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sábado, 1 de agosto de 2026

Autobiografia na música - A Chave do Sol - Capítulo 459 - Por Luiz Domingues

Eu (Luiz Domingues) a ostentar as capas dos dois primeiros discos d'A Chave do Sol: o compacto de 1984 e o EP de 1985. Click, acervo e cortesia: Michel Camporeze Téer 

O ano de 2026 começou bem para a nossa extinta banda, sempre reverenciada por seus fãs e por agentes midiáticos, a denotar respeito e sim, admiração. Como eu sempre enfatizo, era e ainda é notável como uma banda como a nossa, que nunca atingiu o patamar mainstream da música, mantinha a sua longevidade em termos de memória viva para muita gente, e na contrapartida de artistas que tiveram amplo apoio, investimento significativo e bastidores fortes nos meandros do show business, e que tenham tido as suas respectivas imagens completamente apagadas da memória coletiva.

Por si só, esse sinal já me dava uma incrível sensação de orgulho e também do dever cumprido, eu nunca tive dúvida sobre isso. E vou além, no sentido de exaltar que as amarguras do passado, principalmente narradas ao final do tomo B do meu livro, estavam devidamente cicatrizadas, isto é, eu já pensava há anos sobre tais reminiscências apenas como fatos históricos, porém, sem nenhuma possibilidade de gerar ressentimentos. Pelo contrário, a longevidade da memória coletiva soava-me a cada dia mais (nesses anos 2020, a apontar para o final dessa década), que pelo contrário, a banda triunfara.   

Lançado o tomo A desse meu quinto livro autobiográfico com tarde de autógrafos em novembro de 2025, nas dependências da loja Baratos Afins, eis que em dezembro eu já tinha pronto o tomo B da mesma obra, ou seja, estava apto para promover outro evento dessa natureza, mas por conselho do próprio Luiz Calanca, meu anfitrião da primeira tarde ocorrida em novembro, resolvi postergar para o ano de 2026, a segunda tarde de autógrafos com vistas a lançar oficialmente o tomo B, exatamente para dar fôlego aos leitores, e sim, ponderei que as pessoas que estavam a ler o tomo A, precisavam de tempo para absorver as mais de 600 páginas nele contidas.

A capa do livro "A Chave do Sol" (a autobiografia de Luiz Domingues na música - volume VI/Tomo B)

Em tese, eu deixei para marcar tal evento para depois do advento do carnaval de 2026, mas antes disso, houve ocorrências boas para a banda e não necessariamente a ver com os livros, mas por fatos espontâneos.

Por exemplo, na edição 467 do programa "Só Brasuca" pela Webradio Crazy Rock, a música "Profecia" nos representou na semana de 3 a 9 de janeiro de 2026

Uma bela homenagem à minha pessoa enquanto baseada no espectro d'A Chave do Sol, foi feita no mesmo dia (3 de janeiro de 2026), mas desta feita através do grupo "Rock Brasuca" da rede social Facebook

Ainda em janeiro, entre os dias 17 e 23, a música: "A Chave é o show" fez parte da edição 376 do programa "Momento só Brasuca" pela Webradio Crazy Rock.

Em fevereiro, no dia 22, o histórico jornalista, Antonio Carlos Monteiro, nos celebrou através da música "Anjo Rebelde" em seu programa "Rock'n Brasil" pelas ondas da MKK webradio.

Eis que nessa altura dos acontecimentos, o evento da tarde de autógrafos específica para o tomo B do livro, "A Chave do Sol", já estava marcado para ocorrer de novo nas dependências da loja Baratos Afins, ou seja, um endereço com o devido peso para a própria história dessa banda. 7 de março de 2026 foi o dia marcado para esse prazeroso encontro com muitos fãs d'A Chave do Sol.  

Continua...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 434 - Por Luiz Domingues

Sobre o nosso EP de 1985, as seis faixas foram então colocadas na sua ordem conforme o álbum, e mediante uma ficha técnica mais categorizada para fornecer aos interessados, informações mais precisas sobre o contexto dessa produção em si.

"Anjo Rebelde" - EP - 1985 - Gravadora Baratos Afins

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=rQ9C0rLtKCw

"Um Minuto Além" - EP - 1985 - Gravadora Baratos Afins 

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=QD0eMcrujRY

"Segredos" - EP - 1985 - Gravadora Baratos Afins

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=k8W2GWnMtaA

"Ufos" - EP - 1985 - Gravadora Baratos Afins

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=laigdAZU8ls

"Crisis (Maya)" - EP - 1985 - Gravadora Baratos Afins

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=hM6qELAK208

"Ímpeto" - EP - 1985 - Gravadora Baratos Afins

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=vvktB0L7nHQ

Cumprida essa etapa, faltou apenas incluir as músicas do LP "The Key" de 1987, para garantir a completa representatividade dos discos oficiais d'A Chave do Sol nos meus canais do YouTube e por conseguinte a alimentar o Blog 3, que vem a ser o meu museu virtual de carreira.

Continua...

domingo, 1 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 431 - Por Luiz Domingues

Acima, eis a foto que o fã, Thiago Fajardo, publicou no seu perfil da rede social, Facebook, em 25 de setembro de 2022, Click, acervo e cortesia: Thiago Fajardo

Foi então que no dia 25 de setembro de 2022, a nossa banda completou quarenta anos de seu primeiro show. Eu havia me lembrado da data, um dia antes, e pensei em publicar uma mensagem nas redes sociais a repercutir tal efeméride, no entanto, inicialmente pensei em algo simples, sem muito alarde.

Ocorreu que no domingo, dia 25, um fã da nossa banda (Thiago Fajardo), publicou na rede social "Facebook", uma foto da capa do nosso compacto de 1984, que ele possuía em sua coleção, perto de um bonito equipamento de som com aspecto "vintage" e com um depoimento carinhoso sobre o trabalho em anexo. Ele me marcou na sua publicação e quando eu escrevi uma mensagem de agradecimento pela lembrança gentil da parte dele, aproveitei para comentar que a data em que estávamos, marcava uma efeméride importante sobre a nossa banda e ele respondeu que não sabia desse detalhe, portanto, houvera sido uma coincidência ele ter feito essa publicação tão carinhosa sobre a nossa banda e em específico sobre o compacto de 1984.

Foi muito natural então que tal acontecimento provocasse uma reação inevitável no meu campo emocional e assim, da pequena nota que eu planejara escrever e publicar, se precipitou um texto bem mais robusto, mediante a contextualização sobre a formação da nossa banda e a inerente importância do primeiro show que realizamos, como a demarcar a fundação do nosso grupo. 

