Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 148 - Por Luiz Domingues
Muito bem, era uma casa hostil ao nosso espectro musical, e de fato, aquela horda estava indiferente ao show, eu entendo. Só que :
1) Eles convidaram-nos e convenceram-nos a aceitar a oferta, ao usar a argumentação de que estavam a abrir o leque de atrações, ao visar angariar outros nichos de público. Ao partir dessa premissa, eram sabedores de que o ambiente era hostil para nós e ao contrário, sinalizavam apoio para que tocássemos. Sendo assim, na prática agiram ao contrário, como se tivessem atraído-nos para uma armadilha, e muito pior que submeter-nos ao vexame, eles portaram-se como artífices para tal intento lograr êxito;
2) O combinado, em termos de acerto financeiro, foi uma porcentagem "X" da bilheteria bruta. Não foi falado nada sobre pesquisa de última hora, com a porcentagem da banda sendo vinculada à presença de público específico de seus fãs;
3) Independente de estarmos ou não a agradar o público, cortar o nosso show com duas músicas e meia, de uma forma arbitrária, foi de uma grosseria ímpar. A ética foi esconder-se no subsolo, de vergonha, depois dessa. Nós certamente iríamos reduzir ainda mais o show, ao sentirmos esse clima hostil do público, mas tal decisão cabia a nós, em cima do palco.
Tal atitude perpetrada por um sujeito prepotente e arrogante desse tipo, foi de uma indignidade atroz. Foi certamente um dos piores, senão o pior show d'A Chave do Sol em sua história. Infelizmente, a nossa incauta visão naquele momento, não foi capaz de antever que seria um desastre, e tudo poderia ter sido evitado com o simples cancelamento. Bem feito para nós, e se houve um lado bom, essa humilhação e prejuízo financeiro serviu de lição doravante e entrou para o nosso rol de exemplos de como pensar dez vezes antes de entrarmos em uma situação que claramente sinalizava um desastre.
Saímos humilhados da casa, com um cheque nosso, alojado no bolso do Pérsio (que representou o fim da nossa esperança em gravarmos uma demo-tape atualizada, em um curto prazo), e muito cansados, emocionalmente a falar. No alto da madrugada, depois de alojarmos o nosso equipamento na casa do Rubens, combinamos em descansar no sábado & domingo, e retomarmos os nossos trabalhos regulares, somente na segunda-feira. Eu apenas queria esquecer esse episódio, mas no sábado fui surpreendido com um telefonema totalmente inesperado...
Continua...
domingo, 20 de julho de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 147 - Por Luiz Domingues
Ao começar pela questão pessoal do Chico Dias, ele comunicara-nos, dias
antes, que estava com muita saudade de sua namorada, e que pensava em
convidá-la a vir para São Paulo, passar o feriado prolongado com ele. Ora,
apoiamos de imediato a ideia, por que seria um fator motivacional a
ajudar nessa fase difícil de adaptação que ele enfrentava, em todos os sentidos.
E além do fato de ser um feriado, e a moça poder programar-se sem perder as aulas de sua faculdade, ele certamente contava com uma apresentação em um lugar mais badalado, com equipamento de som e luz de alto nível, para impressioná-la, pois nos shows anteriores, ainda não tinha tido tal oportunidade para atuar em melhores condições com a banda. Até aí, tudo bem, mas um componente social estaria a atrapalhar tal planejamento pessoal de sua parte : onde estava hospedado, na casa do poeta, Julio Revoredo, a presença da namorada não era conveniente para o pernoite. Portanto, sem meios financeiros para bancar um hotel para o casal, a presença da namorada tornou-se um problema a mais para ser resolvido.
A solução inicial seria hospedá-los na casa de veraneio da família do Zé Luiz Dinola, que ofereceu-a, gentilmente. Apesar de um pouco longe, localizada no município de Itapecerica da Serra, mostrava-se extremamente confortável e nesse caso, o casal teria uma ótima Lua de Mel para aproveitar e só daria um trabalho extra ao Zé Luiz, por conta de ter que levá-los e buscá-los até tal cidade (não tão longe assim, pois fica na Grande São Paulo). Solucionado aparentemente a tempo, por conta do Zé Luiz ter checado, e ninguém de sua família ter afirmado que usaria a casa naquele final de semana, foi dado o sinal verde para a garota gaúcha comprar a sua passagem de Porto Alegre à São Paulo. Chegou o dia do show e a "guria" estava a postos para acompanhar a performance de seu namorado. Ela era simpática e educada, inteligente e universitária, ao aparentar ser, sinceramente, bem mais madura do que ele.
