sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 67 - Por Luiz Domingues

Voltamos ao reduto Hippie/Rocker da zona norte de São Paulo, em 16 de junho de 2017, para mais um show agradável e com a certeza da boa acolhida do público em geral que o frequentava, dos habitues aos mandatários da casa. 

Era sempre bom voltar ao Santa Sede Rock Bar, que nesta altura alcançara um status de casa "quase" permanente d'Os Kurandeiros, tal qual o Magnólia Villa Bar o fora assim considerado pela banda, nos primeiros anos de minha entrada na sua formação.

 

Fotos do show d'Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 16 de junho de 2017. Clicks, acervo e cortesia de João Pirovic

Desta feita tivemos mais um motivo bom a ser anotado: a nossa apresentação também foi marcada pelo natalício de uma querida amiga, a produtora musical, Sandra Marques, pessoa com a qual além da amizade, já havíamos tido interação profissional, através de espetáculos em que participamos sob a sua produção. 

Bem, foi agradabilíssimo dedicarmos o nosso show à ela e com direito à clássica versão da canção "Parabéns para Você", versão Blues-Rock executada em sua homenagem. Aconteceu no dia 16 de junho de 2017

Mais imagens do show d'Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 16 de junho de 2017. Clicks de João Pirovic
Um mural composto por fotos onde a produtora musical, Sandra Marques, aniversariante da noite, foi parabenizada por amigos e por nós, Os Kurandeiros. Santa Rock Bar de São Paulo, 16 de junho de 2017. Clicks de Lara Pap  

Na semana seguinte, voltamos à "Rockers Self Garage" e posso dizer, sob um curto espaço de tempo, já sentíamo-nos bem ambientados ali, como se a frequentássemos há anos, mas na verdade, a nossa primeira apresentação ali havia ocorrido em pouco mais de um mês, anteriormente. 

Desta feita, um dos proprietários havia marcado conosco um horário vespertino, com a finalidade de testar uma nova dinâmica na casa, a usufruir do movimento natural dos usuários da oficina, principalmente a demanda por proprietários de motos a buscarem a estrutura "self service" do estabelecimento para efetuar a lavagem dos veículos, ao se considerar ser uma tarde de sábado. 

Gostamos da ideia, na medida em que a perspectiva seria de encerrarmos consequentemente mais cedo a nossa apresentação.

Os Kurandeiros no Rockers Self Garage, no dia 24 de junho de 2017. Clicks de Jani Santana Morales
 
Mas na prática isso não ocorreu, pois fomos consultados ali mesmo no local, se aceitaríamos prorrogar a nossa entrada, visto que um telefonema recebido da parte de um cliente, deu conta de que uma turma enorme de pessoas que reservara mesas, anunciou uma chegada mais tarde, devido ao fato de que o aniversariante também não poderia estar ali no período da tarde. 

Enfim, foi uma mudança repentina para a nossa logística, sim, mas que foi bem amenizada na medida que ocupamos os charmosos sofás ao estilo retrô, instalados no mezanino superior e gastamos o tempo de espera muito confortavelmente sob uma trilha sonora espetacular, proveniente do serviço de rádio interno da casa, com Rock vintage da melhor qualidade e oriundo da vasta coleção de discos dos mandatários da garagem.

Equipamento montado no pré-show, em meio a ambientação da oficina e suas motos. Rockers Self Garage, 24 de junho de 2017. Clicks de Lara Pap 

A tal turma chegou, mas sinal dos tempos, alojou-se na parte externa da casa, apesar do frio de inverno já bem saliente, portanto, poucos dignaram-se a entrar para assistir a nossa performance, ao preferirem a garoa externa e a conversa fiada das rodinhas ali formadas.

Surpresa boa, eis que eu vi adentrar o espaço, o meu velho amigo Osvaldo Vicino, guitarrista de minha primeira banda na carreira, o heroico "Boca do Céu". Conversamos bastante mais uma vez e por ele ser um aficionado do universo das motocicletas, eis que foi conduzido por um dos proprietários a realizar uma "tour" pela garagem, para conhecer as suas dependências, como oficina bem equipada e moderna que o era.
Os Kurandeiros em ação no Rockers Self Garage de São Paulo, em 24 de junho de 2017. Click: Lara Pap
 
Aconteceu no dia 24 de junho de 2017, em clima de festa junina, embora não houvesse tal mote na decoração da casa, propriamente dita.
Com o palco alojado em outra parte da garagem, no momento em que Carlinhos Machado apresentava Kim Kehl ao público. Os Kurandeiros no Rockers Self Garage de São Paulo, dia 8 de julho de 2017. Click: Lara Pap
 
