sábado, 30 de maio de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 291 - Por Luiz Domingues


Após o show no Palmeiras, que foi muito importante para nós, mais uma boa aparição no evento Praça do Rock, e a experiência de Bragança Paulista (que se não foi um fiasco artístico, foi certamente um revés financeiro/gerencial para o Núcleo ZT),  tínhamos uma perspectiva muito boa adiante, em termos de show, fora todas as coisas boas que estavam acontecendo paralelamente, e em breve, falarei sobre algumas dessas possibilidades.

Voltando ao foco, o que teríamos adiante, era um show no Rio de Janeiro, que era um objetivo importante para nós como estratégia de carreira, evidentemente.

Já havíamos feito um show no Rio, num local e situação bastante confortáveis no ano de 1984, mas não capitalizamos a oportunidade como gostaríamos naquela ocasião. Ainda em 1984, tivemos outra boa incursão no Rio, participando de um importante programa de TV, ali no epicentro do BR-Rock e melhor ainda, interagindo (em ambas as ocasiões), com a "turma certa", que dava as cartas no mainstream oitentista.

Agora, no entanto, teríamos uma oportunidade, mas com outra perspectiva, interagindo no mundo do Rock pesado, dentro de um esquema de produção underground, mas mesmo assim, seria uma ótima investida para nós.

Havia um rapaz no Rio que estava produzindo shows num espaço alternativo na cidade, denominado "Caverna II". Na realidade, meus amigos cariocas me esclareceram que ele realizava shows anteriormente num espaço, chamando-o de "Caverna", mas por ser um local alugado, teve que buscar outro espaço na cidade, para continuar produzindo seus espetáculos.

Ele passara a usar então o espaço de uma escola estadual em Botafogo, bem próximo do túnel da av. Princesa Isabel que dá acesso ao Leme e Copacabana, ou seja, um ponto absolutamente maravilhoso, na zona sul do Rio. Tal colégio ficava ao lado, literalmente, do Shopping Rio Sul e do Canecão, a mais famosa casa de shows da cidade ainda naquela época, portanto, não poderia ser melhor, como localização.

O fato de ser um auditório de escola pública, não era demérito algum para que se realizassem shows, mesmo sendo um espaço rústico e diante dessa simplicidade, supostamente não haver glamour.

Mas independente dessas considerações sobre a simplicidade da produção, se o espaço era rústico, o produtor, um sujeito chamado "Alemão", não mediu esforços para providenciar o melhor possível e de fato, não tenho queixas sobre esse show e pelo contrário, só elogios pela maneira com a qual fomos tratados.
O Azul Limão, em foto promocional mais ou menos dessa época em que estou narrando

Nossa ida ao Rio, fora também um esforço pessoal do guitarrista da banda carioca, "Azul Limão" (Marco), que intercedeu pessoalmente para que o produtor "Alemão" nos contratasse e nos desse condições legais de viagem, estadia e qualidade na produção do show em si.

E claro, o "Azul Limão" tocaria, assim como outra banda local, chamada "Fim do Mundo".

Fomos ao Rio bastante motivados, pois o Marco nos alimentou de boas informações sobre o evento, e sobre o "Alemão". A nossa expectativa era de fazer um show com casa lotada, e no dia, isso não só aconteceu, como eu diria, que superlotou, com gente saindo pelas janelas !

Continua...

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