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segunda-feira, 7 de abril de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 117 - Por Luiz Domingues


Eis a íntegra do poema hermético que o poeta, Julio Revoredo preparou para ser apresentado como uma performática apresentação de início do show, com Edgard Puccinelli Filho, designado para s sua declamação :

"A Formiga"  ( escrito em 18 de julho de 1984)

"Ao entrarem na daedalira claustra, vocês receberam o pó que lhes embranqueceu a mente. Aqui vejo de tudo : acromyrmex ; fórmica; atta; saúva; quenquem. Voces viverão as emoções junto à medea masculina in vultus, antropotaupírico, mizar. Com eles, verão agni in sanus, labirintar, supeto naturae claustra xeno enguido, semita vitae fallentis jhwh êxodo 33-114 Dgjx, aiba, kev. Em forma de lai.

Haverão versus : imagos, imagos, imagos sobre crepera. O canto de sepulta urbis, fogo de santelmo, occuro animis, o occursus Sulphur sacrum, eremus...

E se levantará  a voz mórbida de semibus que será destruída por Teseu. Dialecticorum remis a meatin persubtilis creatio. Teseu de Mithra, Teseu de fax phoebea, Teseu de nitella, traz no nome Helio, traz no nome Febo. 

Continua...

domingo, 6 de abril de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 116 - Por Luiz Domingues


A seguir, criamos a ideia do Edgard Pucinelli Filho, entrar em cena de uma forma insólita : ele entraria enrolado dentro de um tapete, carregado por dois atores, e ao sair dele, declamaria o hermético poema inicial de Julio Revoredo. 

Quando insistimos nessa ideia, o Edgard criou um empecilho. Ele aceitara cumprir a performance, desde que o poema fosse de sua autoria e não do Julio. Nada contra a poesia dele, mas queríamos a sofisticação literária do Julio, e causar assim, uma sensação inusitada no show. 
Com muito custo, ele aceitou, mas quando realizamos os ensaios da performance na residência do Rubens, ele titubeou, pois era incômodo, sem dúvida, deixar-se enrolar dentro de um tapete. Dou-lhe o benefício desse incômodo, pois realmente nos ensaios deu para notar que não era muito tranquilo passar por essa experiência.

O nosso argumento, foi dizer-lhe que seria um sacrifício de poucos segundos e que causaria um efeito cênico incrível, o que seria uma verdade. E nesse aspecto, ele ponderou, pois a despeito da poesia ser seu o carro chefe, ele gostava da performance e exercitava isso espontaneamente em todo show de Rock em que comparecia, mesmo não ao não fazer parte da produção, mas por ser apenas um elemento a mais do público. Finalmente o convencemos a fazer a performance, e mediante ensaios realizados na residência do Rubens, com direito a sessões de gargalhadas inevitáveis, vimos que seria um pouco desagradável para ele, mas funcionaria ao vivo. Entre os "atores" amadores que convocamos para as performances, estavam os amigos :  "Celso "Esponja" Bressan; Claudio "Capetóide" de Carvalho; Daniel "Papel" Negrão; Iran Bressan, e o irmão do Claudio, Sergio de Carvalho.
Carlos Muniz Ventura, o popular, "Carlão", participou das performances, mas também atuou a ajudar na produção geral e a clicar as fotos do show.

E o Julio Revoredo, que além do suporte literário, aceitou participar, ao realizar uma performance incrível, que descreverei quando falar do show, propriamente dito.

o poeta, Julio Revoredo, em um momento de 1984, em foto de seu acervo pessoal, gentilmente cedida para a composição deste capítulo

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Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 115 - Por Luiz Domingues


Passado o show do Radar Tantã, e eufóricos com o cachet substancial que recebemos, as nossas baterias concentraram-se então nos shows de lançamento do Compacto, no Teatro Lira Paulistana. Entre tantas ideias insanas que tivemos, em meio às sessões de "Brainstorm", fechamos em alguns conceitos típicos do teatro nonsense. A ideia foi mesclar esse teatro do absurdo, à poesia hermética do poeta, Julio Revoredo.