Mais alguns dias se passaram e nós voltamos ao mesmo espaço, para fazermos mais uma boa apresentação ali, no dia 8 de julho de 2017. Desta feita, os proprietários optaram por uma nova dinâmica na colocação do palco, ao colocar-nos bem mais no meio da garagem e assim aproximou-nos mais do balcão central do bar e consequentemente do público habitue que insistia em permanecer ao léu, sob frio e garoa, mas isso não foi culpa nossa, tampouco da casa, mas uma questão de interesse natural pela música, que nos então dias atuais foi objeto de motivação emocional rara, digamos assim.

"Black Cat Moan" (trecho) (Don Nix) no Rockers Self Garage de São Paulo, em 8 de julho de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=e4onAY1piIc  

O segundo semestre de 2017 traria alegrias para a banda, tanto nas apresentações ao vivo, quanto no campo da discografia, conforme eu relatarei na cronologia, doravante. 

No início de agosto, voltaríamos a um lugar recentemente visitado e tudo levou-nos a crer que sabedores de seus aspectos pró e contra no âmbito estrutural, para tal teríamos que tomarmos providências básicas a fim de minimizar as tais pendências...

Continua...

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 66 - Por Luiz Domingues

Entramos em junho de 2017, com uma boa agenda e animados com a recente resenha publicada em uma revista impressa tradicional, a cotar bem o nosso último álbum lançado. 

Logo no primeiro dia do mês, voltamos ao ambiente bom da "Rockers Self Garage", onde havíamos apresentado-nos ao final de maio e gostado da experiência ali, em fazer-se show de Rock cercado por motos.

Flagrantes da apresentação d'Os Kurandeiros no Rockers Self Garage, de São Paulo, em 1º de junho de 2017. 1ª e 5ª foto de Lara Pap e as demais de Regina de Fátima Galassi
"Baby I'm a Want You" (David Gates / Bread), no Rockers Self Garage de São Paulo, em 1º de junho de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=eHVSdDkRIis

"Silver Train" (trecho..."Oh Yeah"...) (The Rolling Stones), no Rockers Self Garage, de São Paulo em 1º de junho de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=VMZh511prxs

"Cold Turkey" (trecho - soundcheck) (John Lennon), no Rockers Self Garage, de São Paulo em 1º de junho de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=XrbiOOsToTk

"Convocação para o show + "Cold Turkey" (trecho - soundcheck) (John Lennon), no Rockers Self Garage, de São Paulo, em 1º de junho de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=f4mEOdaEpso   

Mais clicks a retratar a passagem d'Os Kurandeiros pela Rockers Self Garage de São Paulo, em 1º de junho de 2017. Fotos de Regina de Fátima Galassi
 
Desta feita, mais enturmados com os proprietários, foi ainda mais prazeroso, pelas conversas que ali foram travadas e por ter ocorrido em um dia útil, por isso mesmo tenha atraído um grande contingente de espectadores, só que apesar disso, foi bem estimulante a apresentação ao ponto de que dali já sairmos com uma nova data marcada, ainda para o mesmo mês.

Uma semana depois e nós fomos tocar em uma casa nova onde jamais havíamos ido anteriormente, localizada no longínquo bairro da Granja Viana, quase na divisa entre os municípios de São Paulo e Cotia, portanto sendo necessário fazer uso de uma autoestrada como a se usar o caminho mais direto. 

Para quem não conhece São Paulo e as cidades que cercam a capital bandeirante e que juntas formam a região metropolitana (e monstruosa pelo tamanho), da Grande São Paulo, eu digo que a Granja Viana, por ser limítrofe na divisa com Cotia, é bastante longe, e por ter essa distância toda, mantém também uma característica quase como pequena cidade interiorana, com a sua vida própria e quem ali mora, se não precisar sair de lá obrigatoriamente, dificilmente arrisca-se a procurar outros bairros de São Paulo, para nada, dada a distância e o cansaço em ter que usar uma autoestrada muito congestionada, normalmente. 

Tanta foi a nossa confusão inicial para situar o local, que no cartaz promocional saiu grafado, como cidade de Cotia, no endereço, mas ali ainda era território do município de São Paulo. 

Outra característica desse bairro, por ter muitos condomínios fechados, há uma forte predominância de moradores pertencentes a classes sociais mais avantajadas, portanto, abundam as mansões situadas (ou sitiadas, ao se falar concretamente), nessas condições fortificadas, a se mostrarem como verdadeiros burgos medievais, amplamente cercados e vigiados.

