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sábado, 28 de abril de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 3 - Por Luiz Domingues

Foi em agosto de 1976, portanto, que tive pela primeira vez na vida, o sabor de ver algo a meu respeito publicado. Trato esse acontecimento singelo, como o nascimento oficial de meu portfólio. Saiu na edição n° 20 da revista "Rock, a História e a Glória" com The Beatles, como matéria principal.

Trata-se de uma carta tola que escrevemos para a revista, "Rock, a História e a Glória", a falar de nossa banda. Nessa carta, apresentamo-nos com um novo nome, pois achávamos o "Céu da Boca", impróprio para uma banda de rock, e a rebatizamos com algo mais, digamos, "barra pesada": "Injeção na veia". Osvaldo datilografou a carta e escreveu certo a palavra "injeção". Mas algum problema ocorreu na diagramação, e na revista saiu grafado "Ingeção", com "G".



Esse erro, somado ao texto adolescente e absolutamente ingênuo que enviamos, deu-nos notoriedade, pois na edição seguinte, houve uma quantidade grande de cartas indignadas da parte de outros leitores, a avacalhar-nos. Em suma, a banda era absolutamente iniciante, mas em três meses, ganhava notoriedade, sem ao menos ter ensaiado ainda, formalmente !
Então, o Edson Coronato saiu e com o anúncio no Jornal da Música (tratava-se de um suplemento que vinha encartado dentro da Revista, "Rock, a História e a Glória"), a procura de vocalistas, recebemos algumas cartas vindas de alguns postulantes. Culminou em interessarmo-nos por um rapaz chamado, Laert Júlio, que dizia ser compositor; vocalista, e que sabia tocar um pouco de teclados.

Marcamos encontro na escola onde eu e Osvaldo estudávamos, e o recebemos no pátio, durante o recreio de um dia de aulas. Naquela Era pré-internet, não sabíamos como ele era, e sonhávamos com um "frontman" a exibir um visual igual ao do Robert Plant...
Nossa primeira impressão no entanto, foi de desapontamento ao vermos um sujeito com cabelos curtos, com aquele corte tradicional e antiquado dos anos 1930, roupas de tergal, e óculos fundo de garrafa...

Laert Sarrumor, em foto bem mais atual, já famoso, após anos de carreira consolidada com o Língua de Trapo 

Não conhecíamos o termo "Nerd" naquela época, mas era exatamente isso o que estávamos a pensar. Ainda mergulhados no espírito setentista, a única coisa que ocorreu-nos foi arranjar-lhe o apelido de "Fripp", em uma alusão ao genial guitarrista do King Crimson, Robert Fripp, que desde 1975, havia adotado o visual "anti-Rocker", com cabelos curtos e uso de um figurino bastante convencional, até no uso de terno e gravata.

Continua...