sábado, 18 de maio de 2024

Entrevista: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro - Por Luiz Domingues

Entrevista com Moacir Barbosa de Lima ("Moah"): músico, fotógrafo, film-maker, professor, ativista cultural e diretor da produtora "Bicho Raro"

Moacir Barbosa de Lima, o popular "Moah", é um trabalhador da cultura sem igual. Músico, fotógrafo, film-maker, ativista cultural e professor de fotografia & filmagem/edição, é um exemplo de abnegação em prol da arte e da cultura. Ele não apenas acredita que pode melhorar a vida das pessoas com as suas produções, como de fato realiza tal premissa ao se multiplicar nessas ações de uma  maneira notável. 

Além disso, o "Moah" é um artista que tem muitas histórias armazenadas na sua memória e entre elas, algumas verdadeiramente incríveis sobre a sua vivência pessoal no campo cultural, portanto, esta entrevista se revelou como um orgulho muito grande para este Blog, a dignificá-lo.

Moacir Barbosa de Lima, o então pequeno "Moah", em sua tenra infância. Arquivo pessoal

A) Arte e cultura na infância e na adolescência

 

Blog Luiz Domingues 2 - Fale-nos a respeito de como a música e as artes em geral o impressionaram na infância e se haviam artistas na família para potencializar esse interesse.

"Moah"- Lembro que meu pai tocava pífano e cavaquinho, o som que ele tirava não eram de músicas conhecidas, eram solos baseados na cultura nordestina onde ele nasceu. Minha mãe cantava canções do nordeste enquanto lavava e estendia as roupas. Meu meu tio Sebastião “Bastião”, era compositor, pandeirista e boêmio, sempre saia com seu pandeiro debaixo do braço para tocar e gravou um disco pela gravadora Chantecler e assim trazia o seu disco para ouvirmos. 

"Moah" em plena adolescência bem no início do ano de 1970. Arquivo pessoal

Também me lembro do vizinho ter comprado uma vitrola que era um móvel e sempre faziam bailes na sala de sua casa e eu ficava olhando os discos rodando e ouvindo as músicas que na época haviam muitos boleros e estavam chegando bandas de Rock instrumentais tais como: The Ventures, The Shadow, The Clevers (que se tornou Os incríveis), The Jordans, The Rebels (na qual atuava o baixista, Nenê Benvenutti, provavelmente com seus 17 anos, e ele saiu dessa banda e foi tocar n'Os Incríveis).

Com essas influências o meu irmão mais velho e os amigos dele montaram uma banda chamada: "The Red Caps". Eles ensaiavam nos finais de semana fazendo cover do rock instrumental e eu tinha acesso aos amplificadores, guitarras, e ele era muito generoso e permitia que eu brincasse com o seu instrumento e amplificador. 

 "Moah" no início dos anos setenta, mergulhado na efervescência contracultural daquela época. Arquivo pessoal

No campo das artes mais precisamente artesanato influenciado pela minha mãe pegávamos argila num córrego e fazíamos objetos desse barro e queimávamos em uma fogueira para que secasse e tivesse resistência. O pai de um amigo trabalhava no Canindé na fábrica de doces "Neusa" e nos trazia papéis de bala para brincarmos e eu ficava fascinado com o design dessas pequenas embalagens e também colecionávamos maços de cigarros vazios que catávamos no lixo, tampinhas de bebidas, tenho muitas lembranças do design dessas marcas.

Foto da primeira banda de Rock pela qual o "Moah" atuou, chamada "Madcap" e que posteriormente mudou o seu nome para: "Apherpa". Arquivo pessoal

Música  - Bateria - Banda de Rock - Ambiente dos anos 1960 e 1970


Blog Luiz Domingues 2 - Quando lhe deu a vontade efetiva de mergulhar na música?

"Moah" - Ainda na infância meu irmão me fez uma mini guitarra de madeira que era um brinquedo, andava para cima e para baixo com o brinquedinho artesanal e pensamos montar uma banda embora nenhum dos garotos soubessem tocar nenhum instrumento, eu sempre comparecia ao ensaio da banda do meu irmão e ficava ouvindo eles tocarem imaginando que quando eu crescesse queria aquilo pra mim.

Blog Luiz Domingues 2 - Por que se identificou com a bateria?
Outro irmão tinha bateria e tocava na noite e a bateria ficava montada no salão de casa que meu pai construiu pra comércio mas nunca montou nada e esse salão ficou para os filhos, onde a banda do meu irmão ensaiava e ficava a vitrola plugava no amplificador de guitarra que o som era melhor. 

"Moah" no avançar dos anos setenta. Arquivo pessoal

 "Moah" - Durante a semana eu treinava na bateria, mas não era meu instrumento preferido, gostava de guitarra, mas não tinha ouvido pra tirar uma música e quando meus amigos no ginásio quiseram formar uma banda em 1971, já tinham guitarra solo, base e contra-baixo me chamaram pra tocar bateria e me adaptei bem, como sou canhoto acostumei a tocar na bateria para destro porém minha mão esquerda era a dos pratos e chimbau, e ficava treinando com os discos dos Stones, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, The Who, Jethro Tull copiando cada baterista dessas bandas.

