quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 78 - Por Luiz Domingues

Antes porém do próximo compromisso ao vivo, uma novidade que adveio da parte de terceiros, mas com participação d'Os Kurandeiros, surgiu. Fomos incluídos em uma coletânea, em meio a outras tantas bandas de Rock (com predomínio de artistas comprometidos com a estética do Heavy-Metal, é bem verdade), do circuito underground de São Paulo. 

Foi boa a iniciativa, não restou dúvida, sob uma ação da produtora cultural: "Quem Sabe Faz Autoral", capitaneada por Elizabeth Queiroz, que antigamente era conhecida como "Tibet", cantora da pesada e com uma boa ficha de serviços prestados ao Rock Brasileiro, desde a década de setenta. 

Com produção de áudio de Cesar Santisteban e arte gráfica de Melissa Maia, o disco saiu pelo Selo Rock Brigade Records.

Pois desde meados dos anos dez do novo século, Elizabeth criara com vários apoiadores essa espécie de "ONG" cultural, a visar abrir caminhos para shows com artistas do mundo do Rock underground, oportunidades para divulgação e também a aventurar-se no mercado fonográfico, a lançar coletâneas. 

Tanto foi assim, que este álbum em questão, tratara-se do volume dois, lançado em novembro de 2017, ao caracterizar que já havia sido lançado um volume inicial anteriormente, nos mesmos moldes. 

Com apoio da Webradio Stay Rock Brazil, tal disco apresentou em seu bojo, uma participação maciça de bandas orientadas pelo Heavy-Metal ou Hard-Rock com raízes oitentistas e dos poucos artistas que não rezaram nessa cartilha ali inseridos, estivemos nós e no caso, representados pela canção: "O Filho do Vodu", em track extraído do EP "Seja Feliz", da nossa banda, ou seja, um som considerado mais pesado, ainda que a nossa intenção fora totalmente inspirada nos estilos do Acid-Rock e no Blues-Rock praticado durante as décadas de sessenta e setenta, em tese, mas ao pensar pelo prisma de quem produziu tal coletânea, obviamente sendo a canção de nosso repertório mais próxima do peso pesado dos demais artistas, digamos assim. 

Bem, uma novidade a mais para somar ao bom mês de novembro que estávamos a vivenciar.

Agora sim, comento sobre a quarta investida da banda para cumprir a mini temporada no Santa Sede Rock Bar, em 23 de novembro de 2017. 

Da esquerda para a direita: Kim Kehl com Carlinhos Machado ao fundo na bateria e Luiz Domingues. Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 23 de novembro de 2017. Click, acervo e cortesia: Cleber Lessa  

Em mais uma surpreendente noite fria em pleno avançar da primavera, eis que tocamos então, com absoluta tranquilidade, ao fazermos duas sessões com muitos blues, baladas e Rocks vigorosos. 

Mais uma vez tocamos no palco alternativo e que tornou-se marca registrada dessa mini temporada na casa e posso afirmar que todos gostamos dessa nova disposição, por vários motivos. Da questão da acústica à visibilidade nossa e do público, tudo pareceu ser melhor dessa forma.

Na primeira foto, o tradicional "Walk Solo" de Kim Kehl pelas dependências da casa e pela calçada, em click de Lara Pap. Na segunda foto, da esquerda para a direita, Renata Tavares, Cleber Lessa a segurar em sua mão o CD do "Medusa Trio" e Fernando Tavares. Click: Kelso "Zumbi". Acervo e cortesia: Cleber Lessa. Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 23 de novembro de 2017
 
Recebemos a simpática visita do baixista superb, Fernando Tavares e de sua esposa, a baterista Renata Tavares. E eu fui agraciado com uma cópia do CD recém lançado do grupo "Medusa Trio", do meu amigo, Milton Medusa, guitarrista da pesada e onde Tavares era componente, por ser o baixista da banda na ocasião. 