No que interessava-nos de fato, estávamos contentes,
pois a sua presença pareceu ter garantido o equilíbrio que o Chico Dias
precisava para suplantar as suas dificuldades de adaptação para conosco. De volta a falar sobre o show em si, quando a casa abriu para o público, vimos que aquele
lugar era realmente hostil para nós. Todos os funcionários estavam
fortemente maquiados e vestidos a caráter, para reforçar o que eu disse
anteriormente, ou seja, não foi uma forma de expressão apenas, mas
literalmente pareceu-nos que estávamos a figurar em um vídeoclip daquelas bandas egressas do
Pós-Punk.
Olhavam-nos com um desdém tamanho, que sentimo-nos impossibilitados de circular pela área social da casa, e assim, resolvemos recolhermo-nos ao camarim, que mesmo tumultuado, parecia mais agradável do que
estar em meio àquele pesadelo oitentista vivo. Chegou a hora do show, enfim...
Posicionamo-nos e quando a casa fechou o som mecânico da pista, demos início. Havia um público bem razoável presente, mas estava absolutamente indiferente à nossa apresentação. Alguns mais abusados, hostilizavam-nos, ao dançar no meio da pista de uma forma debochada e /ou a rir acintosamente de nós, como se fôssemos ridículos, se bem que em face ao que cultuavam, nós devíamos ser mesmo aos seus olhos; ouvidos e preconceitos arraigados. Tocamos "Luz", nessas condições e sinceramente, mesmo sendo um público hostil, "Luz", por ser um Rock tradicional com ares cinquentistas, poderia não ter sido tão ruim ao preconceito deles, por isso a colocamos como a primeira música do set list.
A seguir, tocamos : "Anjo Rebelde", que poderia gerar um certo frisson por ser mais pesada, mas o que aconteceu de fato, foi uma enorme indiferença, com a massa presente na casa, a ignorar-nos em sua maioria e alguns a hostilizar-nos, ainda que de forma até leve, digamos assim, em comparação ao que fizeram com Robertinho do Recife, alguns dias antes. Começamos a terceira música, que foi "18 Horas". Ainda tocaríamos cerca de mais oito, pelo que lembro-me, pois fomos com a proposta de um show mais curto que o normal, devido às circunstâncias.
Quando chegou no ponto da música onde começaria o solo do Zé Luiz, ouvi-o a dar uma acento muito forte no seu prato "crash", e a seguir outro, seguido de gritos, fora do microfone. Olhei para trás e o vi ensandecido, em pé, a esmurrar o prato, compulsivamente e a gritar : -"não, não, não"...
Por uma fração de segundos, eu paralisei sem entender o que estava a acontecer, quando finalmente percebi que o som mecânico da casa estava ligado a todo vapor, muito mais alto do que o P.A. do nosso show ! A direção da casa, ligara o som mecânico, a encerrar o nosso show compulsivamente, de forma arbitrária e para lá de deselegante, sem nenhuma justificativa ou aviso ! Eu e Rubens ainda demoramos para entender o que passava-se. O Chico Dias estava a ser consolado pela namorada na coxia e o Zé Luiz ficou possesso, e com toda a razão ! Bem, de volta ao camarim enquanto desmontavam o palco, estávamos muito chateados. Então, o pior aconteceu... sim, ainda haveria mais desgraças...
O Zé Luiz e o Rubens, acalmaram-se e após alguns minutos a recompor-se emocionalmente, foram ao escritório do dono do estabelecimento para receber o pagamento acordado. Receberíamos uma porcentagem da bilheteria. Independente dessa atitude horrorosa que tomaram contra nós, não abriríamos mão de nosso cachet, mesmo por que, tínhamos que pagar o P.A. que alugáramos. Quando ambos chegaram ao escritório do sujeito, foram informados pelo rapaz, que não tínhamos direito a nada, pois o nosso pagamento não seria medido pelo público presente na casa (cerca de quinhentas pessoas estavam presentes), mas pela quantidade de pessoas que alegaram ter ido lá para assistir-nos, mediante o preenchimento de um cadastro solicitado na porta !
O Zé Luiz enlouqueceu, por que foi óbvio que não havíamos combinado nada disso no acerto prévio. O rapaz, absorto em uma arrogância incrível, mandou buscar os tais papéis preenchidos e mostrou-lhes pouquíssimos, o que resultaria em uma quantia irrisória. E o que isso provava, se não havíamos combinado nada disso, anteriormente ? Sem contrato assinado, foi palavra contra palavra e nem foi possível engrossar, pois a segurança da casa mostrou-se de prontidão, a intervir com truculência, quando o Zé Luiz esboçou exaltar-se. No ápice da humilhação, o sujeito ainda teve o supremo requinte de crueldade, ao afirmar que mandara cortar o nosso show, pois estávamos a entediar o seu público. Segundo ele, "ninguém estava a gostar"... certo, tratava-se de uma casa hostil ao nosso espectro musical. De fato aquela horda estava indiferente ao show, eu entendo por esse aspecto, contudo, passar por cima do acordo financeiro, ainda mais ao saber que havíamos contratado um P.A., e pior, sob uma grosseria atroz em cortar-nos o show com menos de três músicas executadas, mais pareceu uma provocação e pior, proposital...
