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segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 432 - Por Luiz Domingues

E assim, foi quando eu tomei conhecimento de que havia mais uma entrevista gravada, quando inicialmente eu havia considerado ter esgotado tal tipo de ação da parte da nossa banda, preservada em fitas K7. Fiquei feliz ao escutar e constatar que a entrevista se encontrava em sua íntegra e incrível, pois eu realmente não me lembrava de um detalhe, mas dentro dessa entrevista, havia a presença de três músicas gravadas ao vivo em show realizado dias antes e registradas pelo próprio radialista. No caso, ele executou tais canções gravadas desse show no ar, durante o próprio programa no qual participamos a posteriori.

Explico: o programa em questão, "Riff Raff" foi uma produção do comunicador, Richard Nacif, que também o apresentava pelas ondas da 97 FM de Santo André-SP, e assim, em 14 de setembro de 1986, um show comemorativo pelo aniversário do programa, foi marcado para um exótico espaço localizado na zona norte de São Paulo, chamado: "Ácido Plástico" e a nossa banda foi convidada a participar, juntamente a uma banda Heavy-Metal, denominada como: "Destroyer".

A orientação desse programa era baseada no apreço às estéticas do Hard-Rock e do Heavy-Metal então em voga, mas como todo leitor da minha autobiografia sabe, A Chave do Sol se aproximou dessa cena por falta de um espaço mais confortável ao que professávamos realmente em termos de sonoridade e espaço artístico adequado e assim, foi um fato da nossa história que nesse meio nós sempre fomos bem recebidos pelos entusiastas dessa estéticas, apesar de não nos adequarmos inteiramente nesse nicho e sobretudo, de uma forma natural.

Bem, toda a história sobre esse show em específico está bem narrada em seu capítulo correspondente à cronologia dos fatos citados, não vou repetir tal narrativa, no entanto, devo dizer que ao ouvir a gravação de nossa entrevista, fiquei surpreendido com a qualidade das músicas gravadas ao vivo durante esse show de 14/9/1986, e que foram preservadas na fita K7 por ocasião da nossa entrevista concedida ao programa citado, diretamente nos estúdios da 97 FM de Santo André-SP em 21 de setembro de 1986.

Dessa forma, eu preparei inicialmente a publicação da entrevista na íntegra, a conter as músicas ao vivo ali ouvidas no contexto do programa "Riff Raff" e a seguir, separei as músicas e providenciei a publicação individualizada de cada faixa. Pena que foram apenas três músicas gravadas, no entanto, eu devo salientar a minha alegria por acrescentá-las ao acervo, pois doravante, "habemus" registro d'A Chave do Sol ao vivo no Ácido Plástico em 14/9/1986!

A Chave do Sol - Entrevista no Programa "Riff Raff" da 97 FM de Santo André-SP em 14/9/1986 - Apresentação: Richard Nacif

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=Ow-mpcMV0BU

Sobre as músicas preservadas desse show ocorrido no "Ácido Plástico", passamos a contar com as performances de "Pesadelos", "Ufos" e "Que Falta me Faz, Baby". A respeito de "Ufos", se trata de uma rara gravação, pois nessa fase da banda, praticamente não tocávamos mais as músicas do EP de 1985, por conta da não adaptação adequada dessas peças pelo então novo vocalista, Beto Cruz, mas também por termos iniciado uma ampla reformulação do repertório, a amenizar o peso e sobretudo a minimizar os arranjos mais sofisticados a fim de produzirmos um som mais próximo do Hard-Rock oitentista em voga, todavia pelo viés Pop. Portanto, ouvir "Ufos" com a voz do Beto no comando, é realmente uma raridade. 

"Pesadelos" ao vivo no "Ácido Plástico" de São Paulo em 14 de setembro de 1986

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=fwIowdEEusw

"Ufos" ao vivo no "Ácido Plástico" de São Paulo em 14 de setembro de 1986

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=ONZ-sxi6YIo

"Que Falta me Faz, Baby" ao vivo no "Ácido Plástico" de São Paulo em 14 de setembro de 1986 

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=E4Tge5_es0Y

Feliz com tais achados que agregaram muito para o acervo, alvíssaras, havia mais material a ser preparado para ingressar em nosso museu virtual!

