quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 82 - Por Luiz Domingues

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência de Osvaldo Vicino. 28 de agosto de 2022. Click, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Conforme havíamos aventado anteriormente, o próximo ensaio foi marcado para acontecer de uma maneira informal, na residência do Osvaldo Vicino. Assim havíamos decidido pois a fase de ensaios em que estávamos, demarcara a necessidade de apenas estruturarmos as últimas músicas da fase B e assim, não havia a necessidade de termos a estrutura de um estúdio profissional munido com PA, microfones e tudo mais para trabalharmos nesse preciso instante.

E foi assim que nos reunimos na aconchegante residência do Osvaldo, localizada na zona sudoeste de São Paulo, mediante um ambiente bucólico muito agradável, por ser um condomínio fechado e munido de um bosque natural a ser usufruído pelos condôminos. 

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência de Osvaldo Vicino. 28 de agosto de 2022. Click, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Nesse esforço, nós trabalhamos com o adendo "Prog" proposto para ser anexado ao início de "Serena" e eu acho que a ideia ficou bem interessante, com o Osvaldo a prover a harmonia com o seu arranjo individual a privilegiar arpejos e o Wilton a trabalhar um solo com sentido "etéreo", bem na linha de guitarristas como Steve Hackett e Sérgio Hinds, e eu (Luiz) a imprimir uma linha de baixo tercinada, para que na soma desses elementos, tivéssemos uma roupagem de Rock Progressivo, bem tipicamente setentista.

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência de Osvaldo Vicino. 28 de agosto de 2022. Click, acervo e cortesia: Wilton Rentero

E o segundo tema com o qual trabalhamos foi "Astrais Altíssimos", com o qual o objetivo foi criar um esqueleto preliminar para dali avançarmos no sentido da apuração dessa música. É bem verdade que sobre essa música em específico, o Laert a detinha firme na memória e assim, não requereu de nossa parte uma reconstrução radical como foi o caso de outras peças, mas mesmo assim, um esqueleto primordial foi construído para que pudéssemos ter uma base preliminar para avançar doravante.

Ficou em aberta a possibilidade para mais um ou dois ensaios caseiros antes de retomarmos ao nosso rodízio estabelecido em estúdios profissionais.

Da esquerda para a direita: Osvaldo Vicino, eu (Luiz Domingues) e Wilton Rentero. Ensaio do Boca do Céu na residência de Osvaldo Vicino. 28 de agosto de 2022. Click, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Continua...

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Show 50 Anos Cantando Raul/Edy Star + Convidados) - Capítulo 116 - Por Luiz Domingues

Edy Star em destaque, mediante a presença dos cantores convidados, Jonnata Doll e Marcia Castro a rodeá-lo, com a banda postada na retaguarda. Show  50 Anos Cantando Raul - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022. Click, acervo e cortesia: Carlos Eduardo Sabbag Pereira

Chegamos no horário combinado para o soundcheck, mas ali no ambiente do show houve um impasse básico e que não nos dizia respeito. Ocorreu que a produção do espetáculo (que havia contratado o Edy e vendera o projeto ao Sesc), contratara o serviço de um técnico para operar o P.A. do show, e esse profissional quando chegou ao local, constatou que a mesa de som que havia ali disponível não foi a mesma que estava prevista para ser usada mediante o "rider técnico" enviado previamente dentro da burocracia toda que envolve uma produção de show musical. 

Resultado: o técnico do equipamento terceirizado só poderia operar em seu lugar se houvesse um acordo de adequação financeira para tal serviço e assim, duas horas foram gastas com telefonemas sendo feitos para a empresa, dona do equipamento, quando até que enfim saiu a autorização e assim, o técnico da empresa ficou de operar ao lado do técnico contratado a parte.   

Carlinhos Machado através da sua selfie, registrou o momento imediatamente anterior ao início do trabalho de soundcheck. Show 50 Anos Cantando Raul. Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022. Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Em suma, tal impasse apenas serviu para reduzir dramaticamente o tempo para se fazer um soundcheck mais categorizado, porém, apesar dessa limitação, nós conseguimos chegar a um resultado bem razoável no palco e pasmem, com a possibilidade de "passar" algumas músicas que não foram ensaiadas no dia anterior. 

Um breve vídeo a ilustrar o momento do soundcheck, com o Carlinhos Machado a "passar" o som da bateria e todos os demais músicos, eu Luiz Domingues incluso, no aguardo para cumprir o mesmo ritual inicial de equalização do som. Show 50 Anos Cantando Raul - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022 - Filmagem, acervo e cortesia: Kim Kehl

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=5BteAT1eDMI

Chegada a hora, quando fomos ao palco para a realização do show, iniciamos com um pequena tema instrumental criado pelo Kim Kehl a fazer alusões a algumas canções do Raul, e após uma vinheta a conter a voz do próprio Raul a falar sobre o Edy (cujo teor os fãs dele sabem de cor e salteado, por ser um depoimento famoso que ele prestara nos anos setenta), nós fizemos a execução do álbum d'Os Kavernistas em sua íntegra. 