Continua...
E além do fato de ser um feriado, e a moça poder programar-se sem perder as aulas de sua faculdade, ele certamente contava com uma apresentação em um lugar mais badalado, com equipamento de som e luz de alto nível, para impressioná-la, pois nos shows anteriores, ainda não tinha tido tal oportunidade para atuar em melhores condições com a banda. Até aí, tudo bem, mas um componente social estaria a atrapalhar tal planejamento pessoal de sua parte : onde estava hospedado, na casa do poeta, Julio Revoredo, a presença da namorada não era conveniente para o pernoite. Portanto, sem meios financeiros para bancar um hotel para o casal, a presença da namorada tornou-se um problema a mais para ser resolvido.
A solução inicial seria hospedá-los na casa de veraneio da família do Zé Luiz Dinola, que ofereceu-a, gentilmente. Apesar de um pouco longe, localizada no município de Itapecerica da Serra, mostrava-se extremamente confortável e nesse caso, o casal teria uma ótima Lua de Mel para aproveitar e só daria um trabalho extra ao Zé Luiz, por conta de ter que levá-los e buscá-los até tal cidade (não tão longe assim, pois fica na Grande São Paulo). Solucionado aparentemente a tempo, por conta do Zé Luiz ter checado, e ninguém de sua família ter afirmado que usaria a casa naquele final de semana, foi dado o sinal verde para a garota gaúcha comprar a sua passagem de Porto Alegre à São Paulo. Chegou o dia do show e a "guria" estava a postos para acompanhar a performance de seu namorado. Ela era simpática e educada, inteligente e universitária, ao aparentar ser, sinceramente, bem mais madura do que ele.
Posicionamo-nos e quando a casa fechou o som mecânico da pista, demos início. Havia um público bem razoável presente, mas estava absolutamente indiferente à nossa apresentação. Alguns mais abusados, hostilizavam-nos, ao dançar no meio da pista de uma forma debochada e /ou a rir acintosamente de nós, como se fôssemos ridículos, se bem que em face ao que cultuavam, nós devíamos ser mesmo aos seus olhos; ouvidos e preconceitos arraigados. Tocamos "Luz", nessas condições e sinceramente, mesmo sendo um público hostil, "Luz", por ser um Rock tradicional com ares cinquentistas, poderia não ter sido tão ruim ao preconceito deles, por isso a colocamos como a primeira música do set list.
A seguir, tocamos : "Anjo Rebelde", que poderia gerar um certo frisson por ser mais pesada, mas o que aconteceu de fato, foi uma enorme indiferença, com a massa presente na casa, a ignorar-nos em sua maioria e alguns a hostilizar-nos, ainda que de forma até leve, digamos assim, em comparação ao que fizeram com Robertinho do Recife, alguns dias antes. Começamos a terceira música, que foi "18 Horas". Ainda tocaríamos cerca de mais oito, pelo que lembro-me, pois fomos com a proposta de um show mais curto que o normal, devido às circunstâncias.
Quando chegou no ponto da música onde começaria o solo do Zé Luiz, ouvi-o a dar uma acento muito forte no seu prato "crash", e a seguir outro, seguido de gritos, fora do microfone. Olhei para trás e o vi ensandecido, em pé, a esmurrar o prato, compulsivamente e a gritar : -"não, não, não"...
Por uma fração de segundos, eu paralisei sem entender o que estava a acontecer, quando finalmente percebi que o som mecânico da casa estava ligado a todo vapor, muito mais alto do que o P.A. do nosso show ! A direção da casa, ligara o som mecânico, a encerrar o nosso show compulsivamente, de forma arbitrária e para lá de deselegante, sem nenhuma justificativa ou aviso ! Eu e Rubens ainda demoramos para entender o que passava-se. O Chico Dias estava a ser consolado pela namorada na coxia e o Zé Luiz ficou possesso, e com toda a razão ! Bem, de volta ao camarim enquanto desmontavam o palco, estávamos muito chateados. Então, o pior aconteceu... sim, ainda haveria mais desgraças...
O Zé Luiz e o Rubens, acalmaram-se e após alguns minutos a recompor-se emocionalmente, foram ao escritório do dono do estabelecimento para receber o pagamento acordado. Receberíamos uma porcentagem da bilheteria. Independente dessa atitude horrorosa que tomaram contra nós, não abriríamos mão de nosso cachet, mesmo por que, tínhamos que pagar o P.A. que alugáramos. Quando ambos chegaram ao escritório do sujeito, foram informados pelo rapaz, que não tínhamos direito a nada, pois o nosso pagamento não seria medido pelo público presente na casa (cerca de quinhentas pessoas estavam presentes), mas pela quantidade de pessoas que alegaram ter ido lá para assistir-nos, mediante o preenchimento de um cadastro solicitado na porta !