Na primeira foto do pré-show, dá para ver um pedacinho da vitrine da loja de calçados, e na segunda, o meu baixo em meio ao bucólico jardim do mini Boulevard externo onde apresentamo-nos através da "Cervejaria da Granja", no bairro Granja Viana de São Paulo, em 8 de junho de 2017. Fotos de Lara Pap (a primeira) e Regina de Fátima Galassi (segunda)
 
Lá fomos nós então, e o objetivo foi apresentarmo-nos em uma casa denominada: "Cervejaria da Granja". Assim que eu adentrei a avenida onde tal estabelecimento encontrava-se, logo notei a existência de diversos restaurantes e casas noturnas estabelecidos em sua longa extensão, a comprovar a impressão que eu deduzira, assim que recebi a comunicação sobre o show estar marcado, ou seja, de que haveria de ser um ambiente a atender a jovem burguesia do bairro, naturalmente. 

E assim que eu avistei o estabelecimento, notei a presença do Carlinhos Machado já ali instalado a conversar com os garçons e o gerente da casa. Todavia, logo que arrumei uma vaga para estacionar e fui descarregar o meu equipamento, fui surpreendido pela resposta que o gerente forneceu-me sobre onde se localizaria o palco, quando este apontou-me para a vitrine de uma loja de sapatos, ao lado da cervejaria. 

Sob um primeiro instante, fiquei atônito, mas logo percebi que a casa na verdade não tinha um grande espaço interno e toda a movimentação acontecia em um pequeno Boulevard externo, onde também houve a presença de um restaurante, a tal loja de sapatos femininos, e uma pequena loja de alimentos orgânicos. Tudo muito bem arrumado e bem cuidado pelo aspecto do paisagismo, é bem verdade, mas a ideia foi essa, tocar naquele canto ao ar livre, de costas para a loja de calçados.

Flagrantes da apresentação d'Os Kurandeiros na "Cervejaria da Granja" em 8 de junho de 2017. Clicks de Regina de Fátima Galassi

Bem, banda sem reservas, isso em nada abalou a nossa motivação, embora a falta de estrutura (principalmente no tocante à questão do suporte de energia disponível ali ser totalmente inadequado e passível de cancelamento sumário da apresentação, até, por falta de condições), nós só prosseguimos por que o Kim levou consigo o seu mini PA e uma pequena usina energética que tratou de dar suporte à todas as demandas elétricas da banda, portanto, uma outra banda que não tenha condições de providenciar tal estrutura móvel, simplesmente não tem condições de ali apresentar-se e cancela o show, simplesmente.

Entre plantas e sapatos, Os Kurandeiros a emitirem o seu recado na noite de outono na "Cervejaria da Granja", em 8 de junho de 2017. Clicks de Regina de Fátima Galassi

Porém, a despeito dessa dificuldade estrutural, a apresentação foi gratificante por alguns aspectos e desalentadora em outros, mas a parte mais infeliz não deveu-se a nenhuma postura errada da parte da casa, tampouco nossa, mas da reação blasé de uma turma ali presente como plateia e de alguns ébrios mais proeminentes que chegaram a portar-se inconvenientes para conosco, por insistirem em querer pleitear "cantar", como se fôssemos músicos de "Karaokê" a dar suporte para bêbados sem noção massacrarem os ouvidos alheios com a sua desafinação atroz. 

Uma senhora, bastante alterada por sinal, chegou a exaltar-se quando teve o seu pedido nesse sentido rejeitado e hostilizou-nos com bastante empáfia, ao proferir acusações duras, a dar conta de que achara-nos "arrogantes" por estarmos a agir com "soberba" ao não termos cedido-lhe o microfone. 

Bem, acho que nem é necessário gastar o tempo do leitor para explicar a nossa posição nesse caso, não é mesmo?

"Caroline" (Status Quo), na Cervejaria da Granja, em 8 de junho de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=80tRad6Apo0

Pelo lado agradável, jovens burgueses embriagados a parte, os que respeitaram-nos, demonstraram terem gostado de nossa performance e mais que isso, o dono do estabelecimento, senhor Prado, um anfitrião mega simpático e a sua bela filha, Verena Prado, coproprietária, também gostaram muito. 

O "seu" Prado chegou a deixar de lado o caixa do estabelecimento para apreciar a nossa apresentação, principalmente quando executamos uma série de canções Pop dos anos sessenta e setenta, que empolgaram-no de forma contumaz. Maravilha, tocamos fundo o coração de alguém sensível ali, diferentemente de alguns jovens alcoolizados e norteados pela empáfia. 