Abaixo, eis a íntegra do texto que eu publiquei em duas redes sociais: Facebook e Instagram e com alguns dados que surpreenderam muitas pessoas, como por exemplo a pré-história da nossa banda pelo ponto de vista do Rubens, algo não citado no texto da minha autobiografia, exatamente por eu não ter feito parte dessa movimentação que ocorreu na vida dele entre 1977 e 1981, aproximadamente. E ao citar algumas pessoas com as quais eu não convivi e que chegaram a se apresentar junto com o Rubens a usar o nome da nossa banda, eu tomei o cuidado para não menosprezar de maneira alguma a importância delas como pessoas e como músicos e tampouco desmerecer tais esforços que eles empreenderam, ao deixar claro que consideramos a fundação da nossa banda, efetivamente a partir da nossa formação e nessa data de 25 de setembro de 1982. Ocorre que tais formações pregressas foram efêmeras em termos de continuidade e as poucas apresentações que fizeram, se revelaram como sazonais, sem caracterizar uma ação concreta de uma banda formada e imbuída de trabalhar de forma contínua e mais um detalhe, sem a intenção de criar material autoral próprio.

Amigos: neste domingo, dia 25 de setembro há uma efeméride importante para A Chave do Sol, banda pela qual eu atuei ao lado de valorosos companheiros e com orgulho, por cinco intensos e inesquecíveis anos.
 
Foi exatamente no dia 25 de setembro de 1982, um sábado, que a nossa banda realizou o seu primeiro show e daí, convencionamos demarcar como a data de fundação oficial do grupo, embora tenhamos realmente iniciado as atividades por volta de julho do mesmo ano, com os ensaios preliminares. 
 
A banda foi fundada com o firme propósito de exercer a música autoral, mas como também estabelecemos a meta de irmos rápido para os palcos, não houve tempo hábil para criarmos um repertório suficiente para tal no curto prazo e assim, nos primeiros shows, tivemos o suporte de um repertório formado por alguns clássicos do Rock internacional e nacional, oriundo das décadas de 1950, 1960 e 1970, ou seja, a nossa base afetiva de influências.
 
É importante frisar que o nosso saudoso cofundador, Rubens Gióia, foi o criador do nome da banda, por se tratar de uma idealização que ele teve em sua imaginação desde a sua tenra infância e já por volta de 1968, ele tinha em mente tal denominação. E quando atingiu a adolescência, esboçou esforços para a banda existir concretamente desde 1977, e a partir de 1978, até 1981, aproximadamente, chegou a realizar apresentações sazonais mediante apoio de outros companheiros, a usar tal nome, como o guitarrista Dedé e o baterista Silvio Sisudo entre outros. Todavia, como não houve uma continuidade ordenada e tampouco ficou coletado algum material para registrar tais esforços, consideramos a nossa formação a partir de 1982, como a oficial da fundação da banda, por conta da periodicidade do trabalho, a constituir o compromisso formado mutuamente. 
 
Rubens e eu, Luiz Domingues, iniciamos os trabalhos e logo convidamos o baterista Edmundo Gusso, que chegou a realizar um ensaio conosco, todavia, ele não pode assumir o compromisso e assim, convidamos José Luiz Dinola para fechar o Power-Trio básico que formatou a nossa banda e posteriormente, contamos com cinco vocalistas ao longo da nossa carreira para configurar a formação da nossa banda como um quarteto.
 
E assim, com esse trio base, logo nos primeiros ensaios nós compusemos em parceria a nossa primeira música, o tema instrumental: "18 horas", que ficou bastante celebrado em nossos shows e esta foi a primeira música própria que apresentamos no primeiro show, ao lado dos clássicos que eu já mencionei.
Convidamos um vocalista que já era uma grande estrela no cenário do Rock brasileiro, há bastante tempo na ocasião, na persona de Percy Weiss. 
 
Ele gostou tanto da química que forjamos nessa apresentação que a seguir participou de um segundo show, alguns dias depois, no entanto, apesar dessa empolgação mútua ali gerada, Percy já estava comprometido com outros trabalhos e não pode se fixar em nossa banda como membro oficial, que pena.
 
Nesse primeiro show em específico, ficamos honrados e empolgados em realizar a nossa estreia em um palco que fora na década de setenta, um dos mais requisitados e badalados de São Paulo, aliás com repercussão nacional. Nos anos 1970, ali funcionara o histórico "Be Bop a Lula", casa que protagonizara shows com os maiores nomes do Rock nacional da ocasião. Infelizmente, nos anos 1980, a casa não tinha mais o mesmo glamour e nem mesmo o mesmo nome, ao se chamar então "Café Teatro Deixa Falar", embora a sua proprietária fosse a mesma pessoa, a simpática e acolhedora Dona Sabine, um senhora francesa, que nos ajudou muito nesses primeiros tempos de vida da nossa banda, haja vista que ali também foi o nosso espaço de ensaios nos primeiros meses de nossas atividades.
 
É óbvio que o Percy não gostou nada do seu nome ter sido grafado erroneamente na filipeta que foi produzida para divulgar esse primeiro show. Ele chegou a brincar com esse fato em publicação que fez nesta mesma rede Facebook, pouco antes de falecer, infelizmente, em 2015. Através da entrevista concedida ao programa "Vitrola Verde" do valoroso comunicador, Cesar Gavin, Percy Weiss falou com carinho de sua rápida passagem pela nossa banda.
 
Contamos com um bom público formado por familiares e amigos que nos prestigiaram nesse dia 25 de setembro de 1982, para nos ver desfilar Rocks que todos gostamos e já a nossa primeira música, a instrumental, "18 Horas". Destaco entre tantos amigos queridos que ali estiveram presentes, o poeta Julio Revoredo que já em um curtíssimo período depois, tornar-se-ia um parceiro da banda com seus poemas musicados por nós, além do apoio dele em muitas ações positivas para a banda nos bastidores.
 
E assim foi, 40 anos se passaram desse primeiro show, que hoje comemoramos. O idealizador-mor desse sonho nos deixou em 2021, mas o seu sonho vive e com ele, a sua memória, certamente. Fico feliz por constatar que A Chave do Sol ainda seja reverenciada pela sua obra e dedicação, nos dias atuais, portanto, Rubens Gióia vive, mais do que nunca.
 
