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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 399 - Por Luiz Domingues

Agora, chegou a hora de falar do núcleo base da banda, do trio que a fundou em 1982, e escreveu sua história. Na verdade, termino a falar sobre a dupla que acompanhou-me nessa jornada incrível: Rubens Gióia e José Luiz Dinola.


José Luiz Dinola

Zé Luiz, por ser técnico ao extremo, nos impulsionou rumo ao Jazz-Rock, de uma forma absurda, logo no início das nossas atividades de composição do material da banda. Não foi o caso de que não gostássemos do Jazz-Rock da década de setenta, pelo contrário, eu e Rubens o apreciávamos muito. No entanto, não era a nossa predileção natural. Gostávamos mais de Rock'n' Roll clássico, Hard-Rock e Prog Rock setentistas, Acid Rock e Psicodelia sessentista, e no meu caso pessoal, a lista estender-se-ia em direção à Black Music, Folk-Rock, MPB etc.

No entanto essa guinada nossa para o Jazz-Rock, moldou a nossa personalidade inteiramente a seguir, e de certa forma, obscureceu os signos de outras tendências que apreciávamos no Rock, a estigmatizar-nos como a uma banda de Jazz-Rock, com forte acento setentista.
Portanto, muito do que construímos nos primeiros anos da banda, e digo em termos de repercussão, após termos feito a nossa primeira aparição na TV, foi por conta dessa identidade sonora que marcou a nossa imagem. Portanto, nessa primeira análise, computo ao Zé Luiz, a importância de nos ter dado a primeira imagem pública enquanto identidade sonora, e que muito nos deu respeito, sobretudo. Longe de ser algo palatável ao mundo fonográfico e radiofônico, essa vertente de difícil assimilação pelo grande público, nos proporcionou respeito entre músicos, jornalistas e produtores, ao menos.
Como baterista, o Dinola dispensa apresentações. É simplesmente um dos maiores da história do Rock brasileiro, pela técnica refinada, versatilidade e criatividade.

Dinola sempre teve potencial para cantar bem. No início das atividades da banda, assumiu cantar algumas canções, mas foi a deixar de lado, à medida que fomos a incorporar vocalistas de ofício em nossa banda.

Quando nos envolvemos no Sidharta, muitos anos depois (essa banda tem capítulos exclusivos, já publicados e encerrados), ele demonstrou grande evolução nesse quesito, e cantava ainda melhor e também ficara muito bom para criar arranjos vocais. Aliás, talento para arranjador sempre foi uma outra qualidade sua. Desde o início d'A Chave do Sol, a sua capacidade inventiva foi extraordinária para dar ótimas ideias de arranjos.
Sobre A Chave do Sol em si, lembro com saudade do nosso esmero incrível em criarmos convenções intrincadas de baixo & bateria. Passávamos horas a criar e repassar trecho por trecho, ao moldarmos divisões rítmicas as mais inusitadas e quase sempre sob difícil execução, ou seja, como gostávamos de complicar as coisas! Mas também, como ficavam expressivas tais criações, e realçavam as nossas composições!

Fora da música, Dinola é um gênio inventivo. A sua capacidade para realizar tarefas com as próprias mãos é incrível. Na eletrônica, na marcenaria & carpintaria, a construir e consertar objetos os mais variados, Dinola sempre foi um misto de Professor Pardal, e um produtor executivo com poderes de contra-regra que cumpre qualquer tarefa.

Outra característica sua muito boa, sempre foi a sua boa vontade de enfrentar todos os desafios, e não foram poucos os que tivemos que suplantar. Somente na reta final da história da nossa banda, mediante o duro golpe da frustração gerado por não termos dado o passo além que achávamos que estávamos perto de dar, o desanimou. Lastimo muito que isso tenha lhe dado o impulso de deixar a banda. Talvez se esperasse mais um pouco, a crise em que mergulhamos poderia ser suplantada se estivéssemos unidos, mas com a sua saída, ficou difícil de contê-la e pior que isso, evitar o final da banda. 
Sou-lhe grato pela música bonita que produziu com as suas baquetas, pelo companheirismo, pelas risadas que demos muitas vezes pelas caronas em seu automóvel, pelas horas a fio em que trabalhamos no escritório de seu pai, em prol da nossa banda etc.