Continua...

domingo, 1 de janeiro de 2023

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 431 - Por Luiz Domingues

Acima, eis a foto que o fã, Thiago Fajardo, publicou no seu perfil da rede social, Facebook, em 25 de setembro de 2022, Click, acervo e cortesia: Thiago Fajardo

Foi então que no dia 25 de setembro de 2022, a nossa banda completou quarenta anos de seu primeiro show. Eu havia me lembrado da data, um dia antes, e pensei em publicar uma mensagem nas redes sociais a repercutir tal efeméride, no entanto, inicialmente pensei em algo simples, sem muito alarde.

Ocorreu que no domingo, dia 25, um fã da nossa banda (Thiago Fajardo), publicou na rede social "Facebook", uma foto da capa do nosso compacto de 1984, que ele possuía em sua coleção, perto de um bonito equipamento de som com aspecto "vintage" e com um depoimento carinhoso sobre o trabalho em anexo. Ele me marcou na sua publicação e quando eu escrevi uma mensagem de agradecimento pela lembrança gentil da parte dele, aproveitei para comentar que a data em que estávamos, marcava uma efeméride importante sobre a nossa banda e ele respondeu que não sabia desse detalhe, portanto, houvera sido uma coincidência ele ter feito essa publicação tão carinhosa sobre a nossa banda e em específico sobre o compacto de 1984.

Foi muito natural então que tal acontecimento provocasse uma reação inevitável no meu campo emocional e assim, da pequena nota que eu planejara escrever e publicar, se precipitou um texto bem mais robusto, mediante a contextualização sobre a formação da nossa banda e a inerente importância do primeiro show que realizamos, como a demarcar a fundação do nosso grupo. 

Abaixo, eis a íntegra do texto que eu publiquei em duas redes sociais: Facebook e Instagram e com alguns dados que surpreenderam muitas pessoas, como por exemplo a pré-história da nossa banda pelo ponto de vista do Rubens, algo não citado no texto da minha autobiografia, exatamente por eu não ter feito parte dessa movimentação que ocorreu na vida dele entre 1977 e 1981, aproximadamente. E ao citar algumas pessoas com as quais eu não convivi e que chegaram a se apresentar junto com o Rubens a usar o nome da nossa banda, eu tomei o cuidado para não menosprezar de maneira alguma a importância delas como pessoas e como músicos e tampouco desmerecer tais esforços que eles empreenderam, ao deixar claro que consideramos a fundação da nossa banda, efetivamente a partir da nossa formação e nessa data de 25 de setembro de 1982. Ocorre que tais formações pregressas foram efêmeras em termos de continuidade e as poucas apresentações que fizeram, se revelaram como sazonais, sem caracterizar uma ação concreta de uma banda formada e imbuída de trabalhar de forma contínua e mais um detalhe, sem a intenção de criar material autoral próprio.

Amigos: neste domingo, dia 25 de setembro há uma efeméride importante para A Chave do Sol, banda pela qual eu atuei ao lado de valorosos companheiros e com orgulho, por cinco intensos e inesquecíveis anos.
 
Foi exatamente no dia 25 de setembro de 1982, um sábado, que a nossa banda realizou o seu primeiro show e daí, convencionamos demarcar como a data de fundação oficial do grupo, embora tenhamos realmente iniciado as atividades por volta de julho do mesmo ano, com os ensaios preliminares. 
 
A banda foi fundada com o firme propósito de exercer a música autoral, mas como também estabelecemos a meta de irmos rápido para os palcos, não houve tempo hábil para criarmos um repertório suficiente para tal no curto prazo e assim, nos primeiros shows, tivemos o suporte de um repertório formado por alguns clássicos do Rock internacional e nacional, oriundo das décadas de 1950, 1960 e 1970, ou seja, a nossa base afetiva de influências.
 
É importante frisar que o nosso saudoso cofundador, Rubens Gióia, foi o criador do nome da banda, por se tratar de uma idealização que ele teve em sua imaginação desde a sua tenra infância e já por volta de 1968, ele tinha em mente tal denominação. E quando atingiu a adolescência, esboçou esforços para a banda existir concretamente desde 1977, e a partir de 1978, até 1981, aproximadamente, chegou a realizar apresentações sazonais mediante apoio de outros companheiros, a usar tal nome, como o guitarrista Dedé e o baterista Silvio Sisudo entre outros. Todavia, como não houve uma continuidade ordenada e tampouco ficou coletado algum material para registrar tais esforços, consideramos a nossa formação a partir de 1982, como a oficial da fundação da banda, por conta da periodicidade do trabalho, a constituir o compromisso formado mutuamente. 
 
