sábado, 30 de maio de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 290 - Por Luiz Domingues



O quarto número do jornal informativo, saiu em abril de 1986. 

Com maior verba advinda da colaboração monetária dos membros do fã clube que se inscreveram para continuar recebendo o jornal, pudemos não só garantir o seu envio, como ampliar o seu formato, trazendo ainda mais informações sobre os agitos da banda no trimestre enfocado.

E os tópicos publicados foram os seguintes :

1) Disco : Falamos que realmente o Luiz Calanca sinalizava novas prensagens para o compacto de 1984 e o EP de 1985.

2) Rádio : A 89 FM de São Paulo realmente estava naquela altura executando duas músicas do EP em sua programação. "Anjo Rebelde" e "Um Minuto Além".  

Mencionamos novamente a maior apoiadora da nossa carreira, a Fluminense FM do Rio, e também a Ipanema FM de Porto Alegre. 

"A Hora do Rock" (Rádio Progresso - São Carlos / SP); "Rock Time" (Rádio Cultura de Araraquara / SP); "Rock Festival" (Globo FM - SP) e "Disque Rock" (Imprensa FM - São Paulo), eram programas que haviam tocado e falado sobre A Chave do Sol.

Uma novidade era que o Beto Peninha, do programa "Sessão Rockambole" da 97 FM de Santo André / SP, estava anunciando o lançamento de uma revista impressa do programa, e que A Chave do Sol constaria do primeiro número, mas isso não se confirmou posteriormente.

E uma rádio pirata chamada "Xilik", prometia um especial da Chave, com uma hora de duração para breve...

3) Revista : Matérias recentes haviam saído nas revistas Metal; Roll; Som Três, e agora anunciávamos enfim o lançamento do poster coletivo com quatro bandas, onde A Chave do Sol era uma delas.

4) Uma coluna nova chamada "Stars", visava citar pessoas famosas que haviam declarado apoio público à Chave do Sol. 

Não poderíamos perder a oportunidade de fazer tais menções que muito contribuíam para a formação de opinião. É bem verdade que muitas dessas citações não foram checadas, como se faz no jornalismo profissional. Fontes informais nos davam a notícia e nós tentávamos capitalizar a nosso favor a opinião de pessoas relevantes. 

Claro, muitas eram comprovadas, mas algumas realmente não, todavia, aceitávamos o boato como verdade, porque nos interessava (confesso !!)...

Neste caso, alguém nos disse que o Raul Seixas teria escutado algumas músicas nossas, e teria elogiado o Rubens Gióia, comparando-o à Sergio Dias dos Mutantes. Nunca comprovamos tal informação, mas claro que publicamos como fato cristalino...

5) Fã Clubes : Sempre publicávamos o endereço de outros Fã-Clubes que nos citavam em retribuição e sinal de união. De fato, recebíamos muitos fanzines em nossa caixa postal, com tais manifestações de apoio. Mas neste número quatro, citamos duas publicações de imprensa mainstream que nos deram força, falando do fã clube especificamente e nos divulgando : A Revista Som Três e a Revista Bizz. Comemoramos muito tais manifestações, pois mostravam que o fã clube ganhava visibilidade além da própria banda, e como ferramenta, parecia aos olhos externos, um órgão independente da banda, mas na verdade, ninguém sabia que era uma realização do "Núcleo ZT", ou seja, eu e Zé Luis, com sazonal apoio de outros amigos.

6) Fãs : Muito curiosa essa coluna, corroborando a ideia de que o fã clube crescia muito, talvez além da dimensão que lhe atribuíamos, pois estávamos recebendo cartas de fãs que queriam conhecer outros fãs para troca de correspondência e amizade... cerca de trinta anos antes de existirem as redes sociais da internet, as pessoas tinham que buscar meios jurássicos para se aglutinar em torno de interesses em comum... então, publicamos o desejo e o endereço de um fã chamado Marcelo, da cidade de Campinas / SP.

7) Fran : Uma nota explicava de forma muito sucinta, a saída do vocalista Fran Alves. Usando o surrado clichê de release oficial de gravadora, alegamos as famosas "incompatibilidades musicais". E o fã clube desejou boa sorte ao ex-vocalista da Chave. Indo além, reproduziu um factoide que era mero rumor no metiér do Rock paulistano, dando conta da volta do "Ano Luz", sua ex-banda que encerrara atividades no final de 1984. Que eu saiba, isso nunca ocorreu.

8) Beto, o novo vocalista : Um briefing sobre sua carreira pregressa, acrescido de suas características como vocalista e guitarrista, além de insinuações tolas sobre sua aparência, para agradar ao público feminino. Uma mistura de press-release de gravadora com matéria da revista "Contigo"...ha ha ha...

10) Repertório : Mais músicas novas que saíam do forno e eram comentadas. "Sun City"; "O Que Será de Todas as Crianças"; "Que falta me faz, baby"; "Solange", "Forças do Bem" e "Saudade", ou seja, canções que no mesmo mês de abril seriam gravadas na demo (cuja descrição já fiz, alguns tópicos atrás), fora "O Cometa".

Também citei duas outras músicas que foram compostas nessa época, mas que foram descartadas da gravação e do set list de shows : "O Rock me fez assim", e "Dezoito anos", cuja letra contava de forma bem humorada o receio de um jovem dessa idade que não queria alistar-se no exército. Outra canção que não vingou também nessa época, era "Vivendo pra Entender".

