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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Tributo à Keith Moon) - Capítulo 79 - Por Luiz Domingues



Em 2003, o Júnior quis fazer um novo tributo à Keith Moon, o sensacional baterista do The Who, uma produção fora das atividades da Patrulha do Espaço. Em princípio, eu não queria fazer parte disso, pela natural aversão que tenho ao mundo dos covers, mas nesse caso, haveria de ser diferente, pois tinha a carga de um tributo. Em 2001, ele fizera um evento desses, e só o Marcello Schevano participara, da nossa banda.

Então, permaneci na espreita, e ele pediu-me para eu ajudar na divulgação. Claro, não custava-me nada, e eu tinha experiência com isso, pois desde 1999, fazia esse trabalho para a banda, e costumava liderar equipe com filipetadores, e colocação de cartazes pela cidade.
                     O excelente baixista, Renê Seabra

Outra fera das quatro cordas, Nelson Brito é um dos melhores baixistas do Rock Brasileiro, e um grande especialista na arte de John Entwistle, baixista do The Who

Em princípio, o baixista seria o René Seabra, mas em um dado momento, ele convidou também o Nelson Brito, e pediu-me para tocar pelo menos duas músicas. E desta vez, o evento seria no Centro Cultural São Paulo, portanto um local bem melhor para um evento desses, e haveria a participação de quatro bateristas : Rolando Castello Júnior; Paulo Zinner; Frankin Paollilo e Marinho Thomaz. 


Na ordem, os bateristas : Rolando Castello Junior (Patrulha do Espaço); Franklin Paollilo (Rita Lee & Tutti-Frutti); Marinho Thomaz (Casa das Máquinas), e Paulo Zinner (Golpe de Estado)

Ou seja, grandes feras da bateria do Rock brasileiro dos anos 1970, e o Paulo Zinner a representar a geração dos anos 1980 / 1990. Ensaiamos em um estúdio, no bairro da Saúde, zona sul de São Paulo, e a minha participação foi em apenas dois ensaios. Eu tocaria "Won't Get Fooled Again" e "Baba O'Riley", do repertório clássico do The Who.

                        Junior Muelas, d' A Estação da Luz

Minha lembrança desse ensaio, foi a de uma longa conversa entre Paulo Zinner; Franklin Paollilo; eu, Luiz Domingues e Juninho Muelas, baterista da banda, "Estação da Luz", onde muitas lembranças do Franklin, sobre seu tempo com Rita Lee & Tutti-Frutti, incluso a gravação do LP "Fruto Proibído", e os shows dessa turnê, foram contados para nós, em detalhes. O show ocorreu no dia 5 de outubro de 2003, e contou com um bom público.
Foi um bom show-Tributo, e visualmente, bonita a ideia em ver os quatro kits de bateria, um em cada canto do palco.
Franklin Paollilo; Rolando Castello Junior; Paulo Zinner, e Marinho Thomaz, quatro feras da bateria no Rock brasileiro, a tocar juntos e homenagear o grande, Keith Moon
Um mês depois, saiu a resenha desse espetáculo, na Revista Rock Brigade, nº 208 - novembro de 2003 

Foram trezentas e cinquenta pessoas que passaram pela bilheteria, e apreciaram bastante a performance.
Carla Viana, a incrível vocalista do "Senhor X"

Robson Rocco, um dos melhores vocalistas do Hard-Rock paulistano


E as guitarras e teclados ficaram a cargo de Rodrigo Hid e Marcello Schevano; mais as vocalizações de Robson Rocco (Paulo Zinner Rockestra), e Carla Viana (Senhor X).
Marcello Schevano e Rodrigo Hid, guitarristas, tecladistas e vocalistas da Patrulha do Espaço, na ocasião        

No baixo, eu (Luiz Domingues); Renê Seabra, e Nelson Brito.
 

Continua...   

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Gravação de Tema Antidrogas) - Capítulo 75 - Por Luiz Domingues



Algum tempo depois em ter trabalhado com os rapazes do "Essex" e também com os do "Eternal Diamonds" em estúdio, ainda em 1997, recebi o telefonema do vocalista, Nando Fernandes (Cavalo a Vapor, Hangar), ao convidar-me para participar de uma gravação de um tema, em prol de uma campanha contra as drogas. 

