sábado, 31 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 214 - Por Luiz Domingues

Terceira faixa do álbum "Sempre jovens para o Rock'n' Roll", "Serena" tem uma história e tanto para o Boca do Céu. Composta inicialmente pelo Osvaldo Vicino em algum momento entre 1974 e 1975, quando a banda foi fundada em 1976, ele obviamente a ofereceu para se tornar integrante do repertório inicial do nosso recém fundado grupo de Rock. E assim, com uma roupagem bem simplificada, nós a tocamos nas nossas apresentações de 1977 em diante e concorremos com ela no festival I Femoc do colégio Oswaldo Catalano no qual eu mesmo (Luiz Domingues) estava a estudar o 1º ano do ensino médio. 

Quando surgiu a ideia do resgate em 2020, é claro que foi uma das primeiras canções a ser lembrada e a partir de 2021, quando a pandemia arrefeceu, passamos a trabalhar efetivamente com ela e a desenvolver novas partes que não existiam no formato dos anos setenta, sofisticando-a bastante.

Nesses termos, é notável como criamos a ideia da parte da introdução ficar mais elástica, com a melodia desenhada pela guitarra do Osvaldo a se destacar, e na gravação, mediante timbre de uma guitarra Fender Stratocaster, isso se realçou pelo presença decisiva do agudo bem proeminente.

O Laert insistiu muito que essa música tivesse ares de Rock Progressivo e particularmente eu não a via dessa forma, isto é, mais a pensar nela como uma balada Folk-Rock e no caso, eu a enxergava no rumo a seguir mais ou menos a cartilha dos Secos & Molhados com bastante jovialidade e balanço pop, quase próximo do R'n'B.

Mas de tanto ele insistir no elemento Prog, eu mesmo me antecipei e criei uma parte B para a introdução, com alguns acordes, um pouco de síncope na divisão rítmica mediante uma linha de baixo tercinada que chamou a feição Prog que ele tanto desejava incorporar e em cima desse trecho, um segundo solo, desta feita da parte de Wilton Rentero foi criado, bem melódico e a evocar o estilo do Space-Rock a la cena de Canterbury e assim, ficou mais Prog-Rock do que o Laert imaginara. E claro, os teclados colocados já com o arranjo definido, pelo nosso convidado especial, Rodrigo Hid (e no caso, a acrescentar o clássico som do órgão Hammond), eis que deu o verniz final para essa parte se parecer demais com o som do Yes.

A parte cantada foi sugerida no sentido de ser feita ao estilo de artistas Folk-Rock. A inspiração foi em torno de artistas sessentistas tais como: The Mamas and the Papas, Peter; Paul and Mary, The Seekers, Simon and Garfunkel e CSNY, a grosso modo, e assim, quando a gravamos, o Laert se completou ao cantar com Cacá Lima e Renata "Tata Martinelli", nossos convidados especiais. Dessa maneira, a música tem essa característica de não conter apenas backing vocals, mas um vocal aberto em três vozes na condução de suas estrofes. O arranjo para a construção dessa melodia harmonicamente aberta em vozes, ficou a cargo do Cacá Lima que mais uma vez construiu tudo no estúdio, com um poder de criatividade e rapidez, estonteante.

Uma parte inteiramente nova foi acrescida para quebrar a sequência inicial e nessa etapa acertamos que o Laert a cantaria sozinho, sem abrir vozes com os convidados e apenas ao final um ligeiro backing vocals faz uma melodia entoada como apoio da saída desse trecho.

Vem a parte da desdobrada rítmica e eu sugeri o uso do mellotron, outro clássico teclado dos anos setenta para o Rodrigo acrescentar. Acho que (modéstia a parte), a minha ideia caiu muito bem nesse trecho, pois o mellotron lembra demais o som do Genesis em "Watcher of the skies" e de David Bowie em "Space Oddity", mas pelo fato da desdobrada rítmica, lembra ainda mais a música: "O Toque" de Rita Lee & Tutti-Frutti, ou seja teve tudo a ver com essa concepção. Nesse trecho, a guitarra do Osvaldo dá os acordes da harmonia, Wilton contribuiu com um contrasolo super melódíco. Eu faço bicordes e no baixo Rickenbacker, o timbre médio-agudo ficou bem bonito, na minha avaliação.