O Zé Luiz enlouqueceu, por que foi óbvio que não havíamos combinado nada disso no acerto prévio. O rapaz, absorto em uma arrogância incrível, mandou buscar os tais papéis preenchidos e mostrou-lhes pouquíssimos, o que resultaria em uma quantia irrisória. E o que isso provava, se não havíamos combinado nada disso, anteriormente ? Sem contrato assinado, foi palavra contra palavra e nem foi possível engrossar, pois a segurança da casa mostrou-se de prontidão, a intervir com truculência, quando o Zé Luiz esboçou exaltar-se. No ápice da humilhação, o sujeito ainda teve o supremo requinte de crueldade, ao afirmar que mandara cortar o nosso show, pois estávamos a entediar o seu público. Segundo ele, "ninguém estava a gostar"... certo, tratava-se de uma casa hostil ao nosso espectro musical. De fato aquela horda estava indiferente ao show, eu entendo por esse aspecto, contudo, passar por cima do acordo financeiro, ainda mais ao saber que havíamos contratado um P.A., e pior, sob uma grosseria atroz em cortar-nos o show com menos de três músicas executadas, mais pareceu uma provocação e pior, proposital...
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Rubens Gióia.
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 146 - Por Luiz Domingues
A danceteria "Tífon" ficava localizada bem ao lado do Shopping Ibirapuera, em Moema, bairro da zona sul de São Paulo. Conforme já comentei, era uma danceteria mais radical, diferente das outras, no sentido de que a maioria tinha aquela aura oitentista por modismo e adequação pura e simplesmente, sem nenhuma preocupação ideológica com o movimento A; B ou C. Já a "Tífon", era conduzida por entusiastas das estéticas oriundas do Pós-Punk e sabíamos que geralmente só abria as suas portas para artistas coadunados com tal estética, e o seu público habitue era formado por seguidores de tais ideais.
De fato, do dono ao mais humilde funcionário da faxina, todos pareciam fazer parte de um vídeoclip do Bauhaus; Siouxie and the Banshees e similares...
Da questão da briga, soubemos de alguns fatos, por várias versões. Conhecidos nossos do mundo do "Heavy-Metal", vieram dizer-nos que realmente uma turma de punks, entrou no recinto com a clara intenção de provocar o Robertinho do Recife, e o seu público. Não foram muitos os admiradores do guitarrista pernambucano, agora a tentar impor-se como "Guitar Hero" da estética do Heavy-Metal, portanto, foi um alvo fácil para as provocações intencionais de quem foi ali buscar a confusão. Segundo soubemos, o Robertinho irritou-se com isso e discutiu com veemência com os opositores, ao dar início a um tumulto generalizado, que teria danificado o P.A., e certamente muito mais coisas dentro da casa. Mesmo jovem e um tanto quanto ingênuo ainda, eu não havia engolido aquela versão da "Tífon" de que "News Wavers" teriam brigado ou pior, motivado a briga. De todas as tribos derivadas do Pós-Punk, essa tribo era uma das poucas não hostis entre as hordas oitentistas, e a sua postura não evocava truculência como um princípio, ao contrário de outras, bem belicosas. Eram até meio efeminados e tinham uma indisfarçável admiração pelo Glitter-Rock setentista, na realidade.Todo fã do Duran Duran; Culture Club ou Adam & the Ants, potencialmente gostava de David Bowie e Marc Bolan, portanto não seguiam necessariamente as "ordens" do "manifesto de repúdio ao passado", ditado em 1977. Bem, estávamos a infiltrarmo-nos em um imbróglio e nesta altura em que escrevo (2013), adoraria poder fazer uma "viagem" básica no tempo e mudar essa história, mas como não posso, resta-me relembrar e lamentar o não cancelamento desse show maledetto...
Enfim, ensaiamos o nosso show normal, mesmo conscientes de que poderíamos ter problemas como o Robertinho do Recife enfrentou, uma semana antes, embora não achássemos que haveria novo tumulto nesse porte. Fomos para o show com essa hipótese em mente, mas sem temores acentuados, e por um lado, até animados para fazer uma noitada boa para os nossos fãs. Foi em uma sexta-feira, dia 13 de outubro de 1984. O dia anterior houvera sido feriado nacional, portanto, estávamos a atravessar um dia útil emendado pela maioria da população, ao prolongar o final de semana.
Chegamos à Danceteria Tífon para o soundcheck e o equipamento do Pércio, que havíamos contratado, estava todo montado e ele fazia testes de equalização. Da parte dele, tudo estava perfeito, com profissionalismo e camaradagem. Mas os problemas começaram com os funcionários da casa. Bastante mal educados, trataram-nos com uma rispidez sem sentido, mal a responder perguntas básicas e absolutamente necessárias que fizéramos-lhes, como por exemplo : "onde fica o camarim, por favor" ?