Depois que desistiu da loucura de deixar a música, Dinola teve trabalhos com combos diversos pela noite paulistana, ao ter tocado com muita gente. Envolveu-se em uma época, já no avançar dos anos noventa, com um tecladista que fazia música eletrônica e esteve em shows sazonais de algumas voltas que A Chave do Sol tentou fazer, mas dos quais eu nunca participei.

Em 1998, ele entrou em uma nova banda que eu estava a formar, chamada: Sidharta. Ali, a nossa dupla se uniu novamente, após um hiato de doze anos e então, desenvolvemos um lindo trabalho ao compormos juntos, vinte e três músicas ao lado dos então jovens e desconhecidos multi-instrumentistas, Rodrigo Hid e Marcello Schevano. Ele deixou essa banda no início de 1999, por não estar a concordar com nossa meta que era radicalmente fechada com a orientação Retrô.   

Pela noite paulistana, mantém uma banda que toca clássicos do Rock, com Rodrigo Hid e Marcião Gonçalves, chamada: "Tarântula".
Em 2012, Dinola entrou para o Violeta de Outono, uma grande banda psicodélica e progressiva, que eu admiro bastante. Lá, está até os dias atuais (2015), e vive grande fase. Já gravou um lindo disco com essa banda, e tive o prazer de vê-lo ao vivo a atuar com eles, no ano de 2014, com o Centro Cultural São Paulo abarrotado de gente. Fiquei imensamente feliz por vê-lo a estar presente em numa banda tão significativa, e à altura de sua técnica refinada e vice-versa.

Nos falamos constantemente pelas redes sociais, e também nos vemos com regularidade, pessoalmente. 

Rubens Gióia  
Quando a minha banda cover, Terra no Asfalto, tentou dar a sua última cartada em junho de 1982, por indicação da dona de uma casa noturna onde costumávamos tocar, esta senhora nos indicou o namorado de sua filha, que era um jovem guitarrista chamado: Rubens Gióia. Eu não poderia imaginar isso naquele momento, mas conhecê-lo, mudou a minha vida dali em diante. Em questão de pouco tempo, a ideia dele entrar na formação do Terra no Asfalto, para revitalizar aquela banda que estava a acabar, dissipou-se, pois nos identificamos como Rockers em busca do mesmo sonho e aí, nasceu: A Chave do Sol.

Rubens tinha a ousadia como característica sua pessoal, e graças à essa característica que eu definitivamente não tenho, pois sou cauteloso e comedido por natureza, a banda se lançou no mundo artístico, sem ao menos estar com a sua formação pronta.
A loucura de marcar um show, com a banda incompleta ainda e sem repertório, nos forçou a queimar etapas e muito rapidamente, saímos da condição de uma banda confinada em estúdio, para o palco. O seu entusiasmo e amor pela banda, sempre foram notáveis.

Como guitarrista, Rubens foi um talento nato, sem nunca ter feito aulas. Com um ouvido muito bom, e a a paixão pelo Rock como mote, ele moldou a sua personalidade Rocker que o forjou como guitarrista.
As suas influências sempre foram as melhores possíveis. O Rock das décadas de sessenta e setenta em predominância máxima, e Jimi Hendrix como o seu farol para guiá-lo em todas as ocasiões.

E desse mestre sessentista, ele não aprendeu os riffs e licks apenas, mas a vontade de fazer loucuras com a guitarra em cena. A sua mise-en-scène em tocar com a guitarra nas costas, com os dentes e mediante outros malabarismos alucinados que cometia em cena, nos acrescentou muito em visibilidade, nos shows e nas aparições via TV que fizemos.
A sua marca registrada sob o ponto de vista do áudio, foi o uso intermitente do pedal "Phase 90", a conferir um colorido especial ao som d'A Chave do Sol.

Rubens sempre teve uma boa voz e talvez um dos nossos maiores erros de estratégia em nosso planejamento foi no sentido de constantemente nos preocuparmos em procurar vocalistas, sendo que a voz dele era tão boa ou melhor, do que qualquer vocalista que sedimentara-se no campo mainstream do BR-Rock 80's.