A banda em ação com os cantores convidados e Edy Star no protagonismo. Show 50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - Sesc Belenzinho - 14/10/2022. Clicks, acervo e cortesia: Lara Pap

Nessa segunda parte, além de algumas músicas do Raul mais óbvias, tocamos uma peça como, "Sapato 36", que não pode ser considerada exatamente como uma canção muito famosa no repertório mais usual desse artista, além do samba, "Teco Teco" (Pereira da Costa/Milton Vilela), e a bela canção clássica do Sérgio Sampaio, "Quero Botar meu Bloco na Rua", com cada canção defendida pelo Edy e os cantores convidados.

O show foi cumprido com muita leveza e recebido com um entusiasmo enorme da parte do bom público que compareceu ao enorme salão da dita "comedoria" do Sesc Belenzinho. Quando encerramos o espetáculo com a clássica canção-manifesto, "Sociedade Alternativa", percebemos que o dever foi mais do que cumprido, mas sobretudo exercido com felicidade e prazer por termos feito uma grande celebração desse artista e de quem gravitou em órbita, caso do Edy Star.

Dois flagrantes de parte da banda em ação. Show 50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022. Clicks, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Bem, não foi a primeira vez em que eu estive a acompanhar o Edy Star. Algumas apresentações foram feitas nessa mesma dinâmica, ou seja, como um trabalho avulso e outras foram computadas como uma atividade d'Os Kurandeiros pelo fato da nossa banda ter sido coprotagonista declarada do espetáculo. E posso afirmar que apesar deste show ter sido enorme em sua constituição, pelo repertório avantajado sob o ponto de vista numérico, foi um dos melhores pela performance em si e também pelo astral e interação com a plateia.

"Eu Fiz Pior" (Lula Côrtes), na interpretação de Jonnata Doll. Show  50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022 - Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=8b8PR5TRziU

"Eu Quero Botar meu Bloco na Rua" (Sérgio Sampaio) - Show 50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - S esc Belenzinho-SP - 14/10/2022 - Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=WCij_Ws3G0M

"Intro" + Êta Vida (Raul Seixas) - Show 50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022 - Filmagem, acervo e cortesia: Wilton Rentero

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=zV_-0lZf2p0

"Sociedade Alternativa" (Raul Seixas) - Show 50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022 - Autoria desconhecida  - Acervo: Kim Kehl 

Eis o link para assistir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=_wNnCbOkcCQ

Edy Star em destaque. Show 50 Anos Cantando Raul (Edy Star & Convidados) - Sesc Belenzinho-SP - 14/10/2022. Click, acervo e cortesia: Carlos Eduardo Sabbag Pereira

Houve a presença maciça de muitos fãs do Raul Seixas no ambiente e claro que estes responderam com muito entusiasmo ao repertório todo apresentado.

Foi dessa forma que apesar de demorar para acontecer de fato, vide o cancelamento da data original por conta da pandemia da Covid, que o apontamento se cumpriu e com galhardia.

segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Show 50 Anos Cantando Raul/Edy Star + Convidados) - Capítulo 115 - Por Luiz Domingues

Após o espetáculo no qual Os Kurandeiros participaram como banda base de Edy Star e seus convidados, especialmente encenado no palco do Teatro Sergio Cardoso de São Paulo em forma de "live" transmitido em agosto de 2021, via Internet, eis que uma nova solicitação foi feita da parte desse mesmo artista para que a nossa banda novamente o auxiliasse, além de contar com alguns músicos de apoio suplementares e cantores convidados para um show a ser realizado na unidade do Sesc Belenzinho, na zona leste de São Paulo, com a data de 10 de junho como base.

Dessa forma, definido um repertório definitivo para o evento, a ideia foi dividir o espetáculo em duas partes, isto é, a conter a íntegra do LP "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez" e uma segunda parte a conter algumas músicas do Raul e artistas contemporâneos dele, portanto a se constituir de uma versão mais robusta do que a "live" promovida pela Secretária de Cultura do Estado de São Paulo em 2021. Contudo, desta feita houve uma diferenciação básica em termos de adequação para a minha autobiografia na música.

Primeiro, por conta de que ao contrário do show por nós cumprido em 2021, o papel d'Os Kurandeiros foi minimizado neste espetáculo, portanto, sem o mesmo destaque para a nossa banda, este trabalho entrou em outro setor da minha autobiografia, a se tratar de um trabalho avulso, apenas a lidar com a presença de dois companheiros da minha banda unidos neste mesmo trabalho, como algo meramente ocasional.  

E outro ponto se deu no fato de que uma segunda parte do show foi acrescentada, a apresentar diversas músicas do Raul Seixas, Sérgio Sampaio e até uma peça da MPB antiga, tema regravado por muitos artistas, mas a prevalecer a versão de Gal Costa para o samba, "Teco-Teco" (de autoria de Pereira Costa e Milton Vilela).