Até então, tudo bem, isso não arrancar-nos-ia pedaços, poderíamos suportar a grosseria generalizada. Fizemos o soundcheck, ao chegarmos em um resultado confortável e isso foi tranquilo com o Pérsio a operar, um profissional competente e bastante equilibrado no trato humano, com os músicos. O camarim estava um horror. Com uma bagunça generalizada, como se fosse um sótão cheio de bugigangas guardadas, sem sentido algum, que não fosse a preguiça de jogar fora tais quinquilharias.
Ficamos com a impressão de ser objetos de cena usados por alguma companhia de teatro, mas em mau estado de conservação e assim, sem objetivo de reuso. Lembro-me até de haver a existência de um caixão de defunto na coxia, onde o nosso amigo, Wagner "Sabbath" (que acompanhou-nos nesse show, como um misto de roadie e segurança), brincou de entrar nele e até exagerou, ao tirar fotos nessa situação. O forro do caixão era de um "púrpura profundo" (não resisti ao trocadilho !), muito intenso e a performance engraça do Wagner, despertou-nos gargalhadas, raro momento de felicidade nesse dia. Antes de falar do show em si, preciso mencionar que paralelamente, esse final de semana reservar-nos-ia um drama pessoal motivado pelo Chico Dias, que estender-se-ia até a segunda-feira posterior. Isso só potencializou toda a tragédia oitentista em torno da Tífon...
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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 145 - Por Luiz Domingues
Bem, esse telefonema que recebemos da danceteria "Tífon", comunicou-nos que o tal show inaugural de sua fase "pesada", em sua programação, houvera gerado uma grande briga em suas dependências. Tal briga teria sido entre os admiradores de Robertinho do Recife, contra "New Wavers", inconformados com a presença de um artista do Heavy-Metal no seu "templo", e daí o ânimo acirrou-se.
Como consequência, o show terminou de uma forma abrupta e no tumulto, grande parte do equipamento de P.A. da casa, foi avariado, portanto, se quiséssemos manter a data de pé, teríamos que responsabilizar-nos pelo P.A. do show, ao providenciarmos o nosso, ou alugar um compatível com o tamanho da casa. Tornou-se algo fora de cogitação usarmos o nosso pequeno P.A. Ele servia apenas para os nossos ensaios, e no máximo modestas apresentações em casas de pequeno porte.
Então, a solução seria alugar um equipamento, e arcar com tal despesa, sem nenhuma ajuda da referida danceteria. Ora, o mais lógico teria sido desmarcar a data. Um cancelamento úro e simples teria poupado-nos de uma série de aborrecimentos que sucedeu-se, ao fazer desse show, um roteiro de comédia, que nem Jerry Lewis conceberia ou filme de terror do Roger Corman.
O que contribuiu decisivamente para que insistíssemos com a manutenção do compromisso, foi o fato de que já havíamos enviado filipetas pelo correio, para centenas de pessoas que tínhamos no nosso cadastro do fã-clube. Tratava-se de um trabalho dispendioso e oneroso, mas naquela Era pré-Internet, era um meio muito eficaz de divulgação de shows.
Especificamente a falar desse show, a nossa verba para divulgação foi curta e não deu para pensar em outros meios, portanto, apostamos na mala postal, e diante dessa notícia vinda da parte deles, doeu-nos a ideia do dinheiro de nosso caixa a esvair-se pelo ralo, e o tempo gasto para a preparação, pois as tais centenas de cartas eram preparadas sob um sistema manual, e demandava horas de trabalho. Então, resolvemos sustentar a data e bancar o P.A., por acreditarmos que teríamos um retorno suficiente da bilheteria. Ora, éramos muito jovens e estávamos inebriados pelos ventos positivos que sopravam, portanto, por quê não acreditar que teríamos um público bom ante tais circunstâncias ?
Contudo, não ponderamos outros aspectos, como por exemplo :
1) Era uma casa hostil por natureza intrínseca, portanto havia o risco disso inibir o nosso público ter vontade de ir lá, e simplesmente deixar para assistir-nos em outra circunstância mais agradável;
2) A data ocorreria em um feriado, portanto, haveria de ser uma incógnita total a presença de público.
Corremos o risco, então, e checamos a nossa conta bancária. A banda tinha um montante reservado para a futura gravação de uma demo-tape, com o objetivo de levar às gravadoras grandes (majors), com músicas novas e mais centradas no universo pesado, e acima de tudo, por contarmos com a presença do vocalista gaúcho, Chico Dias, o nosso novo "frontman".