Um amigo leal e fraternal, sou-lhe grato pelo companheirismo, pelos sonhos compartilhados, pela luta, pela ajuda pessoal em muitos momentos, pelo apoio que nos deu através de sua própria residência, transformada em local de trabalho e sem a qual, não teríamos tido o respaldo para construir a carreira, pelas boas histórias que construímos juntos, pelas risadas, pelo Rock e pela possibilidade de fazermos de um sonho, a realidade através d'A Chave do Sol.  
Infelizmente, ficamos com a nossa amizade fraternal muito estremecida após a rusga que decretou o final da banda em dezembro de 1987. Ambos ficamos magoados, um com o outro, por uma série de mal-entendidos que nos levaram a crer que um agira mal para com o outro. Mas o tempo provou que ambos estávamos errados, e tudo fora gerado pela má interpretação dos fatos.

Eu tive que participar da dissidência da banda, por não ter outra alternativa, mas na prática eu nunca desejei isso e o ideal teria sido mantermos a nossa banda unida por muitos anos, após a sua ruptura em dezembro de 1987.

Mesmo estremecidos e afastados como amigos, eu fiquei feliz quando soube que no ano de 1988 ele se envolvera com uma nova banda que tinha um esquema forte para ser lançada em gravadora major. Fiquei a saber que gravou um disco no Rio de Janeiro, com uma produção boa, e a ter a persona de Marcelo Sussekind, ex-guitarrista d'A Bolha e do Herva Doce, como produtor desse trabalho. Mas esse projeto não avançou, infelizmente.

Pouco tempo depois, soube que entrara na formação da Patrulha do Espaço, que era uma banda que ele admirava muito, desde a adolescência. Neste caso, foi uma volta da banda, que estava parada há algum tempo, e assim, vi com alegria os cartazes desse show de estreia, em vários lugares de São Paulo. Fiquei contente novamente, pois sabia que ele seria muito feliz e bem sucedido a tocar com Rolando Castello Junior e Sergio Santana. Mas um golpe do destino o atrapalhou nesse sentido, pois o baixista, Sergio Santana falecera precocemente a seguir, para destruir os planos da banda.

Em 1992, ele gravou o LP Primus Inter Pares dessa banda, como uma homenagem ao grande, Serginho Santana, mas isso não caracterizou uma retomada da Patrulha do Espaço, propriamente dita, apesar dessa formação ter feito alguns shows.

Em 1995, nos encontramos nos bastidores de um show do Pitbulls on Crack, banda onde pela qual eu atuava na ocasião, e nos falamos educadamente, mas sem o pleno restabelecimento da amizade, ainda. 

Daí em diante, o Rubens tentou articular a volta d'A Chave do Sol várias vezes, e convidou-me diretamente para em tais tentativas que efetuou. Sobre o por que de eu não ter aceito tais convites, eu já expliquei em capítulos anteriores. No início dos anos 2000, Rubens compareceu a dois shows da Patrulha do Espaço, quando eu fui componente dessa banda, então. O clima entre nós melhorara, pois nos falamos com uma proximidade bem melhor, quase como nos velhos tempos.

Em uma dessas tentativas de volta d'A Chave do Sol, chegamos a ensaiar em 2005, a visar o um show que seria realizado através de uma casa noturna, e esta com apelo saudosista, onde algumas bandas da cena pesada e underground dos anos oitenta se apresentariam para estabelecer uma espécie de micro-festival com tal propósito. Mas não deu certo.

Depois disso, houve mais uma tentativa em 2007, e da qual declinei do convite, por que estava a atuar com o Pedra
Ensaio d'A Chave do Sol em 2012, mas somente com ele, Rubens, da formação original a estar envolvido

Uma nova tentativa para se reunir A Chave do Sol foi feita por parte do Luiz Calanca, em 2012. Já contei sobre isso, detalhadamente em capítulo anterior.

Por volta de 2013, quando eu já estava a tocar com Kim Kehl & Os Kurandeiros, Rubens assistiu vários shows nossos em uma casa noturna da zona norte de São Paulo. Nesses encontros, conversamos bastante, e a amizade esteve recomposta, enfim, livre dos ressentimentos do passado.

No ano de 2014, eu fui convidado a tocar em um show em homenagem ao Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado e nosso amigo desde os anos oitenta e que infelizmente falecera de forma súbita. Nesse evento, toquei com Rubens, além de Roger Bacelli e Marcelo Ladwig, em um combo reunido de improviso. Fizemos um som meio na onda do Jazz-Fusion, e na plateia havia a presença de muitos fãs d'A Chave do Sol que entraram em êxtase por essa reunião inesperada. De fato, eu eu não tocava com Rubens, desde dezembro de 1987...
Magnólia Blues Band e Rubens Gióia no projeto Quarta Blues, em 2014. Da esquerda para a direita: Alexandre Rioli (aos teclados, com chapéu), Kim Kehl (guitarra), Rubens Gióia (guitarra), Carlinhos Machado (na bateria), e eu, Luiz Domingues, no baixo.