Em nome do trio-base dessa banda, Rubens Gióia (in memoriam), José Luiz Dinola e eu, Luiz Domingues, além, dos cinco vocalistas que também contribuíram muito com a história da nossa banda, embora com passagens mais curtas na formação (Percy Weiss- in memoriam, Verônica Luhr, Chico Dias, Fran Alves-in memoriam e Beto Cruz), eu agradeço muito o carinho de todos os fãs, amigos, colaboradores e profissionais que nos apoiaram entre 1982 e 1987.
 
Faço a menção muito honrosa para Ivan Busic, que gentilmente gravou o LP "The Key" quase inteiro, após a saída de José Luiz Dinola em junho de 1987 e chegou a cumprir dois shows conosco, como um convidado, pois apesar de ter marcado presença nas fotos do disco, não foi membro da banda. Fábio Ribeiro também fez um show como convidado e assim cabe registrar e sobretudo esclarecer que a formação da banda "The Key", com dois egressos d'A Chave do Sol (Beto Cruz e eu, Luiz Domingues), acrescidas do Fabio Ribeiro, José Luiz Rapolli e Eduardo Ardanuy (neste caso, cabe a menção para Theo Godinho-in memoriam-, igualmente), apesar de ter surgido das cinzas d'A Chave do Sol se constituiu de uma banda diferente, com a sua trajetória própria e portanto distinta dentro da história. 
 
Aproveito para convidar os admiradores d'A Chave do Sol para visitar o meu Blog 3, no qual eu publiquei o texto completo da minha autobiografia musical e os capítulos concernentes à minha passagem pel'A Chave do Sol, se encontram alojados nos meses de maio, junho e julho de 2015, no arquivo. E no arquivo de 2016, o leitor encontra no mês de dezembro, vasto material (vídeos, fotos, áudios, portfólio e dados) sobre a carreira da nossa banda. E sobre os desdobramentos da história da banda (o lançamento do kit de discos bootlegs em 2020/2021, por exemplo), também podem ser consultados em arquivos posteriores no mesmo arquivo do Blog. 
 
Mais um aviso adicional: recentemente (2022), eu tenho feito esforços para organizar os meus três canais no YouTube e nesse aspecto, já tenho publicado vídeos raros de todas as bandas pelas quais atuei e ainda atuo, portanto, há bastante material raro sobre A Chave do Sol ali presente e ainda mais novidades surgirão. Fica o convite então para a visita de todos que apreciam o trabalho dessa banda.
 
Luiz Domingues - Canal 2:
A Chave do Sol - 25 de setembro - 1982/2022 - 40 anos
Rubens Gióia (in memoriam): Guitarra e voz
José Luiz Dinola: Bateria e voz
Luiz Domingues: Baixo e voz
Percy Weiss (in memoriam): Voz
Verônica Luhr: Voz
Chico Dias: Voz
Fran Alves (in memoriam): Voz
Beto Cruz: Voz e guitarra
E com o apoio fundamental de:
Rosana Gióia: Backing vocals em alguns shows de 1982 e no compacto de 1984
Ivan Busic: Bateria em várias faixas do LP The Key de 1987
Soraya Orenga: Backing vocals no compacto de 1984
Daril Parisi: Teclados no EP de 1985
Andria Busic: Backing vocals no LP The Key de 1987
Fernando Costa ("The Crow"): Teclados no LP The Key de 1987
Edgard Puccinelli Filho: Roadie e autor da letra de "Anjo Rebelde"
Eduardo Russomano (in memoriam): Roadie
Claudio "Capetoide": Roadie
Eliane Daic: Produção
Julio Revoredo: Produção e autor das letras de "Segredos", "Ufos", "Vestido Branco" (esta não foi gravada)
Renato Ogawa, Fabio Rubinato, Carlos Muniz Ventura, Rodolpho Tedeschi, Mauricio Abões: Fotos
Luiz Carlos Calanca: Produção fonográfica (Compacto de 1984 e EP de 1985)
Toninho Pirani: Produção fonográfica (LP The Key de 1987)
Antonio Celso Barbieri: Produção de shows
Cida Ayres: Produção
Ricardo Aszmann: Produção
Rolando Castello Junior: apoio irrestrito nos primeiros tempos da nossa banda
Antonio Carlos Monteiro: Assessoria de imprensa
Robson TS: Produção de estúdio (compacto de 1984)
José Luiz: Produção de estúdio (EP de 1985)
Edy Bianchi: Produção de estúdio (LP The Key de 1987)
Canrobert Marques: Técnico de som ao vivo
Kim Kehl: Digitalização de áudio e produção dos Bootlegs de 2020/2021

Bem, a minha publicação gerou uma comoção no Facebook, não tão grande como a gerada por ocasião da morte do Rubens Gióia, mas não muito atrás disso, a gerar uma enxurrada de sinais de apreço ("curti") e comentários (338 e 238, respectivamente), além de 17 compartilhamentos. Foram muitos comentários emocionantes, muitas lembranças pessoais a relatar shows que tais pessoas assistiram, além de observações sobre os álbuns que gravamos e a repercutir a data em si, ao se falar do primeiro show.

No "Instagram", foi igual, embora com um volume menor de comentários e mais sinalizações com "emojis" para expressar o contentamento de cada um.

Entre tantas manifestações, fiquei feliz pela sinalização discreta, porém significativa da mãe do Rubens, Dona Dinorah, ainda abalada pela perda de seu filho, naturalmente e uma surpresa, a cantora, Soraya Orenga, que gravara backing vocals no nosso compacto de 1984, que por uma coincidência incrível, era amiga pessoal do técnico de áudio e produtor musical, Renato Carneiro, com o qual eu trabalhei bastante nos meus tempos a bordo do "Pedra". Pois eles eram amigos de longa data e segundo o Renato, trabalharam juntos por oito anos, portanto ele a avisou e ela se manifestou com muito carinho na minha publicação.

Bem, tal acontecimento corroborou mais uma vez a minha percepção de que essa banda foi vitoriosa em sua trajetória, apesar de nunca ter alcançado o mainstream da música profissional e tal carinho, expresso quarenta anos depois de sua fundação oficial, prova que emocionamos muita gente na época e tal marca ficou indelével na vida dessas pessoas que impactamos, por quarenta anos e com perspectiva de que levem tal sentimento até o final das suas respectivas vidas.

Portanto, acho que eu fui feliz ao seguir a intuição e publicar o chamado "textão" de rede social para repercutir a efeméride.

E paralelamente, dentro daquela perspectiva de estar a publicar raridades em meus canais de YouTube, eu constatei um achado em uma nova inspeção em tom de decupagem do material digitalizado em 2020 e fiquei contente por poder providenciar a sua publicação logo a seguir.