Blog Luiz Domingues 2 - Também toca outros instrumentos?

"Moah" - Comprei um violão de 6 e outro de 12 cordas na época, eu tinha facilidade em tocar por cifras, com as notas básicas já me atrevia a compor algumas músicas e tive um incentivo bacana ao participar de um grupo de teatro e fiquei incumbido de criar a trilha sonora. Era teatro amador que desenvolvia o grupo "Trapiche" e junto com outros amigos do grupo fizemos a trilha sonora da peça.

Não me considero compositor até porque foram apenas alguns insights ao ler o roteiro da peça que surgiam as ideias de composição. 

Blog Luiz Domingues 2 - Já envolvido com a música, como foi a sua atuação como baterista de bandas de Rock?

"Moah" - Em 1971 montei com os amigos do ginásio a primeira banda que se chamava "Madcap", mas logo mudamos o nome pra "Apherpa" que era uma afirmação daqueles fios de madeira que entravam nos dedos e incomodavam muito.

Fazíamos cover das bandas de rock como Steppenwolf, Santana, Jethro Tull, Stones, Led Zeppelin, Deep Purple, Black Sabbath, Badfinger entre outras e no aquecimento dos ensaios surgiram algumas ideias de composição onde fizemos uma música que era um reggae sem saber que existia esse ritmo, um rock pop com as influências das bandas da época e compusemos um hard rock. 

Nessa época eu já me sentia um baterista, mas com sonho de tocar instrumento de cordas.

Blog Luiz Domingues 2 - E aquela história de ter feito a abertura de um show do Jards Macalé no teatro do Colégio Equipe?

"Moah" - Foi na segunda banda de rock progressivo que montamos e nem nome tínhamos que fomos tocar num festival de um colégio particular em Pinheiros, de classe média alta, e ali demos o nome da banda para: “E agora com vocês”. 

Foto da banda: "E agora com vocês", com o "Moah" na bateria e a usar camisa vermelha. Arquivo pessoal

Nesse dia combinamos de tocar a música que era bem suave e no final ficar uns 10 minutos no palco a la Jimi Hendrix que pelo olhar do público foi um escândalo. Essa minha banda unimos com a do meu irmão que era puro MPB, onde não aceitavam nenhum instrumento elétrico, juntamos as pegadas de rock num ambiente de MPB e ficou bem legal. 

Abrimos o show do Tarancón na Crusp, na Casa das universitárias da Usp, Tocamos no metrô São Bento, participamos da final de um festival de música no Palácio das Convenções no Anhembi cujos Julgadores eram Walter Franco, Martinho da Vila e no caso do Macalé, foi no Colégio Equipe na época em que ele se apresentava sentado na privada. Ele foi muito gentil conosco, dividimos o mesmo camarim e uma curiosidade, ele colocava o cigarro no violão ali perto das tarraxas entre as cordas e de vez em quando tirava o cigarro pra dar uns tragos, mas as vezes ele deixava o cigarro entre os dedos da mão direita e tocava com o cigarro na mão.  

"Moah no decorrer dos anos setenta. Arquivo pessoal

Blog Luiz Domingues 2 - Fale um pouco das suas impressões sobre o histórico Festival de Iacanga em 1975

"Moah" - Iacanga foi um festival inédito pra mim lembrou o Woodstock, chegamos em Bauru de trem e um ônibus nos levou pra fazenda, arrumamos um local para montar nossa cabana que era perto de uma pequena cachoeira com um laguinho onde os jovens desafiavam os “bons costumes". Não era apenas um festival de Rock e sim de atitudes no final da tarde nos dirigíamos para os shows que iniciavam a noite. Um rapaz passava de barraca em barraca oferecendo a venda de chá e um dos meus amigos era macrobiótico e perguntou quais chás tinha e ele riu nos chamando de inocentes, aí descobrimos que chá era o nome que davam a maconha, nossa barraca ficou conhecida como a barraca dos inocentes. 

No primeiro dia se não me engano anunciaram o Tony Ozanah que tinha vindo dos EUA quando soube do festival fazendo uma apresentação solo bem edificante, outra banda curiosamente foi bem regional com músicas típicas do Nordeste com letras fortes, instrumentos acústicos e foram muito bem recebidos pelo público. 

Uma pessoa que estava assistindo os shows subiu no palco sua roupa era apenas uma coroa de abacaxi tapando o órgão genital fazendo um discurso pró rock and roll. Diversas bandas se apresentaram nos três dias e uma emoção indescritível em estar num festival ao ar livre com muitas estrelas no céu e o som ecoando nas nossas cabeças.

Na volta tivemos que dormir na praça de Bauru em virtude de proibirem a venda de passagens de ônibus, reservaram um vagão do trem para nos acomodar naquele local isolado dos outros passageiros que ficavam na janela espiando os “hippies”. 

Blog Luiz Domingues 2 - Conte-nos a sua experiência pessoal sobre a ambientação cultural das décadas de sessenta e setenta que vivenciou ativamente.