Sobre os músicos convidados, estes foram velhos conhecidos nossos, a se tratar de Michel Machado e Mateus Schanoski e no caso dos cantores, Jonnata Doll, um jovem ligado à cena do Indie-Rock/Nova MPB (ele era então líder do grupo Indie-Rock: "Jonnata Doll & Os Insolventes") e Marcia Castro, também oriunda da cena moderna da MPB de 2022. 

Três ensaios foram marcados para o início de junho de 2022, sendo que no penúltimo deles, uma enfermeira designada pelo Sesc foi ao estúdio alugado pela produção para efetuar o teste de infectação pela Covid com todos os artistas envolvidos e naturalmente que se alguém fosse detectado de forma positiva, teria a sua participação vetada sumariamente. Ao se tratar dos músicos, subentendeu-se que a produção deveria ter músicos substitutos sob a ação de sobreaviso estratégico, no entanto, isso não nos foi revelado formalmemte. O mesmo deve ter ocorrido em relação aos cantores convidados, portanto, a única possibilidade do show não acontecer se daria acaso a estrela máxima, Edy Star, fosse o contemplado com tal má notícia, pela razão óbvia do seu caráter insubstituível nessa circunstância.

No ensaio de 8 de junho de 2022 no estúdio Mad do bairro da Lapa, zona oeste de São Paulo, Carlinhos Machado comanda a selfie nas duas fotos Na segunda, além dele, o percussionista Michel Machado e eu, Luiz Domingues, acenamos para a lente. Click (selfie), acervo e cortesia: Carlinhos Machado

Entretanto, foi exatamente o que ocorreu nesse dia, com todos os músicos e cantores convidados a testar negativo para a incidência do coronavírus, com exceção de Edy, que testou positivo, o que gerou muita apreensão sobre a saúde dele naquele instante.

Bem, o produtor do show, Rodrigo, ligou imediatamente para o Sesc e por decisão sumária dessa entidade, o show foi cancelado e considerado como adiado, mas sem previsão de nova data agendada para aquele instante. Em questão de minutos a entidade já postou um cartaz em seu site a demarcar o cancelamento por motivo de contaminação da Covid e deixou o esclarecimento aos que haviam comprado ingresso, de que poderiam buscar o ressarcimento do ingresso ou guardá-lo para a próxima data, mesmo ainda não havendo tal definição naquele instante.

Em agosto, Edy convidou Os Kurandeiros (menos o tecladista, Nelson Ferraresso), os mesmos músicos avulsos convidados e a exuberante, Renata "Tata" Martinelli, para participar do show realizado na Praça da Sé, no centro de São Paulo, cuja história já foi contada em capítulo anterior. 

Foi então que veio a confirmação enfim da nova data para este show no Sesc, para o dia 14 de outubro de 2022. Um ensaio apenas foi marcado para cumprir tal data, no caso, na véspera, dia 13. 

Nessa altura dos acontecimentos com a pandemia decorrente da Covid aparentemente encerrada, o Sesc abolira as medidas de segurança e assim, não houve teste prévio de contaminação e tampouco alguma exigência básica como a apresentação do comprovante de vacinação e uso de máscara em suas dependências, portanto, o ensaio foi realizado sem tais apreensões de ordem sanitária.

Ainda bem que todos estavam familiarizados com as músicas, pois o ensaio se mostrou insuficiente em termos de tempo hábil para cobrir a execução de todas as canções. Mas isso não gerou uma preocupação exacerbada no sentido de que mesmo não sendo possível executar todas as peças, deu para sentir que tudo daria certo no dia do show. 

Continua...   

domingo, 27 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Edy Star & Os Kurandeiros na 33ª Passeata Raulseixista) - Capítulo 114 - Por Luiz Domingues

Estava programado para acontecer um show a fim de se celebrar mais uma vez o cinquentenário de lançamento do LP "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta: Sessão das Dez", quando Os Kurandeiros seriam a banda base do espetáculo, e em princípio, teria ocorrido em junho de 2022. Todavia, por seguirmos o protocolo de prevenção à Covid, um dos músicos envolvidos nessa produção ao se submeter à testagem, infelizmente foi detectado de forma positiva, ou seja, estava infectado e assim, o espetáculo foi cancelado e remarcado para outubro. 

O set list a apontar um repertório a englobar diversas facetas da carreira do Raul Seixas e claro, o trabalho do Edy Star

Contudo, nesse ínterim, Edy Star sinalizou que fechara participação no evento musical atrelado à passeata anual "Raulseixista", neste caso em sua 33ª edição e assim, em agosto nos reunimos para cumprir tal compromisso. Com um repertório a conter muitas músicas diferentes em relação ao show que faríamos em junho no Sesc Belenzinho, pois o foco do evento seria o repertório mais específico do Raul Seixas e não apenas o álbum dos "Kavernistas", ou seja, foi escolhido um repertório a privilegiar a carreira do Raul como um todo a conter alguns clássicos da sua criação, também algumas canções não tão óbvias, além de uma dos "Panteras" a banda do Raul nos anos sessenta, algumas canções compostas pelo Raul para alimentar o repertório de artistas populares como Jerry Adriani e Diana e sim, algumas canções do álbum dos Kavernistas, e sim, é claro, mediante músicas dos discos solo de Edy Star.