Mas diante de tais circunstâncias e a pensar de forma otimista, achamos que estávamos calçados para bancar um P.A. e claro que não usaríamos esse dinheiro, para tal finalidade menos importante para nós, assim nutrirmos tal esperança. Não foi uma quantia grande, por isso descartamos contratar uma daquelas empresas famosas que faziam grandes shows de artistas consagrados. Optamos por contratar um equipamento mais modesto, porém adequado ao ambiente acústico daquela casa, que mostrava-se em torno do médio para o grande porte. Contratamos então o equipamento do mesmo rapaz que sonorizou o nosso show no teatro do colégio Piratininga, em abril de 1983. Eu o conhecia desde o início de 1980, porque ele auxiliara muitas vezes o Terra no Asfalto, a minha banda cover naquela ocasião. Em 1984, surpreendi-me ainda mais do que em 1983, pois ele crescera mais, e seu equipamento em nada deixava a desejar em relação às empresas de grande porte do setor e a vantagem que ofereceu-nos, foi em termos de uma tarifa bem mais acessível. Essa foi a parte boa da produção desse show... pois depois dessa amenidade...
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sábado, 19 de julho de 2014
Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 144 - Por Luiz Domingues
O próximo passo foi um dos maiores revés da história da nossa banda. Causou-nos um prejuízo financeiro forte e pior que isso, o desgaste emocional absolutamente desagradável e desnecessário, na medida em que não precisávamos passar por isso. Ocorreu o seguinte : fomos convidados a apresentarmo-nos em mais uma danceteria famosa. Vivia-se a febre das danceterias naquela época, e em uma cidade grande como São Paulo, principalmente, abriam aos montes, e por todos os bairros.
Desta feita, recebemos o convite da danceteria, "Tífon", que localizava-se ao lado do Shopping Ibirapuera, em Moema, bairro da zona sul de São Paulo. Ficamos um pouco renitentes em princípio, porque entre tantas danceterias que abriram na cidade, em 1984, a "Tífon", em específico, era bastante hostil a manifestações musicais que não coadunassem-se com a estética do Pós-Punk.
Apesar das danceterias ser apenas grandes salões de entretenimento, sem maiores comprometimentos com estéticas; tribos & afins, a Tífon tinha esse comportamento que a assemelhava à casa de shows, "Madame Satã", esta sim, um templo dessa estética e portanto, um reduto para os seus entusiastas. Mas a argumentação da parte de quem contatou-nos e oficializou o convite, foi de que a casa doravante abriria o seu leque, e com a proposta de institucionalizar uma noite para o "Heavy-Metal"...
Ao seguir no seu poder de argumentação, disse-nos que uma semana antes de nós, o famoso guitarrista, Robertinho do Recife, que estava a desenvolver um trabalho em torno do Heavy-Metal, nessa época, apresentar-se-ia, portanto, haveria por quebrar gel,o por haver shows pesados, doravante na casa. Bem, o produtor da casa já começou mal ao falar em Heavy-Metal, mas na mentalidade dessa gente, se não éramos coadunados com a "modernidade" e leia-se, correntes oriundas da estética Pós-Punk e tínhamos cabelos longos, logicamente que éramos "metaleiros"... em sua avaliação nada embasada.
Bem, se não seria hostil, como ele alegara, por quê não fechar a data, visto ser uma casa com estrutura a conter som e luz de qualidade etc ? Fechamos a data, mesmo ao saber que cairia em pleno feriado, pois julgamos que não correríamos riscos, aparentemente.
Mas tudo começou a mudar na semana do espetáculo, quando recebemos um telefonema, ao dar conta de uma notícia ruim sobre o funcionamento da casa, e que atrapalhar-nos-ia muito em relação a esse show...
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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 143 - Por Luiz Domingues
A conversa sobre o rumo do Rock no Brasil esquentava sob uma ebulição
tremenda. A euforia gerada pela profusão do Rock na mídia, dera margem ao
festival de boatos que espalhou-se no meio. Um músico, que era conhecido do Rubens,
por exemplo, e era membro de uma banda independente chamada : "Tonelada
& Seus Kilinhos" (sim, os seus componentes eram obesos e tinham a proposta musical
centrada no humor, ao tentar pegar o vácuo de bandas como : Ultraje a Rigor
e João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, entre outras), era bem
informado sobre os meandros das gravadoras e mídia.
Foto do poeta, Julio Revoredo, ao flagrar-nos na saída de emergência do Teatro Lira Paulista, em julho de 1984
Em várias ocasiões em que o encontramos, falou-nos muitas coisas sobre o que sabia dos bastidores das gravadoras e nesse sentido, alertou-nos sobre a necessidade de prepararmos um material urgentemente, a conter uma demo-tape mediante músicas novas. Computamos a dica e imaginamos que o momento seria propício, visto termos mudado a formação de trio para quarteto, e agora com um frontman, teríamos mais chances para pleitear uma chance no mainstream.
A sua dica foi para direcionarmos os nossos esforços para a gravadora Warner, que teria um plano em execução a visar abrir espaço à bandas mais pesadas, fora do espectro do Pós-Punk, que privilegiavam normalmente na ocasião. Nesse aspecto, deveríamos enviar o nosso material para o Pena Schmidt, que era o produtor em São Paulo, associado ao Liminha, que comandava no Rio.