"Moah" - Na década de 60 eu era criança, mas já tinha influência do meu irmão mais velho que já trabalhava e comprava geralmente compactos dos Beatles, Stones, Animals, Ventures, Shadows e os sucessos da época eu passava o dia ouvindo os discos e também o rádio com programas musicais. 

Quando montei a banda, conheci vários garotos que tocavam ou apreciavam bandas e artistas independentes e nessas amizades me levou ao teatro, cinema e propriamente a fotografia, onde fundei com os amigos um grupo de estudos sobre fotografia com o nome de "GEFO" (grupo de expressão fotográfica), isso em 1976, e daí me aventurei mais no mundo das artes.

Moacir Barbosa de Lima , o popular "Moah". Arquivo pessoal

Fotografia - Cinema - Teatro - Shows Musicais


Blog Luiz Domingues 2 - Como entrou a fotografia na sua vida profissional?

"Moah" - Sempre gostei de fotografia, quando era office-boy, ia no centro de Sampa pagar as duplicatas e os bancos tinham um sistema para que os boys não atrapalhassem o grande público e assim, nos davam uma senha e após algumas horas voltávamos ao banco para recolher as duplicatas pagas e como não dava pra voltar pra empresa, tínhamos que ficar esperando. 

Foto do primeiro gravador que o "Moah" usou na sua trajetória, em 1971. Arquivo pessoal

Nessa espera eu rodava o centro de São Paulo pelas lojas de equipamentos fotográficos, de áudio e sempre dava uma passada nas livrarias onde o meu foco era os livros de fotografia, cinema e artes em geral, daí quando sai do colégio dei um tempo de um ano sem estudar e fui ver alguns cursos na faculdade e me identifiquei com Design por que tinha aula de fotografia e de cinema já no primeiro ano fiz amizade com o professor de fotografia. Essa aula foi a partir do segundo ano, época que ele me convidou para ser monitor, pois antes da faculdade eu montei um grupo pra estudar fotografia com uns amigos e já tinha noção de como revelar e ampliar, a partir daí me formei e fui admitido como técnico de laboratório fotográfico.

Foto do "Moah" mais recente em meio aos seus alunos. Arquivo pessoal 

Após o professor pedir demissão, me promoveram para professor, até porque os alunos quando souberam que o professor sairia apoiaram que eu me efetivasse como professor e daí comecei a dar aulas, preparar matérias, ler mais textos sobre a história da fotografia e dos principais fotógrafos, bem como toda a literatura técnica na parte de equipamentos e a química no laboratório, me atirando como fotógrafo e professor de fotografia.

Blog Luiz Domingues 2 - E o cinema, como o impactou?

"Moah" - O cinema, veio desde criança quando projetavam na praça Nipon na Vila Maria na parede de um antigo açougue, filmes em 16 mm. com propagandas do Biotônico Fontoura os filmes do Jeca Tatu do Mazzaropi. Era um dos poucos meios de diversão nos finais de semana, sendo que no meu bairro tinha três cinemas. A minha mãe pegava balas pra embrulhar pra ajudar na renda, os meninos da rua ajudavam e no final da semana ela fazia o pagamento e todos tínhamos dinheiro para ir ao cinema. Nos anos 70 se popularizou as filmadoras super-8, consegui adquirir uma e comecei a filmar. 

Moacir Barbosa de Lima "Moah" com a sua coleção de máquinas fotográficas. Arquivo pessoal

Eu tinha uma noção do que era a fotografia no cinema desde o colégio que íamos em cine clubes geralmente o cine Bijou e após o filme ficávamos discutindo o conceito do roteiro, fotografia, luz e foi muito apaixonante poder criar pequenos curtas, montar os filmes e procurar criar imagens impossíveis por falta de tecnologia e equipamentos na época. 

Estávamos fazendo um trabalho de cinema pra faculdade e nosso tema era a alienação da juventude pela América, que nessa época foi uma febre em que os jovens vestiam camisetas com as cores e estrelas da bandeira americana e justamente foi daí que coloquei o filme do final pro começo do projetor e percebi que tudo andava de trás pra frente, porém ficavam de ponta cabeça e resolvi filmar com a filmadora de ponta cabeça para que as pessoas ficassem normais, porém andando para trás.

Nessa filmagem colocamos um integrante do grupo andando para trás na rua Direita (no centro de São Paulo), e na montagem dava a impressão que ele fazia um grande sacrifício para andar para a frente, enquanto toda a população andava naturalmente para trás e daí começamos a fazer experiências com cinema de animação entre outros.  

Foto/pintura surrealista e psicodélica criada pelo "Moah". Arquivo pessoal 

Blog Luiz Domingues 2 - Quando começou a filmar e editar trabalhos audiovisuais?

"Moah" - Como disse anteriormente, foi na faculdade e assim que fui admitido como técnico de laboratório, o professor me passou um serviço para reproduzir slides pros outros professores de outros cursos para montarem suas aulas e como eu já tinha uma experiência com gravador cassete, também criava algumas trilhas para os slides "com músicas conhecidas", entre outras gravações que fazíamos em cinema super-8 e até fiz diversos trabalhos para os alunos de comunicação da Faap que me pagavam pra fotografar e filmar para os seus trabalhos acadêmicos. 

