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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 66 - Por Luiz Domingues

Foi uma tremenda experiência para nós, e de certa forma foi uma preparação para uma grande mudança na carreira da banda, pois três dias depois, estaríamos no Teatro do Sesc Pompeia, para gravar a nossa participação no programa : "A Fábrica do Som", e a boa reação que despertamos em Limeira / SP, seria intensificada de uma forma incrível na TV, conforme contarei logo mais. A reação dos membros da Patrulha do Espaço foi cordial, mas comedida. Sei bem como funciona essa dinâmica de "banda grande" em relação às pequenas, pois toquei na Patrulha muitos anos depois, e muitas vezes tivemos boas bandas de abertura. 

Eu não sou assim, particularmente, mas a tendência dos artistas com maior fama, é de ser blasé, sem demonstrar muito entusiasmo.
Acho isso uma bobagem muito egoísta e no meu caso, sempre digo o que penso e se a banda é boa, elogio abertamente e incentivo os rapazes. Ainda tenho algumas particularidades para contar sobre o show de Limeira, e outros fatos, antes de finalmente começar a relatar sobre a apresentação na TV.
Zé Luiz "a aquecer" em um dia qualquer de 1983, em nossa sala de ensaios

Ficamos por saber que o borderô do show havia acusado o n° de duas mil e quinhentas pessoas pagantes, mas seguramente tinha mais gente presente a contar com convidados por cortesia e penetras etc. O Junior falou-me que havia três mil e quinhentas pessoas, e minha lembrança foi mesmo a de uma multidão maior que a aferição oficial. O show da Patrulha foi bom, mas deu para sentir um clima de apreensão entre os seus membros, desde a passagem de som deles. Foi o segundo show que fizeram após o acidente que deixou de molho o baterista Rolando Castello Junior, logo após a banda ter aberto os shows do Van Halen, em janeiro daquele ano de 1983. Voltamos para São Paulo no mesmo dia, e ao chegarmos na porta do estúdio da banda de bailes, "Phobus", despedimo-nos e dispersamos, cada um para a sua casa, rumo a um merecido descanso na manhã de domingo. 

Não ganhamos cachet, mas o lucro que obtivéramos foi inestimável, porque ganhamos a confiança necessária para entrar no palco do Sesc Pompeia, com tudo, na terça-feira posterior. Tenho uma cópia K7 desse show do clube Gran São João, de Limeira, com razoável qualidade. Penso em digitalizá-la e quem sabe lançar um bootleg, mas isso é só projeto, por enquanto. Mas por enquanto, extraí uma música que considero uma joia rara para A Chave do Sol, sua história e seus fãs. No próximo capítulo, falo detidamente sobre essa música.


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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 65 - Por Luiz Domingues


Do nosso repertório autoral, lembro-me que tocamos as canções : "Luz"; "18 Horas"; "Intenções"; "Utopia", e Átila". Entre os covers, "Tie Your Mother Down" (Queen); "Hey, hey, my, my" (Neil Young); "Blue Wind"(Jeff Beck); "Blue Suede Shoes"; (Carl Perkins), "Purple Haze" e "Foxy Lady", do Jimi Hendrix. O público reagiu bem, apesar de um coro composto por cerca de vinte sujeitos, sistematicamente a gritar : -"pauleira, pauleira", nos intervalos das músicas. Foi uma manifestação isolada, pois o grosso do público aplaudiu e teve picos de euforia, ao surpreender-nos, pois não esperávamos nada além do desprezo, ou da hostilidade. 

Em alguns momentos, empolgamo-nos mesmo, pois o público reagia como se conhecesse-nos, fato raro em um show de abertura feito por um artista desconhecido. 

Alguns momentos mais marcantes ocorreram justamente em que a banda mais soltou-se, ao deixar a atitude defensiva de uma banda resignada com a frieza, e ousou mais. Por exemplo, quando o Rubens fez seus malabarismos a la Jimi Hendrix, ao tocar com a guitarra na nuca, ou nos dentes. O solo de bateria do Zé Luiz arrancou gritos da plateia. Aliás, que tremenda ousadia fazer um solo de bateria... isso só seria tolerável para uma banda famosa, mas ousamos, e o Zé Luiz arrebentou ! Também fiz um solo, e o coro que pedia "pauleira", mudou para "debulha", pois ficaram eufóricos com a minha performance. 

Pelo canto do olho, via a Patrulha do Espaço inteira na coxia a assistir-nos. O próprio Júnior sinalizou para tocarmos mais, quando a meia hora inicial prevista para usarmos, esgotou-se, pois além de simpatizar conosco, ele percebeu que estávamos a aquecer bem o público, e o entregaríamos excitado para a Patrulha deslanchar a seguir. Foi em um palco enorme, e nem o fato da bateria do Zé Luiz ter sido colocada à frente da enorme bateria Ludwig do Júnior, diminuiu o nosso espaço. Tirante o show do Teatro do Colégio Piratininga, onde tínhamos tocado com um P.A. sob pressão maior a que estávamos acostumados, estava por ser o nosso melhor show da carreira até então, com som e luz de gente grande à nossa disposição !

