quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 324 - Por Luiz Domingues

Bem, nós soubemos que um soundcheck seria inviável, pois o festival estava em pleno curso e programaram-nos para tocar no horário de uma hora da manhã. Portanto, a se configurar como cerca de dezesseis horas apenas naquele instante, quando chegamos à cidade, o jeito foi repousar no hotel e nem daria para pensar em conhecer a cidade, visto que chovia e fazia um frio considerável.

Pois muito bem, foi o que fizemos. E no horário combinado, cerca de meia noite, lá estava a comitiva reunida dentro da van e mediante GPS, fomos ao local do show, que mostrou-se um clube com uma pequena dimensão, encravado em um mini bosque charmoso, apesar da condição atmosférica não mostrar-se nada favorável naquele instante, para uma melhor avaliação in loco. 

A experiente produtora, Manu Santana, que estava conosco na condição de convidada, no entanto, tomou a dianteira para facilitar a nossa logística ali e foi providencial contar com a sua força de trabalho eficaz. 

Chegamos perto ao local e de fato haviam muitos jovens a circularem pelo local e assim que descemos e fomos em direção ao camarim, eis que cercaram-nos e eu culminei em desgarrar-me da comitiva, momentaneamente, quando fui bastante assediado para tirar fotos e ouvir elogios rasgados ao trabalho e o quanto estavam contentes por estarmos ali. Ora, como não ficar gratificado em exercer na prática, aquela máxima preconizada pelo grande, Milton Nascimento? Pois é, o artista tem que estar aonde o povo está... 

A aguardar o início do show, enquanto os preparativos da troca de set up em relação à atuação da banda anterior para a nossa, fosse concluída, Algum fã sinaliza-me nesse momento do click. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de Caçador-SC em 13 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cristiano Rocha Affonso Costa

Fui o mais simpático possível, deixei-me fotografar, conversei, mas se eu não tomasse uma atitude, ficaria retido ali e então, tive que pedir licença e procurar o camarim. 

Não era um clube com grandes dependências, mas essa dispersão deixou-me sem orientação momentânea. Errei o caminho em princípio e senti-me como um componente da banda fictícia/humorística, "Spinal Tap" a procurar o camarim em meio ao público, mas eis que logo o descobri. 

Bem, o improviso gerado pela mudança de endereço, ficara visível, pois deveria ter sido um festival com grande proporção, mas ali naquele pequeno clube, o bastidor bem mais modesto, fez-me recordar dos anos noventa, quando eu toquei no Pitbulls on Crack e enfrentei diversas maratonas assim, com muitas bandas a apresentarem-se em clubes de média proporção. Tudo bem, foi pela força das circunstâncias, não fiquei incomodado. 

As pessoas responsáveis pela produção do festival, mostraram-se solícitas e esforçaram-se para proporcionar-nos o máximo de conforto e suporte, que foi possível. 

Uma constatação apenas desagradável, assim que chegamos ao ambiente, uma banda se apresentava naquele instante e o seu repertório era tão somente baseado em covers. Enquanto aguardamos a nossa vez, uma outra apresentou-se a seguir e a tocar covers e assim que encerramos, outra entrou no palco e ... mais covers internacionais. 

Ora, tudo bem, eram bons músicos a executarem covers oriundos do cancioneiro do Rock setentista em predominância, ou seja, é sempre agradável ouvir Led Zeppelin e contemporâneos dessa estirpe, mas alto lá: desde que instalado confortavelmente em sua casa, a ouvir os discos dos artistas originais, não é mesmo? 

Um festival com tantas bandas e a conter uma banda da tradição da Patrulha do Espaço e outras com razoável fama (Carlos Daffé, Os Replicantes, Brasil Papaya) e um monte de outras bandas ali escaladas para participarem e sem uma única música autoral sequer, no seu set list? 