Nessa explosiva mistura, a nossa música seria permeada por sensações de estranheza por parte do público tradicional de um show de Rock oitentista, e estávamos a apostar nesse elemento, como propiciador de um diferencial. O primeiro ponto, seria na entrada das pessoas no recinto do teatro. 

Pensamos em uma ação interativa do público, que faria conexão com o texto inicial do show que o Julio havia elaborado para nós. E dessa forma, criamos uma sketch teatral inusitada, para complementar a ação interativa com o público. 

Dentro dessa prerrogativa, o espetáculo haveria por começar na catraca, onde o espectador entregaria o ingresso do show, e um de nossos atores convidados a fazer-se de "hostess", convidar-lhe-ia a abrir uma das suas mãos para entregar-lhe uma porção de açúcar ! As reações mais inusitadas poderiam acontecer diante dessa estranha ação ! E tinha tudo a ver com o texto que daria início ao espetáculo...

Continua... 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Autobiografia na Música - A Chave do Sol - Capítulo 104 - Por Luiz Domingues


Um parêntese na narrativa para falar de um personagem que agregar-se-ia a banda e acompanhar-nos-ia doravante, até o ano de 1987. Edgard Puccinelli Filho era um freak que o Rubens conhecera nos tempos em que tocava no bar Aponto, um obscuro espaço localizado no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo. Nessas noitadas de Rock, onde muitas bandas iniciantes apresentaram-se nos idos de 1978, 1979, pouco ouvia-se música autoral. Predominavam as bandas cover, a tocar clássicos do Rock 1960 / 1970. 

Muita gente que posteriormente ficaria famosa, passou pelo "Aponto", caso do guitarrista do Ira, Edgard Scandurra, que nessa época ainda não havia bandeado-se em 100% para a causa de Malcolm McLaren, e nas noitadas do Aponto, gostava de tocar riffs de Jimi Hendrix e do The Who, seus artistas de cabeceira de então.
Já o outro Edgard, não era músico, mas um apreciador, e demonstrara um potencial para ser um agitador cultural, além de que era naturalmente, em face à sua personalidade forte, performático e poeta. Mais ou menos ao final de1983, ele apareceu em nossa vida, e tornar-se-ia a seguir, uma figura importante na "entourage" da nossa banda, ao atuar como um apoiador de produção, para toda obra. E para ir além, como era uma figura exótica em sua apresentação pessoal, culminou em tornar-se uma entidade agregada, como o agregado conhecido como : "Gato Félix" o fora para os Novos Baianos, guardadas as devidas proporções.
Edgard quase não usava jeans. Geralmente estava a trajar-se com calças de tergal, oriundas de ternos que comprava em brechós, e combinava com o toque Rocker, ao usar só um colete sem camisa, e usualmente com echarpes de seda, para dar um toque Glitter-Rock.
Costumava usar várias pulseiras, ao estilo Rocker, mas a combinar (ou "descombinar", como queira o leitor...), com calças de ternos dos anos cinquenta, quando causava uma estranheza.


Fisicamente, tinha (tem) o biotipo de um indiano, com uma pele bem escura, mas com feições caucasianas. E seu temperamento era (é) expansivo, com grande extroversão, sendo bom como relações públicas, sempre a tornar-se o centro das rodinhas de conversas, chamando a atenção de todos. 




http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=7Zcaebc8Q6s 

O link acima direciona para um curioso vídeo postado no You Tube, como uma espécie de coletânea de momentos bizarros vividos no programa "A Fábrica do Som". Logo no início, o Edgard Puccinelli Filho, vulgo "Pulgão", é entrevistado, como anônimo, e por ser performático, arranca mais tempo que o normal nesse tipo de abordagem jocosa das TV's. Lá pelo segundo 23, até o 57 do vídeo, ele declamou o seu poema, "Anjo Rebelde", que seria musicado pela A Chave do Sol, e gravado no segundo disco, o EP de 1985...

Mesmo ao saber que tínhamos uma sólida parceria com o poeta, Julio Revoredo, sempre insistiu para que víssemos os seus poemas, ao visar musicar algum material nosso, ou mesmo ter um espaço para realizar uma performance ao vivo. No meio de 1984, isso concretizar-se-ia enfim. E contarei logo mais sobre tal ocorrência.


Continua...