Continua...

sábado, 26 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 430 - Por Luiz Domingues

E depois de publicadas as quatro entrevistas disponíveis do programa "A Fábrica do Som" da Rádio Cultura (e aproveito para lastimar mais uma vez a perda da 5ª entrevista desse mesmo programa), eu preparei e publiquei as demais intervenções preservadas com a nossa banda em termos radiofônicos.

O primeiro que eu publico abaixo, foi uma micro entrevista para o programa "Rockambole" da 97 FM de Santo André-SP, conduzida pelo comunicador, Beto Peninha em 23 de junho de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=85RomJzSOxs

No programa "Matéria Prima", da mesma rádio Cultura de São Paulo, nós concedemos duas entrevistas em 1985, para o seu apresentador, o simpático e ainda não famoso nessa época, Serginho Groismann. 

A Chave do Sol no programa "Matéria Prima" da Rádio Cultura de São Paulo. 6 de setembro de 1985.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ijN2R-77dw8

A Chave do Sol sob um testemunhal simpático no programa "Salada de Rock" da Rádio Imprensa de São Paulo em 24 de setembro de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=jLX0xaqA-Qg

Programa "Disque-Rock" da Rádio Imprensa FM de São Paulo em 20 de dezembro de 1985.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=9xZK6wg6XBY

A Chave do Sol no programa "Sinergia" da rádio USP-FM de São Paulo com excelente entrevista concedida ao jornalista Valdir Montanari. 7 de setembro de 1985.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=VCkZHRW5Wb4

A Chave do Sol no programa "Rádio Matraca" da USP-FM de São Paulo de São Paulo, com condução de Laert Sarrumor. 18 de setembro de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=3xnfD0YAmvM

A Chave do Sol no programa "Matéria Prima" da Rádio Cultura de São Paulo, com condução de Serginho Groismann.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=oJNX11u53Tk

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 1. Condução de Skowa e uma moça não identificada. 20 de outubro de 1985.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=kUWEnbc7l1A

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP FM-SP de São Paulo. Parte 2 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=O3jJA7b-tX8

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 3

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=nSzMzZs5JWQ

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes  da Banda" da Rádio USP FM-SP de São Paulo. Parte 4

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=_7i3egikZe4

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 5

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=DNsDhwnPaqM

A Chave do Sol no programa "Os Rapazes da Banda" da Rádio USP-FM de São Paulo. Parte 6

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=tH-WYBtlIK4

https://www.classicrockalbuns.com.br/TheKey.html?fbclid=IwAR34xupVTkTO91owb3TKAhav7S96czsn3THA7hmG7X9edqpbWhrGnEPrWYk

Uma boa nova surgida ao final de agosto, especificamente no dia 21, foi o programa radiofônico a abordar o LP The Key por dois analistas, faixa a faixa, além de discorrerem sobre a banda no geral e naquele período de 1987, mais detidamente, para dar a amplitude do ambiente que cercou a produção de tal álbum.

Apresentado por Julio Verdi e Rogério Iarossi, ambos músicos e também radialistas, o programa "Clássic Rock Albuns" foi executado através de um "pool" de webradios espalhadas por muitas cidades do interior de São Paulo e confesso que me me deixou muito feliz.

Alguns dias após a execução, eu conversei diretamente com um desses radialistas, Julio Verdi, e lhe disse que fiquei muito feliz pela abordagem e que após trinta e cinco anos de hiato entre o lançamento do disco e esse programa (1987-2022), foi realmente notável que esse trabalho tenha suscitado essa reverência tremenda da parte dele e de seu colega, a se caracterizar como um grande feito da nossa querida banda. Tudo valeu a pena, posso afirmar, tantos anos depois!

Depois de disponibilizar o material radiofônico, o próximo esforço foi para publicar mais material raro de shows e posteriormente, trechos de ensaios.

Continua...

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 429 - Por Luiz Domingues

Foi então que eu comecei a preparar tais áudios com intervenções radiofônicas e os primeiros que eu publiquei no meu canal 2 do YouTube foram exatamente a conter as entrevistas que concedemos à Rádio Cultura AM de São Paulo, que mantinha no ar um programa de apoio à "Fábrica do Som", atração televisiva produzida pelo mesmo braço midiático, no caso, a TV Cultura, ou seja, instituições  subordinadas à Fundação Padre Anchieta.

Lembro-me bem do radialista chamado, Roberto, responsável pela atração radiofônica citada, a correr do palco para o camarim para colher, mediante um gravador portátil e bem típico de jornalista na época, as suas entrevistas rápidas para editar juntamente a uma ou duas músicas que os artistas tocavam no palco do Sesc Pompeia, de São Paulo, aonde ocorriam as filmagens. No caso, tal programa radiofônico ocorria uma hora antes da versão da TV, ou seja, às 17 horas dos sábados. Geralmente no programa de rádio se tocava as músicas não escolhidas para a exibição da TV e assim o artista ficava bem servido em termos de exposição geral do seu trabalho.

Eu mesmo, Luiz Domingues, representei a nossa banda na primeira entrevista e mesmo um tanto quanto constrangido por não poder ter respondido de uma maneira afirmativa quando o Roberto me perguntou se já tínhamos um disco lançado nessa ocasião (julho de 1983), eu falei sobre a banda de uma maneira geral.

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", braço de apoio da Rádio Cultura para a mesma atração televisiva da TV Cultura. Radialista: Roberto. Entrevista coletada em 12 de julho de 1983 no camarim do Sesc Pompeia de São Paulo. No ar pela Rádio Cultura em 16 de julho de 1983. Música: "Utopia" e "Crisis Maya)".

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=8jKBmHux-CI

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", em sua segunda oportunidade pela Rádio Cultura. Radialista: Roberto. Entrevista coletada no camarim do Sesc Pompeia em 27 de setembro de 1983. No ar pela rádio Cultura em 1º de outubro de 1983. Músicas: "Átila" e "A Dança das Sombras".

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=e4XyWKM-De0

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som", em sua terceira participação pela Rádio Cultura. Radialista: Roberto. Entrevista coletada nos bastidores do Circo Mágico no Anhembi, na zona norte de São Paulo em 15 de novembro de 1983. No ar pela Rádio Cultura em 19 de novembro de 1983. Músicas: "Luz" e "Reflexões Desconexas".

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=FD5ODYoPt5Q

A Chave do Sol no programa "A Fábrica do Som" da Rádio Cultura, Quarta participação nossa e desta vez na entrevista, eu mesmo, Luiz Domingues, finalmente pude anunciar que havíamos gravado o primeiro disco d'A Chave do Sol e que em breve as suas cópias estariam disponíveis no mercado. Radialista: Roberto. Entrevista coletada no camarim do Sesc Pompeia de São Paulo em 27 de março de 1984. No ar pela Rádio Cultura em 31 de março de 1984. Músicas: "Átila" e "Intenções".