      Um dos melhores vocalistas do Brasil, Nando Fernandes

Seria tudo patrocinado por uma entidade, mas claro, a participação dos músicos, seria sem cachet. Aceitei o convite por tratar-se de uma causa nobre, evidentemente. Segundo o Nando, seria formada uma banda base, e diversos vocalistas e guitarristas revezar-se-iam nos vocais e na realização de diversos solos. Foi marcado um primeiro ensaio, e para a minha sorte, era bem perto de casa, questão de dois quarteirões.
Curiosamente, eu já morava, naquela época, há sete anos no bairro (Aclimação, zona sul de São Paulo), e não conhecia esse estúdio de ensaio, mesmo ao passar constantemente em sua porta. Compareci ao estúdio, e por morar perto, fui o primeiro a chegar. A sala que usaríamos estava ocupada ainda pelo cliente anterior, que verifiquei ser o "Exaltasamba". Quando o segundo participante chegou, vi que tratava-se do baixista, Luis Mariutti, naquela época já bem famoso por tocar na banda de Heavy-Metal, "Angra". 
                     O ótimo baixista e gentleman, Luis Mariutti

O sucesso não o mudara em nada. Calmo, educado e humilde, lembrou-se de minha pessoa, e assim ficamos a conversar, ao relembrarmos o fato dele ter ficado doente, e eu tê-lo substituído em um show de sua então banda, o "Firebox", sete anos antes (relatado em capítulo anterior). Então chegaram paulatinamente os outros participantes, e os pagodeiros do "Exaltasamba" terminaram o seu ensaio, para abrir o caminho para nós.
          Átila Ardanuy, excelente guitarrista e produtor musical   

Lembro-me da presença do Átila Ardanuy, irmão do guitarrista, Edu Ardanuy. Também da escola do virtuosismo, Átila tocava muito bem, mas seu espectro de música, era o do som pesado oitentista, como praticamente todos os demais envolvidos naquela produção. O Hélcio Aguirra estava presente também; havia um tecladista; outro guitarrista que não recordo-me exatamente quem seria, e o baterista, que foi o Franklin Paollilo.

Um dos melhores bateristas do Rock brasileiro, de todos os tempos, Franklin Paollilo

Surpreendi-me contudo, pois quando o ensaio começou, o Nando perguntou se alguém tinha alguma ideia inicial. Achava que o tema já estava composto, e só o ensaiaríamos. Todavia, a proposta foi criá-lo ali na hora, ensaiar, e dali há poucos dias, entrar em estúdio para gravá-lo. O Átila tomou a dianteira, e pôs-se a dirigir a criação do tema, que ficou bem Pop anos oitenta, meio Van Halen / fase Sammy Haggar, meio Yes fase  / Trevor Rabin. Combinei com o Mariutti, para eu tocar bem simples, ao estabelecer uma linha reta, e sem frase alguma, e ele ficar livre para criar intervenções, assim não embolaríamos, visto que o Nando queria dois baixos no track. A gravação ocorreu alguns dias depois, no estúdio Mosh. Ali no estúdio, eu e o Franklin fizemos a base geral, junto ao Átila e Hélcio Aguirra, porém, haveria uma enorme gama de guitarristas convidados, para executar os solos.

                       Luiz Carlini, lenda do Rock Brasuca   

Lembro-me em ver no estúdio, o Luiz Carlini, Edu Ardanuy e Faiska, entre outros. Fui embora, após ter feito a minha parte. Lembro-me que o estúdio tornou-se uma balbúrdia com tanta gente. Tal produção ocorreu na sala "C".


                   Faíska Borges, um guitarrista impressionante

Na sala "A", estava a cantora de MPB, Simone, a gravar um novo álbum. Os dias passaram e o Nando não ligou-me mais. Alguns anos depois, quando eu estive na Patrulha do Espaço, o encontrei ocasionalmente em uma lanchonete. Ele então disse-me que ficara engavetada a música, e que estava para ser dada uma solução para isso, e que avisar-me-ia para providenciar-me uma cópia. Ficou por isso, e não consigo nem lembrar-me dessa canção, nem mesmo o nome que a designou. No cômputo geral, ficou bem gravada, lógico, pois tratava-se do Mosh, um dos melhores estúdios do Brasil, e com um contingente de músicos bons, a tocar. Mas o seu formato ficara bem Pop oitentista, cheio de solos virtuosos e intermináveis, com a letra a ficar muito piegas. Bem seria difícil tratar de um assunto dessa natureza e não soar ingênuo, eu reconheço. O Nando é extremamente gentil e bem intencionado, portanto, sem dúvida que esse destino mal traçado para o projeto, não foi sua culpa.

Continua...