A música volta para a parte A, e logo entra uma percussão bem balançada a conter congas, timbales e diversos instrumentos de apoio rítmico, além da pontual presença do "Temple Block". Foi essa a ótima participação de Marcos Martins, o percussionista do Língua de Trapo. 

Em meio à percussão, o vocal onomatopaico que já existia no arranjo dos anos setenta, foi mantido. É um tipo de vocalização que é muito usada em canções pop ao estilo "AOR", para induzir grandes públicos de arenas, estádios de futebol e grandes shows feitos em parques públicos, a cantar junto, ou seja, se trata de um chamariz estratégico para buscar interação com a plateia.

E ao cantar mais uma estrofe logo após essa parte de empolgação coletiva, eis que a música entra em uma última parte, com o rítmo novamente alterado e desta feita, além do baixo bem marcado com a bateria, temos a presença da flauta como um elemento de docilidade a pontuar uma bela melodia. Tal parte foi um achado que o Wilton Rentero criou em um ensaio por volta de 2024, já perto de marcarmos o início da gravação da canção e caiu como uma luva para sofisticar ainda mais a peça. O convidado especial, Arnaldo Geretch, gravou essa flauta para abrilhantar a nossa canção. Esse trecho tem a marca do Prog-Rock, igualmente, e lembra bastante o som do "Renaissance".

A música se encerra na convenção situada na tonalidade de Fá maior, a trazer aquele sabor Folk-Rock que lhe é peculiar desde o seu nascedouro na década de setenta.

Acho que a música extrapolou todas as expectativas que tivemos quando o resgate se iniciou, pois sabíamos que ao determinarmos que faríamos mesmo esse trabalho, era consenso geral que por conta de nossa experiência adquirida, evidentemente que a música soaria muito melhor do que soava amparada pela nossa parca condição musical dos anos setenta. No entanto, a cada nova ideia que acrescentamos, a música cresceu muito além do que projetáramos e que ótimo, chegamos a esse resultado tão bom. Ela tem elementos de Folk-Prog Rock muito salientes, todavia, tem também o aspecto Pop, ou seja, é uma música que teria condições de se tornar radiofônica.

Eis o link para acessá-la:

https://www.youtube.com/watch?v=i7wRArm-s6M

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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 213 - Por Luiz Domingues

Ilustração com destaque de Osvaldo Vicino para compor o vídeo clipe da música Revirada. Click e arte de Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro

A segunda faixa do álbum é "Astrais Altíssimos". Uma das primeiras músicas que o Laert Sarrumor mostrou de sua criação pessoal assim que entrou para a banda em 1976. Canção com forte dose de humor, ela brinca com a tabela periódica a estabelecer um trocadilho deveras juvenil que mantivemos, ipsis litteris, nesta versão oficial de 2026, gravada no disco.

Na parte musical, também não mudamos a concepção original dos anos setenta, ou seja, a primeira parte insinua um flerte do Pop Rock pré-Beatlemania bem do início dos anos sessenta, com ecos no R'n'B e no Rockabilly cinquentista e na parte dois, a interpretação tende a evocar o Rock'n' Roll clássico da década de cinquenta, mas com a devida roupagem setentista, ou seja, a soar como Blues-Rock pesado.

Osvaldo Vicino faz o primeiro solo bem ao sabor cinquentista e o solo do Wilton Rentero tem mais o estilo setentista do Blues-Rock como eu já salientei.

Gosto da incidência de palmas e uso de pandeirola acoplada ao chimbau da bateria logo no começo, a lembrar o som de artistas do Rock brasileiro dessa época, tais como: Tony Campello & Celly Campello, Albert Pavão, Sérgio Murillo, Ronnie Cord e outros.