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=dhbTk0t--s0

Infelizmente, a entrevista referente à nossa quinta participação no mesmo programa (em junho de 1984), foi perdida, porém, outras entrevistas concedidas para diversos programas de diferentes emissoras, eu pude publicar no meu canal a seguir.

Continua...

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 428 - Por Luiz Domingues

Quando eu idealizei o lançamento de diversos discos bootleg d'A Chave do Sol, naturalmente que priorizei inicialmente o material mais antigo para ser lançado, e foi o que ocorreu entre 2020 e 2021, quando os seis discos iniciais privilegiaram shows ao vivo do período de 1982 a 1985 e três demos gravadas entre 1983 e 1986, com fragmentos de uma quarta demo, então perdida, que eu consegui recuperar ao menos duas músicas.

E desde essa época, eu mantive a predisposição em torno de tal planejamento prévio dessa fase inicial, no sentido de lançar os shows de 1986 e 1987, que eu tinha disponíveis, o que aliás, ocorrerá a qualquer momento. Além disso, havia disponível material de imprensa, radiofônico em sua totalidade, haja vista que as aparições na TV das quais eu dispunha, eu já havia esgotado, ainda que não "renderizados" nos meus canais próprios, mas espalhados em canais geridos por terceiros. 

Sobre o material de rádio, o que eu tinha armazenado em fitas K7, continha muitas entrevistas com componentes da nossa banda e menções & testemunhais da parte de radialistas a falar sobre a nossa banda. Ainda posso acrescentar as muitas fitas de ensaio, a contar com fragmentos de músicas, ideias dispersas que gravávamos o tempo todo a cada jam-session livre que executávamos nos ensaios e esforços em torno do aprimoramento de convenções, solos, linhas de baixo e bateria e até de vocais.

Sobre o material de ensaios, eu idealizei uma compilação a conter trechos significativos e assim registrar tais momentos, tal qual os Beatles lançaram na série de álbuns "Anthology" nos anos 1990, com inúmeras gravações nesse mesmo teor, obtidas em ensaios & afins. 

E sobre o material radiofônico, sinceramente eu fiquei em dúvida se valeria a pena lançar tais áudios em disco, por conta dessas gravações terem sido gravadas de uma maneira absolutamente prosaica, mediante gravador amador diretamente apontado de uma forma externa a um alto-falante de "receiver" de aparelho de som "hi-fi" caseiro ou mesmo de um reles radinho de pilhas em algumas circunstâncias. Neste momento de 2022, no qual escrevo este trecho do capítulo, ainda não decidi exatamente como proceder no sentido de produzir um disco, mesmo por que, a comercialização desse material só deveria atender um nicho bem pequeno de interessados, ou seja, os realmente muito fãs d'A Chave do Sol e com forte espírito de colecionador, pelo fato desse material em específico, ser muito detalhista sobre a carreira da banda, sem nenhum apelo comercial mais óbvio (deixo a ressalva que em algumas dessas intervenções radiofônicas, há a presença de trechos de músicas ao vivo, portanto, existe o elemento da raridade embutido em algumas intervenções).

E neste momento de 2022, quando eu comecei a organizar efetivamente o material gerado especialmente para os meus canais de YouTube, foi muito natural que surgisse a ideia de publicar o material radiofônico d'A Chave do Sol sem empecilho algum, nem mesmo a conter uma preocupação sobre o interesse que geraria ao público em geral, e neste caso, a abrir a possibilidade de conter todo o contexto histórico que cada intervenção dessa gerou para a história da banda, isto é, consequentemente a enriquecer muito o acervo geral da nossa memória. 

Em suma, mesmo que despertasse pouca atenção, com pouco engajamento com visualizações, comentários e sinalização de positivo, isso pouco importaria ante a constatação de que o importante seria que tais peças estivessem expostas exatamente no sentido de um museu virtual.

Continua...

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 419 - Por Luiz Domingues

O tempo avançou mais um pouco e novas manifestações midiáticas surgiram ainda a repercutir o lançamento dos Bootlegs da nossa banda, também a lamentar perda do Rubens Gióia e logicamente a reverenciar a sua memória e legado artístico.

Neste caso, fiquei feliz por saber que a revista Roadie Crew em sua edição de número 259, reproduziu os textos que já havia colocado no ar, anteriormente em sua versão on line, assim que o analisara o lançamento dos bootlegs e repercutira o falecimento do Rubens, em matérias assinadas respectivamente por Tony Monteiro e Ricardo Batalha.

E também no Blog d'A Chave do Sol, foi publicada a resenha sobre o CD bootleg "Teatro Lira Paulistana 1985", assinada por Will Dissidente, que foi postado no ar a partir do dia 4 de maio, ou seja, a data de aniversário de Rubens Gióia, portanto a se revelar como uma homenagem. Boa resenha, gostei muito das observações do resenhista, embora no seu caso, a despeito de ser um ativista cultural conhecido no meio, ele era (é) também o mantenedor do Blog e portanto, poderia ser acusado de parcialidade, mas eu asseguro que não, ele escreveu com isenção, como o fazia (faz) normalmente em suas colaborações para diversos órgãos de imprensa cultural alternativa. 

Minucioso, ele falou com precisão de cada faixa isoladamente sob a sua ótica, e assim traçou um perfil histórico sobre o contexto em que tal show gravado transcorrera em 1985 e como tal material veio à tona em forma de um disco bootleg, em 2020.

Leia a ótima resenha de Will Dissidente através do Blog d'A Chave do Sol, através do link abaixo: 

http://achavedosol.blogspot.com/2021/05/franalves.html

E finalmente, em maio também, por conta de três álbuns d'Os Kurandeiros terem sido incluídos na plataforma de um portal de música e textos, chamado: "Mubrin.com", eu percebi que havia ali uma matéria a discorrer sobre a produção musical independente dos anos 1980, sob o ponto de vista fonográfico. 

Curioso para saber como o texto se desenvolvera, ao me deparar com a matéria, notei que usaram uma foto proveniente da gravação do compacto d'A Chave do Sol no estúdio Mosh de São Paulo, em janeiro de 1984. Não houve crédito aos meus Blogs números 2 e 3, mas tudo bem, mesmo assim, fiquei feliz por notar que o meu arquivo de carreira mais uma vez auxiliou outros órgãos difusores de cultura.