Já estávamos com muitas músicas novas prontas, e outras em fase de elaboração, e assim planejamo-nos para pensar em produzir uma demo-tape, no final do ano que aproximava-se, mesmo por que, precisávamos dar um tempo maior de maturação para o Chico Dias e, coisa boa, tínhamos compromissos agendados, o que impedia-nos de parar para focar em uma fase de pré-produção para gravar uma fita demo. O que foi interessante nessa fase, além do nosso crescimento em termos de popularidade, foi essa euforia que sentíamos no ar, por conta do BR Rock 80's estar muito forte na mídia, ao fornecer a ideia de sustentabilidade e abertura, por conseguinte.
E outro fator óbvio : a proximidade do Festival Rock in Rio, para janeiro de 1985, estava por potencializar muito essa euforia, e estimular todo mundo que sonhava com um pedaço desse quinhão. Nossa suposta "chance" nessa fase, seria apostar na possibilidade de que realmente as gravadoras investissem em bandas com som mais pesado, ao sair da exclusividade que mantinham em torno do mundo guiado pelo Pós-Punk, que dominava tudo até então, com a rara exceção de bandas como Barão Vermelho e Herva Doce, que pareciam incólumes aos ataques niilistas em termos de patrulhamento ideológico da parte dos punks, e seus simpatizantes, e estas sim, eram bandas que tinham proposta musical mais centrada no tradicionalismo de raízes 1960 / 1970, fato raríssimo na ocasião.
Foto clicada pelo poeta, Julio Revoredo, quando esteve a acompanhar-nos em nossa primeira entrevista ao programa Balancê, da Rádio Excelsior de São Paulo, realizada no Teatro Pimpão, no bairro de Santa Cecília, de São Paulo, em julho de 1984
Esse espectro seria o ideal para nós, pois também não encaixávamo-nos no mundo do Heavy-Metal, de forma alguma. Todavia, decifrar o que esses "gênios" do marketing musical desejam e acham que é a tendência rentável, é literalmente impossível, não só naquele tempo, aliás, porém, sempre. Se fôssemos gravar um material mais a ver com as nossas raízes normais, em torno de nossas predileções 1960 / 1970, corríamos o risco em sermos rejeitados sem audição, pois aquela década de oitenta, foi marcada pela rejeição sumária dessa vertente mais antiga.
Se alguém perguntar-me por quê o Barão Vermelho e o Herva Doce pareceram não sofrer esse patrulhamento da parte dessa turma do Pós-Punk e livremente seguiram suas respectivas carreiras com apoio mainstream e sucesso, sem ser boicotados, acho que tenho argumentos, mas não cabe aqui descrevê-los, e foge do sentido desta narrativa, naturalmente. Só é relevante anotar que a nossa chance seria em torno do som pesado, ainda que não fosse a nossa predileção, aliás, bem longe disso, por que o Pós-Punk e a sua ruindade musical indecente, não seria suportável para nós...
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Foto do poeta, Julio Revoredo, ao flagrar-nos na saída de emergência do Teatro Lira Paulista, em julho de 1984
Em várias ocasiões em que o encontramos, falou-nos muitas coisas sobre o que sabia dos bastidores das gravadoras e nesse sentido, alertou-nos sobre a necessidade de prepararmos um material urgentemente, a conter uma demo-tape mediante músicas novas. Computamos a dica e imaginamos que o momento seria propício, visto termos mudado a formação de trio para quarteto, e agora com um frontman, teríamos mais chances para pleitear uma chance no mainstream.
A sua dica foi para direcionarmos os nossos esforços para a gravadora Warner, que teria um plano em execução a visar abrir espaço à bandas mais pesadas, fora do espectro do Pós-Punk, que privilegiavam normalmente na ocasião. Nesse aspecto, deveríamos enviar o nosso material para o Pena Schmidt, que era o produtor em São Paulo, associado ao Liminha, que comandava no Rio.
Já estávamos com muitas músicas novas prontas, e outras em fase de elaboração, e assim planejamo-nos para pensar em produzir uma demo-tape, no final do ano que aproximava-se, mesmo por que, precisávamos dar um tempo maior de maturação para o Chico Dias e, coisa boa, tínhamos compromissos agendados, o que impedia-nos de parar para focar em uma fase de pré-produção para gravar uma fita demo. O que foi interessante nessa fase, além do nosso crescimento em termos de popularidade, foi essa euforia que sentíamos no ar, por conta do BR Rock 80's estar muito forte na mídia, ao fornecer a ideia de sustentabilidade e abertura, por conseguinte.