Fiquei desapontado com tal predisposição do festival, ainda mais ao saber que este contava com o apoio público estadual e federal, ou seja, o fomento à cultura não sendo melhor aproveitado. E por falta de artistas locais bons, não foi. Espalhados por Santa Catarina, eram/são muitos e só para citar alguns poucos dessa ocasião: Epopeia, Os Depira, Das Aranha, Liza Bueno, o guitarrista, Pevê etc. 

Nada contra os garotos que tocaram, mas um festival deveria existir para dar espaço para artistas mostrarem o seu trabalho autoral e não a se revelar como um mero ambiente para baladas, ainda que o set list proposto, fosse agradável aos meus ouvidos Rockers e vintage.

Flagrantes do nosso show. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de Caçador-SC em 13 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cristiano Rocha Affonso Costa

Bem, sem soundcheck, mas a contar com a boa vontade da equipe responsável pelo som e o providencial apoio do amigo, Cristiano, tudo foi montado com relativa rapidez e eficácia. 

Em poucos minutos, nós iniciamos o nosso show e este transcorreu com muita energia. Não houve ali presente uma super multidão como fora projetada pelos idealizadores do festival, mas quem esteve ali, vibrou muito e ocorreu uma comovente interação da parte de um grande contingente que aglomerou-se em frente ao palco e cantou todas as músicas com todo o vigor de seus respectivos pulmões. Chegamos a ficarmos impressionados e mais ainda por constatarmos que eram bem jovens, com a aparência de terem nascido bem depois da fundação da nossa banda, quiçá fossem crianças ainda quando vivemos a formação Chronophágica da nossa formação.  

Mais flagrantes do show. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de Caçador-SC em 13 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cristiano Rocha Affonso Costa

Fomos a tocar com essa resposta sensacional, houve uma boa margem para improvisos, interação com a plateia (com a distribuição de alguns brindes da parte da banda) e todo mundo ficou feliz ali. 

No palco, o som se provou compactado. Não foi uma monitoração dos sonhos, mas o técnico deu o seu melhor ali, ao mostrar-se solícito às nossa reivindicações. Teve uma pressão boa e no meu caso, toquei em um amplificador exótico cujo nome nem recordo-me. Não era "handmade", tampouco alguma marca e modelo clássico que fosse facilmente identificado, entretanto, apesar desse exotismo todo, eu consegui extrair peso e timbre, portanto, fiquei satisfeito. 

E o Rodrigo, apesar de ter à sua disposição um amplificador de segunda linha, extraiu um som espetacular, o que despertou até comentários de outros músicos ali presentes. De fato, ele foi feliz no ajuste, pois que em via de regra é difícil tirar som de um combo Marshall Valvestate. 

Missão cumprida em Caçador-SC, encerramos com comoção e pedido de bis. Foi uma ovação e ficamos contentes, certamente.

Missão cumprida, uma das últimas dessa nave ave... Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de Caçador-SC em 13 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia: Cristiano Rocha Affonso Costa
 
Voltamos para o hotel, extenuados. Apesar do conforto da van e da direção ultra segura da parte do motorista, Mauro, a verdade foi que a viagem cansara-nos. 

Bem, descansamos bem e no domingo por volta de onze horas da manhã, pusemo-nos a circular rumo a Curitiba. Nesta altura, eu e Rodrigo já sabíamos que não voltaríamos através de avião para São Paulo e já estávamos conformados com a ideia de viajarmos no uso de um ônibus de linha. 

Mas quando vimos a opção mais próxima para ônibus leito, ser possível apenas para a alta madrugada de segunda-feira, decidimos enfrentar o ônibus tradicional. 

Despedimo-nos dos amigos e dito e feito: com chuva e bastante frio na rodoviária de Curitiba, eis que entramos no bólido das 19 horas e assim, cansados, mas com vontade acentuada para voltarmos logo para a casa, foi por volta de 1:30 da manhã que eu entrei em minha residência em São Paulo, enfim, e senti-me feliz por ter cumprido mais uma etapa nesse esforço final para que essa banda repousasse no hangar, definitivamente. 

Próxima parada: Sesc Belenzinho, em São Paulo City, o último show na terra natal dessa banda...