Ali mesmo na casa, o nosso simpático anfitrião, Cleber Lessa, já tratou de providenciar uma audição, o que foi muito agradável, sem dúvida alguma. Power-Trio instrumental de alto padrão, mas não preso ao mundo do Jazz-Fusion como geralmente espera-se de músicos virtuoses e catedráticos, pela primeira audição, mesmo sem poder prestar a devida atenção, pois conversávamos, já deu para ver que não, tratava-se de uma obra eclética e muito agradável.

Mural a expor a discografia completa d'Os Kurandeiros e disponibilizado em redes sociais da Internet, ao final de novembro de 2017. Produção de Kim Kehl
Dali em diante, o próximo passo foi realizar a quinta edição desse projeto bem sucedido no Santa Sede Rock Bar, a encerrá-lo com chave de ouro, no dia 30 de novembro de 2017. E mesmo que tenha sido uma noite ainda aparentemente fria em termos de temperatura, ao se considerar a época do ano, eis que um bom público compareceu às dependências do Santa Sede Rock Bar nessa noite de 30 de novembro.
Enquadramento sinistro com a banda em ação no dia 30 de novembro de 2017, no Santa Sede Rock Bar de São Paulo. Click de Lara Pap
"Pro Raul" (Kim Kehl/Oswaldo Vecchione) , no Santa Sede Rock Bar, de São Paulo, em 7 de dezembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=4oiHSbDnQyU
"A Noite Inteira" (Kim Kehl), no Santa Sede Rock Bar, de São Paulo, em 30 de novembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=LIgodSxltvg

"O Filho do Vodu" (Kim Kehl) (trecho - "Walk Solo"), no Santa Sede Rock Bar, de São Paulo, em 30 de novembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ij21dYcUmrQ

Fizemos a primeira entrada com bastante incidência de Blues e Rocks internacionais e assim que o set inicial encerrou-se, eu fui cumprimentar vários amigos na plateia, que vieram prestigiar a banda

Foi quando eu recebi a notícia do falecimento de um ente querido. Eu já tinha consciência de que a situação desse meu familiar estava periclitante e caminhava para tal desfecho ao se considerar a idade avançada desse meu tio muito querido e sobretudo pela sua recente internação hospitalar que apontara piora no seu quadro clínico, diariamente pelos boletins médicos emitidos. 

Todavia, claro, mesmo a esperar pelo desfecho inevitável que desenhara-se, a notícia teve o efeito de um soco no estômago e após eu estabelecer alguns contatos telefônicos para saber de maiores informações sobre os procedimentos funerários advindos, o meu ímpeto imediato em querer ir ao necrotério do hospital a fim de dar apoio às minhas primas, não logrou êxito na medida em que fui informado que não liberariam o meu acesso, por uma questão de praxe hospitalar. 

Portanto, mesmo com os companheiros e a própria Lara Pap, nossa produtora, a deixarem-me a vontade para decidir não cumprir a segunda entrada e ir embora, eu notei também que a minha presença em casa não precisava ser imediata, visto que a minha mãe estava bem amparada e apesar de triste pela perda de seu irmão, ela não careceu de minha presença urgente. 

Dessa forma, decidi prosseguir com a apresentação junto aos meus colegas e após uma segunda entrada muito boa, com um set 100% autoral, fui mais cedo para a casa ao não contribuir com a desmontagem do equipamento, assim que a apresentação encerrou-se.

Uma foto que eu mesmo tirei de um detalhe da decoração do Santa Sede Rock Bar, antes do soundcheck iniciar-se. Reduto Hippie, por excelência, eis aí um "Magic Bus" ou "Magical Mystery Tour", bem sessentista. Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar. 30 de novembro de 2017. Click: Luiz Domingues

Eu não costumo incluir aspectos mais pessoais e/ou familiares no texto da minha autobiografia, que desde a sua primeira linha, versa pelo foco na minha carreira musical. Mas inevitavelmente alguns poucos fatos fizeram-se representar ao longo da narrativa, pela necessidade premente em algumas passagens relatadas sobre determinados acontecimentos ao longo da história. 