Rubens e eu, Luiz Domingues, iniciamos os trabalhos e logo convidamos o baterista Edmundo Gusso, que chegou a realizar um ensaio conosco, todavia, ele não pode assumir o compromisso e assim, convidamos José Luiz Dinola para fechar o Power-Trio básico que formatou a nossa banda e posteriormente, contamos com cinco vocalistas ao longo da nossa carreira para configurar a formação da nossa banda como um quarteto.
 
E assim, com esse trio base, logo nos primeiros ensaios nós compusemos em parceria a nossa primeira música, o tema instrumental: "18 horas", que ficou bastante celebrado em nossos shows e esta foi a primeira música própria que apresentamos no primeiro show, ao lado dos clássicos que eu já mencionei.
Convidamos um vocalista que já era uma grande estrela no cenário do Rock brasileiro, há bastante tempo na ocasião, na persona de Percy Weiss. 
 
Ele gostou tanto da química que forjamos nessa apresentação que a seguir participou de um segundo show, alguns dias depois, no entanto, apesar dessa empolgação mútua ali gerada, Percy já estava comprometido com outros trabalhos e não pode se fixar em nossa banda como membro oficial, que pena.
 
Nesse primeiro show em específico, ficamos honrados e empolgados em realizar a nossa estreia em um palco que fora na década de setenta, um dos mais requisitados e badalados de São Paulo, aliás com repercussão nacional. Nos anos 1970, ali funcionara o histórico "Be Bop a Lula", casa que protagonizara shows com os maiores nomes do Rock nacional da ocasião. Infelizmente, nos anos 1980, a casa não tinha mais o mesmo glamour e nem mesmo o mesmo nome, ao se chamar então "Café Teatro Deixa Falar", embora a sua proprietária fosse a mesma pessoa, a simpática e acolhedora Dona Sabine, um senhora francesa, que nos ajudou muito nesses primeiros tempos de vida da nossa banda, haja vista que ali também foi o nosso espaço de ensaios nos primeiros meses de nossas atividades.
 
É óbvio que o Percy não gostou nada do seu nome ter sido grafado erroneamente na filipeta que foi produzida para divulgar esse primeiro show. Ele chegou a brincar com esse fato em publicação que fez nesta mesma rede Facebook, pouco antes de falecer, infelizmente, em 2015. Através da entrevista concedida ao programa "Vitrola Verde" do valoroso comunicador, Cesar Gavin, Percy Weiss falou com carinho de sua rápida passagem pela nossa banda.
 
Contamos com um bom público formado por familiares e amigos que nos prestigiaram nesse dia 25 de setembro de 1982, para nos ver desfilar Rocks que todos gostamos e já a nossa primeira música, a instrumental, "18 Horas". Destaco entre tantos amigos queridos que ali estiveram presentes, o poeta Julio Revoredo que já em um curtíssimo período depois, tornar-se-ia um parceiro da banda com seus poemas musicados por nós, além do apoio dele em muitas ações positivas para a banda nos bastidores.
 
E assim foi, 40 anos se passaram desse primeiro show, que hoje comemoramos. O idealizador-mor desse sonho nos deixou em 2021, mas o seu sonho vive e com ele, a sua memória, certamente. Fico feliz por constatar que A Chave do Sol ainda seja reverenciada pela sua obra e dedicação, nos dias atuais, portanto, Rubens Gióia vive, mais do que nunca.
 
Em nome do trio-base dessa banda, Rubens Gióia (in memoriam), José Luiz Dinola e eu, Luiz Domingues, além, dos cinco vocalistas que também contribuíram muito com a história da nossa banda, embora com passagens mais curtas na formação (Percy Weiss- in memoriam, Verônica Luhr, Chico Dias, Fran Alves-in memoriam e Beto Cruz), eu agradeço muito o carinho de todos os fãs, amigos, colaboradores e profissionais que nos apoiaram entre 1982 e 1987.
 
Faço a menção muito honrosa para Ivan Busic, que gentilmente gravou o LP "The Key" quase inteiro, após a saída de José Luiz Dinola em junho de 1987 e chegou a cumprir dois shows conosco, como um convidado, pois apesar de ter marcado presença nas fotos do disco, não foi membro da banda. Fábio Ribeiro também fez um show como convidado e assim cabe registrar e sobretudo esclarecer que a formação da banda "The Key", com dois egressos d'A Chave do Sol (Beto Cruz e eu, Luiz Domingues), acrescidas do Fabio Ribeiro, José Luiz Rapolli e Eduardo Ardanuy (neste caso, cabe a menção para Theo Godinho-in memoriam-, igualmente), apesar de ter surgido das cinzas d'A Chave do Sol se constituiu de uma banda diferente, com a sua trajetória própria e portanto distinta dentro da história. 
 