Um deles, para nosso azar, abordou-nos ao final e a vangloriar-se em ser advogado e ter acabado de voltar de uma delegacia onde empreendera esforços para relaxar a prisão de um amigo, também presente ali e igualmente um bêbado soberbo como ele, ao término de sua inconveniente abordagem formulou a frase que certamente será o seu epitáfio: -"eu sou folgado, mesmo". 

Creio que a observação do Carlinhos ao responder-lhe: -"deu para percebermos", foi a melhor frase da noite. Não por acaso, já na alta madrugada, enquanto carregávamos os nossos respectivos carros para irmos embora, cerca de vinte desses garotos cantavam em plenos pulmões o hino do clube de coração da maioria ali, e não surpreendi-me nem um pouco com aquela predominância ali manifesta.

Baixista e amigo de longa data d'Os Kurandeiros, Orlando Neto, popular "Landoneto", morador da Granja Viana e responsável pela nossa indicação para esse show
 
Apesar das dificuldades e um certo dissabor nosso com parte do público, a simpatia dos que trataram-nos bem, caso do baixista e amigo de longa data, Orlando Neto, popular, "Landoneto" (que foi o responsável pela indicação de nossa contratação aos donos do estabelecimento e que foi baixista do grupo de Rock, Lírio de Vidro nos anos setenta, ao lado do Kim Kehl), estes igualmente super simpáticos e dos garçons e gerente da casa, fez com que a apresentação tenha valido a pena. 

Foi o tal negócio, os mais humildes são sempre os mais solidários e simpáticos. Já os que colocam-se no mundo a acharem-se soberanos e a tratar todos os demais, como os seus reles subalternos... 

Carlinhos Machado "perdido na selva", como diria o finado Julio Barroso... click de Regina de Fátima Galassi

Aconteceu na Cervejaria da Granja, na Granja Viana, de São Paulo, no dia 8 de junho de 2017. A próxima missão dar-se-ia ainda em junho e em meio a um lugar tradicional na vida d'Os Kurandeiros. E lá fomos nós ao bairro do Tucuruvi, na zona norte de São Paulo, para mais uma prazerosa jornada no Santa Sede Rock Bar, dos amigos Fernando Camacho e Cleber Lessa.

Continua...

Os Kurandeiros - 2/11/2017 - Quinta-Feira / 20 Hs. - Santa Sede Rock Bar - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros

2 de novembro de 2017 - Quinta-Feira (feriado) - 20 Horas

Festival do Chopp Artesanal / Entrada Gratuita

Santa Sede Rock Bar


Av. Luiz Dumont Villares, 2104 - 200 metros da Estação Parada Inglesa do Metrô - Tucuruvi - São Paulo / SP

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 65 - Por Luiz Domingues

E para coroar um bom mês para a banda, eis que uma resenha do nosso novo disco saiu publicada na Revista "Roadie Crew", edição nº 220, de maio de 2017. 

Um acontecimento muito normal em tempos passados, nessa fase foi até inusitado contar com uma peça dessas no portfólio, em uma época onde a mídia impressa tradicional estava muito enfraquecida e no meu caso, particularmente, desacostumei-me completamente com tal tipo de ocorrência. 

Para ter-se uma ideia, nos últimos anos, todo ou quase todo o portfólio pessoal que eu arregimentara, fora conquistado com material virtual, como "flyers" e "cartazes de shows" e/ou links com reportagens virtuais. Tudo bem, fiquei contente e assim que eu recebi a notícia, fui à banca mais próxima e adquiri um exemplar da citada revista, a conter a resenha.

Isso tudo que estou a comentar aqui no relato autobiográfico, eu cheguei a abordar com os companheiros da banda, na época, que também concordaram comigo, visto que o material impresso tradicional, tornara-se raro nos últimos tempos, com a aceleração das relações virtuais e assim, as formas antigas de divulgação a serem tratadas como recursos obsoletos. 

Bem, não tenho nada contra a modernidade e a inevitável troca de hábito de se lidar com os formatos com os quais interagimos com o jornalismo em geral, mas confesso, o prazer recôndito de ir a uma banca e comprar uma revista impressa cuja edição contenha uma reportagem/resenha/entrevista ou qualquer tipo de ocorrência em que haja uma citação a um trabalho meu, é inalterável, por isso, claro que apreciei a oportunidade.