Após uma pausa, o baixo insinua a mudança para o Rock mais setentista na essência, e eu tive a preocupação de preparar um timbre mais grave na primeira parte e deixar uma acentuada ranhura de frequência mais a pender para a região média-aguda na segunda parte.

Gosto bastante da interpretação do Laert e também do bom arranjo de backing vocals feito pelos cantores convidados, Cacá Lima e Renata "Tata" Martinelli.

Ao final, o efeito engraçado do duplo sentido que induz as pessoas a interpretar a fonética de certos elementos da tabela periódica como algo muito diferente, isto é, bem escatológico, é uma boa piada que remete às infames músicas criadas por professores de cursos pré-vestibular e que usam desse artifício para que os vestibulandos decorem fórmulas. Laert Sarrumor, muito antes do Língua de Trapo, é bom lembrar, já tinha a veia do humor sedimentada, certamente.

"Astrais Altíssimos" (Laert Sarrumor)

CD "Sempre jovens para o Rock'n' Roll"

Eis o link par a assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=TIK5cGrF5OE

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Boca do Céu - Capítulo 212 - Por Luiz Domingues

Esta arte acima não foi aprovada para ilustrar a capa do disco nas plataformas digitais, no entanto, super simpática pela atmosfera ultra hippie dos anos sessenta, eis que se tornou peça de divulgação para nos auxiliar bastante em 2026. Criação e layout: Moacir Barbosa de Lima ("Moah")/Produtora Bicho Raro

Lançado nas plataformas devidamente e já com algumas ações de divulgação em curso, estávamos nessa fase entretidos com a preparação do clipe da música "Revirada" e do documentário em fase de produção bem avançada para ambas as empreitadas e também a discutir a possibilidade de promover uma festa de lançamento do disco, possivelmente com um pocket show.

Cabe neste instante da minha narrativa autobiográfica, abrir aquela já clássica resenha sobre o álbum, a tecer as minhas considerações pessoais sobre cada música e sua respectiva produção de estúdio. Essa análise fez parte de todos os álbuns anteriores que eu gravei, como uma análise importante da minha memória registrada da carreira, inclusive neste ponto em que escrevi este trecho, setembro de 2026, alguns reflexões dessa natureza já se encontram em alguns livros impressos sobre a minha autobiografia, que lancei até então.

Contudo e sem demérito algum para qualquer outro trabalho que gravei e acrescento que discos são como filhos, ou seja, gosto de todos sem distinção, este em específico adquiriu um caráter muito peculiar, no sentido de ter sido um disco que demorou cinquenta anos para ser concebido. Claro, ao longo da narrativa autobiográfica completa, eu deixei claro ao leitor que por décadas esse fato do Boca do Céu não ter conquistado tal façanha em sua época remota dos anos setenta, estava devidamente computado com a devida resignação de minha parte e certamente dos demais companheiros dessa banda.

A vida seguiu, Laert Sarrumor se tornou um astro do Língua de Trapo, além de outras tantas atividades artísticas pelas quais se dedicou, eu toquei e fui feliz com inúmeras bandas a construir uma discografia bem grande, Osvaldo Vicino se tornou um executivo bem sucedido do mundo corporativo, Wilton Rentero teve uma carreira sólida como professor e foi (e ainda o é), adorado por seus alunos e Fran Sérpico, um empresário de muito sucesso em seu ramo de atividades.

No entanto, houve o reagrupamento de 2020, e com ele, a inacreditável perspectiva de um disco ser gravado e além desse fato extraordinário por si só, veio a se somar a própria história do resgate promovido pela banda, isto é, a se constituir de seis anos de esforços, com pandemia no meio do caminho, agendas conflitantes e a condição da idade sexagenária de todos a se caracterizar como dificuldades que não tínhamos na década de setenta, portanto, o orgulho por ver esse disco devidamente lançado é algo incomensurável para a minha percepção pessoal e tenho certeza, de todos, incluso para o Carlinhos Machado, que não foi membro da formação original de 1976, porém, se integrou como uma luva na fase moderna da banda e ele também lutou muito para ajudar a construir essa conquista.

