domingo, 6 de dezembro de 2015

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 247 - Por Luiz Domingues


Estávamos um pouco cansados, pois fizéramos show na noite anterior e fora de São Paulo, portanto encarando um "bate-e-volta" ao interior, mas por outro lado, estávamos nessa rotina desde o final de 2001, portanto não era uma novidade ter poucas horas de sono.

Chegamos ao estabelecimento e o equipamento de P.A. contratado já estava todo montado e o técnico, realizava seus testes de afinação do stereo, portanto, já estava bem adiantado o processo técnico da operação do áudio.

Montamos nosso backline com tranquilidade e por volta das 17:30 h. já estávamos fazendo o soundcheck.

Com um P.A. de porte, a pressão sonora estava forte e com o técnico bastante solícito, ficamos satisfeitos com o ajuste do soundcheck.

Os mandatários da casa nos tratavam bem, mas mal disfarçavam a sua incredulidade sobre o sucesso do evento, e isso era um baixo astral para nós. Claro que com uma quase "torcida" negativa dessas, o ambiente não era dos mais favoráveis.

Mas compensávamos isso com a animação em torno do lançamento em si, e de fato, esse disco fora sofrido para ser produzido, conforme já revelei em capítulos anteriores.
Não posso deixar de observar...mesmo tendo um disco chamado ".ComPacto" em mãos; e pior ainda, saber se tratar do show de lançamento do referido álbum, de onde o jornalista que assinou com as iniciais "DO", tirou a ideia de que lançaríamos o disco "Chronophagia" ?

Nossa equipe também estava motivada e o Luiz "Barata" estava empolgado por estarmos lançando o disco numa casa onde ele tinha muita afinidade pessoal e por isso, sua alegria contrabalançava o pessimismo quase desdenhoso dos dirigentes da casa.

Teríamos convidados especiais nessa noite. A cantora Alexandra "Joplin", que havia gravado participação no álbum "Chronophagia", cantaria nas duas músicas em que sua voz ficou marcada para a posteridade : "Sunshine", e "Terra de Mutantes".

E outro convidado para lá de especial : Dudu Chermont, o mítico guitarrista da segunda formação da banda, entre 1978 e 1984, tocaria "Arrepiado", "Bomba", "Columbia", conosco.

Ele estava eufórico por ter sido convidado e aquilo era mais que uma homenagem à um ex-membro tão importante na história da banda, e nem mesmo uma lisonja pessoal à um grande músico que deixou sua enorme marca na história do Rock brasileiro, mas era uma justa oportunidade de reerguer sua carreira, que estava prejudicada há anos pelo fato dele enfrentar problemas de saúde muito graves.

Com um histórico de internações, debilidade e tratamento longo, Dudu enfrentava um momento difícil de sua vida. Tentava voltar à cena, e naquele momento articulava uma nova banda e que teria jovens músicos de muita qualidade no line up, caso de Junior Muelas (que havia deixado o "Hare", e mudara-se para São Paulo), e dois jovens também vindo do interior, da cidade de Porto Ferreira, que Muelas conhecera).  

Numa resolução tomada no camarim, resolvemos tocar primeiro e deixar as bandas cover tocar depois. Não tínhamos o pudor de assim alguém pensar que abriríamos as bandas cover e na prática, tocando antes, atenderíamos o nosso público que ali compareceria para ver o show de lançamento do novo disco e quem estivesse ali pela "balada", poderia se esbaldar com a jukebox se arrastando pela madrugada.

E nada contra os músicos das bandas cover. Nos confraternizamos com eles, e tais rapazes demonstraram respeito pela nossa banda e proposta artística autoral. Tratavam-se de duas bandas, uma fazendo tributo ao "Whitesnake", e outra, ao "Motorhead".

Encerrado o soundcheck, dispersamos, cada um indo para a sua casa fazer o "pitstop" estratégico.

Quando eu voltei, acompanhado do Rodrigo e do Samuel, nosso roadie, fui bastante contrariado pelo responsável pelo estacionamento. Simplesmente a vaga prometida para os carros dos músicos da banda fora abolida e agora queriam me cobrar, sendo que o estacionamento era gigantesco e três ou quatro vagas não trariam nenhum problema para eles.

Diante da intransigência do atendente do estacionamento que era jovem, parecia ser frequentador do salão, mas absolutamente mal educado e petulante, achei indigno pagar a taxa cobrada e assim, pedi aos meus acompanhantes que descessem e acionando a marcha ré do veículo, fui deixando o acesso do estacionamento, quando ainda tive que ouvir as afirmações irônicas do desbocado energúmeno, dando conta que se eu parasse em ruas do entorno, fatalmente perderia o meu carro...certamente que havia esse risco, e não duvidaria que ele próprio avisasse seus "parceiros" de malandragem sobre meu bólido.

Enfim, era mais um aborrecimento e denotava mais uma vez que a escolha do tal salão não havia sido confortável para os nossos propósitos.

Bem, o lado bom foi que contrariando o pessimismo dos donos do estabelecimento, um bom público compareceu. Não era uma multidão impressionante. Mas cerca de 400 pessoas, podia ser computado como um sucesso, não restava dúvida.

O show foi muito bom, pois estávamos motivados, bem ensaiados e focados em lançar bem o disco novo. Havia também a motivação pelos convidados muito queridos e a animação do público, além da boa qualidade do áudio no palco e no P.A.

O público respondeu com sinergia. Teve vários momentos de picos de euforia e comoção quando Dudu Chermont subiu ao palco e tocou conosco.

Um equipe de filmagem amadora estava presente. Era um acordo de patrocínio firmado através do Luiz "Barata", com uma pequena produtora que também mantinha uma escola de música no bairro do Tatuapé.

Nunca assisti a filmagem inteira, mas o pouco que foi postado no You Tube revela-se uma filmagem muito pobre, sem recursos. E o pior, dias depois do show, o Barata nos disse que o rapaz nos cederia uma cópia da filmagem, bastando que levássemos um VCR caseiro para fazer a cópia. Fui com o Rodrigo na escola do rapaz, com o VCR do Rodrigo em mãos e fomos destratados por tal elemento que mostrando-se histriônico, petulante e muito arrogante, nos recebeu reclamando veementemente que o havíamos "traído", pois não mencionamos o seu apoio ao show, verbalizando no microfone, durante o evento.

Dizendo que éramos mais amadores que as bandas de alunos de sua escola, quase espumava em seu discurso destemperado, e nossa tentativa de contra argumentação nem era ouvida, tamanha a sua fúria desmedida. Bem, realmente não mencionamos seu empreendimento, e nenhum outro patrocinador, pois julgamos que a exposição dos patrocinadores era suficiente nos mais de 500 cartazes que espalhamos nos quatro cantos da cidade; além das filipetas e cartazes lambe-lambe, principalmente na zona leste, foco maior de sua clientela.

Diante de tal tratamento muito grosseiro, eu e Rodrigo nos retiramos do local e preferimos ficar sem a cópia da sua filmagem. Nunca mais tive contato com esse rapaz, e nem quero ter. Espero que seja feliz com seu estabelecimento.

E assim foi o lançamento do disco ".ComPacto", no dia 29 de março de 2003, diante de 400 pessoas aproximadamente, no salão "Led Slay", no Tatuapé, zona leste de São Paulo.

Próximo compromisso de palco, só em abril, mas nesse ínterim, a batalha pela divulgação do novo disco, estava só começando.

"Columbia" com Dudu Chermont e Alexandra "Joplin", como convidados :
Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=t2o-IL-AxzU

Continua...

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