O grande Moah a se manifestar dentro da lente "olho de peixe". Arquivo pessoal

Blog Luiz Domingues 2 - Sei que também teve interação com o teatro. Pode nos contar tais experiências?

"Moah" - Ainda os anos 70, um amigo conheceu uma equipe de teatro amador e me convidou pra assistir um ensaio em que ele participava. Lá me perguntaram se eu queria participar, mas nunca tive a intenção de atuar na frente de um palco, pois sempre fui muito retraído, sem querer me expor e como eles não tinham ninguém na parte de iluminação e no áudio me chamaram para montar uma equipe a cuidar dessa parte.

Lendo o roteiro, musiquei alguns poemas na voz dos personagens e os atores aprovaram. E assim criamos a trilha dessa peça. Depois entrei em outro grupo de teatro fazendo a percussão pro autor das músicas. Nos apresentamos em colégios, na favela de Heliópolis e geralmente alguns padres progressistas, após a missa pediam para os fiéis ficarem pra assistirem nossa peça, quando o altar se transformava em palco e nos apresentávamos ali. 

Show do Jethro Tull em São Paulo, fotografado pelo "Moah". Arquivo pessoal

Blog Luiz Domingues 2 - E cobertura de shows musicais com foto e filmagem, quando começou a atuar nesse campo?

"Moah" - Ainda no final dos anos 70 quando ia em shows levava a câmera por conta própria e registrava com fotografia, o primeiro show que fotografei foi quando o Ney Matogrosso saiu dos Secos & Molhados e estava fazendo show do seu primeiro vinil em um circo perto do Anhembi. Também acompanhava os movimentos dos artistas independentes da zona norte sempre com a câmera na mão registrando os espetáculos de música e teatro. 

Já no final do século XX para o início do Século XXI, cobri vários shows no "Hangar 110" do movimento Hard core e fiquei durante 10 anos registrando o "Sarau da Maria" na Vila Maria, cujos artistas a maioria eu conhecia por ter participado dos mesmos movimentos culturais da época. 

"Moah" e sua ferramenta de criação! Arquivo pessoal

 Aulas - Atuação como professor - Cursos


Blog Luiz Domingues 2 - É sabido que ao longo do tempo, também você se tornou um professor requisitado de fotografia e filmagem. Conte-nos cobre essa atuação pedagógica.

"Moah" - Iniciei em 1981 como assistente e em 1985 quando o professor saiu iniciei a carreira acadêmica como professor de fotografia. Como já era formado em design gráfico as aulas eram pra design e educação artística, eu trabalhava na empresa "Dixie" que depois foi incorporada pela empresa de embalagens "Toga", eu desenvolvia o design gráfico dos produtos dessa empresa pros copos descartáveis, basicamente todas as lanchonetes da época utilizavam copos descartáveis com seus logotipos e sempre estava em contato com as clicherias e gráficas. Os alunos pediram pra coordenação se era possível eu ministrar aulas na parte gráfica. 

Além de fotografia cinética, fiquei com aulas de produção e análise gráfica, tipografia e juntamente com outros professores passei a ser orientador de TGI (Trabalho de Graduação Integrado), que pra outros cursos eram chamados de TCC. 

Charge a designar "Moah" e a sua produtora cultural, a "Bicho Raro." Arquivo pessoal


Ativismo Cultural - Centro Cultural - Cine clube - Oficina de criação

Blog Luiz Domingues 2 - Fale-nos sobre as suas ações realizadas como ativista cultural em geral.

"Moah" - Em todas as atividades culturais das periferias me chamavam para a documentação em fotografia e vídeo. Fiquei vários anos registrando esses movimentos e acompanhei por mais de três ano o coletivo "Slam do Prego" que é uma batalha de poesia. Registrei como forma documental todas as batalhas de poesia, fiz alguns registros com o "Coletivo 308" e participo do "Acinc" que é uma associação de cinema independente de Guarulhos. 

Em relação a oficina de criação, todas as férias na Universidade, eles propunham cursos e dei várias oficinas de criação na parte de fotografia, vídeo, produção e análise gráfica. 

Blog Luiz Domingues 2 - É sabido que você está envolvido no projeto de criação de um centro cultural. O cine clube já está em atividade, inclusive. Fale-nos sobre esse projeto, sem deixar de mencionar o museu de aparelhos eletrônicos que está a organizar e as oficinas de criação organizadas com seus alunos e colaboradores.

 "Moah em autoretrato surrealista. Arquivo pessoal

"Moah" - No "Coletivo 308 " montamos o cine clube e paramos em virtude da pandemia, mas em breve voltaremos novamente a projetar filmes e debatermos sobre eles, inclusive ganhei recentemente do amigo Luiz Domingues centenas de documentários sobre música e cinema que será muito bem utilizado no nosso cine clube (nota do redator: que maravilha, como fico contente por saber dessa informação!)

