadeu e posteriormente , Toninho Spessoto.

O Régis Tadeu era um velho conhecido. O Junior o conhecia há muito tempo e eu, desde 1997, quando ele entrevistou o Pitbulls on Crack, para a sua revista, Cover Guitarra.

O Spessoto eu só conhecia de vista, e sabia que fora editor da Revista Bizz e tinha um programa na All TV, uma TV de Internet.

O Sérgio Dias chegou e também foi gentil, conversando na rodinha de amigos. Sua esposa, Lourdes, era bem simpática e contou-me que estava estudando para tocar baixo, e confundindo-me, por conta do antigo apelido que eu tinha, veio perguntar-me sobre questões técnicas do instrumento, achando que eu fosse o famoso luthier que tinha o mesmo apelido.

Desfeita a confusão, ficamos amigos e conversamos algumas vezes doravante, em outras ocasiões onde encontramos com ela e Sérgio.

Então, algo inusitado ocorreu... 


O Miguel apareceu e cumprimentou a todos com muita educação e simpatia, e quando veio saudar-me, notei nitidamente que ele simplesmente não me reconhecera. Fiquei um pouco atônito com essa reação, mas vendo que era um lapso realmente da parte dele, fiquei na minha, e não achei adequado lembrá-lo da Chave do Sol, e sobre o tempo em que tentou nos empresariar etc.

Ninguém notou o meu ligeiro constrangimento e tudo seguiu, sem sobressaltos.

O debate começou, enfim. Era um programa gravado e portanto, foram filmados quatro blocos de aproximadamente 12 minutos cada, que somados aos intervalos comerciais, daria uma hora de exibição na edição final. 


Decepcionei-me contudo, pois com tanta gente gabaritada na mesa, esperava por um debate interessante, com muita informação e opinião contundente da parte de todos. Todavia, logo na primeira pergunta, Miguel jogou o debate na vala comum da mesmice, perguntando a cada um, o que significava o Rock...

Um bloco inteiro foi gasto com considerações tolas por parte de todos, na base do "Rock é atitude", "Rock é a expressão da juventude revoltada com a sociedade" e outras frases feitas e vazias.

Posteriormente, o debate melhorou um pouco com a conversa evoluindo para uma questão pertinente àquele momento, envolvendo a guerra entre a pirataria de discos e as gravadoras, os prós e contras para o artista independente etc.

Mas em momento algum foi realmente um debate interessante, esbarrando-se em obviedades.

Além disso, o programa era obscuro e por ser exibido numa TV comunitária de audiência zero, praticamente, pouco ou nada, para ser mais preciso, acrescentou à Patrulha, ou aos demais participantes.

Uma última nota curiosa sobre esse evento : um rapaz da produção levou uma foto dos Mutantes, tirada num show no interior do Paraná (Umuarama ? Maringá ?), não me lembro mais em qual cidade, em 1972. Tratava-se de uma foto tirada pelo pai ou mãe do rapaz, que assistiu o show e portanto, era raríssima.

Nessa foto, os Mutantes estavam tocando num caminhão de trio elétrico, improvisado como palco. Prática incomum para os anos setenta, mas certamente foi algo inusitado e improvisado, porque não havia outra alternativa para o show acontecer.

O Sérgio curtiu a foto e lembrou-se do show, confirmando que tudo fora improvisado, pois o show não pode acontecer no clube local, por problemas técnicos.

Pouco tempo depois, a Patrulha do Espaço receberia um novo convite para participar novamente do Programa Miguel Vacaro Netto, mas desta vez, eu e o Rodrigo é que participamos.

Tenho uma cópia desse debate que o Junior participou e assim que possível, vou postar no You Tube, para os fãs da Patrulha terem esse material disponível. Tenho também a segunda participação no programa, comigo e Rodrigo, e também está nos planos disponibilizá-lo.



Continua...

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