Feita essa ressalva, eu só quero deixar registrada aqui uma menção nesse aspecto mais pessoal, pois acho pertinente pelo personagem familiar que perdi nesse dia. É fato que esse meu tio que "partiu para uma nova dimensão, digamos assim, bem nesse dia 30 de novembro de 2017, enquanto eu tocava com Os Kurandeiros no palco do Santa Sede, foi um dos poucos familiares que sempre apoiou-me na minha decisão de fomentar uma carreira artística. 

Portanto, deixo aqui no meu relato autobiográfico, a minha homenagem e agradecimento ao meu querido tio, Sérgio Barretto, uma figura incrível e que possuía uma sabedoria mastodôntica em sua bagagem pessoal, um grau de bondade raro para os padrões normais da humanidade tão egoísta em essência e um nível de cultura geral avantajada ao ponto de eu haver nutrido uma declarada admiração por sua pessoa, desde a minha tenra infância. 

Fã de música clássica, Jazz e Blues, ele sempre incentivou-me, mesmo quando muitas vozes da família tomaram sentido oposto a criticar-me, velada ou abertamente por tal tomada de posição de minha parte. 

Ele chegou a ajudar-me, na medida do possível, quando tentou intermediar um contato com um artista que esteve com certa proeminência no mainstream da música brasileira, durante os anos oitenta e que por absoluta coincidência, esse meu tio o conhecia desde a sua infância, pelo fato de ser amigo de seus pais. 

Escritor, com muitos livros publicados, meu tio propôs-me em outra ocasião, também nos anos oitenta, que eu musicasse um libreto por ele concebido para ser texto base para uma ópera. Por seu gosto pessoal, ele desejara o formato musical tradicional do gênero, mas ficaria contente se sua história fosse utilizada com uma roupagem ao estilo de uma "Ópera-Rock", igualmente. Não deu certo, mas o tema por ele proposto e criado, foi bom (mais que isso, ótimo, eu diria) e futuramente eu planejo montar uma "crônica da autobiografia" para revelar essa passagem com maiores detalhes. 

Enfim, a conexão dele com o meu sonho Rocker sempre foi sincera no sentido de sua torcida pelo meu êxito, sem cair no julgamento e nos preconceitos inerentes que estigmatizam o Rock dentro do imaginário geral e incauto na média observada no meio social. 

E assim ele procedeu com entusiasmo, desde que eu iniciei os meus primeiros esforços nesse sentido e portanto, deixo aqui meu agradecimento por seu apoio, incondicional. 

Um dia nos reencontraremos, tio Sérgio, eu tenho certeza, quando eu voltarei a proceder da forma com a qual sempre portei-me a vida inteira, quando estive consigo: ouvi-lo com atenção! 

Pois diante de uma pessoa sábia, a melhor coisa a ser feita é manter-se calado e absorver ao máximo o que ela tem a ensinar e invariavelmente trata-se de uma pérola de sabedoria que é gentilmente compartilhada com o seu interlocutor. Sou um afortunado por ter tido tal oportunidade em minha existência. Namastê!

De volta ao cerne do capítulo, a mini temporada no Santa Sede Rock Bar fora tão boa, com cinco quintas de novembro vitoriosas, que uma proposta surgiu: um show extra logo no começo de dezembro... 

Continua...

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 77 - Por Luiz Domingues

O nosso próximo compromisso foi em um estabelecimento localizado no outro extremo da cidade de São Paulo. Se no sábado anterior nós havíamos visitado os confins da zona leste da megalópole paulistana, desta feita a zona sul em sua extremidade aguardara-nos. 

Marcado para o feriado de 15 de novembro, em plena quarta-feira, eis que eu fui o primeiro a chegar e verificar alguns aspectos interessantes. Primeiro, apesar de tratar-se de um bairro simples de periferia, a Vila Arriete, um bairro próximo ao autódromo de Interlagos, mostrou-se bem estruturado, principalmente ao se levar em conta que a casa localizava-se na Avenida Nossa Senhora do Sabará, ou seja, uma importante via da região, com forte comércio. 