Continua...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 64 - Por Luiz Domingues


Chegamos ao ponto de encontro na hora marcada, e tanto os roadies do equipamento de P,A. alugado, quanto os roadies da Patrulha do Espaço, trabalhavam a todo vapor, a carregar o ônibus fretado pela banda. A nossa comitiva mostrara-se modesta.A contar com apenas nós três, músicos, e a namorada do Rubens, Mônica Maya. Não tínhamos equipe técnica profissional, e nem mesmo pensamos em levar amigos para ajudar, amadoristicamente.
Estávamos eufóricos pois iríamos abrir o show da Patrulha do Espaço, que era um ícone do Rock brasileiro, e diante de uma plateia grande, com bom equipamento, portanto a tratar-se de uma grande oportunidade, sem dúvida. E três dias depois, gravaríamos a nossa participação no programa : "A Fábrica do Som", o que seria algo muito importante, como o primeiro passo grande na carreira. A viagem foi tranquila, com o pessoal da Patrulha a deixar-nos a vontade. Viajar em um ônibus com todo aquele equipamento, e para abrir o show de uma banda famosa, foi algo muito excitante para nós. 

Chegamos cedo ao clube, "Gran São João", e já ficamos contentes por saber que havia saído uma matéria sobre o show em um dos jornais de Limeira, e o nosso nome foi citado como banda de abertura do evento. A passagem de som foi tranquila e rápida, pois a Patrulha já havia acertado tudo anteriormente, ao usar a praxe do soundcheck ao contrário, ou seja, quem toca primeiro passa o som por último, e deixa a mixagem toda "setada" para a abertura do evento. Algum tempo depois que encerramos, os portões do ginásio do clube foram abertos, e um grande público lotou as suas dependências. Quando recebemos o sinal verde para entrar no palco, o ginásio já estava praticamente lotado. 

O nosso show foi com aproximadamente quarenta minutos, uma cortesia do Júnior que simpatizava conosco, pois geralmente shows de abertura não passam de trinta minutos. Tocamos várias composições nossas, mas também tivemos de tocar alguns covers, visto que completamente desconhecidos, corríamos o risco de sermos hostilizados pelo público, que em tese, nunca tem paciência com novos artistas. Era uma noite de inverno, mas o calor do show fez com que suássemos !


Continua... 

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 63 - Por Luiz Domingues


E a maré pareceu definitivamente ter mudado após a perspectiva da nossa banda em participar do programa da TV Cultura, "A Fábrica do Som", pois concomitantemente, recebemos o telefonema do Rolando Castello Júnior, baterista da Patrulha do Espaço, com um convite irrecusável para nós. Ele convidou-nos para tocarmos como abertura do show da Patrulha, a ser realizado na cidade de Limeira, interior de São Paulo, em julho de 1983.
Antes dessa oportunidade acontecer no entanto, ele mesmo, Rolando, convidou-nos a irmos para Santos / SP, onde a Patrulha do Espaço faria um show em uma casa de espetáculos chamada : Heavy-Metal", bem na avenida da orla, em uma noite de sábado. Ele apresentar-nos-ia ao gerente da casa, e talvez marcássemos um show para A Chave do Sol, nessa casa noturna. Então, o momento mostrara-se muito bom, pois acabáramos de ter a nossa confirmação de aparição na TV; fizemos o show insano no Morro da Lua; talvez arrumássemos um show na cidade de Santos, e estava confirmado um show em outra cidade, Limeira / SP, a 180 Km da capital paulista. Fomos para Santos em uma noite de sábado, e assistimos o show da Patrulha do Espaço. Tratava-se de um ex-cinema e portanto, as instalações eram amplas, com um bom palco; coxia e estrutura de camarins.

Claro, o novo dono desmontou as poltronas e fez uma área com mesas, estilo Cassino em Las Vegas. Bem arrumado e bem frequentado pela jovem burguesia santista, estava lotado, mas não era um público Rocker interessado no show da Patrulha do Espaço.
E para destoar ainda mais, antes da Patrulha, tocou o violonista : Filó, sob uma apresentação de MPB intimista, e nada a ver com o Hard-Rock que a Patrulha do Espaço faria a seguir. Lógico que o Filó era (é) um grande músico, e o seu show foi realizado com bastante qualidade, mas não teve nada a ver com o clima de uma casa noturna daquele tipo, e ainda mais a abrir para uma banda de Rock, como a Patrulha do Espaço. O contato não deu em nada para nós, infelizmente, pois tratava-se de um espaço de shows muito bem montado no litoral. Então, animadíssimos com a proximidade de nossa gravação para a TV, tínhamos esse show em Limeira, no meio do caminho. O show aconteceria no dia 9 de julho de 1983, e estava marcado para ser realizado no Clube Gran São João, em seu salão de festas. O Júnior comunicou-nos que sairíamos juntos com eles em um ônibus fretado, e com todo o P.A. que havia alugado da banda de bailes, "Phobus", a partir da sede deles, ("Phobus"), no bairro da Barra Funda, centro de São Paulo, às seis horas da manhã !

          A banda de bailes "Phobus", e seu ônibus, nos anos 1970

Continua...