Aproveito para convidar os admiradores d'A Chave do Sol para visitar o meu Blog 3, no qual eu publiquei o texto completo da minha autobiografia musical e os capítulos concernentes à minha passagem pel'A Chave do Sol, se encontram alojados nos meses de maio, junho e julho de 2015, no arquivo. E no arquivo de 2016, o leitor encontra no mês de dezembro, vasto material (vídeos, fotos, áudios, portfólio e dados) sobre a carreira da nossa banda. E sobre os desdobramentos da história da banda (o lançamento do kit de discos bootlegs em 2020/2021, por exemplo), também podem ser consultados em arquivos posteriores no mesmo arquivo do Blog. 
 
Mais um aviso adicional: recentemente (2022), eu tenho feito esforços para organizar os meus três canais no YouTube e nesse aspecto, já tenho publicado vídeos raros de todas as bandas pelas quais atuei e ainda atuo, portanto, há bastante material raro sobre A Chave do Sol ali presente e ainda mais novidades surgirão. Fica o convite então para a visita de todos que apreciam o trabalho dessa banda.
 
Luiz Domingues - Canal 2:
A Chave do Sol - 25 de setembro - 1982/2022 - 40 anos
Rubens Gióia (in memoriam): Guitarra e voz
José Luiz Dinola: Bateria e voz
Luiz Domingues: Baixo e voz
Percy Weiss (in memoriam): Voz
Verônica Luhr: Voz
Chico Dias: Voz
Fran Alves (in memoriam): Voz
Beto Cruz: Voz e guitarra
E com o apoio fundamental de:
Rosana Gióia: Backing vocals em alguns shows de 1982 e no compacto de 1984
Ivan Busic: Bateria em várias faixas do LP The Key de 1987
Soraya Orenga: Backing vocals no compacto de 1984
Daril Parisi: Teclados no EP de 1985
Andria Busic: Backing vocals no LP The Key de 1987
Fernando Costa ("The Crow"): Teclados no LP The Key de 1987
Edgard Puccinelli Filho: Roadie e autor da letra de "Anjo Rebelde"
Eduardo Russomano (in memoriam): Roadie
Claudio "Capetoide": Roadie
Eliane Daic: Produção
Julio Revoredo: Produção e autor das letras de "Segredos", "Ufos", "Vestido Branco" (esta não foi gravada)
Renato Ogawa, Fabio Rubinato, Carlos Muniz Ventura, Rodolpho Tedeschi, Mauricio Abões: Fotos
Luiz Carlos Calanca: Produção fonográfica (Compacto de 1984 e EP de 1985)
Toninho Pirani: Produção fonográfica (LP The Key de 1987)
Antonio Celso Barbieri: Produção de shows
Cida Ayres: Produção
Ricardo Aszmann: Produção
Rolando Castello Junior: apoio irrestrito nos primeiros tempos da nossa banda
Antonio Carlos Monteiro: Assessoria de imprensa
Robson TS: Produção de estúdio (compacto de 1984)
José Luiz: Produção de estúdio (EP de 1985)
Edy Bianchi: Produção de estúdio (LP The Key de 1987)
Canrobert Marques: Técnico de som ao vivo
Kim Kehl: Digitalização de áudio e produção dos Bootlegs de 2020/2021

Bem, a minha publicação gerou uma comoção no Facebook, não tão grande como a gerada por ocasião da morte do Rubens Gióia, mas não muito atrás disso, a gerar uma enxurrada de sinais de apreço ("curti") e comentários (338 e 238, respectivamente), além de 17 compartilhamentos. Foram muitos comentários emocionantes, muitas lembranças pessoais a relatar shows que tais pessoas assistiram, além de observações sobre os álbuns que gravamos e a repercutir a data em si, ao se falar do primeiro show.

No "Instagram", foi igual, embora com um volume menor de comentários e mais sinalizações com "emojis" para expressar o contentamento de cada um.