Nos bastidores do pós-show: Eu (Luiz Domingues), Cristiano Rocha Affonso Costa e Marta Benévolo. Patrulha do Espaço no Festival Hunterstock, na Arena Mix de Caçador-SC em 13 de outubro de 2018. Acervo e cortesia: Cristiano Rocha Affonso Costa. Click: Lorena Rocha Affonso Costa

Continua...

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 97 - Por Luiz Domingues

Além de realizar mais um show d'Os Kurandeiros, o que sempre foi um prazer por si só, eis que o nosso próximo compromisso seria mais um da turnê que iniciáramos em setembro, em conjunto com Edy Star e reforçados pelo ótimo percussionista, Michel Machado, a homenagear, Raul Seixas. 

Desta feita, visitaríamos a Casa de Cultura Hip Hop Leste, no bairro de Cidade Tiradentes, um logradouro longínquo do extremo da zona leste da capital paulista. 

Fui o primeiro a chegar ao equipamento cultural citado, após uma longa jornada e não sem antes estabelecer um estudo prévio mediante o Google Map, pois eu achava que o ponto mais longínquo da zona leste que eu atingira em minha vida, teria sido o bairro de São Mateus, por conta de tantas vezes em que busquei ou levei o motorista, Walter "Alemão", que ali morava e no tempo em que este senhor servira a Patrulha do Espaço, entre 2002 e 2004. 

Entretanto, quando eu tomei ciência de que o bairro da Cidade Tiradentes posicionava-se muito além de São Mateus, realmente tive que preparar-me bem, mediante indicações e sobretudo, no dia, ter muita paciência para enfrentar o longo percurso, sem familiaridade alguma com o ambiente e também pelo tráfego intenso, mesmo em um sábado vespertino. 

Dei sorte no entanto, pois sabia que o endereço dessa Casa de Cultura ficava muito próximo do terminal de ônibus desse bairro e assim, quando passei por São Mateus e fitei o enorme fluxo de ônibus a seguir por uma avenida, não preocupei-me mais em seguir as minhas anotações, e simplesmente segui os bólidos. 

Pois bem, eis que o terminal surgiu, após uma longa jornada e de fato, logo adentrei a rua que eu procurava no entanto, o número indicado, simplesmente não existia. Parei e pedi informação em alguns estabelecimentos comerciais e ninguém nunca ouvira falar da Casa de Cultura Hip Hop Leste, contudo, não senti-me desamparado por tal manifestação coletiva em sinal de desconhecimento, mas apenas tive a certeza que por ser a rua em questão, o local devia estar ali em algum lugar, mesmo com a numeração errada. 

Mas ao mesmo tempo, fiquei entristecido por verificar que tal desconhecimento popular revelara-me a falta de apreço pelo equipamento cultural disponibilizado pelo poder público, da parte dos moradores do bairro. Entrei no carro e pus-me a procurar o local, cônscio de que estava perto e aí, ao passar de novo pelo enorme terminal de ônibus já citado, eis que vejo um pequeno largo acoplado ao terminal e pergunto a um guardador de carros, onde ficava o espaço e o rapaz falou-me que não fazia a menor ideia. 

Contudo, a memória visual do mapa que eu analisara, ocorreu-me e o espaço estava ali, cerca de trinta metros de onde o rapaz alegara não conhecê-lo. Bem, falta de interesse por cultura a parte, o fato é que a sinalização do local mostrou-se bem tímida. Uma faixa improvisada no portão principal foi a única certeza que eu tive, mas sem vacilar, entrei no espaço e constatei tratar-se de um micro sítio encravado em pleno terminal de ônibus da Cidade Tiradentes, bairro super populoso da zona leste de São Paulo. 

Flagrantes da apresentação. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star na Turnê "Toca Raul". Casa de Cultura Hip Hop Leste. Bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo / SP. 20 de outubro de 2018. Acervo e cortesia de Edy Star. Click: Celso

Aí veio a parte boa da experiência em rodar tanto. Assim como houvera ocorrido no show anterior, na Casa de Cultura M'Boi Mirim, no extremo da zona sul de São Paulo, todo o pessoal da Casa de Cultura Hip Hop Leste recebeu-me com uma simpatia tremenda.