Recentemente o "Slam do Prego" o qual faço algumas documentações mudou o local de suas apresentações para uma praça que ficou conhecida como: "Praça da Pedra" em virtude dessa pedra ser enorme, me passou pela cabeça de fazer o Cinema da pedra iremos fazer a primeira exibição a partir de junho onde projetaremos os filmes na própria pedra que deve ter uns 5 metros de altura.

 "Moah" em seu estúdio fotográfico. Arquivo pessoal

Com relação aos equipamentos vintage comecei a comprar para ilustrar as aulas com equipamentos reais onde os alunos conheceriam de perto câmeras reais ao invés de projeção de slides. Hoje pretendo utilizar no cine clube e até fazer algumas produções com filmadoras super-8. Possuo algumas filmadoras e projetores super-8 e também 8 mm além de um projetor de 16 mm com som óptico e pretendo criar oficinas de cinema super 8mm para aqueles que quiserem aprender como filmar, editar e dirigir pequenos curtas em virtude dos filmes super 8 mm de 400 pés que gravam aproximadamente 3 minutos, e nesse caso o custo é bem elevado.

Estou também dentro desse planejamento oficinas de fotografia analógica pra ensinar não apenas revelação e ampliação bem como fabricar os fotoquímicos de reveladores, interruptores e fixadores, papéis salgado, explicando as funções de cada químico no processo de revelação e fazer alguns experimentos dos precursores da fotografia com os elementos químicos que eles utilizavam com papel salgado na ampliação de fotografias. 

Através da lente da sua câmera, a persona de Laert Sarrumor a gravar a sua voz na música "1969" do Boca do Céu, sob filmagem do "Moah" 

Boca do Céu - Os Kurandeiros - Los Interessantes Hombres sin Nombre - Rádio Matraca

Blog Luiz Domingues 2 - Foi através do guitarrista do Boca do Céu, o meu velho amigo, Wilton Rentero, que você se aproximou do Boca do Céu, a nossa “velha nova" banda. Fale-nos a respeito dessa sua atuação como fotógrafo e film-maker a documentar as ações da banda e a nos garantir farta e luxuosa cobertura das gravações e shows que esse grupo tem feito, inclusive mediante um belo documentário que já está disponível no YouTube sob a sua direção e edição. Fale-nos a respeito do seu ponto de vista sobre essa parceria, ou seja, o que tem achado dessa experiência?

Veja acima o documentário produzido, editado e dirigido por Moacir Barbosa de Lima, "Moah" lançado em 2023, para registrar a gravação da música "1969" do Boca do Céu.

Eis o link para assistir diretamente no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=7rSR2zWccVI&t=34s

"Moah" - Está sendo uma experiência incrível poder participar com a banda Boca do Céu e aprendendo mais sobre música, músicos e conceitos sobre a criação, arranjos entre outros detalhes importantíssimos em que os músicos externam seus sentimentos e conceitos naquilo que querem transmitir em suas criações, me sinto muito grato de poder participar desse grande projeto de poder documentar os ensaios, gravações e produção de documentário e videoclipe. 

Os Kurandeiros em ação no palco do ICBR de São Paulo. 17 de fevereiro de 2024. Click, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima "Moah"

Blog Luiz Domingues 2 - E ao se aproximar do Boca do Céu, também já fez cobertura para a minha banda, Os Kurandeiros, também para a banda de amigos nossos em comum, "Los Interessantes Hombres Sin Nombre" além do programa radiofônico: "Rádio Matraca" da USP FM. Como foram tais experiências para você?

"Moah" - Foi um desafio gratificante fazer esse trabalho no espaço Bolívia Rock acompanhando de perto essas três icônicas bandas filmando, fotografando e posteriormente editando os shows. Esses exercícios mantêm fiel às coisas que acredito e fazer parte dessa experiência reavivou a chama de poder estar com pessoas que respiram intensamente o pulsante rock and roll na veia. 

Assista o programa "Rádio Matraca" com participação do Boca do Céu, filmado e editado por Moacir Barbosa de Lima ("Moah") em fevereiro de 2024. 

Eis o link para ver diretamente no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Hw9_vwzb0rM

O Boca do Céu a atuar na gravação do programa "Rádio Matraca" com alguns de seus apresentadores ao fundo e atrás das câmeras, de camiseta bege e calça de moletom, cinza, Moacir Barbosa de Lima ("Moah"). 31 de janeiro de 2024. Click, acervo e cortesia: José Milleto

Sobre a Rádio Matraca, eu já tinha ouvido alguns programas e estar participando do programa colocando em prática operar 3 câmeras de uma só vez e fazer acontecer, foi exuberante. Estarei sempre a disposição para dar continuidade nesse projeto.

O grande Moacir Barbosa de Lima, popular "Moah", talentoso e abnegado artista, professor e ativista cultural. Arquivo pessoal

Blog Luiz Domingues 2 - Para encerrar, concedo-lhe espaço aberto para falar sobre o que quiser nas suas considerações finais.

"Moah" - Primeiramente gostaria de agradecer o convite para reviver coisas que me ensinaram a trilhar por um mundo em que eu sempre gostei de estar inserido e estar de volta com outros projetos que estavam adormecidos e precisavam desse incentivo para que despertasse. 