Entre tantas manifestações, fiquei feliz pela sinalização discreta, porém significativa da mãe do Rubens, Dona Dinorah, ainda abalada pela perda de seu filho, naturalmente e uma surpresa, a cantora, Soraya Orenga, que gravara backing vocals no nosso compacto de 1984, que por uma coincidência incrível, era amiga pessoal do técnico de áudio e produtor musical, Renato Carneiro, com o qual eu trabalhei bastante nos meus tempos a bordo do "Pedra". Pois eles eram amigos de longa data e segundo o Renato, trabalharam juntos por oito anos, portanto ele a avisou e ela se manifestou com muito carinho na minha publicação.

Bem, tal acontecimento corroborou mais uma vez a minha percepção de que essa banda foi vitoriosa em sua trajetória, apesar de nunca ter alcançado o mainstream da música profissional e tal carinho, expresso quarenta anos depois de sua fundação oficial, prova que emocionamos muita gente na época e tal marca ficou indelével na vida dessas pessoas que impactamos, por quarenta anos e com perspectiva de que levem tal sentimento até o final das suas respectivas vidas.

Portanto, acho que eu fui feliz ao seguir a intuição e publicar o chamado "textão" de rede social para repercutir a efeméride.

E paralelamente, dentro daquela perspectiva de estar a publicar raridades em meus canais de YouTube, eu constatei um achado em uma nova inspeção em tom de decupagem do material digitalizado em 2020 e fiquei contente por poder providenciar a sua publicação logo a seguir.

Continua...

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 426 - Por Luiz Domingues

A primeira grande novidade que eu pude providenciar aos fãs do trabalho d'A Chave do Sol via YouTube, foi a publicação de todas as faixas (separadamente), de um show ao vivo que realizamos no Teatro Mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986.

É claro que esse material ao ter sido digitalizado em 2020 pelo guitarrista Kim Kehl, meu amigo e companheiro d'Os Kurandeiros na ocasião, teve como primeiro objetivo, ser lançado no formato de um disco pirata e em 2022, tal meta continuou na pauta, todavia, eu ponderei que uma publicação no YouTube não inviabilizaria o projeto dessas gravações servirem para compor um disco "bootleg" e assim, procedi.

"Profecia" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=tLyHR-38ayA

Eu não pude fazer nessa ocasião o tratamento sonoro mais adequado por não dominar tal técnica até então, e a imagem fixa a se mostrar simples, denunciou a minha falta de habilidade para compor um material mais rico, no entanto, considerei que independente de ser iniciante nessa prática de preparação de vídeos para o YouTube, se fazia mister a celeridade da publicação, ante a constatação de que esse material ficou escondido em um armário, por trinta e seis anos. 

"Ficar sem Ninguém" ao vivo. A Chave do Sol no Teatro Mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=3mRaaf4tZw0

"O Que Será de Todas as Crianças?" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=KYB62156B9A

Sobre a performance da banda nesse show, eu diria que o registro apresentado dessa gravação é muito bom, com uma vibração que refletiu muito claramente o estado de espírito ótimo no qual vivíamos, mediante uma enxurrada de boas notícias que vínhamos a receber nesse tempo e basta ler ou reler os capítulos referentes ao final do primeiro semestre de 1986 em diante, desta autobiografia, para tomar contato ou relembrar tais fatos narrados.

"Saudade" ao vivo. A Chave do Sol no teatro mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=QUSAr-3ipcA

Sobre a balada: "Lírio de Um Pantanal", cabe acrescentar que foi uma experiência muito interessante introduzir o Beto Cruz a tocar guitarra e neste caso, ele faz o segundo solo da canção. E sobre o vídeo em si, por absoluta falta de experiência de minha parte, eu não consegui manter o padrão estético apresentado pelos demais e assim, tive que usar uma outra plataforma de edição e portanto, esse vídeo ficou diferente, com o uso de diversas fotos do mesmo show.

"Lírio de um Pantanal" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo em 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=A0ozkKVyHk0

"Solange" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo. 28 de julho de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=uFKSeQj-Mo8

"O Cometa" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo. 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=h3cWFXNj84E

"Sun City" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo. 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=RWrggKA8Uss

"Guerra Quente" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo. 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=33CYrcvWOOg

"Pesadelos" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo. 28 de julho de 1986.

Eis o link para ouvir no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=4bKb3VRnJOw

"Que Falta me Faz, Baby" ao vivo. A Chave do Sol no teatro Mambembe de São Paulo. 28 de julho de 1986.