Ainda em 2014, Rubens foi nosso convidado no projeto "Quarta Blues", da outra banda onde toco, o Magnólia Blues Band. E foi muito bom recebê-lo. 

Estou a escrever este trecho em julho de 2015, e dias atrás, tive o prazer de ver a estreia de sua nova banda. Nos confraternizamos fortemente nesse dia, e agora como espectador, tive a visão privilegiada de ver um ciclo a reiniciar-se... ao ver o seu trio em ação, a impressão que eu tive foi de que a história estava a se repetir, e esse show foi portanto, a retomada do show de estreia da própria, A Chave do Sol, através do longínquo dia 25 de setembro de 1982.

E muito emblemático, ele mesmo disse isso ao microfone, e a apontar-me na mesa onde eu assistia o espetáculo...
Que prospere muito a sua nova banda: "Gióia; Sucata & Musicman", um Power-Trio da pesada.

Bem, estou a encerrar este longo capítulo de minha autobiografia.
A Chave do Sol tem uma importância gigantesca na minha carreira, e não dá para expressar isso com poucas palavras, todavia está implícito nos trezentos e noventa e nove capítulos que escrevi para tentar passar ao leitor essa emoção. 

Como de costume, deixo claro que a qualquer momento novidades poderão surgir. No Blog, abrirei sempre espaço para adendos, correções, postagem de materiais em geral que possam surgir a posteriori etc. E no caso d'A Chave do Sol, tenho muito material a resgatar, e já o tenho feito com regularidade desde 2011, quando lancei todas as músicas das demos de 1986, e algum material ao vivo de 1983, incluso duas músicas inéditas: "Utopia" e "Intenções".

Na época, tive o apoio do Site/ Blog Orra Meu, onde sou colaborador como colunista há quatro anos. Lancei também muitos vídeos inéditos, e que foram postados no YouTube.
Recentemente, eu estabeleci parceria com a produtora, Jani Santana Morales, que vem a trabalhar nesse sentido também, e alguns vídeos inéditos foram lançados. A proposta é desengavetar tudo o que tenho disponível e portanto, à medida que forem a ser lançados, posto-os aqui, e no meu Blog 3.
Eu, Luiz Domingues, e o jovem e entusiasmado produtor cultural, Will Dissidente, em duas fotos clicadas diretamente do auditório do Teatro Olido, em São Paulo, por ocasião de um show do Pedra, que ali se realizou em 9 de novembro de 2013


Recomendo visita e apoio ao Blog A Chave do Sol. Reitero, esse blog não é moderado por minha pessoa, mas por um rapaz chamado: Will Dissidente. Ele existe de fato, não é um pseudônimo meu.

Visite o Blog A Chave do Sol:
http://achavedosol.blogspot.com.br/

No meu Blog 3, a proposta da minha autobiografia completa é a da formatação de um livro impresso. É mais fácil para ler com tal ordenação, visto que aqui, no Blog 2, os capítulos ficam mesclados e "ensanduichados" pelas colunas de meus colaboradores fixos e sazonais, além dos anúncios de meus shows com minhas bandas atuais.

Visite o meu Blog 3:
http://luizdomingues3.blogspot.com.br/2015/05/a-chave-do-sol-capitulo-1-rock-autoral.html

Eu criei e modero comunidades d'A Chave do Sol em algumas redes sociais, mas com objetivo de repercutir o meu texto autobiográfico. Com mais tempo a sobrar no futuro, abrirei em outras redes, também.

Um texto medíocre e baseado na opinião superficial de um site de Heavy-Metal da Alemanha, alimentava a descrição d'A Chave do Sol no Wikipedia. Pois eu reescrevi a história da banda resumidamente nessa enciclopédia virtual, ao dar-lhe dignidade.

Página da Chave do Sol no Wikipedia:
https://pt.wikipedia.org/wiki/A_Chave_do_Sol

Um livro impresso da autobiografia inteira, está nos planos. A formatação no meu Blog 3, já é pensada nesse sentido.  
Tenho muito orgulho de ter feito parte dessa banda. As lembranças boas são as mais doces, e as ruins, principalmente sobre o seu momento final, foram sublimadas e estão devidamente cicatrizadas.

