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sábado, 30 de outubro de 2021

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 72 - Por Luiz Domingues

O esforço para promovermos o grande resgate do nosso velho material de 1976/1977, prosseguiu com entusiasmo. E nessa altura dos acontecimentos, Wilton Rentero e Osvaldo Vicino já haviam me mostrado algumas boas ideias de riffs para músicas novas, ou seja, a possibilidade de que tal trabalho ultrapassasse as fronteiras do resgate, apenas, já se mostrava muito plausível, porquanto, eu gostara bastante do material que me apresentaram a conter uma clara identidade sessenta-setentista, ou seja, seriam músicas novas, mas com total sincronia com o espírito vintage da nossa banda

Da esquerda para a direita: Eu (Luiz Domingues), Wilton Rentero e Osvaldo Vicino, nas dependências do estúdio Lumen, localizado no bairro da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. 3 de outubro de 2021. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Click: Mara

Dessa forma, a minha percepção pessoal sobre essa questão certamente assumira um duplo viés e em ambas circunstâncias, com satisfação da minha parte, pois além de resgatarmos as raízes da nossa banda, ficara claro que o material inédito criado em 2021, haveria de ter o mesmo comprometimento estético e por conseguinte a demarcar o que todo leitor da minha autobiografia já tomou conhecimento amplamente a respeito da minha formação artística pessoal, anseios e comprometimento com a causa. 

Flagrantes do ensaio do Boca do Céu no estúdio Lumen, de São Paulo em 3 de outubro de 2021. Na primeira foto, eu (Luiz Domingues) a comandar a "selfie" e Wilton Rentero ao fundo, a tocar guitarra. Na segunda, Osvaldo Vicino se prepara para ensaiar. Clicks e acervo: Luiz Domingues 

Sobre as músicas "clássicas" do Boca do Céu, nós trabalhos para dar corpo à maioria, visto que só nos lembrávamos de meros fragmentos das canções originais. Nesse sentido, nos esforçarmos para manter o espírito da época em que as concebemos inicialmente e no quesito das letras, em alguns casos, tirante a genialidade que o Laert já possuía naquela época, as letras que escrevemos guardavam uma dose de ingenuidade infantojuvenil natural bem grande, certamente, portanto, o Osvaldo criou complementos para podermos fechar as canções em 2021, com essa preocupação de manter esse caráter pueril observado nos poucos trechos originais dos quais nos lembramos, quarenta e quatro anos depois. No entanto, tais complementos foram feitos para conferirmos um corpo às canções, mas totalmente passíveis de modificações, principalmente da parte do Laert, a posteriori, essa foi a intenção.  

Na primeira foto, Osvaldo Vicino toca enquanto aguarda o início do trabalho. Na segunda, Wilton Rentero nos leva de volta aos anos setenta, ao evocar a simbologia que nos norteara naquela ocasião e na terceira, eu (Luiz Domingues), Wilton Rentero e Osvaldo Vicino nos confraternizamos no instante pós-ensaio. Ensaio do Boca do Céu no estúdio "Mecanix", localizado no bairro da Vila Sonia, na zona sudoeste de São Paulo, no dia 10 de outubro de 2021. Click e acervo (Luiz Domingues (Fotos 1 e 2). Acervo e cortesia: Wilton Rentero Click: Leandro (3)

E assim, ensaiamos no dia 3 de outubro no estúdio "Lumen", localizado no bairro da Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Na semana seguinte, dia 10 de outubro de 2021, visitamos o estúdio "Mecanix", este localizado na Vila Sonia, zona sudoeste da cidade e no dia 17 de outubro, voltamos ao estúdio "Armazém", localizado no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo.

Wilton Rentero prepara a sua guitarra antes do início do trabalho. Osvaldo Vicino a tocar durante o ensaio. Ensaio do Boca do Céu no estúdio "Armazém", localizado no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo. 17 de outubro de 2021. Clicks e acervo: Luiz Domingues

Nessa altura, já tínhamos seis músicas com um corpo e mapa definidos, linhas melódicas e letras provisórias a conter os fragmentos setentistas com complementos, alguns solos já encaminhados, linhas de baixo em construção e nesse bom embalo, iniciamos o trabalho de resgate da sétima canção, no caso, a emblemática "Revirada", que nos rendera um prêmio em 1977, conforme eu já narrei através dos capítulos iniciais dessa minha história com o Boca do Céu.

Foi quando eu tive a ideia, dada a oportunidade de estarmos geograficamente a poucos quarteirões da minha antiga residência nesse mesmo bairro, de visitarmos a rua em que ela se localiza e tirarmos algumas fotos na fachada dessa casa em que ali tanto ensaiamos juntos no ano de 1977. Ótima ideia, os colegas aceitaram de imediato a proposta. Saímos do estúdio "Armazém" e em menos de cinco minutos, estacionamos os nossos respectivos carros na porta da habitação.

Na primeira foto, Osvaldo Vicino e eu (Luiz Domingues). Na segunda, eu e Wilton Rentero e na terceira, Wilton Rentero, eu (Luiz Domingues e Osvaldo Vicino. Reunião pós-ensaio do Boca do Céu na fachada da minha antiga residência localizada no bairro do Tatuapé, na zona leste de São Paulo na qual o Boca do Céu, mediante o trio retratado acima e mais Laert Sarrumor e Fran Sérpico, ensaiou muito nos idos de 1977. Acervo e cortesia: Wilton Rentero. Clicks: Wilton Rentero (1e 3) e Osvaldo Vicino (2)

Incrível, a aparência do imóvel se apresentava inalterada, a não ser por uma grade de proteção que foi colocada sobre o portão da entrada lateral que direciona à edícula e na qual usávamos como um estúdio improvisado em 1977. Tirante tal modificação naturalmente decorrente da parte do atual morador e de seu vizinho, com o fator da segurança, estava tudo absolutamente igual, tal qual nos anos últimos anos da década de setenta em que ali vivi e que servira de base de ensaios para o Boca do Céu. 

Assim que postamos as fotos no grupo de WhatsApp, Laert Sarrumor se manifestou com muita emoção pelo ocorrido e a lastimar não ter estado conosco para estar registrado conosco nas fotos e claro que eu lhe disse que outras oportunidades ocorreriam nesse sentido.

Continua...