Em suma: é com bastante orgulho e alegria que eu faço agora a minha análise pessoal sobre as músicas que compõem o disco: "Sempre jovens para o Rock'n' Roll".

1) Rock do Cometa (Laert Sarrumor)

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=aOmiE5IHYRI&list=RDaOmiE5IHYRI&start_radio=1

E abaixo, veja o link para escutar no meu canal 2 do YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dnZWUm3En44

Música que o Laert trouxe pronta para a banda no início de 1977, nós nunca a tocamos ao vivo naquela fase da banda por falta de oportunidade em tal ocasião, simplesmente, pois sempre gostamos dela. 

A sua estética é a do Rock'n' Roll bem tradicional com pegada Blues-Rock e aquela típica visão setentista, ou seja, a lembrar bastante o som de bandas da seara do Blues-rock como o Status Quo, Faces e os próprios Rolling Stones da fase Mick Taylor (1969-1974) e bandas Glam-Rock tais como o Slade, T.Rex e David Bowie, entre outras tantas desse campo.

Sobre a letra, é muito interessante como as imagens evocadas são alegorias e metáforas com cunho de protesto sociopolítico a lembrar inclusive, o estilo de crítica social expressa nos quadrinhos do "Fradim", personagem criado pelo saudoso cartunista Henfil, um artista que impactava muito o Laert na época, assim como Robert Crumb e Gilbert Shelton com os "Freak Brothers" e seus personagens agregados.

As guitarras são muito marcantes e há sobreposições muito interessantes que interagem com diversos contrasolos. O baixo e a bateria pulsam com muita firmeza, a manter a aura Rock'n' Roll de forma intermitente. 

Gosto bastante dos timbres de todos os instrumentos, incluso o meu baixo, que tem um peso mastodôntico e com um timbre metálico acentuado, ou seja, um som bem tópico de Fender Precision nos moldes do som produzido por baixistas internacionais que admiro, tais como: Trevor Bolder, Phyl Lynott, Dennis Dunaway e John Glascock, entre outros.

Os backing vocals desenhados a provocar queda de tonalidade em alguns trechos, ficaram muito bons, criação essa do Cacá Lima que elaborou o arranjo vocal, com ele mesmo e Renata "Tata" Martinelli a gravar. Há partes em que o Laert dobrou a voz, a abrir harmonização e isso valorizou a sua interpretação.     

O uso do slide na guitarra em certos trechos a aproveitar quedas de meio-tom estratégicas foi providencial para dar uma atmosfera "glam" à canção, que me faz recordar de certas canções do musical "The Rocky Horror Picture Show", ou seja, isso é bem interessante como adendo, ao menos na minha percepção pessoal. 

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 234 - Por Luiz Domingues

Em diversas emissoras ao longo da semana de de 7 a 12 de setembro, Os Kurandeiros soaram através do programa "Bolovo Rock", do comunicador Júlio Vieira, e animados pelo lançamento dos dois primeiros singles do projeto "Mad Sessions", marcamos novo ensaio no referido estúdio para prepararmos mais duas músicas para gravar.

Foi então que em 16 de setembro, nos reunimos novamente nas dependências do estúdio Mad de São Paulo e começamos a trabalhar com três músicas. A proposta do Kim foi nos mandar uma grupo de seis ou sete músicas e dessas, escolhemos três para dar início a uma nova preparação. 

Entre elas, "O Pirata', uma música que era do repertório do "Lírio de Vidro", banda que o Kim atuou entre 1978 e 1980, aproximadamente, "Desprevinida", tema que foi do repertório do "Mixto Quente", outra banda que ele integrou, desta feita nos anos 1980, e cujo único LP foi lançado pela Baratos Afins, em 1983, aliás, cabe acrescentar que isso ocorreu alguns meses antes do lançamento do compacto d'A Chave do Sol e "Anjo", esta, música do repertório dos próprios Kurandeiros, para seguir a proposta de repaginar músicas com nova proposta de arranjo e até concepção estética, para compor esse material em torno da "Mad Sessions".