Eis o link para escutar no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=fZBV4XjVhEY

Sobre o repertório, ele reflete bem a nossa predisposição à época para introduzir as músicas novas que vínhamos a preparar desde a entrada do Beto Cruz na formação, em outubro de 1985, e neste caso, a demarcar a nossa planificação clara no sentido de adequar o trabalho à realidade oitentista em voga. É claro que tocamos nesse show, muitas músicas dos trabalhos anteriores, mas privilegiamos gravar na fita K7, as músicas então mais recentes, exatamente para analisarmos a sua sonoridade, além de termos testado a reação da plateia sobre tais novidades.

Nesses termos, eu até comemorei tal fato ao me deparar com o material em 2020 e depois em 2022 para a publicação no YouTube, pois a presença de muitas músicas inéditas ou com pouca visibilidade no nosso acervo, vieram para enriquecer a memória da banda.

Dessa forma, nestas publicações feitas no YouTube, se observa a presença da base de canções que compuseram a demo-tape que havíamos gravado em abril de 1986, ou seja, três meses antes da realização desse show no Teatro Mambembe de São Paulo.

"Sun City", "Profecia", "O Que Será de Todas as Crianças?", "Lírio de um Pantanal", "Saudade" e "Que Falta me Faz, Baby" (posteriormente repaginada para o idioma inglês e rebatizada como "Keep me Warm Toninght"), rapidamente se tornaram recorrentes nos shows e quase todas foram compor o LP "The Key", no ano seguinte, 1987 (menos "Saudade").

Portanto, é interessante ouvir versões ao vivo de músicas como "O Cometa", "Guerra Quente", "Pesadelos, "Solange" e "Ficar Sem Ninguém", raras por natureza. Mesmo a se descontar o fato de que entre essas, algumas foram, compostas no esforço para se produzir um "Hard-Rock" então moderno em voga, portanto, longe das verdadeiras raízes setentistas da nossa banda, porém, fica a ressalva de que almejávamos alcançar o padrão mainstream e nesse esforço, cometemos muitos erros por falta de noção adequada sobre o mercado da época e sobretudo, falta de uma boa orientação realista da parte de alguém que realmente entendesse os meandros da indústria musical  no geral e em específico dessa época.

Eis abaixo a ficha técnica base que eu escrevi para todos os vídeos concernentes ao show citado:

"Esta é uma raridade resgatada diretamente de uma fita K7, armazenada desde 1986. Em 28 de julho de 1986, A Chave do Sol se apresentou no Teatro Mambembe de São Paulo. Localizado no bairro do Paraíso, na zona sul de São Paulo, esse teatro foi muito marcante para a cena Rocker paulistana, paulista e brasileira na segunda metade dos anos oitenta ao abrir as suas portas e rapidamente se transformar em uma espécie de "Fillmore West" do Brasil, guardadas as devidas proporções, logicamente. 

É bom frisar que a qualidade do áudio não é das melhores, pela maneira precária com a qual a captura foi feita na ocasião e sobretudo pelo armazenamento em uma simplória fita K7, no entanto, e por outro lado, ganha em importância óbvia a sua preservação e agora, exposição pública pela obviedade de se tornar doravante, um material arqueológico da história da nossa banda e por conseguinte, da história do Rock brasileiro".

A Chave do Sol ao vivo Teatro Mambembe - São Paulo-SP. 28 de julho de 1986 

Produção: Antonio Celso Barbieri 

Roadies: Edgard Puccinelli Filho e Eduardo Russomano 

A Chave do Sol: 

Rubens Gióia: Guitarra 

José Luiz Dinola: Bateria 

Beto Cruz: Voz 

Luiz Domingues: Baixo

No mesmo embalo, eu logo providenciei mais publicações com material ao vivo, raro e muito empolgante d'A Chave do Sol, também oriundo de um show de 1986.

Continua...

domingo, 4 de janeiro de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 227 - Por Luiz Domingues

 

Já a saber que a reformulação do nosso trabalho seria total, partimos então para os últimos shows com o Fran Alves, como membro da banda. 

Os dois primeiros, foram realizados no Rainbow Bar, que à boca pequena era apelidado carinhosamente pelos Rockers locais como o "Marquee" paulistano, para estabelecer a referência (e reverência, como não...), ao famoso Pub londrino, que desde os anos 1960 promovia shows de Rock com bandas emergentes, e entre tantas, algumas que tornaram-se mundialmente famosas, posteriormente.  Os shows foram energéticos, e o público não notou que estávamos abatidos internamente, com o prenúncio do que ocorrer-nos-ia a seguir.