Blog Luiz Domingues 2 - Passe-nos os seus contatos nas redes sociais para que as pessoas conheçam melhor o seu trabalho e possam contatá-lo para requisitar os seus serviços.

Whats 11 994418589 – Designer – oficinas fotográficas - vídeos
moatrix@gmail.com
instagram @moatrix.barbosa
instagram @bichoraroprodutora
youtube: bichoraro produtora 

domingo, 12 de maio de 2024

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 135 - Por Luiz Domingues

Eu, Luiz Domingues, a me preparar para começar a gravar o baixo da canção "Astrais Altíssimos". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Na mesma sessão, ao constatarmos que a gravação da bateria estava aprovada ao se mostrar absolutamente dentro da pulsação proposta pelo "click" a marcar 125 bpm, e mediante ótima performance da parte do Carlinhos Machado, e além de tudo ainda sobrara tempo, resolvemos gravar o baixo, imediatamente. Uma ideia levantada pelo Laert foi aclamada por todos, incluso eu mesmo, no sentido de que a primeira parte da música: "Astrais Altíssimos" poderia ter uma sonoridade mais próxima possível da estética do Rockabilly de teor cinquentista e na segunda parte, a ser executada mediante uma leve pausa planejada no arranjo entre as duas partes, eis que a sonoridade da banda seria mais em torno do Rock'n' Roll, porém sob o viés setentista.

Eis o momento no qual eu, Luiz Domingues, fui flagrado pela lente da câmera a mexer na equalização do amplificador. Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Com isso, o Laert ambicionara a sonoridade do baixo acústico, bem típico da escola do Rockabilly, no entanto, na impossibilidade de eu não tocar tal instrumento com desenvoltura e nem mesmo a reunir meios para arrumar um baixo acústico que evidentemente eu não possuía, a solução foi mexer na equalização do meu instrumento, o tradicional baixo elétrico. 

Com o meu velho Fender Jazz Bass, instrumento com o qual eu gravei todos os discos da minha carreira, mediante trabalhos realizados com muitas bandas diferentes das quais fui componente e  eis de novo a usá-lo para gravar com a minha primeira banda de carreira, finalmente! Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Click, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lina ("Moah")

Gravei com o Fender Jazz Bass, ou seja, um baixo que tem a frequência grave como um trunfo natural, porém, ele também pode obter timbres mais agudos e até distorcer no seu limite, quase a se assemelhar a um modelo Precision, todavia, a minha intenção foi claramente já buscar a sonoridade mais encorpada para a música inteira e no caso da parte inicial da canção, ainda mais baseada no grave para realçar o fator "Rockabilly" proposto pelo Laert.

É claro que não ficaria tão perto de um baixo acústico clássico, no entanto, eu mexi na equalização do amplificador e no sinal da linha, o Danilo Gomes Santos também ficou avisado sobre tal intenção para que na hora da mixagem, pudesse igualmente exercer tal busca na diferenciação dos timbres pela equalização dos paramétricos e na compressão ao seu dispor, e assim delimitar bem a diferença entre as duas partes.

Eu, Luiz Domingues, a gravar o baixo da música: "Astrais Altíssimos". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")

Feito isso, gravei rapidamente a primeira parte e mediante uma breve pausa para timbrar novamente, gravei a parte final da música com mais "ranhura", a caracterizar uma sonoridade de baixo mais condizente com o padrão dos anos setenta.

Com o apoio moral dos companheiros e a boa condução técnica do Danilo Gomes Santos, eu consegui gravar o restante da música com tranquilidade e gostei muito do resultado sonoro obtido dessa captura, inclusive nas timbragens distintas do instrumento para demarcar bem a intenção de obter diferenciação entre as duas partes da canção.

Na foto 1, Osvaldo Vicino e Wilton Rentero durante a gravação da guia para a bateria. Na foto 2, Laert Sarrumor a observar os trabalhos na sala técnica e na foto 3, Carlinhos Machado a gravar a bateria. Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado  

Ao término da primeira sessão de gravação de "Astrais Altíssimos", estávamos todos muito felizes pelo resultado obtido na captura da bateria e do baixo. A guia fora muito satisfatória, estávamos rigorosamente dentro do "click" proposto como pulsação, a performance dos instrumentos que foram gravados oficialmente estava ótima e assim, o caminho para a gravação das bases e solos de guitarra ficou muito bem sedimentado para ocorrer no dia seguinte, mediante a realização da segunda sessão de gravação.

Eu, Luiz Domingues, a gravar o baixo  da música "Astrais Altíssimos". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Cabe registrar que da minha parte eu tive a oportunidade de obter interessantes reflexões nessa sessão em específico. Por exemplo, pelo lado emocional, foi um prazer ser partícipe da construção dessa música, pela obviedade da situação. Foi comovente, mas sem que isso interferisse no equilíbrio para gravar, longe disso, aliás, mas o fato dessa canção ter sido uma das nossas primeiras peças criadas pela nossa banda em seus primórdios de 1976, tal fato me despertou uma sensação muito boa de concretização de algo remoto que não fora cumprido há quase cinco décadas atrás.