No estúdio Mad, a banda reunida com Edy (menos o percussionista Michel Machado que não participou desse trabalho), no ensaio do dia 20 de agosto de 2022. Da esquerda para a direita: Carlinhos Machado, eu (Luiz Domingues), Renata "Tata" Martinelli, Edy Star, Kim Kehl, Phill Rendeiro e Mateus Schanoski. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Rapaz do estúdio, cujo nome não anotei.

Um ensaio foi marcado para dar um apronto a esse repertório, na noite anterior ao evento. Dessa forma, nos reunimos no estúdio Mad do bairro da Lapa no dia 20 de maio de 2022.

A semana estava gelada em São Paulo, com mais uma massa polar a tornar principalmente as noites, bastante complicadas para todos. E foi sob tal ambiente gélido que chegamos ao palco montado em plena Praça da Sé, o marco zero da cidade de São Paulo e uma banda anterior estava a tocar. Equipamento bom, público bastante animado e produção muito cuidadosa para dar o seu melhor para fazer tudo funcionar, em suma, foi um evento vitorioso nesse quesito técnico.

O radialista Rafael Dee sinaliza ao lado de Mateus Schanoski, durante o show em movimento. 33ª Passeata Raulseixista da Praça da Sé em São Paulo. 21 de agosto de 2022. Click, acervo e cortesia: Daniel Gerber

Encontrei o radialista Rafael Dee (do prestigiado programa: "O Contrário de Nada é Nada", especializado em reproduzir os grandes artistas do Rock Brasileiro dos anos setenta), nos bastidores e foi muito prazeroso saber que ele estava a trabalhar com a equipe de produção de Gabriela Mousse, a serviço da produtora "Mosca na Sopa". O guitarrista Daniel Gerber, acompanhado da sua esposa, a cantora, Paula Mota e ambos componentes da super banda, "Power Blues", estiveram nos bastidores a nos apoiar e Daniel fotografou bastante o evento.

Pela lente do guitarrista Daniel Gerber, eis alguns flagrantes da apresentação de Edy Star com apoio dos Kurandeiros. 33ª Passeata RaulSeixista. Praça da Sé em São Paulo. 21 de agosto de 2022. Na primeira foto, uma visão geral do palco pela lateral. Na foto 2,  estou eu (Luiz Domingues) em destaque, com Phill Rendeiro encoberto e o tecladista Mateus Schanoski ao fundo. Na terceira foto, Kim Kehl em destaque. Quarta foto: Edy Star em destaque com Kim Kehl e Michel Machado na retaguarda. Quinta foto: Kim Kehl em destaque. Fotos 1 a 3: clicks, acervo e cortesia: Daniel Gerber. Foto 4: Click, acervo e cortesia de Sueli Soares da Silva. Foto 5: Kim Kehl em destaque. Click, acervo e cortesia: J.G. Jordão 

Nem todas as músicas puderam ser executadas devido ao horário avançado, mas em meio às muitas novidades que o Edy programou, uma música como: "Moleque Maravilhoso", a se tratar de uma peça do LP "Gita" de 1975, surpreendeu à todos, pois a executamos com o arranjo jazzístico igual ao disco, portanto, apesar da nossa banda não ter apoio de naipe de metais, a nossa interpretação soou sofisticada e bastante feliz ao vivo, ao ponto de surpreender os fãs mais ardorosos do Raul, que não imaginariam uma música assim não tão óbvia da obra de seu ídolo.

Mais flagrantes do show: na primeira foto, Renata "Tata" Martinelli e Kim Kehl em destaque, com Carlinhos Machado e eu (Luiz Domingues, na retaguarda. Na segunda foto, Mateus Schanoski está em destaque, com Phill Rendeiro à sua frente, a produtora do show, Gabriela Mousse a usar uma capa da "Sociedade Alternativa" do Raul Seixas e eu (Luiz Domingues), ao fundo. Terceira foto com uma panorâmica do outro lado do palco e na última, a cantora superb Renata "Tata Martinelli" em destaque. Clicks, acervo e cortesia: Daniel Gerber
Já sem Edy Star que se recolhera ao camarim, a banda posou para uma foto, com o público presente na Praça da Sé de São Paulo ao fundo. Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Renata "Tata" Martinelli, Kim Kehl, Phill Rendeiro, Carlinhos Machado e Mateus Schanoski. Além do Edy, faltou o percussionista Michel Machado nessa foto. Acervo e cortesia: Kim Kehl. Click: Lara Pap

Frio de rachar, quando saímos do ambiente reservado dos bastidores, vimos muitas "vans" a serviço de diversas instituições de caridade a fornecer comida quente e cobertores para os moradores de rua que infelizmente viviam na praça naquele instante e sentimos um sinal de solidariedade mínimo ao menos, ou seja, algo que lembrou o sonho de Raul de se construir uma sociedade alternativa mais fraternal, portanto, algo inspirador para coroar aquela celebração, embora o sonho de fato da parte dele tenha sido que ninguém estivesse naquela situação de abandono, certamente.

