sexta-feira, 22 de maio de 2015

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Big Chico, uma noite de Blues de Chicago, no Jaguaré...) - Capítulo 82 - Por Luiz Domingues

Kim Kehl & Os Kurandeiros haviam feito seu show no Festival "Hoje tem Blues", mas havia uma missão a mais nessa noite a ser cumprida, no palco do Ceu Jaguaré, na zona oeste de São Paulo.

Estávamos convocados a acompanhar o cantor/gaitista e guitarrista, Big Chico, um dos maiores expoentes da cena do Blues brasileiro naquela atualidade dos anos 10, do século XXI.

Acostumados a acompanhar artistas desse espectro, graças ao desdobramento em Magnólia Blues Band, na qual estávamos atuando desde janeiro de 2014, não houve nenhum empecilho para a banda e subindo o palco, bastava nos dizer o tom e o andamento de cada canção a ser tocada, e a banda saia tocando e acompanhando a performance de Big Chico, sem problemas.

Nessa noite, estávamos reforçados pelo tecladista Nelson Ferraresso, membro original dos Kurandeiros, mas nos últimos tempos, presença apenas sazonal devido aos seu impedimentos pessoais.

Mas com ele na banda, claro que o som encorpava e muito. Um mestre na escolha de timbres setentistas bacanas, preenchia o som com o som do órgão Hammond em suas diversas matizes, indo do Draw bar adocicado de Jimmy Smith, à distorção de Jon Lord, escolhendo com precisão os momentos certos para timbres díspares entre si. O mesmo raciocínio se dá na escolha de timbres de pianos acústicos, elétricos e sintetizadores em geral, fazendo dele, um músico completo que qualquer banda sonha ter em seu time.

Marcião Pignatari sendo entrevistado

Um reforço de última hora, o guitarrista Marcião Pignatari também subiu ao palco. Muito versado na arte do Blues e do Rock'n Roll, claro que sua guitarra estilosa ajudou a encorpar mais o som, ainda mais em se considerando que atacou de Fender Stratocaster, dando um contraste colorido à Gibson que o Kim usou nesse dia.

No meio da apresentação, os gaitistas Edu Dias, e Michael Navarro entraram no palco e fizeram suas intervenções, agregando, naturalmente.

Tocando perto de mim, no lado esquerdo do palco, pude interagir com ambos em improvisações muito legais que fizemos juntos, gaitas e baixo. Em alguns momentos, apesar de tudo ter saído no improviso, parecia que naipes estavam ensaiados, pois conseguimos estabelecer uma sincronia de frases, muito legais.

O show do Big Chico foi muito legal, mesmo porque ele é um artista versátil e carismático, e o público curtiu muito suas interpretações de clássicos dos blues; cantando; tocando gaita; agitando a plateia como um entertainer; e tocando sua guitarra, também.

Missão cumprida, com público aplaudindo de pé e pedido de bis, aconteceu no dia 18 de outubro de 2014, no teatro do Ceu Jaguaré, bairro Jaguaré, na zona oeste de São Paulo.

A se lamentar, somente a baixa presença de público...show gratuito com um micro festival e cinco atrações bacanas da cena blues; teatro todo arrumadinho com som e luz bacanas...qual a desculpa para o teatro não ter lotado num sábado a tarde, longe do horário das novelas, futebol ou das baladas de rua ?


Reclamamos que o poder público pouco faz pela educação & cultura...aí criam uma escola nos padrões de uma High School americana, com estrutura maravilhosa de teatro; biblioteca; piscinas e quadras esportivas; tudo grátis para a criançada carente de um bairro simples; produzem atrações culturais gratuitas, e não vai ninguém ??

Confesso que fiquei chateado e convencido de que a contrapartida do desinteresse é enorme nesse processo de baixo estímulo à Educação & Cultura, mas enfim...

Ainda em 2014, um novo trabalho avulso surgiria para mim, mas dentro do espectro dos Kurandeiros de Kim Kehl, novamente...

Continua...

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