Agradeço à todos os profissionais que trabalharam conosco: técnicos, produtores, empresários e roadies!

Sou grato aos jornalistas, radialistas, e profissionais televisivos que nos deram chances!

Aos familiares, parentes e amigos que tanto nos ajudaram!

Aos fãs do trabalho, que nos apoiaram intensamente e muitos, até os dias atuais!

E aos companheiros de jornada, que ajudaram-me a construir essa trajetória vitoriosa e marcante na história do Rock paulista e brasileiro!
Percy Weiss: grato pelos primeiros dois shows, a abrilhantar a nossa iniciante banda com a sua voz privilegiada e também com a sua bagagem & fama inerentes. Descanse em paz.  
Verônica Luhr: Muito obrigado por me proporcionar tocar contigo, a ouvir a sua voz inacreditável. Você foi e ainda é a Tina Turner loura e com olhos azuis! Espero que esteja e seja sempre muito feliz!  
Chico Dias: Obrigado pela sua passagem pela banda. Que pena que não prosperou como desejávamos, mas você era um bom vocalista/frontman. Fiquei muito chateado contigo por um bom tempo, por conta de sua saída abrupta da banda, mas saiba que entendo a situação de outra forma agora, e não guardo mágoa alguma. Seja muito feliz aí no teu Rio Grande do Sul!
Fran Alves: Sou-lhe muito agradecido pelo privilégio de ter tido a sua presença como componente da minha banda. A sua voz era de arrepiar e sobre a sua presença de palco, muito intensa e dramática. Em toda a minha carreira, vi poucos artistas subirem em um palco e ter essa entrega que você tinha. Fico muito aborrecido pelos dissabores que enfrentou, injustamente ao meu ver, por algumas pessoas que reprovaram a sua passagem pela nossa banda. Descanse em paz, velho amigo e um minuto além, eu chego aí para te reencontrar. 

Como diz o poeta, Julio Revoredo, "A humildade é o caminho para a felicidade superior", portanto, Fran, você vive essa plena felicidade, aí no outro lado, tenho certeza!
Beto Cruz: Muito obrigado pela colaboração que foi fortíssima com músicas, letras, capacidade de organização, e trabalho de campo como produtor!

Muito grato pelos shows que fizemos, pela sua seriedade no trabalho e pelas brincadeiras nas horas certas que me proporcionou boas risadas, grato por ceder a sua residência para ensaiarmos e ministrarmos aulas, obrigado pela voz, pela guitarra e pela performance de frontman carismático que angariou muitos fãs para a nossa banda! Seja muito feliz aí nos Estados Unidos, com a sua esposa e filha, e sempre estarei a apoiar os seus feitos musicais!


José Luiz Dinola: Obrigado pela sua bateria superb, pela possibilidade de criarmos linhas de baixo & bateria que marcaram imensamente ao ponto de serem comentadas como referência para muitos músicos que surgiram depois de nós, grato pela amizade, companheirismo, pela sua luta incansável, pelo inacreditável talento para criar e fazer múltiplas tarefas em prol da banda, pelos sacrifícios pessoais que teve para privilegiar os interesses da nossa banda, enfim, grato por ter sido o baterista d'A Chave do Sol, o nosso grande porto seguro atrás dos tambores da bateria! 

Como sempre digo, José Luiz Dinola é um baterista nota dez, e um ser humano nota mil! Estou a torcer muito para que ele seja muito feliz no Violeta de Outono, por muitos anos!


Rubens Gióia: Obrigado por dar sustentação ao meu sonho batalhado desde 1976, mas só alcançado efetivamente em 1982, grato pela guitarra "Hendrixiana" da qual me orgulhava em ter à disposição em minha banda, grato pelas músicas, grato pelas performances, grato por fazer de sua residência o QG onde concretizamos nossa banda, grato pelas risadas que demos, grato pelos malabarismos com a guitarra e que arrancavam uivos da plateia, grato pela sua voz que imortalizou o nosso primeiro sucesso registrado em disco, enfim, grato por tudo!

Estou na torcida para que sua nova banda construa uma história tão linda como a que construímos com A Chave do Sol!

Está encerrada essa etapa da minha autobiografia. daqui em diante, a seguir a cronologia da minha autobiografia, o assunto é "Sala de Aulas", a descrever a minha atuação como professor de música por cerca de doze anos de 1987 a 1999.