E o segundo ponto, foi a hospitalidade com a qual eu fui recebido, bem ao estilo da nossa experiência na zona leste, quando do show anterior, quando a simpatia da parte dos mandatários da casa, era sempre um padrão infalível.

Na primeira foto, o palco a ser montado e na segunda, a banda flagrada poucos segundos antes de iniciar a apresentação. Os Kurandeiros na Hamburgueria Rock Beer de São Paulo, em 15 de novembro de 2017. Clicks: Luiz Domingues (foto 1) e Lara Pap (foto 2)
  
E o terceiro ponto, interessante, a "Hamburgueria Rock Beer" mostrou-se um espaço muito interessante em sua decoração, embora a observar um espaço físico diminuto, em tese. Sendo uma lanchonete de pequeno porte, a solução que os seus dirigentes acharam para fornecerem um espaço aos artistas apresentarem-se, foi alugar o galpão vizinho e assim, tal espaço tornou-se um mini palco voltado para a calçada, mas a manter toda a preocupação em decorar como se fosse uma coxia de teatro, ao se anexar cortinas, incluso, portanto, a garantir um élan para os artistas poderem atuar com dignidade.

Da esquerda para a direita: Kim Kehl, com Carlinhos Machado ao fundo e Luiz Domingues no canto direito. Os Kurandeiros na Hamburgueria Rock & Beer de São Paulo, em 15 de novembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Renata Ferraz

Mas também inevitável, por ter sido um show com a calçada como elemento muito próximo de nós, apesar de haverem muitas mesinhas ocupadas por pessoas interessadas na nossa apresentação, inevitavelmente também revelou-se uma oportunidade bizarra para contatos nada usuais. 

Como por exemplo a grande incidência de senhorinhas a passarem assustadas pela calçada, com aquele monte de cabeludos e sobretudo pelo som em alto volume. Isso sem esquecer-me da presença de mendigos bem embriagados e inconvenientes, cachorros vira-latas a cata de comida, mais curiosos de plantão, além de contar com o movimento intenso da avenida e mesmo que tenha sido um dia de feriado, esta mostrara-se bem frenética, a provocar-me a imaginação sobre o quanto seria maior tal intensidade em um dia útil comum.

Da perspectiva de uma mesa próxima, a banda a atuar em um conceito surreal enquanto teatro montado na rua, praticamente. Os Kurandeiros na Hamburgueria Rock & Beer de São Paulo, em 15 de novembro de 2017. Click, acervo e cortesia de Taty Pacheco
 
A decoração da casa se mostrou bem Rocker, mas também a usar e abusar de motivações macabras, a evocarem-se os filmes de terror, principalmente os mais modernos e não necessariamente os clássicos dos estúdios de outrora, como a Universal Pictures, Hammer etc. Bem, nada contra, mas essa foi a realidade ali, com muitos palhaços macabros e filmes dessa natureza, centrados no terror contemporâneo ao estilo "sadismo & tortura", a serem exibidos ininterruptamente pelo monitor interno da casa. 

E uma boa nova também, o som mecânico da casa esteve ligado diretamente na programação da Webradio Stay Rock Brazil, uma emissora onde mantínhamos amigos leais e por isso mesmo, eu gostei de verificar igualmente a postura de lealdade da casa para com essa simpática emissora. Como único senão, a programação, ao menos naquele horário de fim de tarde, privilegiou o Heavy-Metal, portanto um fator a incomodar-me, particularmente (paciência).

Começamos a nossa apresentação e a receptividade das pessoas foi excepcional. Houve uma enorme quantidade de mesas sobre a calçada, inteiramente tomadas por clientes do estabelecimento e invariavelmente a prestarem atenção e a apreciarem a nossa performance, o que foi gratificante, não resta dúvida. Um único senão nessa apresentação, não foi por culpa nossa, tampouco da casa, mas sim por iniciativa de um inconveniente vizinho. 