O crachá que eu (Luiz Domingues) usei para circular nos bastidores e adentrar o palco da 33ª Passeata Raulseixista de 21 de agosto de 2022.

Mais flagrantes do espetáculo. Na primeira foto, Edy Star. Carlinhos Machado em uma rara foto a tocar percussão na segunda chapa. Phill Rendeiro na terceira foto. Michel Machado na bateria na quarta foto. Eu, Luiz Domingues, na quinta foto. Renata "Tata" Martinelli ilustra a sexta foto e  Kim Kehl está presente na sétima. Edy Star + Os Kurandeiros na 33ª Passeata Raulseixista na Praça da Sé de São Paulo. 21 de agosto de 2022. clicks, acervo e cortesia: Weber Japoneis  

Bem, após esse show, a perspectiva para a concretização do show que faríamos a acompanhar Edy Star em junho, mas que fora adiado para outubro, foi confirmada, enfim. Dessa forma, ficou em aberta a possibilidade de ser escrito mais um capítulo a abordar uma nova participação minha a acompanhar tal artista e embora isso tenha ocorrido ao lado de boa parte da minha banda presente, igualmente, (refiro-me aos Kurandeiros), a se configurar como um trabalho avulso, na prática.

sábado, 26 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 430 - Por Luiz Domingues

E depois de publicadas as quatro entrevistas disponíveis do programa "A Fábrica do Som" da Rádio Cultura (e aproveito para lastimar mais uma vez a perda da 5ª entrevista desse mesmo programa), eu preparei e publiquei as demais intervenções preservadas com a nossa banda em termos radiofônicos.

O primeiro que eu publico abaixo, foi uma micro entrevista para o programa "Rockambole" da 97 FM de Santo André-SP, conduzida pelo comunicador, Beto Peninha em 23 de junho de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=85RomJzSOxs

No programa "Matéria Prima", da mesma rádio Cultura de São Paulo, nós concedemos duas entrevistas em 1985, para o seu apresentador, o simpático e ainda não famoso nessa época, Serginho Groismann. 

A Chave do Sol no programa "Matéria Prima" da Rádio Cultura de São Paulo. 6 de setembro de 1985.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ijN2R-77dw8

A Chave do Sol sob um testemunhal simpático no programa "Salada de Rock" da Rádio Imprensa de São Paulo em 24 de setembro de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=jLX0xaqA-Qg

Programa "Disque-Rock" da Rádio Imprensa FM de São Paulo em 20 de dezembro de 1985.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=9xZK6wg6XBY

A Chave do Sol no programa "Sinergia" da rádio USP-FM de São Paulo com excelente entrevista concedida ao jornalista Valdir Montanari. 7 de setembro de 1985.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=VCkZHRW5Wb4

A Chave do Sol no programa "Rádio Matraca" da USP-FM de São Paulo de São Paulo, com condução de Laert Sarrumor. 18 de setembro de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=3xnfD0YAmvM

A Chave do Sol no programa "Matéria Prima" da Rádio Cultura de São Paulo, com condução de Serginho Groismann.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=oJNX11u53Tk

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 1. Condução de Skowa e uma moça não identificada. 20 de outubro de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=kUWEnbc7l1A

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP FM-SP de São Paulo. Parte 2 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=O3jJA7b-tX8

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 3

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=nSzMzZs5JWQ

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes  da Banda" da Rádio USP FM-SP de São Paulo. Parte 4

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=_7i3egikZe4

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 5

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=DNsDhwnPaqM

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 6

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=tH-WYBtlIK4

https://www.classicrockalbuns.com.br/TheKey.html?fbclid=IwAR34xupVTkTO91owb3TKAhav7S96czsn3THA7hmG7X9edqpbWhrGnEPrWYk

Uma boa nova surgida ao final de agosto, especificamente no dia 21, foi o programa radiofônico a abordar o LP The Key por dois analistas, faixa a faixa, além de discorrerem sobre a banda no geral e naquele período de 1987, mais detidamente, para dar a amplitude do ambiente que cercou a produção de tal álbum.

Apresentado por Julio Verdi e Rogério Iarossi, ambos músicos e também radialistas, o programa "Clássic Rock Albuns" foi executado através de um "pool" de webradios espalhadas por muitas cidades do interior de São Paulo e confesso que me me deixou muito feliz.

Alguns dias após a execução, eu conversei diretamente com um desses radialistas, Julio Verdi, e lhe disse que fiquei muito feliz pela abordagem e que após trinta e cinco anos de hiato entre o lançamento do disco e esse programa (1987-2022), foi realmente notável que esse trabalho tenha suscitado essa reverência tremenda da parte dele e de seu colega, a se caracterizar como um grande feito da nossa querida banda. Tudo valeu a pena, posso afirmar, tantos anos depois!

Depois de disponibilizar o material radiofônico, o próximo esforço foi para publicar mais material raro de shows e posteriormente, trechos de ensaios.

Continua...