O Pirata (duas versões) – Ensaio Mad Estúdio/SP – 16 de setembro de 2026 – Filmagem: Lara Pap

Eis o link para assistir no Youtube:  

https://www.youtube.com/watch?v=d4lRlR9IXMg

Desprevenida (duas versões) – Ensaio Mad Estúdio/SP – 16 de setembro de 2026 – Filmagem: Lara Pap

Eis o link para assistir no Youtube:  

https://www.youtube.com/watch?v=8KHSvc2Ym4A

Anjo (duas versões) – Ensaio Mad Estúdio/SP – 16 de setembro de 2026 – Filmagem: Lara Pap

Eis o link para assistir no Youtube:  

https://www.youtube.com/watch?v=5YmjWZJzR9M

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domingo, 11 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 233 - Por Luiz Domingues

Enquanto aguardávamos a burocracia ser concluída para alojar os singles do projeto "Mad Sessions" no ar, tivemos movimentação midiática espontânea, não relacionada ao lançamento em si. Por exemplo, no dia 21 de agosto, estivemos relacionados para participar do programa "Rock Brothers" pela Rádio Drops, com apresentação do simpático músico e ativista cultural, Ozi Garófalo.

Já no dia 29 de agosto e com extensão até 4 de setembro, tivemos a inclusão da nossa banda na edição comemorativa das quinhentas edições do programa "Só Brasuca" pela Webradio Crazy Rock e no caso, a emissora projetou as edições 500 e 501 para abrigar duas bandas de cada estado brasileiro e do distrito federal, incluso. No caso, a nossa banda não entrou nessa lista preparada pelo seu produtor, o professor Julio Cesar Souza a representar o nosso estado de origem, mas a adentrar o rol de quatro bandas convidadas especiais por ter participado ao vivo do aniversário do programa em 2019. 

Portanto, o que em 2019 já havia se configurado como uma grande honra para a nossa banda, essa própria lembrança ter servido de mote para sermos incluídos na edição comemorativa de 2026, também dobrou a honraria em nosso favor. 

E no dia 1º de setembro de 2026, lançamos as músicas gravadas no projeto "Mad Sessions" nas plataformas digitais.
O Kurandeiro - Mad Sessions  - 1º de setembro de 2026

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=EgWH69oRCE4&list=RDEgWH69oRCE4&start_radio=1

Sobre a versão que gravamos da música "O Kurandeiro", como é bem sabido, se tratou de uma releitura de uma música clássica do repertório da nossa banda e que decidimos regravar, não exatamente com uma roupagem inteiramente nova, mas com certas sutilezas a se  destacar e assim justificar a sua regravação. 

Acho que se na versão anterior, predominou a pegada bem em cima do blues com influência do ritmo sulafricano, "hambone", nesta versão não se mudou tal característica, no entanto, creio termos imprimido um balanço extra que muito aproximou a música também do R'n'B. 

E se faltou a percussão brasileira bem presente em termos de batucada de samba da primeira versão, desta feita os teclados feitos pelo Nelson Ferraresso imprimiram mais presença e foi aí que a versão moderna se diferenciou da primeira, clássica. 

O Filho do Vodu (com menção a "Só o Terror") - 1º de setembro de 2026

Eis o link para ver no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dlL_EqI_jo8&list=RDEgWH69oRCE4&index=2

Já sobre o tema "O Filho do Vodu", a sua escolha se deu pelo fato do Kim Kehl ter levantado o dado de que não tínhamos nenhuma versão ao vivo gravada dessa música em disco. Vídeos existem aos montes na videoteca da banda, mas a presença dessa música em disco ao vivo era sentida por ele e assim, aceitamos a proposta.