O Fran Alves, logicamente deu o seu melhor ao vivo, mesmo triste com sua decisão em sair da banda, pois não deixou que tal melancolia transparecesse ao público. Fizemos o show habitual que estava ensaiado, calcado no EP recém lançado. Os shows ocorreram nos dias 25 e 26 de outubro de 1985. 

No dia 25, uma sexta-feira, cerca de setenta pessoas assistiu-nos, e no dia seguinte, sábado, dia 26, duzentas pessoas lotaram as dependências da casa localizada no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo, a dois quarteirões da estação do metrô, homônima. No show do sábado, o Fran Alves terminou o show desgastado.

Na minha ótica atual, amparado pelo distanciamento histórico, é óbvio que ele somatizara a sua tristeza emocional decorrente de toda a amargura que acumulara ao longo dos dez meses em que foi membro da banda, graças aos comentários negativos que a sua presença na formação despertara, por parte das pessoas em geral. Mesmo ao manter uma postura observada em um grau de dignidade exemplar, foi natural que estivesse arrebentado emocionalmente. E como somatização inevitável, a sua voz, ao término do segundo show, esteve muito prejudicada. Ele pediu-nos desculpas, ali mesmo no Rainbow Bar, mas comunicou-nos que dificilmente reuniria condições para cumprir o show do dia seguinte, ao ar livre, em uma praça pública. 

De fato, ele não recuperaria-se a tempo, pois encerramos o show do sábado, na madrugada do domingo, e o compromisso na praça pública, seria no início daquela mesma tarde. Agradecemos a boa vontade dele, e o dispensamos desse sacrifício, dispondo-nos a cumprir o show sob o formato de trio, e assim evocar o repertório antigo, e de qualquer forma, seria um show de choque, portanto, não haveria nenhum problema para o trio original fazê-lo, sem a presença do Fran Alves.

O Rainbow Bar teve uma longevidade grande como casa noturna. Eu não saberia dizer quando foi fundado oficialmente, mas acredito que estava com as suas portas abertas desde o início dos anos oitenta, provavelmente, 1981. Tal estabelecimento conteve vários proprietários nessa trajetória e nessa época, um dos sócios era o vocalista / guitarrista, Roberto Cruz, além de seu irmão, o baixista, Claudio Cruz (não lembro-me com precisão, mas acho que o Marcos Cruz, um outro irmão deles, foi sócio, também). O Rubens teve uma ideia, mas a iniciativa dessa projeção que realizou, partiu dele, exclusivamente, sem comunicar-nos previamente. Quando soubemos da ideia, na verdade ele já antecipara-se e estava a negociá-la. 


Não estou a queixar-me, de forma alguma, pois nesse caso, essa antecipação de sua parte foi providencial. De fato, pela dramaticidade da nossa situação naquele momento, com a saída do Fran Alves, a contrastar com a existência de diversos compromissos firmados; incluso um disco novo, recém lançado para ser divulgado e a mídia especializada a falar sobre nós, o tempo urgia ! Então, alguns dias depois desses últimos shows do Fran Alves conosco, o contato e o decorrente convite, já havia sido feito, por parte dele, Rubens, para que um novo vocalista assumisse a vaga disponível n'A Chave do Sol, e o nome em questão foi : Roberto Cruz, nome artístico, Beto Cruz, e logo, entre nós, tratado como, "Betão"... 
Roberto Cruz. Nome artístico, Beto Cruz, e para os amigos, Betão...

Para encerrar esta etapa do relato, antes de avançar enfim nessa nova perspectiva que avistou-se, falo sobre o show ocorrido em tal  praça pública. Foi uma inauguração promovida pele prefeitura de São Paulo.