Eis a foto em questão, publicada na ótima plataforma musical & revista, Mubrin.Com, a ilustrar a sua matéria sobre a produção fonográfica independente brasileira nos anos 1980. No caso, foi um flagrante da gravação do compacto de 1984, no estúdio Mosh de São Paulo em janeiro do referido ano e a mostrar as figuras do técnico do estúdio, Robson T.S. (debruçado sobre a mesa de mixagem) e o ex-vocalista do Made in Brazil, Caio Flavio, que assistia os trabalhos da nossa gravação. No enquadramento ainda, de costas e só por detalhes, no canto esquerdo superior, eis o nosso baterista, José Luiz Dinola, a usar uma camiseta branca.

Continua...

sábado, 2 de janeiro de 2021

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 412 - Por Luiz Domingues

Sobre a concepção do álbum: "Teatro Lira Paulistana 1985", em si, a ordem das músicas seguiu praticamente o que apresentamos no show como set list, mas algumas pequenas adaptações tiveram que ser feitas. Por exemplo, por uma questão de falhas ocorridas na fita de rolo original, há cortes de trechos em algumas músicas, com o seu início ou final suprimidos, por uma questão de falta de traquejo de quem operou, ao tentar estabelecer pausas para economizar tempo e assim gravar o máximo de canções, mas infelizmente com tal prática tão aleatória, quem operou os botões de "play e rec" da máquina, simplesmente cometeu os seus enganos e assim, a perder trechos. 

Não critico de forma alguma, e pelo contrário, louvo a boa intenção de quem se propôs a operar a máquina e assim dar o seu melhor. Tenho quase a certeza de que foi o Carlos Muniz Ventura, o popular, "Carlão", músico e fotógrafo, nosso grande amigo e que era o proprietário da máquina Ampex que captou o áudio desse espetáculo.

Sobre o repertório, esse se mostra com a banda em grande forma, muito bem ensaiada e a executar uma música cerebral sob forte influência do Jazz-Rock e do Rock Progressivo da década de setenta. O fato de ter sido a estreia do Fran, mas ele não ter cantado todas as músicas e por conta disso ter havido uma forte incidência de longos temas instrumentais, deu-se pelo motivo de que estávamos a reformular o repertório da banda de uma forma radical e ainda compúnhamos músicas novas que não se mostraram em grande número para ele poder cantar em seu show de estreia. Revela-se como algo curioso, portanto, mas na realidade foi uma necessidade premente da ocasião.

Na prática, ele só cantou: "Intenções", "Luz" e Anjo Rebelde" do repertório vocalizado anterior e "Segredos e "Ufos" como canções novas que haviam sido compostas e arranjadas há bem pouco tempo na ocasião. Então, "Reflexões Desconexas" foi cantada pelo Rubens e as demais, foram as instrumentais: "A Dança das Sombras", "Crisys (Maya)", "No Reino do Absurdo" (com direito à balada "Dama da Noite" inserida no meio do solo do Rubens e esta, a se revelar uma música com letra e no caso, vocalizada por ele mesmo), "18 Horas" e "Átila".

Sobre as canções, eis uma análise faixa a faixa de minha parte:

1) "A Dança das Sombras" - Esta faixa veio cortada na fita, portanto, já se inicia na parte mais acelerada, com o seu início todo cheio de balanço a la Soul Music, suprimido, infelizmente. A despeito dessa falha técnica, a energia é enorme e o andamento está bem acima do normal, basta o leitor/ouvinte comparar com a versão contida no disco Bootleg "Demo-Tape" 1983, também disponível como "promo" no YouTube. 

Os timbres de baixo e guitarra estão bem encorpados e escutam-se todas as peças da bateria, inclusive as sutilezas, como as campanas dos pratos, aro e esteira da caixa. Nas partes mais empolgantes, nós desafiamos as leis da divisão rítmica algumas vezes mas não foi algo aleatório, mas sim calculado, portanto, parece que vamos cruzar a qualquer instante, no entanto, foi uma intenção proposital do arranjo. O final dessa canção se emendava a um etéreo clima com acordes soltos, para se dar o início de "Anjo Rebelde" no decorrer do show, mas eu e Kim decidimos estabelecer um "fade out" e separar as faixas para se manter a prática discográfica da separação das faixas. 

2) "Anjo Rebelde" - Nós já tocávamos essa música desde junho de 1984, nos shows, mas essa primeira versão com a voz do Fran em seu comando, tornou-se a partir desse lançamento, doravante um marco, pois foi dessa forma que ela veio a ser gravada meses depois de forma oficial no EP que gravamos em 1985. A música soa com muita energia, já a demonstrar que mediante a presença do Fran Alves a comandar a vocalização, atingíramos um grau de dramaticidade bem grande, certamente.

3) "Intenções" - Essa música soa de uma forma excelente, com a banda bem afiada. A voz do Fran engrandeceu a música, embora a sua melodia, um tanto quanto monocórdica, não lhe tenha dado muita chance para explorar a sua potência vocal, que era enorme. 

Para lhe dar mais protagonismo, nós suprimos o contraponto no refrão, que fazíamos mediante o arranjo original e eu acho que foi um erro, pois em versões anteriores tal recurso melódico se mostrara bem interessante (ouça as versões dessa canção nos bootlegs: "Teatro Piratininga/SP 1983" e "Ao Vivo em Limeira/SP 1983"). 

Na parte final, como se não bastassem as inúmeras convenções que a música possui, nós criamos mais duas para incrementar o final da canção e ficaram muito boas. E para dar um efeito especial, o Kim Kehl imprimiu um delay com efeito inverso e eu acho que ofertou uma acabamento inusitado para a versão do disco. 

Essa canção soa como um Hard-Rock que se mistura ao Prog-Rock, mais ou menos na linha de bandas como o "Armaggedon", "Captain Beyond" e talvez até o "Flash", mas a tendência natural para as pessoas mais novas, será atribuir à influência do "Rush", que nós nunca tivemos, mas eu entendo a percepção de quem enxerga dessa forma. 

4) "Reflexões Desconexas" - Essa peça complexa é outra que nunca gravamos (infelizmente), mas que soa muito bem, com um grau de complexidade bem na linha do Jazz-Rock setentista. 

No arranjo original, havia um vocalise onomatopaico no refrão, com sentido de contraponto, mas nós o retiramos, pois consideramos que apesar de ser interessante, melodicamente, atrapalhava a inteligibilidade das palavras cantadas pela voz principal feita pelo Rubens.