Ao lado da casa, funcionava um salão rústico de dança, dedicado ao dito "forró". Não parecia apropriado para apresentações ao vivo, mas sim a fazer uso de som mecânico, unicamente. Ora, incomodado com a atmosfera "Rock" de seu vizinho/concorrente, o seu proprietário colocou um equipamento Hi Fi a todo volume, no afã de competir e chamar a atenção para si. Contudo, tal ato só atrapalhou um pouco o nosso áudio, pois enquanto a hamburgueria fervilhou com pessoas do início ao fim, tal salão amargou um movimento na marca zero %, o que despertou a minha atenção para uma reflexão interessante, pois denotou um fenômeno às avessas do que se espera para uma circunstância dessa, visto que através de um bairro simples e periférico, o normal seria um salão com tal apelo popularesco estar lotado e uma casa de Rock, com bem menos contingente, mas na prática revelou-se o contrário. 

No intervalo entre a segunda e a terceira entrada, a programação da Webradio Stay Rock Brazil amenizou um pouco o seu ímpeto Heavy-Metal e foi quando em meio a Rocks mais amenos, eu ouvi uma versão da Patrulha do Espaço para a canção dos Mutantes, "Ando Meio Desligado" e que não consta de nenhum disco oficial, de minha ex-banda, certamente. 

Por tratar-se de um bootleg ao vivo, não sei responder de onde extraíram esse track e de qual show seria, mas foi muito interessante saber que incluíram na programação uma versão ao vivo e rara, protagonizada pela minha formação "Chorophágica". E como soou bem! Eu fiquei até impressionado pelo áudio pela sua qualidade. E mais uma curiosidade, eu não havia percebido do que tratava-se, e só prestei atenção porque fui advertido pelo Carlinhos Machado que exortou-me a prestar atenção no que a emissora estava a executar naquele instante...    

Ao final, houve um surpreendente assédio com pessoas a nos abordar para pedir autógrafos e muitas delas a nos falarem sobre bandas por onde todos nós componentes d'Os Kurandeiros, havíamos passado em épocas pregressas, o que foi emocionante até, ao demonstrar que o apelo sobre a nossa banda era mais forte do que o imaginamos em nossa própria avaliação no cotidiano. 

Fomos tratados com extrema gentileza pela dona do estabelecimento, a simpaticíssima Cleide, que além disso, era uma promoter toda caracterizada dentro da proposta visual e temática da casa e esta detinha um atributo a mais de ordem pessoal: por ser chef versada em alta gastronomia e sommelier, todos os pratos da casa mostravam-se requintados e com uma impressionante identidade visual, também coadunada com a temática "Halloween" da casa, portanto, um atrativo a mais, não restou dúvida.

No dia seguinte, nós fomos para o outro extremo da cidade, na zona norte, rumo à terceira apresentação a ser cumprida na mini temporada de novembro que estávamos a realizar no Santa Sede Rock Bar. 

Desta feita, com um público significativamente maior do que a edição anterior, foi bem animada a apresentação e sob um calor muito intenso, a mostrar-nos que o mês de novembro estava enfim a se apresentar na sua temperatura normal, com a primavera a caminhar celeremente para o verão tórrido e típico da terra tupiniquim. 

Bem, após mais de três horas de uma apresentação a la "Grateful Dead" (pelo aspecto da larga extensão do espetáculo), sob forte calor e somado ao cansaço acumulado pela apresentação igualmente longa da noite anterior, não sei sobre a percepção de meus colegas, mas eu apenas posso afirmar que cheguei muito cansado, literalmente, em casa. Não sem antes passar por duas blitz policiais ainda a evadir-me da zona norte, mas sem problemas, creio que os policiais viram os meus cabelos grisalhos e o semblante de cansaço e deduziram que eu não precisava ser avaliado em sua abordagem e assim dispensaram-me de uma canseira a mais.