Mesmo a se levar em consideração que o mesmo raciocínio deveria ser atribuído à "1969", canção então já gravada e lançada e "Rock do Cometa" em fase de construção igualmente, foi com "Astrais Altíssimos" que eu pude mais do que elucubrar, mas sentir tal energia muito boa, a caracterizar de forma palpável o sentido do "resgate" que idealizamos em 2020. 

E a outra constatação que eu pude fazer foi no campo mais técnico, ao perceber que essa banda ultrapassara enfim o seu limite dos anos setenta e ganhara uma aura de banda ativa, com a formação de um "calo", figurativamente a falar. O fato de haver três membros bem experientes e dois que não tiveram essa vivência no mesmo padrão durante o longo hiato no qual ficamos afastados uns dos outros, até então fazia com que a banda não soasse com aquela desenvoltura una. Porém, após gravar "1969", realizar um show ao vivo, participar da gravação de um programa de rádio, também a tocar ao vivo e gravar mais duas músicas em estúdio, certamente que forneceu um salto para os dois membros menos experientes e isso tornou possível para a banda, se tornar mais coesa. 

Em suma, esse fator me deixou orgulhoso por verificar que os companheiros com menor carga de experiência haviam crescido e também pelo fato da banda, como uma unidade propriamente dita. tenha alcançado um patamar maior ao subir um degrau. Com isso, mais um recorde foi batido na minha opinião, pois foi nesse ponto de 2024, que finalmente o Boca do Céu deixou aquele degrau dos principiantes de 1976 e evoluíra como grupo, portanto a caracterizar que realizáramos mais um sonho não conquistado nos anos setenta.

Para concluir, devo dizer que toda banda precisa criar uma "casca" e o Boca do Céu nos frustrara nos anos setenta por ter ficado longe desse estágio e finalmente em 2024, com essa predisposição do "resgate" em curso, nós atingíramos tal patamar, antes tarde do que nunca! 

Veja abaixo alguns vídeos da gravação do baixo da música: "Astrais Altíssimos": 

Gravação do baixo de Luiz Domingues - "Astrais Altíssimos" - 2ª sessão - Estúdio Prismathias de São Paulo. 9 de abril de 2024 - Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para ver no YouTube:
https://youtube.com/shorts/4qElBC1Ppq0?feature=share

Gravação do baixo de Luiz Domingues (vídeo 2) - "Astrais Altíssimos" - 2ª sessão - Estúdio Prismathias de São Paulo. 9 de abril de 2024 - Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtube.com/shorts/w7vP1TTnhtU?feature=share

Gravação do baixo de Luiz Domingues (vídeo 3) - "Astrais Altíssimos"- 2ª sessão - Estúdio Prismathias de São Paulo. 9 de abril de 2024. Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para ver no YouTube:
https://youtube.com/shorts/H6Ah5N-Sb

Gravação do baixo de Luiz Domingues (vídeo 4) - "Astrais Altíssimos"- 2ª sessão - Estúdio Prismathias de São Paulo. 9 de abril de 2024. Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para ver no YouTube:
https://youtube.com/shorts/4igoUVij4IU

Gravação do baixo de Luiz Domingues (vídeo 5) - "Astrais Altíssimos"- 2ª sessão - Estúdio Prismathias de São Paulo. 9 de abril de 2024. Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para ver no YouTube:
https://youtube.com/shorts/ibN6RHEFA5

Na confraternização geral ao término da 1ª sessão de gravação da música: "Astrais Altíssimos", da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues), Danilo Gomes Santos, Laert Sarrumor, Carlinhos Machado, Moacir Barbosa de Lima ("Moah") e Wilton Rentero. Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Click (selfie), acervo e cortesia: Wilton Rentero

Continua...

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 134 - Por Luiz Domingues

 

Carlinhos Machado comanda a "selfie", com Osvaldo Vicino e Laert Sarrumor, ao fundo. Ensaio do Boca do Céu no estúdio Lumen de São Paulo. 7 de abril de 2024. Click, (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado. 

Em 6 de abril nos reunimos no estúdio Lumen para um ensaio preparatório. A meta foi afinar o arranjo individual de cada um a visar entrarmos em estúdio já no dia seguinte para gravarmos a música: "Astrais Altíssimos" e assim, o time completo fez tal trabalho de apronto, para que no dia seguinte, começássemos a gravar a bateria da música.

Quem diria, que quarenta e oito depois, essa banda teria uma agenda com atividades diárias programadas? Pois é, como teria dito o agente secreto, James Bond: "nunca diga não", a contrariar o radialista, Miguel Vaccaro Neto nessa afirmativa.  

Carlinhos Machado a ilustrar o nosso álbum da produção do resgate, mediante a bateria preparada para a gravação com os microfones devidamente ajustados. Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 1ª sessão de gravação da música "Astrais Altíssimos". 8 de abril de 2024. Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

A sensação boa de que havíamos finalmente acelerado o processo de gravação do resgate como um todo nos deu muita alegria nesses dias. De fato, estávamos a entrar novamente em estúdio sob um pequeno hiato de poucos dias após a última sessão que encerrara a sessão anterior, e esta que definira a voz solo referente a música anterior e já nos colocamos a preparar a produção da próxima. 