Bem, a revista mantinha a sua tradição forte no mundo do Heavy-Metal, predominantemente e ao longo da minha autobiografia, citei-a várias vezes, pois mesmo que eu não fizesse parte desse universo e pelo contrário, a nutir aversão declarada por tal vertente, desde a minha estada na Patrulha do Espaço, e ao passar pelo Pedra, a revista sempre resenhou com muito respeito, discos dessas bandas pelas quais eu atuei, além de ter publicado matérias em tom de retrospectiva, a abordar trabalhos mais antigos, tais como sobre A Chave do Sol e Pitbulls on Crack, com uma galhardia ímpar. 

E no caso d'Os Kurandeiros, mesmo a nossa banda sendo também fora desse espectro de seu público leitor padrão, mostrou-se mais uma vez respeitosa ao extremo ao reconhecer os nossos méritos artísticos, mesmo não sendo o tipo de artista alvo de sua atenção.

Claro, muito por que tal resenha fora assinada por Antonio Carlos Monteiro, o popular, Tony Monteiro, um jornalista que eu muito admiro e que reputo ser um dos melhores do Brasil no âmbito do jornalismo cultural/musical em geral e crítico de Rock. 

Expert no assunto, isento, e muito bom redator, com texto de alto nível, Tony tem minha inteira confiança, respeito e admiração por seu trabalho.

Eis a descrição do que o ótimo Tony Monteiro falou sobre o nosso EP:

Pra quem não está ligando o nome à pessoa, Kim Kehl é um veterano guitarrista, que já passou pelo Made in Brazil, nos anos 80, e antes disso montou o grande Lírio de Vidro. Já há alguns anos, mantém o grupo, Os Kurandeiros, que conta com o não menos veterano, Luiz Domingues (A Chave do Sol, Pitbulls on Crack, Patrulha do Espaço, Pedra) e Carlinhos Machado na bateria. Seja Feliz, seu mais novo trabalho, é um EP de apenas três músicas, mas que mostra toda a versatilidade de Kim & asseclas. O Rockão básico, A Noite Inteira, com a convidada Tata Martinelli na voz principal, é aquilo que se espera de Kim : tema direto, com linha de guitarra e refrão grudentos. Faz Frio leva você direto aos anos 70, época em que as baladas faziam sentido e contavam com arranjos elaborados sem ficarem melosas. Fecha a bolacha O Filho do Vodu, um Hard setentista que mostra que o trio se sai bem também nos temas mais pesados. Timbres irretocáveis, produção correta, músicas bacanas. Só pra você ver do que a experiência e o talento são capazes.

Antonio Carlos Monteiro

Bem, a resenha foi sucinta, e bem objetiva ao realçar a banda em pontuais observações. O recado foi dado com muito respeito e acho que passou ao leitor usual dessa publicação, que é formado por adolescentes aficionados do Heavy Metal, basicamente, uma ideia do que é o nosso trabalho versado pelo Blues-Rock tradicional e muito longe da compreensão deles que tendem a achar que o Rock é apenas o Heavy-Metal e por desconhecerem a história, retumbantemente. 

O fato de que ao ofertar-nos a nota com cotação em 7,5 acredito que dentro da realidade da revista, possa ser considerada uma nota altíssima, visto que as resenhas ali costumam dar notas mais altas aos expoentes do Hravy-Metal e por coerência, não haveria cabimento em nivelar-nos sob um patamar mais alto do que o espectro de artistas que eles geralmente valorizam, com o Metal em predominância.

 

Em suma, fiquei muito contente com a publicação, sobretudo pelas impressões do Tony Monteiro ao longo de sua resenha, e a nota muito boa ante as questões que eu já expliquei anteriormente e por mais um motivo para orgulhar-me: não é nada fácil a ter uma carreira tão longeva, a ostentar passagem por tantas bandas ao longo dos anos e mesmo assim, ter a oportunidade de ler resenhas publicadas de discos lançados, por praticamente todas as bandas por onde atuei e mais raro ainda, assinadas por um mesmo jornalista. 

Portanto, que ótimo ter mais uma resenha assinada pelo amigo Tony Monteiro, que acompanha-me desde os anos 1980, ao ter publicado resenhas de discos lançados pelas bandas A Chave do Sol, Pitbulls on Crack, Patrulha do Espaço e Pedra, anteriormente e agora a culminar com essa resenha sobre o EP "Seja Feliz", d'Os Kurandeiros a reforçar a lista. Seja feliz, sou feliz, estou feliz por tudo isso.

Em junho de 2017, tivemos uma boa agenda e com direito a uma nova casa, inédita para nós e inusitada pela sua configuração estrutural. Falo disso a seguir.

Continua...