Nesta específica versão, há um solo de baixo, a estabelecer a atmosfera daqueles momentos ultra setentistas que propúnhamos, ao deixar cada um de nós sozinho no palco em um momento diferente do show para dar esse recado individual e mediante deixas estratégicas, voltarmos ao cerne do tema com a banda novamente reunida para encerrar em grande estilo ao provocar a comoção no público e conforme tal dispositivo, neste caso soou muito bem para esta versão apresentada no disco. 

Apesar de nessa época eu usar o estilo "pizzicato", mesmo assim o som do meu Fender Jazz Bass soa bonito, com um grave encorpado, mediante o uso de um bom e velho amplificador "Duovox 150" que mesmo acoplado a uma caixa "handmade", se apresenta muito bem. 

5) "Crisis" ("Maya") - Esta versão é muito boa dessa peça que sempre foi um número muito requisitado em nossos shows desde 1983. Empolgante também, é a reação da plateia ao urrar de euforia quando da queda brusca de dinâmica ao final da canção, ao fazermos os acordes finais.

6) "No Reino do Absurdo" - Que surpresa maravilhosa ao termos obtido essa versão ao vivo de uma música que tocamos bastante em 1984, e que só executamos neste show por conta do Fran ainda não contar com muitas músicas para cantar. 

Peça complexa, mais uma vez influenciada pelo Jazz-Rock e Prog-Rock setentistas, tem um sem número de convenções, partes com mudanças bruscas de andamento e dinâmica. Soa bastante progressiva ao lembrar-me o som do "Wishbone Ash", principalmente em certos trechos mais amenos. E em outros mais nervosos, lembra-me o trabalho de "Frank Zappa and The Mothers of Invention" e "Captain Beefheart" pelo inusitado das suas formulações mais complexas e próximas do Jazz ou mais especificamente do Free-Jazz, mais experimental.

Mais ou menos na minutagem 4:30, o Rubens teve o seu momento solo, ao ficar isolado no palco, e poder evocar Jimi Hendrix, ou seja, a usar e abusar de efeitos (muito bem, por sinal), e inserir uma balada de sua autoria que nunca gravamos, chamada: "Dama da Noite", na mesma performance. Ele encerra esse momento ameno da sua interpretação da balada, volta para a carga mais virulenta do solo e reintroduz o tema original da canção em grande estilo.  

7) "18 Horas" - Versão muito boa, com muita energia. O primeiro solo da música é meu, porém, pelo fato de eu ter feito um longo solo anteriormente (em "Reflexões Desconexas"), eu fiz uma versão reduzida desta vez. O solo do Zé Luiz, sim, foi feito dentro do espírito de sua participação sozinho no palco, portanto com um solo mais alongado. Os urros da plateia ao final, demonstram bem a energia que emanamos.

8) "Atila" - Infelizmente essa versão veio mutilada na fita e a solução foi efetuar um "fade out" para encerrar assim que a música é cortada bruscamente. Portanto, é só uma amostra com 1.53' de duração, e mal chega aos acordes iniciais do riff principal.

9) "Luz" - Essa música também entra cortada, já da metade para o seu final, mas é interessante ouvir a voz do Fran Alves a interpretá-la, algo certamente raro nos registros de áudio da nossa banda. Nota-se um improviso criado pelo Fran Alves ao final, ao emitir um vocalise inusitado.

10) "Segredos" - Como já trabalhávamos com essa canção um pouco antes do Fran Alves ingressar na banda, ela soa nesta versão ao vivo praticamente como seria gravada oficialmente alguns meses depois e com o Fran a interpretá-la com muito vigor.

11) "Ufos" - Essa música ainda estava em fase de construção de sua melodia na ocasião. A parte instrumental soa bem, pois o arranjo já estava bem definido, mas o Fran ainda estava a burilar a sua melodia. Portanto, nesta versão, nota-se um pouco de insegurança de sua parte para interpretar e algumas frases que não soam melodicamente tão bem, pois ele ainda experimentava alguns desenhos rítmicos na elaboração da sua linha vocal. Ela na verdade foi tocada como "bis", portanto, foi uma opção usada por conta do clamor do público.

12) "Anjo Rebelde" - Outra versão que fizemos como "bis", pois o público queria mais e nós não tínhamos mais músicas para apresentar, daí a repetição. Nesta versão, no entanto, demos margem a um improviso bem setentista, não previsto no arranjo original da música e que eu reputo ter ficado muito bom.

Sobre a capa, contracapa e label, o Kim Kehl usou o mesmo critério para a elaboração dos álbuns anteriores, ou seja, a recortar algumas fotos que lhe enviei, exatamente desse mesmo show e ainda bem que eu as possuía em meu arquivo. Portanto, ambas as fotos, da capa e contracapa, foram montagens, visto que nenhuma original nos enquadra por completo, mediante a presença dos quatro componentes em visão panorâmica. Na capa, predomina o tom preto com detalhes em marrom e roxo e na contracapa, o marrom predomina, com a foto da banda a mostrar detalhes de tons diferentes, provenientes da iluminação do teatro.

Na operação do áudio original de 1985, a boa equalização ouvida por quem nos assistiu nas arquibancadas do Teatro Lira Paulistana veio da parte do ótimo, Canrobert Marques. A operação do gravador Ampex ficou a cargo de Carlos Muniz Ventura (provavelmente, pois não tenho essa lembrança confirmada). Fotos de Rodolpho Tedeschi ("Barba"). A digitação de 2018/2019, ficou por conta do técnico: "Pato". Apoio de Diogo Barreto e Ricardo Schevano, pelo estúdio Orra Meu. Apoio para a prensagem: Crossover Records. Na produção de áudio e Lay-out de capa em 2020: Kim Kehl. Supervisão geral: Luiz Domingues.

Bem, ainda tivemos mais um lançamento para animar os fãs d'A Chave do Sol em 2020, e eu falo a respeito dessa novidade a mais, no próximo capítulo. 

Continua...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 411 - Por Luiz Domingues

Eis que o quinto bootleg de 2020, ficou pronto e este eu enfatizo ser com muito orgulho um dos mais preciosos desse projeto, por conta do material raro nele contido. E neste caso, as atrações são múltiplas. Por exemplo, este álbum, denominado: "Teatro Lira Paulistana 1985", traz como matéria prima, o show completo que marcou a estreia do vocalista, Fran Alves, em nossa banda, no dia 31 de janeiro de 1985, portanto, que maravilha poder resgatar um material tão raro. 