Mais três momentos d'Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar: Carlinhos Machado a ajustar sua bateria (foto 1), o palco já quase pronto (foto 2), e a banda já em ação na noite de 16 de novembro de 2017. Fotos 1: acervo e cortesia de Carlinhos Machado com click de Cleber Lessa. Foto 2: Click de Luiz Domingues. 3) Click; acervo e cortesia de Cleber Lessa 

Uma boa nova ocorrida nessa semana, nós recebemos o anúncio de nossa produtora, Lara Pap a dar conta de que havia esgotado-se a primeira tiragem do EP "Seja Feliz", e que já estava encomendada na fábrica, uma nova edição. Ora, em meio a uma época onde comprar discos já estava completamente fora do esquadro da equação do show business em voga, uma notícia assim foi mais do que alvissareira, ao poder até ser classificada como exótica...
Fez tanto sucesso a obra da artesã, Pat Freire, com as suas molduras personalizadas a utilizar "cards" promocionais d'Os Kurandeiros, que tornou-se uma peça disponibilizada para a venda, no merchandising oficial da banda. Novembro de 2017
 
E mais uma nova interessante no campo do merchandising da banda: a artista plástica e artesã, Pat Freire, havia feito uma montagem com cartões promocionais d'Os Kurandeiros e composto assim um quadrinho emoldurado de parede, sob encomenda para a amiga da banda, Regina de Fátima Galassi. Pois essa obra até então exclusiva, agradou tanto que ela produziu mais algumas peças e assim, sob uma parceria com a banda, este passou a ser um item colecionável a mais para os fãs e disponível para a venda no site e na loja física presente sempre durante os nossos shows.
Próximo compromisso da nossa banda: a quarta edição da mini temporada no Santa Sede Rock Bar, em 23 de novembro de 2017.

Continua...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 76 - Por Luiz Domingues

Novembro iniciou-se com boas perspectivas para Os Kurandeiros. Sob um convite da parte de Cleber Lessa, coproprietário do Santa Sede Rock Bar, uma mini temporada foi marcada, com a nossa banda a cumprir cinco apresentações, ocupou portanto todas as cinco quintas desse mês. Temporada é sempre uma oportunidade boa para arregimentar um público crescente, mesmo ao se tratar, como neste caso, com datas não consecutivas, mas semanais. Dessa forma, fomos animados para a primeira edição, no feriado de finados, 2 de novembro de 2017.
A banda em ação no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 2 de novembro de 2017. Clicks, acervo e cortesia de Cleber Lessa

E houve também uma novidade estrutural dentro da casa, quando nos foi sugerido adotarmos um novo posicionamento, ao tocarmos em um outro canto da casa, ao perdermos um pouco de espaço lateral no sentido da largura, mas a ganharmos em outros aspectos, como por exemplo, na maior amplitude para o público se acomodar desde o portão de entrada da casa. 
Mais momentos d'Os Kurandeiros ao vivo na estreia da mini temporada no Santa Sede Rock Bar. 2 de novembro de 2017. Clicks, acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi
"A Noite Inteira", no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 2 de novembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=EIUQiomUG8c 
 
"Gimme Shelter" (The Rolling Stones), no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 2 de novembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=HJ5CEbkIhxM
"O Filho do Vodu" (trecho) (Kim Kehl), no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 2 de novembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=ElHcXySJlWQ&t=82s

"I'm Going Down" (Leon Russell), no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 2 de novembro de 2017

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=3AhYi4fGLrU

Uma semana depois, voltamos à mesma casa, para dar prosseguimento ao projeto da mini temporada da quinta-feira. Ao renovarmos o repertório, com exceção de algumas canções oriundas dos dois CD's recentemente lançados, o EP "Seja Feliz" e o CD "O Baú dos Kurandeiros", assim fomos nos apresentar. 

Desta feita, portanto, tocamos muitos blues e temas instrumentais que não tocávamos há bastante tempo, a revitalizar a nossa memória e a diversificar, para que o público presente ouvisse novidades e não o mesmo show da semana anterior. 

Fazia-se mister tal predisposição e por trunfo próprio, a banda detinha essa facilidade em contar com um repertório gigantesco em mãos, mesmo que algumas dessas canções acabassem por ficarem um tanto quanto obscurecidas e fatalmente sujeitas a adquirir uma certa ferrugem inevitável pelo desuso.