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 429 - Por Luiz Domingues

Foi então que eu comecei a preparar tais áudios com intervenções radiofônicas e os primeiros que eu publiquei no meu canal 2 do YouTube foram exatamente a conter as entrevistas que concedemos à Rádio Cultura AM de São Paulo, que mantinha no ar um programa de apoio à "Fábrica do Som", atração televisiva produzida pelo mesmo braço midiático, no caso, a TV Cultura, ou seja, instituições  subordinadas à Fundação Padre Anchieta.

Lembro-me bem do radialista chamado, Roberto, responsável pela atração radiofônica citada, a correr do palco para o camarim para colher, mediante um gravador portátil e bem típico de jornalista na época, as suas entrevistas rápidas para editar juntamente a uma ou duas músicas que os artistas tocavam no palco do Sesc Pompeia, de São Paulo, aonde ocorriam as filmagens. No caso, tal programa radiofônico ocorria uma hora antes da versão da TV, ou seja, às 17 horas dos sábados. Geralmente no programa de rádio se tocava as músicas não escolhidas para a exibição da TV e assim o artista ficava bem servido em termos de exposição geral do seu trabalho.

Eu mesmo, Luiz Domingues, representei a nossa banda na primeira entrevista e mesmo um tanto quanto constrangido por não poder ter respondido de uma maneira afirmativa quando o Roberto me perguntou se já tínhamos um disco lançado nessa ocasião (julho de 1983), eu falei sobre a banda de uma maneira geral.

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", braço de apoio da Rádio Cultura para a mesma atração televisiva da TV Cultura. Radialista: Roberto. Entrevista coletada em 12 de julho de 1983 no camarim do Sesc Pompeia de São Paulo. No ar pela Rádio Cultura em 16 de julho de 1983. Música: "Utopia" e "Crisis Maya)".

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=8jKBmHux-CI

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", em sua segunda oportunidade pela Rádio Cultura. Radialista: Roberto. Entrevista coletada no camarim do Sesc Pompeia em 27 de setembro de 1983. No ar pela rádio Cultura em 1º de outubro de 1983. Músicas: "Átila" e "A Dança das Sombras".

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=e4XyWKM-De0

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", em sua terceira participação pela Rádio Cultura. Radialista: Roberto. Entrevista coletada nos bastidores do Circo Mágico no Anhembi, na zona norte de São Paulo em 15 de novembro de 1983. No ar pela Rádio Cultura em 19 de novembro de 1983. Músicas: "Luz" e "Reflexões Desconexas".

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=FD5ODYoPt5Q

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som" da Rádio Cultura, Quarta participação nossa e desta vez na entrevista, eu mesmo, Luiz Domingues, finalmente pude anunciar que havíamos gravado o primeiro disco d'A Chave do Sol e que em breve as suas cópias estariam disponíveis no mercado. Radialista: Roberto. Entrevista coletada no camarim do Sesc Pompeia de São Paulo em 27 de março de 1984. No ar pela Rádio Cultura em 31 de março de 1984. Músicas: "Átila" e "Intenções".

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dhbTk0t--s0

Infelizmente, a entrevista referente à nossa quinta participação no mesmo programa (em junho de 1984), foi perdida, porém, outras entrevistas concedidas para diversos programas de diferentes emissoras, eu pude publicar no meu canal a seguir.

Continua...

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 428 - Por Luiz Domingues

Quando eu idealizei o lançamento de diversos discos bootleg d'A Chave do Sol, naturalmente que priorizei inicialmente o material mais antigo para ser lançado, e foi o que ocorreu entre 2020 e 2021, quando os seis discos iniciais privilegiaram shows ao vivo do período de 1982 a 1985 e três demos gravadas entre 1983 e 1986, com fragmentos de uma quarta demo, então perdida, que eu consegui recuperar ao menos duas músicas.

E desde essa época, eu mantive a predisposição em torno de tal planejamento prévio dessa fase inicial, no sentido de lançar os shows de 1986 e 1987, que eu tinha disponíveis, o que aliás, ocorrerá a qualquer momento. Além disso, havia disponível material de imprensa, radiofônico em sua totalidade, haja vista que as aparições na TV das quais eu dispunha, eu já havia esgotado, ainda que não "renderizados" nos meus canais próprios, mas espalhados em canais geridos por terceiros. 

Sobre o material de rádio, o que eu tinha armazenado em fitas K7, continha muitas entrevistas com componentes da nossa banda e menções & testemunhais da parte de radialistas a falar sobre a nossa banda. Ainda posso acrescentar as muitas fitas de ensaio, a contar com fragmentos de músicas, ideias dispersas que gravávamos o tempo todo a cada jam-session livre que executávamos nos ensaios e esforços em torno do aprimoramento de convenções, solos, linhas de baixo e bateria e até de vocais.

Sobre o material de ensaios, eu idealizei uma compilação a conter trechos significativos e assim registrar tais momentos, tal qual os Beatles lançaram na série de álbuns "Anthology" nos anos 1990, com inúmeras gravações nesse mesmo teor, obtidas em ensaios & afins. 