Muito obrigado por ler, amigo leitor!  

Viva A Chave do Sol!

domingo, 19 de julho de 2015

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 397 - Por Luiz Domingues

Falo agora sobre um colaborador muito querido da banda, cuja participação com parceria de letras em algumas músicas nossas, muito me orgulha.

Julio Revoredo
 
O poeta, Julio Revoredo, em um momento de 1984. Foto de seu acervo pessoal

Conhecemos o Julio no primeiro show que fizemos, em 25 de setembro de 1982, através de Wagner "Sabbath", um amigo em comum. Estabelecemos amizade instantânea, pela óbvia sincronicidade de ideias e ideais, não só em torno do Rock, mas em várias outras frentes abrangentes da cultura e da arte em geral.  
Em foto de 1985, Julio Revoredo a segurar a capa do EP lançado nesse mesmo ano. Foto de seu acervo pessoal

Com a amizade sedimentada e a frequentar a sua residência com regularidade, eis que eu descobri sua obra como escritor e poeta e fiquei muito impressionado com sua produção sofisticada, hermética, profunda e sob enorme profusão, pois o Julio foi (é), um artista vulcânico, eu diria, tamanha a sua volúpia para criar. E da parte dele, o seu entusiasmo pela nossa banda tornou-se contagiante. Ele enxergar em nós, o mesmo potencial que bandas clássicas dos anos sessenta detinham, em particular, o Cream, a sua banda de cabeceira.
Foto de 1984, quando o poeta, Julio Revoredo nos acompanhou à se da Rádio Cultura Rádio Cultura AM. Foto de seu acervo pessoal

Daí a pensar em ter um poema seu para musicarmos foi uma questão natural e já em 1983, trabalhamos nesse sentido. Das músicas em que usamos os poemas seus, duas entraram oficialmente em disco. Imortalizadas estão, portanto: "Segredos" e "Ufos", a se tratar de poemas brilhantes e profundos por ela concebidos. Depois da minha participação com A Chave do Sol, eu convidei o Julio Revoredo para nos escrever letras para o Sidharta, banda que formaria em 1997, e três dessas letras foram gravadas pela Patrulha do Espaço no álbum "Chronophagia" em 2000, visto que tais músicas do Sidharta, foram aproveitadas pela Patrulha do Espaço.

Julio é o único personagem d'A Chave do Sol que eu nunca deixei de manter contato, em momento algum. Somos amigos e nos falamos regularmente, desde 1982.  

Desde 2012, Julio é colunista fixo deste meu Blog 2, onde publica normalmente os seus brilhantes poemas, mas ele também já publicou pequenas crônicas e matérias sobre música.

Hora de falar sobre os membros da banda, e começo pelos que tiveram passagens mais curtas pela nossa banda, A Chave do Sol.

Percy Weiss

Percy Weiss entrou em nossa vida por conta de uma loucura arquitetada pelo Rubens, em um momento em que sua ousadia nos garantiu um debut na vida artística, com alto gabarito. Muito famoso no métier do Rock, Percy já detinha a consagração artística que nós absolutamente não tínhamos ainda, portanto, a sua inclusão no primeiro show da banda, foi um luxo para nós.  
O nosso show de estreia foi acima da média para um show de estreia de uma banda totalmente desconhecida a dar o seu primeiro passo, pois com um artista como Percy nos vocais, o nosso espetáculo provocou um surpreendente interesse, além das nossas possibilidades reais na ocasião. Tal resultado inicial foi tão animador, que chegamos a cogitar a chance dele prosseguir conosco doravante, mas apenas dois shows foram feitos com a sua presença nos vocais e dessa forma, a sua decisão de não querer ficar na banda, prevaleceu.

O tempo passou e muito recentemente, ele concedeu uma entrevista longa ao programa "Vitrola Verde", do meu amigo, Cesar Gavin, e mediante tal oportunidade, ele falou algo surpreendente sobre essa passagem efêmera que tivera pela nossa banda.


Veja abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=rpdSNGTZhsM
Infelizmente, pouco tempo depois de filmar essa entrevista, Percy Weiss faleceu, vítima de um acidente automobilístico ocorrido na Rodovia dos Bandeirantes, ao deslocar-se de São Paulo para Campinas, onde estava a morar, em abril de 2015.