Para quem leu a minha autobiografia desde o começo da minha história com A Chave do Sol, já sabe que quando eu abordei esse show, dentro da cronologia do texto, também lastimei que a fita K7 que serviu para gravá-lo, houvesse sido perdida, pois alguns anos depois do show ocorrido em 1985, por volta de 1989, eu a emprestara de boa fé para um rapaz que houvera trabalhado como roadie da nossa banda (em parcas ocasiões entre 1984 e 1985), e este sujeito simplesmente desapareceu e jamais devolveu-me tal artefato. 

Lastimei demais tal conduta do rapaz, mas sobretudo a perda de um registro tão raro. De fato, em minha percepção, fora o único registro ao vivo do Fran Alves em nossa formação e claro que essa frustração se tornou enorme para a nossa banda e minha em particular, como arquivista do material do nosso grupo e portanto responsável pela sua integridade.

Por outro lado, eu guardava comigo uma fita de rolo, que eu sabia que continha a segunda demo-tape que graváramos em dezembro de 1984, e sempre quis digitalizar tal material, naturalmente e a alimentar a esperança de quem sabe um dia, pudesse lançar tal material em disco com esse registro. 

No entanto, com o passar dos anos, se tornou óbvio que a cada dia ficaria mais difícil achar um estúdio que ainda contivesse o maquinário analógico para que eu pudesse digitalizar tal fita. Consultei diversos amigos, tive indicações de alguns poucos estúdios que ainda mantinham tais máquinas em suas dependências em São Paulo e no Rio de Janeiro e até um dos Estados Unidos, que seria por intermédio do Beto Cruz, que lá morava desde 1991 e que todos sabem, foi um membro da nossa banda entre 1985 e 1987.

Mas foi apenas no decorrer do ano de 2018, que através dos meus amigos, Ricardo e Marcello Schevano, proprietários do estúdio "Orra Meu" de São Paulo, um contato foi feito com um técnico de áudio & gravação veterano no ramo e que mantinha uma máquina analógica em sua residência e melhor ainda, esse senhor poderia digitalizar o meu material. 

Quem fez o contato e levou efetivamente a fita para esse profissional, foi o prestativo roadie, Diogo Barreto, que nessa época trabalhava como assistente de produção no Estúdio Orra Meu. Mediante uma negociação rápida, fechamos por um preço que eu considerei muito abaixo da minha expectativa e isso já animou-me bastante. 

Demorou em demasia, é bem verdade, mas eis que um dia de 2019, o Diogo ligou-me e checou se eu poderia dirigir-me imediatamente ao Estúdio Orra Meu, pois o senhor em questão passaria por lá para entregar-me o CD-R com o resultado da minha fita digitalizada.

Ora, que notícia boa, após trinta e quatro anos, eu mal pude esperar para ouvir a demo-tape de 1984 e da qual eu mantinha a pálida lembrança de conter músicas como: "Crisis (Maya"), "Átila", "Intenções" e "Reflexões Desconexas", além de possivelmente, pois eu não me lembrava com propriedade, as canções inéditas: "Vestido Branco" e "Superstar". 

Cheguei ao Estúdio Orra Meu e o senhor em questão atrasou bastante para aparecer, embora houvesse avisado sobre estar com problemas com o seu automóvel. Isso só potencializou a minha ansiedade, certamente. Enquanto esperava pelo rapaz chegar, eu não parava de pensar nas boas surpresas que eu teria na audição que faríamos ali mesmo em uma sala em anexo do complexo.

Bem, o rapaz chegou, se tratou de um senhor já no avançar da terceira idade, certamente, mas completamente jovial e a conversa foi agradabilíssima no sentido de que a sua bagagem como técnico de gravação e também de shows ao vivo, remontava aos anos sessenta e eu fiquei bastante impressionado com o seu currículo, quando ele enumerou-me os discos que havia gravado desde então, nos melhores estúdios de São Paulo e Rio de Janeiro e acredite, leitor, a contabilizar obras clássicas de grandes artistas. Um exemplo, a obra seminal de Tim Maia, o LP "Racional", em três volumes, muito cultuado entre os seus fãs, eu incluso. 

Esse senhor era conhecido por um apelido sui generis: "Pato" e a se mostrar muito simpático e bem comunicativo, ele contou-me mil histórias sobre a sua carreira, todas fascinantes, incluso a sua produção mais atual ao gravar orquestras sinfônicas de alto quilate no âmbito nacional e ele revelou-me boas histórias a envolver maestros famosos do mundo erudito brasileiro, algumas bem escabrosas por sinal.

Bem, a conversa foi agradabilíssima, mas eu estava completamente ansioso para ouvir o material e então, Ricardo Schevano nos conduziu a uma sala de audição e ali, enquanto o senhor "Pato" ainda falava de uma maneira empolgada das suas reminiscências, eu notei que o som parecia ser ao vivo e as canções, algumas bem conhecidas, ou seja, aonde estava a demo-tape de 1984? 

Foi aí que eu recordei-me enfim de um fato que ficara obscurecido em minha mente, por quase quarenta anos: de forma fortuita, nós usamos a mesma fita com a qual graváramos a demo-tape de 1984, para gravar um show por cima, pois na ocasião, nós julgáramos que a demo-tape defasara, visto que decidíramos mudar completamente a orientação do repertório assim que o vocalista, Fran Alves, anunciou que aceitara o nosso convite para ingressar em nossa banda. 

Na falta de recursos para comprar uma reles fita virgem, cometemos o sacrilégio de usarmos a fita usada anteriormente para registrar a demo-tape. Ora, nós jamais deveríamos termos feito isso, mesmo por que, nós também gravamos o show de estreia do Fran mediante uma fita K7.

O lado bom dessa sandice, foi que ao perder a fita K7 por um ato de imprudência de minha parte (ao emprestar este artefato para um rapaz irresponsável, a conter um material que era valioso ao extremo), eis que eu fui salvo por um ato improvável do destino, pois o mesmo show de janeiro de 1985, se materializou ali na minha frente, ao fazer a audição, em pleno ano de 2019, ou seja, que surpresa redentora!

Com uma qualidade de áudio incrível, visto que foi gravado com uma máquina Ampex, espetada diretamente na mesa de PA pelo técnico do teatro Lira Paulistana, o ótimo, Canrobert Marques, eis que o show quase completo estava ali preservado e com duas surpresas a mais: duas músicas que sobraram da demo-tape de 1984, uma com um ligeiro corte no seu início e outra, na íntegra, ou seja, eu poderia incorporar tais faixas como bônus track no disco que pretendi produzir com a demo-tape anterior, de 1983.

Muito bem, esse é o preâmbulo da história desse achado arqueológico para a nossa banda. A seguir, eu falarei sobre a produção do disco bootleg, em si.

Continua...