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domingo, 18 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (T.Rex Cover) - Capítulo 69 - Por Luiz Domingues


Após essa frustrada tentativa em montar uma banda tributo do David Bowie, o Chris ligou-me a seguir, e disse que o produtor Geraldo D'Arbilly (ex-baterista do "Peso", nos anos setenta), que agendava shows na casa de espetáculos, "Aeroanta", ficara frustrado, pois queria fazer o tributo ao David Bowie, por lá. Então, a antecipar-se, falou ao Geraldo se este aceitaria marcar para uma data para um possível, "T. Rex" cover, como outra alternativa para um artista da escola do Glam-Rock setentista. Como era fã de Glitter Rock setentista, o Geraldo disse que sim, e só aí o Chris foi montar uma banda, sob um processo inverso.
Ligou-me, e eu aceitei o convite, pois também adoro o T.Rex. Sugeri o baterista, Paolo Girardello, com quem havia tido a experiência da "Pinha's Band", meses antes, e já relatada aqui.
Realizamos alguns ensaios, e tiramos 16 músicas do T.Rex, de Marc Bolan & Cia. Foi um trio, com o Chris a tocar guitarra e cantar.

Mas o Geraldo culminou em ter problemas para arrumar a data, e com o tempo a passar, desanimamos. Uma pena, pois o som chegou a ficar bem ensaiado, e seria prazeroso tocar T.Rex, ao vivo. Isso ocorreu logo a seguir da frustrada tentativa em montarmos um David Bowie Cover, em 1991.
Continua...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Pinha's Band) - Capítulo 59 - Por Luiz Domingues


O ótimo guitarrista, Raul Müller, em foto do final dos anos setenta, quando atuava no Lírio de Vidro

Após uma série de ensaios em trio, percebemos que agregar mais um componente seria estratégico para encorpar o som da banda. O Pinha harmonizava bem, mas seus solos não eram muito inspirados, e dessa forma, ao conversar conosco, resolveu agregar um segundo guitarrista. Eu estava a saber que o guitarrista Raul Müller, estava disponível e a procurar um trabalho, e dessa forma, fui rápido, e o indiquei. 
Eu conhecera o Raul em 1983, quando eu estava na Chave do Sol, e nós fomos contratados para tocar no Victoria Pub, em fevereiro desse ano citado. Ele tocava com o "Fickle Pickle". Seu estilo era sólido no Rock'n 'Roll, Hard-Rock e Blues, principalmente.
Ele também tocara, ao final dos anos setenta, com o Lírio de Vidro, onde também tocava, Kim Kehl, com quem eu fui tocar, muitos anos depois, a partir de 2011. E logo que o apresentei para o Pinha e Paolo, ambos simpatizaram com ele, e assim, passamos a ensaiar em quarteto.
De fato o som encorpou e com solos muito bons, contra-solos e desenhos, o som coloriu. Apesar dessa melhora acentuada, o Raul não participou de uma apresentação que o Paolo agendou para o final do ano, onde apresentamo-nos como trio, sob um formato de pocket show. Isso aconteceu no dia 21 de dezembro de 1990, em um bar chamado : "Anima". Foi uma festa de confraternização das bandas que ensaiavam regularmente no estúdio Coda, do Paolo, e a nossa banda também tocou, com apenas três musicas no set list. Depois da virada para 1991, outro show foi agendado, ao dar a entender que a banda engrenaria, mas uma surpresa desagradável mudaria esses planos, conforme relatarei a seguir. E foi assim que programamo-nos para uma apresentação, onde tocaríamos o repertório todo das composições do Pinha, e a inclusão de um único cover sugerido de última hora, "Born to be Wild", do Steppenwolf. 
Essa apresentação ocorreu em um bar bem montado, mas obscuro, e situado em um lugar sem nenhuma tradição noturna, em plena Av. Santo Amaro, chamado :"Aonde Bar". De início o nome do estabelecimento revelava-se como uma piada pronta, pois "aonde", foi uma grande questão. Curiosamente, apesar de estar deslocado em uma avenida de intenso movimento, e cercado com comércio, a casa era bem montada e possuía uma decoração aconchegante, com várias motivações sobre a MPB sessenta / setentista, predominantemente, Elis Regina, com vários posters e capas de discos dessa artista seminal da MPB etc. 

Um surpreendente público com sessenta pessoas compareceu à apresentação, em 24 de janeiro de 1991, ao considerarmos ser um bar escondido, mesmo. Mas a apresentação foi marcada por problemas. Apesar de estarmos bem ensaiados, muitos erros ocorreram, por exemplo na contagem inicial da música : "Born to Be Wild", ao causar-nos constrangimentos.
Lembro-me do Raul ao chegar perto de minha audição e cochichar : "estou a sentir-me no jardim da infância"... 