Verônica Luhr

Uma joia rara e bruta que o Rubens sugeriu que ouvíssemos, Verônica Luhr detinha um potencial inacreditável. Uma mulher jovem e linda, com porte de modelo (e de fato era esta a sua profissão, pois desfilava para o estilista, Ney Galvão), Verônica não chamava a atenção apenas pela sua beleza física, mas sobretudo, pela voz incrível que tinha.
Imagine uma moça loura e linda, com olhos azuis e porte de modelo, mas com a voz de uma Diva do Soul, Blues, Rock, Jazz...

Ela tinha uma emissão e um timbre que muito lembrava a Tina Turner, e claro que isso fazia com que o nosso som e as apresentações da banda crescessem absurdamente.

Já falei sobre tal prerrogativa ao longo da narrativa, mas vou repetir: se tivéssemos tido a sorte de sermos descobertos por um produtor influente naquele momento em que o Br Rock 80's estava a explodir na mídia, certamente que a nossa sorte teria sido outra, pois ela se colocava em uma condição milhas acima de qualquer vocalista feminina que surgira e brilhara nessa época. Ela teria sido um estouro nesse sentido. Mas claro, o pensamento não pode ser tão simplista assim, pois para que isso acontecesse, nós teríamos que estarmos com o som adequado à tendência do momento, o que significaria dizer que seria pouco provável que algum produtor nos aceitasse como uma banda una, mas sim a ela, sozinha, como cantora solo. 

E foi exatamente o que a tirou da nossa banda, quando fazíamos temporada em uma casa badalada de São Paulo, em meio a um momento de franca expansão da nossa carreira. De fato ela recebeu proposta para fomentar uma carreira solo amparada por gravadora uma major, e um plano de ação para promovê-la mídia e foi no que ela investiu e preferiu e nos deixou então.
Tempos depois, soube que ela havia se casado com o guitarrista da "Banda Performática", do artista plástico, Aguilar, um rapaz chamado: Jean Trad, e que tivera dois filhos. Depois ouvi boatos que levava uma vida pacata como dona de casa, no interior de São Paulo.

Em 1991, ao assistir TV a esmo, a vi no programa do Clodovil Hernandes através da TV Gazeta. Estava a se apresentar com uma orquestra, diretamente do belo teatro de arame de Curitiba, vestida de gala. Achei bonito vê-la na TV a cantar.

Nunca mais a vi, e nem falei com ela, mas espero que esteja bem e muito feliz.

Chico Dias

Sempre o Rubens para se adiantar e achar soluções vocais para a banda, e assim, mais uma vez graças a sua percepção e iniciativa, ele nos proporcionou uma nova oportunidade. A nossa situação na metade de 1984, era completamente outra, com os frutos do nosso primeiro disco a render oportunidades na mídia e isso a se traduzir em shows e a formação de um público a cada dia maior de fãs do trabalho. E assim aconteceu quando ele foi perspicaz e abordou um jovem vocalista que virámos a se apresentar em um show ao ar livre realizado em uma praça pública.
Chico Dias em foto de 1984, do acervo pessoal de Julio Revoredo

Chamava-se: Chico Dias, e era oriundo de uma pequena cidade litorânea do Rio Grande do Sul, chamada, Rio Grande. Foi uma loucura, mas decidimos trazê-lo para São Paulo, no entanto, mesmo com a banda em franca expansão na carreira, e somado ao fato dele ser muito imaturo e despreparado para morar em uma megalópole do porte de São Paulo, tal operação não deu certo, simplesmente.  
O seu potencial como vocalista era bom. ele tinha uma boa voz e a sua performance de palco, ainda que carecesse de muita lapidação, se mostrava satisfatória sob uma primeira análise, mas a infraestrutura sociofinanceira, e principalmente a emocional que ele possuía, exauriu-lhe a sua força.

Não foi nada agradável a maneira pela qual ele deixou a nossa banda, mas hoje em dia eu relevo e até entendo que a sua imaturidade de então, não lhe dera subsídios para algo mais nobre, eu diria. O Zé Luiz disse-me ter falado com ele por duas ou três vezes nos anos posteriores, mas a minha lembrança ficou apenas baseada em uma carta que enviou-nos a pedir desculpas pela sua saída intempestiva. Não faço nem ideia se prosseguiu a batalhar por uma carreira na música depois que deixou a nossa banda, mas espero que esteja bem e feliz em sua terra natal.
Continua...