11) Fofoca : Como a festa de anti-carnaval na casa do Rubens ganhou coluna própria, aqui segui com a linha iniciada em números passados, de falar dos membros da banda em atividades extramusicais.  Citei a tendência esportiva do Zé Luis, em correr logo no início das manhãs pelo campus da USP, na cidade universitária. Isso era 100 % verdade, pois o Zé Luis era de fato um esportista em potencial, e costumava se exercitar regularmente.

Mais uma vez me autocitando, mas via pseudônimo, falei que "eu" era visto regularmente em salas de cinema alternativas, cine clubes e similares. Era verdade, e nesse ano de 1986, realmente tive uma assiduidade enorme em eventos cinematográficos underground, vendo mostras obscuras, assistindo filmes absolutamente "vintage" em exibições em fã clubes etc. 

Lembro até de ter visto "Birth of a Nation", do diretor D.W.Griffith, que é um filme mudo de 1915, com três horas de duração, exibido numa tela improvisada que na verdade era um lençol branco estendido numa lousa (quadro negro), de uma sala de aulas da FAAP, graças à ação abnegada de alunos do curso de cinema que criaram um Cine Clube sem apoio algum da faculdade (Cine Clube Chico Boia), além do espaço...

Uma declaração hilária (mas autorizada !) do Rubens Gióia, teve a clara intenção de atiçar a imaginação das fãs da banda e de fato, o Rubens era o galã da banda, e recebia muitas cartas com "cantadas", fora o assédio natural nos shows. 

Eis a frase hilária : "Rubens Gióia andou murmurando que aos quatro cantos que está farto de experiências amorosas passageiras...agora ele quer uma mulher para compromisso duradouro"...

Outra nota hilária, falava sobre o "ET" Edgard, que teria feito uma performance em plena avenida Santo Amaro. Era verdade, pois o Edgard adorava escandalizar em público com suas vestimentas nada usuais e trejeitos tresloucados, mas isso era corriqueiro em sua vida e do jeito que citei, parecia algo excepcional.
O poeta Julio Revoredo em pessoa, em foto de seu acervo pessoal, de 1985

Falei também sobre o fato do poeta Julio Revoredo ter algumas fotos inéditas da Chave em seus arquivos e que estava planejando disponibilizá-las para o fã clube. Isso não ocorreu na ocasião, porque o fanzine optou por outras matérias, mas esteve na pauta o tempo todo. Recentemente (2014), o poeta cedeu-me tais fotos, e elas já ilustram os capítulos da Chave do Sol que estou republicando neste Blog 2, e também no Blog 3.

Finalmente, citei a visita que fizemos ao estúdio Mosh, onde Os Inocentes gravavam um novo álbum, o primeiro pela WEA. Essa história será contada com detalhes na narrativa, pois contém informações muito importantes, e também traz momentos hilários que quero revelar aos leitores.

11) Equipamento : Uma descrição sobre as guitarras do Beto Cruz e seus pedais. De fato, cada vez mais o Beto participava como compositor na banda e sua atuação como guitarrista aumentava.

E na época, ele tinha duas guitarras sensacionais, uma Gibson Les Paul, e uma Gibson SG de dois braços. Essa na verdade era uma guitarra que pertencia ao seu irmão, Claudio Cruz que estava vendendo-a, e o Rubens a usou no show do Palmeiras em maio de 1986.

12) Perfil de Chave : Nessa edição, o enfocado foi Rubens Gióia e o texto investiu na descrição de como o nome A Chave do Sol era um sonho de sua infância etc e tal.

13) TV : A descrição de um fato exótico ocorrido num programa de TV, foi o mote principal dessa coluna. Participamos do programa "Realce" da TV Gazeta, pela sexta vez nossa história, e um imprevisto não permitiu que o Zé Luis participasse da aparição. 

Então, eu, Rubens e Beto fizemos a dublagem, suscitando dúvidas para alguns fãs. 

Na nota, nos apressamos em esclarecer para não gerar especulações. Muito interessante lembrar desse fato, pois denotava o crescimento da banda que mesmo numa Era pré-Internet podia provocar reações públicas desse porte, gerando boatos.

A outra nota dessa coluna, dava conta de que o Rubens participara de um comercial de TV, anunciando uma marca de um calçado (um tênis), e esse comercial fora realmente ao ar. Além dele, fazia parte dessa banda fictícia, Charles Gavin (Titãs); Renato (guitarrista do "Vírus"), e o cantor/compositor da MPB, Tatá Guarnieri.

De fato, após o Rock in Rio, muitas agências de publicidade insistiram nessa temática, e muitos músicos famosos ou emergentes, acabaram sendo cooptados a participar de tais campanhas publicitárias. Geralmente produtores de agências ligavam para a Baratos Afins a procura de músicos com visual de "Rocker moderno da estética do Pós-Punk", ou cabeludos Metaleiros"...

E nessa circunstância, apareceu essa oportunidade que o Rubens aceitou, e lhe rendeu um cachet. Daí, surgiria um outro convite, que eu vou detalhar num capítulo mais para a frente.

14) Shows que rolarão : O grande anúncio em abril de 1986, não poderia ser outro : o show Metal 4, a ser realizado no Palmeiras, em maio. Falamos também sobre o show que faríamos no Rio no final de maio, mas omitimos o show de Bragança Paulista, simplesmente porque quando fechamos o jornal, ele ainda não estava confirmado totalmente.

Deixamos no ar uma esperança aos fãs-leitores : Estávamos estudando um mecanismo de oferecer descontos aos sócios contribuintes, em shows produzidos pelo Núcleo ZT. 

Queríamos mesmo fazer promoções assim, mas infelizmente nunca conseguimos viabilizar tal intento...

Assim foi publicado o jornal de número 4, em abril de 1986...
Continua...

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