Um pequeno terreno pertencente à prefeitura, em plena Avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo, acabara de ser remodelado, e seria entregue à população. Alguns meses antes desse evento, uma senhora fora atropelada e perdera a sua vida, exatamente naquele trecho da avenida. Talvez passasse despercebida a tragédia, se fosse uma pessoa comum, como tantas que morrem nessas tristes circunstâncias e tornam-se apenas um número nas estatísticas. Mas essa senhora, chamada Ana Maria Poppovic, foi uma psicóloga e educadora proeminente com fama catedrática e atuação destacada com crianças excepcionais e sua morte trágica repercutira na mídia. E claro, com essa conexão, sua morte causou comoção, e rendeu muitas reportagens nos jornais, rádio e TV, nessa época. Então, quando a prefeitura deu uma arrumada naquele terreno abandonado, ao promover uma remodelagem para um micro parque, a conter paisagismo; equipamento com brinquedos para a criançada; alguns aparelhos de ginástica; bancos, e pista de cooper, tratou logo de homenagear a senhora acidentada. A Praça Ana Maria Poppovic foi inaugurada com um show d'A Chave do Sol. Infelizmente, apesar da inauguração ter contado com uma cerimônia oficial, e a presença de familiares da senhora falecida, mais autoridades e políticos, a presença do público foi diminuta a meu ver, ao considerar-se o barulho midiático que tal evento pudesse suscitar. Enfim, nas minhas anotações, apenas setenta pessoas estiveram presentes. Uma vantagem nós tínhamos em relação a qualquer outra banda que tinha um vocalista frontman, e não instrumentista na sua formação : sempre que surgia uma emergência, fazer o show no velho formato de trio não causava-nos embaraços.

Dessa forma, tocamos, sem o Fran, mas sem problemas maiores, no campo estrutural, porque no emocional, estávamos chateados.
E assim foi, no domingo, dia 27 de outubro de 1985, ao inaugurarmos a Praça Ana Maria Poppovic, que aliás, está super mal cuidada nos dias atuais (2016), praticamente a retroceder à condição de um terreno baldio, sujo, com equipamentos quebrados, e frequentada por gente mal intencionada, e à cata de refúgio para atividades ilícitas. Da segunda-feira em diante, a vida seria muito corrida para a banda, não só pela perda do Fran Alves, mas por outras oportunidades que estavam a aparecer...

Continua...

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos ( A Chave de Estado ou Golpe do Sol ?) - Capítulo 48 - Por Luiz Domingues

Muitos anos passaram para eu voltar a ter uma atividade paralela musical, fora de uma banda oficial. Então, foi somente em dezembro de 1988, que fui participar de um trabalho paralelo, mas nesse caso foi algo programado para ser um tributo a duas bandas do Rock internacional, e ocorreria sob uma apresentação única. O que aconteceu, foi que o guitarrista, Hélcio Aguirra, do Golpe de Estado, e o vocalista Beto Cruz, da Chave (sem "Sol", nessa fase), resolveram em comum acordo, prestar um tributo à banda britânica UFO, e seu guitarrista mais famoso, o alemão, Michael Schenker. 

Para tanto, marcaram uma data no Black Jack Bar, e providenciaram uma fusão divertida de nossas respectivas bandas. Sendo assim, eu e Paulo Zinner fomos convidados, e assumimos baixo e bateria, para completar o time. 

Ensaiamos alguns clássicos do repertório do UFO, e da carreira solo de Michael Schenker (MSG - Michael Schenker Group), para tocarmos no Black Jack Bar. Contei, aliás, uma curiosa história ocorrida durante esses ensaios, no capítulo "Sala de Aulas", por ter sido pertinente a tal capítulo em específico. 

Tocamos no dia 22 de dezembro de 1988, no Black Jack Bar, que ficava na Av. Adolfo Pinheiro, no bairro do Alto da Boa Vista, na zona sul de São Paulo. Cerca de trezentas e oitenta pessoas assistiram esse show / tributo, e de última hora o guitarrista  / tecladista, Fernando Costa (bem conhecido no meio Rocker de SP, com o apelido : "The Crow"), apareceu, e tocou teclados, a enriquecer a apresentação.

Eu gosto do UFO, em linhas gerais, embora não seja nem de longe uma banda dentro do rol de minha prediletas, e acho a carreira solo do Michael Schenker, com seu "MSG", interessante, apesar de apresentar um peso extra, bem ao sabor dos primórdios do movimento "NWOBHM" (New Wave of British Heavy Metal), fator que naturalmente eu rejeite. Porém foi divertido tocar, principalmente com tantos amigos envolvidos, e mesmo não sendo eu, um especialista nesse quesito, como o Hélcio e o Beto, que adoravam UFO e Michael Schenker Group, apreciei tocar esses sons. E claro, a casa abarrotou com fãs dessas duas bandas, que deliraram com as músicas deles, que tocamos. Lembro-me do Hélcio Aguirra ter usado uma guitarra, Gibson Flying V, modelo mais usado pelo Michael Schenker, em sua carreira, a tornar o tributo, muito fidedigno nesse sentido.


Continua...