E sobre o material radiofônico, sinceramente eu fiquei em dúvida se valeria a pena lançar tais áudios em disco, por conta dessas gravações terem sido gravadas de uma maneira absolutamente prosaica, mediante gravador amador diretamente apontado de uma forma externa a um alto-falante de "receiver" de aparelho de som "hi-fi" caseiro ou mesmo de um reles radinho de pilhas em algumas circunstâncias. Neste momento de 2022, no qual escrevo este trecho do capítulo, ainda não decidi exatamente como proceder no sentido de produzir um disco, mesmo por que, a comercialização desse material só deveria atender um nicho bem pequeno de interessados, ou seja, os realmente muito fãs d'A Chave do Sol e com forte espírito de colecionador, pelo fato desse material em específico, ser muito detalhista sobre a carreira da banda, sem nenhum apelo comercial mais óbvio (deixo a ressalva que em algumas dessas intervenções radiofônicas, há a presença de trechos de músicas ao vivo, portanto, existe o elemento da raridade embutido em algumas intervenções).

E neste momento de 2022, quando eu comecei a organizar efetivamente o material gerado especialmente para os meus canais de YouTube, foi muito natural que surgisse a ideia de publicar o material radiofônico d'A Chave do Sol sem empecilho algum, nem mesmo a conter uma preocupação sobre o interesse que geraria ao público em geral, e neste caso, a abrir a possibilidade de conter todo o contexto histórico que cada intervenção dessa gerou para a história da banda, isto é, consequentemente a enriquecer muito o acervo geral da nossa memória. 

Em suma, mesmo que despertasse pouca atenção, com pouco engajamento com visualizações, comentários e sinalização de positivo, isso pouco importaria ante a constatação de que o importante seria que tais peças estivessem expostas exatamente no sentido de um museu virtual.

Continua...

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 427 - Por Luiz Domingues

O próximo passo em termos de publicação de material raro e inédito no YouTube, aconteceu com mais um áudio resgatado de um show realizado em 1986. Desta feita, a fita K7 a conter, não em sua íntegra, mas com grande parte do espetáculo que protagonizamos no palco do histórico Teatro Brasileiro de Comédia, o popular "TBC" de São Paulo, em 29 de dezembro de 1986, gerou diversos vídeos individualizados com as músicas que conseguimos preservar.

Na mesma predisposição do show anterior que eu havia postado no YouTube (A Chave do Sol ao vivo no Teatro Mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986), este espetáculo do "TBC" também apresentou muitas músicas raras, algumas com apenas este registro disponível de sua existência na história da banda, portanto, a caracterizar um adendo importante em demasia para o acervo da banda e para a sua memória, certamente.

"Profecia" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=BQXngOelT_E

Como praxe desse período (1986-1987), abríamos os shows com a música: "Profecia". E nesse show em específico, como tivemos a oportunidade de usar o palco por tempo ilimitado, nós resolvemos exibir uma quantidade enorme de músicas inéditas, exatamente para testá-las e a orientação dada ao técnico que operou a gravação, e o PA do teatro, Clovis Roberto da Silva, foi privilegiar na gravação, as músicas novas. O lado ruim dessa nossa escolha feita à época, foi que automaticamente perdemos as versões das músicas antigas que também tocamos no espetáculo, entretanto, por mero acaso, abriu a possibilidade de se preservar algumas músicas inéditas para sempre.

Dessa forma, não pensamos na época com o legado que essa decisão poderia gerar no futuro, mas apenas em ter conosco tais gravações à nossa disposição para efeito de estudo imediato, no entanto, visto pela ótica de 2022, ou seja, trinta e seis anos depois, foi uma decisão que nos garantiu um registro raríssimo desse material e portanto, acho que se revelou como um ponto positivo de longo prazo, ainda que tal decisão tenha sido algo meramente fortuito e não planejado em 1986.

"Flores Pessoas" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=22pO6sjuxtE 

"Aflição" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=YyRZnuXvbpk

"Ninho do Amor" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=f5dquco3kOw

"Change My Evil Ways" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=bj1NB1-lB9Y

"Saudade" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=79vW_9gSolE

"Trago Você em meu Coração" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=6DbeVXMzo6Q

"O que Será de Todas as Crianças?" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=iZzoc-vgnec

"Sun City" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=F7XNddbIaC8

"Perfume de Almíscar" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=vGsUHie6HkQ

"Lírio de um Pantanal" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=8SJMMt3oPIc

"Ficar Sem Ninguém" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=C1G1RkWVDnY

"Guerra Quente" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), de São Paulo. 29 de dezembro de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=qYW5DhFrH_A

Bem, há de se mencionar que a mixagem dessa fita não é adequada. Gravada diretamente da mandada do monitor, apresenta a voz principal do Beto, muito alta, com guitarra e bateria aquém e o baixo muito prejudicado, a se revelar quase inexistente.

Sobre o repertório, conforme eu já expliquei no capítulo anterior, quando mencionei a publicação de diversas músicas inéditas provenientes de um outro show cumprido igualmente em 1986, neste caso do show no TBC ocorreu o mesmo, ou seja, a presença de diversas músicas inéditas e com tendência a buscar uma adequação estética ao Hard-Rock sob o viés Pop-Rock então em voga no panorama de metade da década de oitenta. 