No entanto, essa música que é revestida de uma aura de Blues-Rock com intenção Acid-Rock absolutamente Hendrixiana, teve nessa versão para a Mad Sessions, uma interpretação mais comedida, menos até do que a versão de estúdio original presente no EP "Seja Feliz" de 2016. Todavia, por ter ficado menos impetuosa, ganhou um certo ar pop e com os teclados mais a pender para o Arp-strings do que o órgão Hammond da versão original e isso se acentuou.

Uma novidade foi acrescida no arranjo e digna de nota, no sentido de que ao final, a música há uma menção a uma outra canção do nosso repertório, a se tratar da música "Só o Terror", portanto, essa junção com intenção de emenda de suíte operística, caiu bem para a peça como um todo.

Eis o link para acessar as músicas na plataforma Spotify:

https://youtu.be/IKKbfWGieF8?is=zt8IR1opZUHoQSH2

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 232 - Por Luiz Domingues

Eis que nesse ínterim, antes de lançamos as duas músicas nas plataformas digitais, incluso o YouTube, tivemos uma boa oportunidade para colocar a banda em ação, após um longo hiato, ao termos sido convidados para tocar na festa de aniversário da galeria de arte, "Alma da Rua", uma das mais aclamadas dentro daquele circuito de tantas galerias localizadas no famoso "Beco do Batman", no bairro da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

A galeria comemorou doze anos de atividades e contratou a nossa banda para tocar em um mezanino anexo ao seu complexo, em local coberto, porém com vistas para a rua, ou seja, a predisposição foi montada para que tocássemos com a perspectiva do público que costumava lotar a rua em questão, pudesse usufruir da apresentação livremente.

A produção da festa pediu para que não tocássemos apenas músicas autorais e dessa maneira, incluímos dez ou doze covers de blues e Rock'n' Roll de artistas internacionais e a maioria desses temas a se constituir de peças que tocamos bastante nos anos anteriores à pandemia, portanto, mesmo enferrujados nesse sentido do longo período pelo qual não as executávamos. não foi difícil reativá-las e assim, nos preparamos para exibir duas entradas, uma com os covers internacionais e a outra com o nosso repertório autoral habitual.

Tivemos um convidado nesse dia, o cantor Luiz Pimenta, também conhecido no meio noturno das apresentações de bandas cover como Luiz "Butter", líder da banda "Butter Blues Band", habitue desse circuito da noite paulistana e banda essa pela qual os próprios, Kim Kehl e Carlinhos Machado foram componentes anos atrás, portanto, havia uma boa cumplicidade entre os três há bastante tempo e com o trunfo desse cantor estar muito habituado a interpretar tais temas e ter boa comunicação com o público.

De certa forma, inclusive, o timbre vocal e o estilo de interpretação dele, Luiz, muito me fazia lembrar do saudoso Paulo Eugênio Lima, vocalista do Terra no Asfalto, banda pela qual eu atuei  nos idos de 1979 até 1982. 

Enfim, mediante tal reforço, fomos ao famoso "Beco do Batman" para montar o equipamento por volta das 17 horas e sob um sol ardente e surpreendente por ainda estarmos a viver o inverno. Foi no dia 6 de agosto e com a incidência forte dos raios solares, tivemos que proteger os nossos equipamentos e instrumentos até que o começo do entardecer se iniciar e então, quando fomos montar o equipamento, tivemos um pequeno contratempo por conta de um fator externo, que nada teve a ver com a acolhida carinhosa que tivemos do pessoal da galeria, é preciso frisar, aliás. 

Ocorreu que além da nossa apresentação, dois dj's também teriam apresentações, a se mesclar com as nossas duas entradas combinadas. O problema se deu quando um desses rapazes se indispôs conosco.

Um deles se mostrou solícito e interagiu conosco de forma muito cordial a conversar sobre música, aliás, ele era fã de black music vintage e assim, a conversa fluiu com bastante naturalidade, mas o outro rapaz, foi rude, arrogante e interrompeu a nossa passagem de som com grosseria ao alegar que estava já na hora dele atuar e por conta dessa discussão ríspida, o outro dj que era educado, interveio a minimizar a crise e ao perceber que o rapaz altivo nos retaliou ao alongar em demasia a sua apresentação, lhe passou uma bronca a denotar que possuía ascendência sobre o rapaz malcriado.

