quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Autobiografia na Música - A Chave / The Key - Capítulo 33 - Por Luiz Domingues


Entrou o segundo semestre e dois novos shows no Black Jack Bar, seriam realizados.

Estávamos muito limitados a shows esporádicos e sempre na mesma casa, mais pelo fato de seus donos serem nossos amigos, do que vivendo um momento bom na carreira. Aliás, o momento não era nada bom.

Tocamos então novamente no Black Jack Bar, nos dias 14 e 15 de julho de 1989, com público respectivo de 200 e 300 pessoas. Para os padrões daquela casa de dimensões pequenas, muito bom, apesar de tudo.

Uma última oportunidade de tocarmos numa casa de médio porte, ocorreria em agosto. No mesmo dia desse show, o Beto foi sozinho à emissora Brasil 2000 FM para promover tal show, durante a sua programação normal.

Novamente convocados a tocar no Dama Xoc, desta feita foi um show agendado de última hora, portanto sem muita chance de se fazer uma divulgação decente. Dividimos a noite com uma jovem banda que praticava um Hard-Rock com bastante similaridade com o Hard setentista, chamada "Controlle", que estava para gravar um álbum, inclusive.

Foi aí que conheci um bom amigo, o baixista Renê Seabra, que infelizmente já nos deixou, recentemente (2013), de forma muito precoce e vencido por um câncer muito agressivo.

Nessa noite de 9 de agosto de 1989, o público presente no Dama Xoc foi diminuto, com apenas 70 pessoas presentes.

Uma versão de "Paralell Paradise", proveniente desse show do Dama Xoc de agosto de 1988. Lançado por Will Dissidente no Blog A Chave do Sol em 2015. A captura de época foi de Cláudio Cruz, e a remasterização de Edgard "Bolívia Rock". 

O link para ouvir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=Rd7zz7bJq9k



No camarim, vieram me dizer que os membros da banda estrangeira, "Destruction", estavam presentes nos assistindo, mas ao contrário do que esperavam de mim, é óbvio que não me comovi nem um pouco. Eram bem vindos como qualquer pessoa que estava ali pagando ingresso, mas eu não era nem de longe alguém simpático ao mundo do Heavy-Metal, e portanto, sabia de sua existência, mas não me interessava nem um pouco pelo seu trabalho. 

Versão da música "Narrathan", também executada ao vivo no Dama Xoc em 9 de agosto de 1988. Lançada por Will Dissidente em seu Blog A Chave do Sol. Captura na época : Cláudio Cruz, com masterização de Edgard "Bolívia Rock".
O Link para ouvir no You Tube : https://www.youtube.com/watch?v=E_lFkFyE1G4 

"The Call", em versão ao vivo deste show do Dama Xoc, em 9 de agosto de 1988. Lançado por Will Dissidente em seu Blog A Chave do Sol, em 2015. Captura na época de Cláudio Cruz. Masterização de Edgard "Bolívia Rock".
O Link para ouvir no You Tube : https://www.youtube.com/watch?v=dA3Z_332RZg
Resenha do Show no Dama Xoc, em agosto de 1989, publicada na Revista Rock Brigade de outubro do mesmo ano, e assinada por André "Pomba" Cagni. Interessante a referência ao nome do álbum que ainda nem havíamos gravado, ser supostamente intitulado como "Runaway", coisa que aliás não se confirmou a seguir, e o fato de que na foto do show em si, eu estar usando enfim o meu baixo Tajima, que havia me sido entregue há poucos dias nessa ocasião, e no detalhe, um knob (botão), do instrumento estar faltando na foto, pois havia caído no palco logo no primeiro show, frustrando-me, naturalmente...

Alguns dias depois, faríamos o derradeiro show dessa banda, e cabe uma análise.

Esse episódio, na verdade, já foi contado sob outro viés, no capítulo "Sala de Aulas", pois envolveu diretamente um aluno meu.

Foi o seguinte : meu aluno Marcelo Dias, popular "Marcelo Carioca", era componente de uma banda chamada "Êxito", de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista.

Um dia chegou na minha aula, dizendo-me que sua banda tinha conseguido uma data num dos três teatros mantidos pela prefeitura de São Bernardo do Campo, no caso o Teatro Elis Regina, e que pelo fato de sua banda ser desconhecida, não fazia sentido usarem a data sozinhos, sob o risco de não levar grande público.

Portanto, fez-me o convite para que A Chave fosse escalada nessa data, e sua banda fizesse a abertura do show.

Puxa, muito bacana a atitude dele em me formular tal gentil oferecimento, mas o que ele não sabia, é que o clima era desolador nessa banda, que tinha o compromisso de gravar um disco, mas na prática, estava quase dissolvida, com apenas o Beto ainda lutando bravamente para mantê-la de pé, e talvez com apoio do Zé Luiz Rapolli em tese. Eu estava exaurido, e Fabio & Eduardo, entretidos com outros trabalhos.

Então, passei tal informação aos demais e mesmo nesse clima desfavorável da banda em processo de desmantelamento, todos toparam fazer o show.

Daí em diante, todo o mérito por tal produção ter sido um sucesso, deve ser creditado ao meu ex-aluno, Marcelo e seus companheiros, que trabalharam com muito afinco para tal.

Muito compreensível, pois eram jovens e davam seus primeiros passos como músicos.

Essa história foi contada igualmente no capítulo "Sala de Aulas", mas agora eu avanço um pouco mais aqui.

Sob o ponto de vista do show em si, foi uma apresentação com bastante energia, pois o público respondeu com muito entusiasmo. 

A banda estava dilacerada internamente, mas a sinergia no palco, com a devolutiva de um público muito quente, nos contagiou, tornando a performance ótima, como se a banda estivesse em grande forma, e não era o caso, na verdade.

Foi o último show dessa banda e dessa formação, pois a seguir só nos dedicamos à gravação do álbum, e após o processo de gravação, um longo período se seguiu até que o Beto novamente a reformulasse inteiramente e tentasse prosseguir no ano de 1990, e parte de 1991.

Se A Chave nada tinha a ver com a velha Chave do Sol, embora para muitos fosse sua continuidade forçada, após mais uma reformulação e nova troca de nome (o LP que gravamos já seria creditado à uma banda chamada "The Key"), não havia nenhum cabimento em que algum fã ou jornalista ainda acreditasse que fosse uma continuidade...

Enfim, o show no Teatro Elis Regina, em São Bernardo do Campo, ocorreu no dia 13 de agosto de 1989, com abertura e preciosa produção dos componentes do "Êxito", e com cerca de 300 pessoas na plateia.

Tal banda de meu aluno mudaria de nome, formação e orientação artística, alguns meses depois, e em 1990, me convidariam para produzir uma Demo-Tape. Tal história, está contada com detalhes nos capítulos dos "Trabalhos Avulsos" de minha autobiografia. O nome da banda tornaria-se : "Aura".

Algum tempo depois e eles mudariam de novo de nome para "Via Lumini", gravando dois discos e fazendo relativo sucesso entre apreciadores do Rock Progressivo setentista, tão vilipendiado e desprezado na década de oitenta. Para mim, era adorável, é claro...

Sobre A Chave, só restava-nos gravar o álbum...

Continua...

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