Ainda que houvesse uma nítida influência setentista explícita e inerente da nossa parte por condição intrínseca, nessas canções inéditas, predomina o esforço para soar "moderno" na época e neste caso, mais erramos do que acertamos no quesito da estratégia, pois o que poderia soar Pop em uma ambientação californiana dessa ocasião, no Brasil nunca esteve na "crista da onda", aliás muito longe disso. O mainstream oitentista brasileiro em termos de Rock foi inteiramente capturado pelo Pós-Punk e seus muitos derivados & correlatos e dessa forma, o que poderia ter sido um nicho para nós termos alguma chance maior, na realidade nunca existiu. 

A trocar em miúdos, o tal Hard-Rock, que buscávamos sob a inspiração principalmente do ambiente norte-americano em voga nesse momento, nunca deixou de ser underground no Brasil e assim, realisticamente a analisar, antes nós tivéssemos permanecido fiéis ao nosso estilo com influência sessenta-setentista, dos primórdios da nossa carreira, pelos idos de 1982 a 1984, estabelecidos em um nicho tão pequeno tanto quanto o que Hard-Rock gerou na cena local, porém, mais permaneceríamos autênticos como criadores autorais e consequentemente, mais felizes como artistas.

Devo deixar a ressalva de que apesar disso, é claro que as músicas que criamos nesse período de 1985 a 1987 tem os seus méritos, não são execráveis de forma alguma, eu preciso admitir. E fora isso, a questão da nossa forte labuta tem que ser reverenciada e da minha parte, tem todo o respeito e sentimento de dever cumprido de minha parte e de meus três colegas. Portanto, dessa luta eu tenho saudade, pois demos o nosso melhor, mesmo que tenha nos faltado uma melhor visão gerencial e artística sobre os meandros do mercado na época.

Eis abaixo, uma parte da ficha técnica geral que eu providenciei para cada vídeo postado no YouTube: 

"A Chave do Sol teve a honra de se apresentar em um palco nobre na história do teatro brasileiro, o Teatro Brasileiro de Comédia, popularmente conhecido como "TBC" no meio teatral do Brasil. Tal oportunidade foi rara no sentido de que tal palco histórico quase nunca promovia shows musicais e menos ainda shows de Rock, portanto, agradecemos a oportunidade e nos orgulhamos naturalmente de termos feito um espetáculo ali. 

Uma particularidade desse show em específico se deu com o fato de que usamos tal apresentação como um teste, pois como a duração do espetáculo foi longa, nós aproveitamos para tocar diversas músicas inéditas, que havíamos composto recentemente, muitas das quais nem sequer foram gravadas nas duas demo-tapes que havíamos gravado nesse mesmo ano, a última delas, inclusive, cerca de dois meses apenas antes dessa apresentação. 

É preciso salientar que o áudio aqui apresentado tem as suas deficiências peculiares por vários motivos. Primeiro por ter sido uma captura simples na ocasião, mediante um gravador duplo-deck ligado diretamente na mesa de mixagem do sistema de PA que foi usado no teatro. O segundo ponto, foi que o patch usado pelo técnico não foi a mandada do PA para a frente, com tudo mixado, mas a mandada do monitor, daí o fato da voz do vocalista Beto Cruz estar alta em demasia,, com a bateria em segundo plano, guitarra em terceiro e o baixo quase imperceptível, pois foi tirado de uma linha ordenada nessa resolução, obviamente escolhida pelo Beto para se ouvir mais alto e o fato do baixo ter ficado ameno, sinaliza que ele, Beto, considerou que o som do amplificador do baixo, direto no palco, foi o suficiente para ele se guiar. E o terceiro aspecto sobre o áudio, foi que o armazenamento foi feito em uma limitada fita K7 e que ficou guardada em armários inadequados para a sua preservação, por décadas, portanto, ao se considerar isso, até que é razoável a qualidade".

A Chave do Sol Ao vivo no Teatro Brasileiro de Comédia ("TBC"), em 29 de dezembro de 1986. 

Técnico de PA e gravação: Clovis Roberto da Silva 

Roadies: Eduardo Russomano e Edgard Puccinelli Junior 

Produção executiva: Eliane Daic 

Produção geral: Studio V 

Digitalização da fita K7 em 2020: Kim Kehl 

Foto promocional usada em todos os vídeos a representar o mesmo show, extraída de uma sessão organizada em fevereiro de 1987, com click de Tereza Pinheiro. 

A Chave do Sol - formação nesse show: 

Rubens Gióia: Guitarra e voz

José Luiz Dinola: Bateria e voz

Roberto Cruz: Voz e guitarra

Luiz Domingues: Baixo e voz

A seguir, eu trabalhei na decupagem e preparação de uma série de gravações inéditas a conter entrevistas com componentes, testemunhais e menções sobre a nossa banda em diversos programas de rádio no período de 1983 a 1985.

Continua...