E com essa apresentação cheia de erros tolos, o ânimo caiu bastante. O Pinha pediu um tempo para repensar o projeto, mas na verdade o tempo por ele solicitado, tornou definitivo...  a banda encerrou atividades, e nunca mais tive notícias do Pinha. Se ele fez algo na música, passou despercebido em minha percepção, dali em diante. O Paolo continuou mais um pouco com o estúdio Coda. Em 1991, eu o convidaria para um projeto de banda cover, que chegou a ensaiar bastante, mas não vingou ao vivo. Falarei disso, mais adiante. 

Lá pela metade dos anos 1990, ele vendeu o Coda, e tornou-se gerente de uma famosa loja de instrumentos e equipamentos, da Rua Teodoro Sampaio. Quanto ao Raul, anos depois ele tornou-se técnico de som. Trabalhou por muitos anos como técnico de P.A. da Rita Lee, após estudar, e tornar-se um grande profissional dessa área. E assim foi a minha meteórica passagem pela "Pinha's Band"...
Continua...

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Pinha's Band) - Capítulo 58 - Por Luiz Domingues

Foi em agosto de 1990, que um novo projeto apareceu, através do meu aluno /amigo / roadie, José Reis. Ele frequentava um estúdio de ensaio, chamado "Coda", situado na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, sentido Ibirapuera, e nesse estúdio, ensaiavam seus amigos, que formavam uma banda cover, denominada :"Velho é a Mãe", que obviamente era formada por veteranos, saudosistas do Rock das décadas de 1950 / 1960 / 1970. Mas como informalmente funcionava ali uma mini locadora de vídeos, e que possuía um acervo com muitas fitas VHS, piratas, com inúmeros vídeos de artistas do Rock dessas décadas citadas acima, despertou a atenção do José Reis. Quando este convidou-me a conhecer o estúdio / locadora, pude conhecer o seu simpático proprietário, chamado : Paolo Girardello.
Paolo Girardello, músico, ex-proprietário do Estúdio Coda e gente boa... em foto bem mais atual

Como ele era baterista, eis que contou-me sobre um projeto novo que estava por desenvolver com um guitarrista, amigo seu. Na verdade, o trabalho era do guitarrista, que tinha muitas músicas prontas, e este queria formar uma banda, para colocar o trabalho no mercado. Dessa forma, convidou-me, e eu aceitei, pois mesmo ainda a ensaiar com o quarteto Hard-Rock de Flávio Gutok (Lynx, cuja história descrevi no capítulo anterior), achei que seria interessante conhecer esse trabalho do tal guitarrista, apelidado como : "Pinha". Os primeiros ensaios começaram, e foi uma época, onde por ter aceitado dois trabalhos musicais a intercalar-se com as minhas aulas (e houve um momento onde arrumei mais um projeto !), vivia a correr de um estúdio para outro, e a ministrar aulas de terça a sábado, quase o dia inteiro. Foi bastante cansativo, mas estimulante estar a tocar em projetos diferentes, com sonoridades díspares entre si.
Com o Pinha, o som dele era baseado em canções que certamente eram Rocks, mas com pegada soft, e até meio puxado para o folk. 
De certa forma, ele era uma espécie de JJ Cale / Johnny Cash, da pauliceia...

Ele era um homem de uns quarenta e poucos anos, bem mais velho do que eu era na época (eu tinha trinta, em 1990), e seu som era interessante, embora não tivesse peso, praticamente. Dessa forma, entre agosto e dezembro de 1990, ensaiamos com a regularidade de um ensaio semanal, inicialmente como trio : eu, Paolo na bateria, e Pinha na guitarra.


Ele tinha uma estranha guitarra Roland, com designer "futurista" da mentalidade oitentista. Usava um rack com pedais sintetizados da Roland, que também conferiam-lhe timbres exóticos, mas o som na prática, nada tinha de avant-garde, pois parecia-se mesmo com o Folk-Rock, meio a la Bob Dylan. As letras constituíam-se em crônicas do cotidiano. Não eram, pelo que lembro-me, primorosas, longe disso, mas estavam também longe dos clichês habituais que permeiam a mentalidade dos Rockers do underground. No próximo segmento, falarei sobre a apresentação ao vivo que fizemos como trio, e a entrada do guitarrista, Raul Müller, ao tornar esta banda, um quarteto, e encorpar assim, o trabalho.
Continua...