E outro fator óbvio : a proximidade do Festival Rock in Rio, para janeiro de 1985, estava por potencializar muito essa euforia, e estimular todo mundo que sonhava com um pedaço desse quinhão. Nossa suposta "chance" nessa fase, seria apostar na possibilidade de que realmente as gravadoras investissem em bandas com som mais pesado, ao sair da exclusividade que mantinham em torno do mundo guiado pelo Pós-Punk, que dominava tudo até então, com a rara exceção de bandas como Barão Vermelho e Herva Doce, que pareciam incólumes aos ataques niilistas em termos de patrulhamento ideológico da parte dos punks, e seus simpatizantes, e estas sim, eram bandas que tinham proposta musical mais centrada no tradicionalismo de raízes 1960 / 1970, fato raríssimo na ocasião.
Foto clicada pelo poeta, Julio Revoredo, quando esteve a acompanhar-nos em nossa primeira entrevista ao programa Balancê, da Rádio Excelsior de São Paulo, realizada no Teatro Pimpão, no bairro de Santa Cecília, de São Paulo, em julho de 1984
Esse espectro seria o ideal para nós, pois também não encaixávamo-nos no mundo do Heavy-Metal, de forma alguma. Todavia, decifrar o que esses "gênios" do marketing musical desejam e acham que é a tendência rentável, é literalmente impossível, não só naquele tempo, aliás, porém, sempre. Se fôssemos gravar um material mais a ver com as nossas raízes normais, em torno de nossas predileções 1960 / 1970, corríamos o risco em sermos rejeitados sem audição, pois aquela década de oitenta, foi marcada pela rejeição sumária dessa vertente mais antiga.
Se alguém perguntar-me por quê o Barão Vermelho e o Herva Doce pareceram não sofrer esse patrulhamento da parte dessa turma do Pós-Punk e livremente seguiram suas respectivas carreiras com apoio mainstream e sucesso, sem ser boicotados, acho que tenho argumentos, mas não cabe aqui descrevê-los, e foge do sentido desta narrativa, naturalmente. Só é relevante anotar que a nossa chance seria em torno do som pesado, ainda que não fosse a nossa predileção, aliás, bem longe disso, por que o Pós-Punk e a sua ruindade musical indecente, não seria suportável para nós...
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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 142 - Por Luiz Domingues
A sensação em contar com shows em dias consecutivos, foi ótima.
Tratou-se de uma agenda em expansão, e certamente um fruto gerado por nossos esforços, graças às muitas oportunidades na TV, Rádio e matérias na mídia impressa, que estávamos a ter. E foi assim que surgiu mais um convite para cumprirmos um show em um espaço cultural estatal, desta feita, no Centro Cultural do Jabaquara.
Tratou-se de um espaço novo em folha, com a proposta de ser um polo de cultura para aquele simpático e tradicional bairro e toda a região que circundava-o. Pelo que vimos, cumpria essa meta, com várias atividades no campo da literatura (palestras com escritores, saraus); exposições; teatro; cine-clube; shows musicais; atividades infantis, e com idosos etc.
Havia dentro dessas atividades todas, um projeto para shows de Rock, com bandas autorais e independentes. E dentro desse espectro, recebemos o convite. O show aconteceu no período da tarde, um esforço para forjar um novo hábito para o público daquele bairro e imediações.
Nessa altura, terceiro show com a banda, o Chico Dias já demonstrava bem mais entrosamento conosco, e mais serenidade. O show foi bom, com energia e performance forte, potencializada pelo fato do palco ter uma metragem grande. O som era inadequado para o espaço, mas deu para fazer o show, ainda que não em condições ideais. E a luz era digna, com torres com spots novos, apesar do iluminador fazer o burocrático papel de ligar e acender aleatoriamente as lâmpadas, sem um mapa de luz, e claro, nem cogitar afiná-los, adequadamente.
Isso aconteceu no dia 7 de outubro de 1984, um domingo. O projeto chamava -se : "Última Estação", uma referência ao fato do Centro Cultural do Jabaquara ficar muito próximo da estação Jabaquara do Metrô, a última da linha 1, azul.
Uma banda nova fez o show de abertura. Chamava-se "Bandazul".
Chamou-me a atenção o fato de que essa banda destoava das correntes estéticas em voga naquela década. Não eram nem de longe ligados ao Heavy-Metal, mas tampouco tinham comprometimento com alguma escola do Pós-Punk.
Era uma boa banda, mas fiquei sem entender a sua proposta musical. Na hora, achei que tinham influência da MPB, mas era algo difuso, sem muita clareza.
Um bom público esteve presente no Centro Cultural Jabaquara, naquela tarde. Cerca de duzentas pessoas passaram pela bilheteria e ao final do show, fui abordado por muitos frequentadores do Rainbow Bar, que ficava localizado ali perto, e entre eles o "Taínha", figura mítica daquele bar, e que já não está entre nós, mas é lembrado por todo mundo que frequentava aquele espaço Rocker, no bairro do Jabaquara.
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