Bem, fizemos a nossa apresentação com bastante tranquilidade, com as duas entradas planejadas e apesar do público na rua não ter sido tão grande quanto esperávamos, acho que o recado foi muito bem dado e internamente nós comemoramos a nossa volta à atividade, após longa hibernação.

“Going Down” (Don Nix) – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Lobão.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/JmxGxD6IQI8

“Cocaine” (J.J. Cale) (trecho) Vídeo 1– Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Lobão.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/Vx60HnwDiz4

“Cocaine” (J.J. Cale) (trecho) – Vídeo 2 – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Lobão.

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/Mb9xrG-R43o?feature=share

“Cocaine” (J.J. Cale) (trecho) – Vídeo 3 – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Ju Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/zNj3IttCrgY?feature=share

“Mustang Sally” (Mack Rice) (trecho) – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Ju Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/5_EGohu_2sA?feature=share

“Faz Frio” (trecho) – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Ju Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/4heRr0c59RM?feature=share

“Viagem muito louca” (trecho) – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Ju Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/WB5eF0N6tyM?feature=share

“Cocada Preta” (trecho) – Ao vivo no Beco do Batman em São Paulo - 6 de agosto de 2026. Filmagem e cortesia: Ju Rendeiro

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtube.com/shorts/ih3oXFxXXNM?feature=share

Felizes pela volta aos palcos, estávamos animados também com a perspectiva dos novos singles que já estavam prontos para serem lançados nas redes sociais. 

Continua...          

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Autobiografia na música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 231 - Por Luiz Domingues

Passados alguns dias, eis que as primeiras provas de mixagem das músicas que havíamos gravado foram apresentadas pelo amigo Humberto Zanin, e nós apreciamos bastante o resultado inicial. Gravação ao vivo, em ritmo de ensaio, mas tudo bem distribuído e timbrado, com a banda a soar consistente, ou seja, mesmo após um longo período de inatividade e pouco ensaio específico para cumprir tal tarefa, a banda se mostrou em boa forma.

O Kurandeiro – Ao vivo no estúdio Mad de São Paulo – 1ª prova de mixagem – 4 de agosto de 2026

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/s98efGb_Q_E

O Filho do Vodu – Ao vivo no estúdio Mad de São Paulo – 1ª prova de mixagem – 4 de agosto de 2026

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/SZxFmTDsGOE

As poucas observações que foram feitas em termos de reivindicações, foram em torno dos teclados a se solicitar um pontual aumento de sua presença em certos trechos, algo em torno de um "DB", ou seja, um índice ínfimo ao nos levar à conclusão de que a mixagem em geral já estava excelente em via de regra.

Poucos dias depois, com as reivindicações plenamente atendidas, eis que recebemos as respectivas provas de cada música mixada e que foram aclamadas, para fechar esse pacote inicial de faixas que lançamos dentro do conceito do projeto, "Mad Sessions", sim, pois se inicialmente a ideia foi gravar apenas duas músicas para constar como lançamentos para movimentar a agenda da banda em 2026, tal ideia logo mudou de configuração, com o Kim Kehl a sugerir que outras músicas fossem gravadas para que o pacote fosse mais recheado e quiçá, a configurar um álbum possivelmente a ser lançado em 2027. Em suma, uma ação que se iniciou modesta, passou a ganhar um contorno mais robusto ante o bom resultado inicial a animar a todos. 

O Kurandeiro – Ao vivo no estúdio Mad de São Paulo – 2ª prova de mixagem – 7 de agosto de 2026

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/zqjQP4Gzd1Y

O Filho do Vodu – Ao vivo no estúdio Mad de São Paulo – 2ª prova de mixagem – 7 de agosto de 2026

Eis o link para assistir no YouTube:

https://youtu.be/he2ZNf0wxlI

Continua...