A nova etapa que iniciamos foi para se gravar a música: "Astrais Altíssimos", ou seja, que maravilha para nós estarmos a empreender tal missão, pois esta fora uma das primeiras músicas que criamos no longínquo ano de 1976, na verdade a se tratar de uma composição que o Laert nos trouxe pronta, fruto da sua imaginação fértil e que tratamos apenas de harmonizar e arranjar, porém, mediante os nossos parcos recursos técnicos daquela ocasião, devo salientar. 

Danilo Gomes Santos a prover os últimos ajustes nos microfones. Estávamos prestes a iniciar a gravação de "Astrais Altíssimos". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 1ª sessão de gravação. 8 de abril de 2024. Click e acervo: Luiz Domingues

Para o arranjo, estava previsto um início a simular ao máximo o Pop-Rock cinquentista com acento "Rn'B" e com um certo toque "Rockabilly" e na parte B, da canção, a execução do Rock'n' Roll clássico de inspiração cinquentista, porém com a feição dos anos setenta, ou seja, a sonoridade bem próxima de bandas britânicas tais como o "Slade" e o "Status Quo", primordialmente.

Bem, a gravação da bateria transcorreu de uma forma muita rápida, eficaz e com ótima performance do Carlinhos Machado, que muito acostumado a tocar tal sonoridade com Os Kurandeiros e outras bandas pelas quais atuou e atuava nessa época, criou uma linha de bateria muito boa. 

Além do timbre excelente que obteve graças ao apoio do técnico de áudio, Danilo Gomes Santos, eis que a sua criação de linha foi muito boa. Por exemplo, em um momento da música onde se observa uma queda brusca da dinâmica, a sua criação de uma batida tribal no surdo da bateria, ficou tão sutil e precisa que arrebatou elogios de todos, principalmente do Danilo Gomes Santos, que se impressionou com tal criação. Evidentemente que eu me incluo nesse rol dos que apreciaram a criação do colega e amigo.

Com a banda completa a preparar a guia e gravação da bateria de "Astrais Altíssimos". No comando da "selfie", Carlinhos Machado. Atrás dele, Wilton Rentero, Osvaldo Vicino e Laert Sarrumor, além de Danilo Gomes Santos sentado em frente à mesa de mixagem. Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 1ª sessão. 8 de abril de 2024. Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Com a feliz rapidez observada na primeira tarefa dessa produção, sobrara tempo na sessão e eu me prontifiquei a gravar o baixo de pronto, logo a seguir.  

Bastidores da gravação da música "Astrais Altíssimos" - 1ª sessão - Estúdio Prismathias de São Paulo. 8 de abril de 2024. Filmagem e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:
https://youtu.be/lTuIX8Bmtac 

Continua...

domingo, 5 de maio de 2024

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 133 - Por Luiz Domingues

Laert Sarrumor a gravar a voz solo da música: "Rock do Cometa". Estúdio Prismathias de São Paulo. 10 de março de 2024. 3ª sessão. Click, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

A 3ª sessão de estúdio para a gravação da música: "Rock do Cometa", foi usada praticamente inteira para provermos a voz solo do Laert Sarrumor. Mas antes de iniciarmos tal processo, de fato como aventara na sessão anterior, o Wilton Rentero aproveitou e refez um pequeno trecho a conter um efeito glissando no uso do pedal "Wah-Wah".

Missão cumprida para essa breve pendência, o Laert pode assumir a sala de gravação e colocar toda a sua inspiração e interpretação para colocar a voz solo definitiva da canção. Momento histórico pelo qual testemunhamos a quase finalização do tema: "Rock do Cometa" e por conseguinte, a verificarmos que praticamente estávamos a consumar a gravação da segunda música do nosso grande resgate.

Laert Sarrumor a gravar a voz solo de "Rock do Cometa". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 3ª sessão. 10 de março de 2024. Clicks, acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Com performance excelente, a voz do Laert foi o creme para coroar os nossos esforços. Ficou a faltar os backing vocals, é bem verdade, mas ante a possibilidade de convidarmos a nossa querida amiga e companheira de Kurandeiros, Renata "Tata" Martinelli, decidimos então gravar logo a seguir a terceira música do projeto, "Astrais Altíssimos" e assim, aproveitarmos a presença de nossa convidada para participar da sessão de gravação dos backings das duas músicas mais para a frente e assim a otimizarmos a sua participação.

Satisfeitos pelo resultado obtido, fechamos então parcialmente a gravação de "Rock do Cometa" e nos debruçamos na tarefa de produzir a próxima canção, "Astrais Altíssimos", com previsão de iniciarmos tal processo no início de abril de 2024. 

O fotógrafo e film-maker, Moacir Barbosa de Lima ("Moah") a registrar o momento histórico no qual Laert Sarrumor gravou a voz solo de "Rock do Cometa". Boca do Céu no estúdio Prismathias de São Paulo. 3ª sessão. 10 de março de 2024. Click, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Continua...