Os Kurandeiros em ação no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 9 de novembro de 2017. Clicks: Lara Pap (foto 1), Cesar Gavin (foto 2), Regina de Fátima Galassi (fotos 3 e 4)

Cesar Gavin, nosso amigo e grande agitador cultural, esteve presente e sempre foi um prazer desfrutar de sua companhia e conversa super estimulante sobre o Rock brasileiro, cujo tema ele conhece como poucos. Foi assim, então na noite de 9 de novembro de 2017. 
Dois dias depois e voltaríamos para um espaço simpático, que havíamos visitado pela primeira vez no mês de setembro. Um retorno, portanto ao democrático e acolhedor palco do "Espaço Cultural Rock na Padoka", na zona leste de São Paulo, fora marcado para o dia 11 de novembro de 2017.

O palco montado para o show d'Os Kurandeiros no Espaço Cultural Rock na Padoka, em 11 de novembro de 2017. Clicks de Lara Pap
 
E assim, em um dia atípico para novembro, pois fez um frio de outono em plena primavera tropical, chegamos ao acolhedor Espaço Cultural Rock na Padoka, localizado no Jardim Brasília, bairro da gigantesca zona leste da capital paulista. 

Sob clima hospitaleiro e ainda mais estreitado pois foi a segunda passagem da nossa banda por tal estabelecimento, assim fomos muito bem recebidos pelo seu mandatário e equipe

Flagrantes do Show d'Os Kurandeiros no Espaço Cultural Rock na Padoka, de São Paulo, em 11 de novembro de 2017. Clicks de Lara Pap
 
O show foi excelente, com uma resposta quente por parte do público presente, em contraste com o vento frio que fez naquela noite. Tocamos alguns clássicos internacionais do Rock e do Blues, mas predominou o repertório autoral, com uma até surpreendente reação calorosa ao extremo, quando executamos a música, "Oh Rita", que transformou a casa em uma pista de dança, praticamente.

O "strap lock" da correia falhou e criou um problema para o Kim e consequentemente para a banda. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Rock na Padoka, de São Paulo, em 11 de novembro de 2017. Click de Marinho MTB

O único senão deu-se com um pequeno acidente gerado pela falha do "strap lock" da correia do Kim, ao fazer com que a sua Gibson Les Paul tocasse o solo. Entretanto, por uma intercessão dos Deuses do Rock, tal desastre não gerou um grande estrago, mediante a averiguação a posteriori de avarias moderadas, que em ao tratar desse modelo de guitarra, é quase um milagre, pela sua característica de ser delicada, mesmo que no contraponto, seja considerada uma guitarra maciça e bem pesada sob linhas gerais. 

Fora de tal ocorrência, que é fato que ninguém deseja mas que acontece e chateia (não apenas o músico que sofre o acidente, mas a banda toda), houve um enfático pedido de bis ao final, com bastante animação e nós saímos dali com a sensação do dever mais do que cumprido, porém com dividendos artísticos sob nossa posse.

Kim Kehl a posar com um "Cadillac" 1954, de muito respeito, estacionado na porta do estabelecimento e abaixo, a banda no instante do pós-show a posar para registrar a noitada excelente que fizemos em um surpreendente frio registrado em plena primavera, na zona leste de São Paulo. 11 de novembro de 2017, no Espaço Cultural Rock na Padoka, show dos Kurandeiros. Clicks de Lara Pap
 
Ao final do espetáculo, já a confraternizar-nos com fãs e amigos da banda, eis que surgiu um rapaz a dirigir um portentoso "Cadillac", do ano de 1954, absolutamente impecável. Entusiasmado com a situação, o próprio dono dessa "barca" maravilhosa sugeriu espontaneamente e o Kim não resistiu a um "click" ao lado de tal bólido, que veio direto dos anos dourados e a tinir... em síntese: mais Rock'n' Roll cinquentista dos primórdios do que isso, foi impossível!

Missão cumprida na Zona Leste de São Paulo, o nosso próximo compromisso foi também em um extremo da cidade, mas desta feita na zona sul, no sentido do autódromo de Interlagos...
Continua...