Lançado nas plataformas devidamente, e já com algumas ações de divulgação em curso, estávamos nessa fase entretidos com a preparação do clipe da música "Revirada" e do documentário em fase de produção bem avançada para ambos, e também a discutir a possibilidade de promover uma festa de lançamento do disco, possivelmente com um pocket show.
Cabe neste instante da minha narrativa autobiográfica, abrir aquela já clássica resenha sobre o álbum, a tecer as minhas considerações pessoais sobre cada música e sua respectiva produção de estúdio. Essa análise fez parte de todos os álbuns anteriores que eu gravei, como uma análise importante da minha memória registrada da carreira, inclusive neste ponto em que escrevi este trecho, setembro de 2026, alguns reflexões dessa natureza já se encontram em alguns livros impressos sobre a minha autobiografia, que lancei até então.
Contudo e sem demérito algum para qualquer outro trabalho que gravei e acrescento que discos são como filhos, ou seja, gosto de todos sem distinção, este em específico adquiriu um caráter muito peculiar, no sentido de ter sido um disco que demorou cinquenta anos para ser concebido. Claro, ao longo da narrativa autobiográfica completa, eu deixei claro ao leitor que por décadas esse fato do Boca do Céu não ter conquistado tal façanha em sua época remota dos anos setenta, estava devidamente computado com a devida resignação de minha parte e certamente dos demais companheiros dessa banda.
A vida seguiu, Laert Sarrumor se tornou um astro do Língua de Trapo, além de outras tantas atividades artísticas pelas quais se dedicou, eu toquei e fui feliz com inúmeras bandas a construir uma discografia bem grande, Osvaldo Vicino se tornou um executivo bem sucedido do mundo corporativo, Wilton Rentero teve uma carreira sólida como professor e e foi adorado por seus alunos e Fran Sérpico, um empresário de muito sucesso em seu ramo de atividades.
No entanto, houve o reagrupamento de 2020, e com ele, a inacreditável perspectiva de um disco ser gravado e além desse fato extraordinário por si só, veio a se somar a própria história do resgate promovido pela banda, isto é, a se constituir de seis anos de esforços, com pandemia no meio do caminho, agendas conflitantes e a condição da idade sexagenária de todos a se caracterizar como dificuldades que não tínhamos na década de setenta, portanto, o orgulho por ver esse disco devidamente lançado é algo incomensurável para a minha percepção pessoal e tenho certeza, de todos, incluso para o Carlinhos Machado, que não foi membro da formação original de 1976, porém, se integrou como uma luva na fase moderna da banda e também lutou muito para ajudar a construir essa conquista.
Em suma: é com bastante orgulho e alegria que eu faço agora a minha análise pessoal sobre as músicas que compõem o disco: "Sempre jovens para o Rock'n' Roll".
1) Rock do Cometa (Laert Sarrumor)
Eis o link para escutar no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=aOmiE5IHYRI&list=RDaOmiE5IHYRI&start_radio=1
E abaixo, veja o link para escutar no meu canal 2 do YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=dnZWUm3En44
Música que o Laert trouxe pronta para a banda no início de 1977, nós nunca a tocamos ao vivo naquela fase da banda por falta de oportunidade em tal ocasião, simplesmente, pois sempre gostamos dela.
A sua estética é a do Rock'n' Roll bem tradicional com pegada Blues-Rock e aquela típica visão setentista, ou seja, a lembrar bastante o som de bandas da seara do Blues-rock como o Status Quo, Faces e os próprios Rolling Stones da fase Mick Taylor (1969-1974) e bandas Glam-Rock tais como o Slade, T.Rex e David Bowie, entre outras tantas desse campo.
Sobre a letra, é muito interessante como as imagens evocadas são alegorias e metáforas com cunho de protesto sociopolítico a lembrar inclusive, o estilo de crítica social expressa nos quadrinhos do "Fradim", personagem criado por Henfil e que impactava muito o Laert na época, assim como Robert Crumb e Gilbert Shelton com os "Freak Brothers".
As guitarras são muito marcantes e há sobreposições muito interessantes que interagem com diversos contrasolos. O baixo e a bateria pulsam com muita firmeza, a manter a aura Rock'n' Roll de forma intermitente.
Gosto bastante dos timbres de todos os instrumentos, incluso o meu baixo, que tem um peso mastodôntico e com um timbre metálico acentuado, ou seja, um som bem tópico de Fender Precision nos moldes do som produzido por baixistas tais como: Trevor Bolder, Phyl Lynott, Dennis Dunaway e John Glascock, entre outros.
Os backing vocals desenhados a provocar queda de tonalidade em alguns trechos, ficaram muito bons, criação essa do Cacá Lima que elaborou o arranjo vocal, com ele mesmo e Renata "Tata" Martinelli a gravar. Há partes em que o Laert dobrou a voz, a abrir harmonização e isso valorizou a sua interpretação.
O uso do slide na guitarra em certos trechos a aproveitar quedas de meio-tom estratégicas foi providencial para dar uma atmosfera "glam" à canção, que me faz recordar de certas canções do musical "The Rocky Horror Picture Show", ou seja, isso é bem interessante como adendo, ao menos na minha percepção pessoal.
Continua...