Uma ativista da casa, por exemplo, logo mostrou-me as dependências e apresentou-me ao coordenador do espaço, além de abrir o camarim que ocuparíamos, porém não sem antes trazer-me um ótimo café, feito na hora. 

Fui ao salão onde tocaríamos e constatei que um filme infantojuvenil estava a ser exibido sob um telão e haviam poucas crianças acompanhadas de seus pais a assisti-lo. Mas antes disso, uma trupe de circo havia feito uma apresentação. De fato, assim que estacionei, notei que tais artistas estavam a guardar o seu material em seus carros particulares e assim a articular a sua partida do local. 

Rapidamente, em conversa com o segurança da Guarda Municipal  que ali está de prontidão, fui informado que existia um projeto de ensino de agricultura doméstica, mediante uma pequena horta comunitária. E também uma casa em anexo que servia como biblioteca. Na casa central, eram muitos os cursos oferecidos, com oficinas de artes plásticas, literatura, teatro, dança, música e informática. 

Continha também atividades lúdicas para crianças e para a terceira idade. Fui informado também que aquele pequenino sítio, o mini bosque e as duas casas, foram preservados propositalmente, pois a área toda fora uma fazenda cafeeira, no século XIX. Bem, fiquei bastante impressionado com tudo o que presenciei e ouvi da parte das pessoas que ali trabalhavam. 

Haveria uma atração musical antes de nós.

Mais flagrantes de nosso show. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star na Turnê "Toca Raul". Casa de Cultura Hip Hop Leste. Bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo-SP. 20 de outubro de 2018. Clicks, acervo e cortesia da equipe da Casa de Cultura Hip Hop Leste

Vi no programa oficial da Casa, tratar-se de um cantor chamado: Diego Moraes. Confesso, não o conhecia anteriormente e torci para que fosse um artista com qualidade, não só para eu apreciar, mas para abrilhantar a noite. 

Logo em seguir, vejo uma van entrar no espaço e a seguir, descerem de seu interior uma trupe formada por artistas e roadies. Eram de fato, Diego e sua banda a descarregarem o seu equipamento e a iniciarem lentamente o soundcheck no salão de apresentações. 

De imediato, intuí que seria um som sob qualidade perpetrado por tal cantor e sua banda, pela aura da banda e educação com a qual cumprimentaram-me. Enfim, já simpatizei, antes mesmo de ouvir o trabalho. 

Eis que chega à casa, Edy Star, acompanhado de um amigo seu que forneceu-lhe a carona, um produtor musical chamado, Celso. Cerca de meia hora depois, vejo Lara Pap e Kim Kehl a estacionarem o seu automóvel no mesmo local onde eu perguntara a um guardador de autos da rua, onde ficava o espaço e ele respondera-me que não o conhecia. 

Fui até bem perto e chamei por ambos, para sinalizar que era ali e que poderiam estacionar o seu carro dentro do complexo. Carlinhos Machado chegou a seguir e por fim, o percussionista, Michel Machado. 

Nesta altura, o som de Diego Moraes & banda já estava em curso. Sonoridade híbrida, com forte influência retrô, mas com algumas timbragens e referências modernas, pareceu-me uma MPB contemporânea, mas muito robusta, com fortes doses de Soul Music, Blues, Jazz e ritmos brasileiros no seu bojo. 

Eu (e todos, incluso, Edy Star), fiquei impressionado pela qualidade das canções, arranjos e performance ao vivo. Cantor com muita qualidade técnica, Diego também era (é) um performático artista no palco. E o seu visual, mediante um figurino ultra anos setenta e no uso de uma cabeleira Black Power imensa, não deixou-me dúvida que mostrara-se fortemente influenciado por música de qualidade. 

E sobre a banda, mostrou-se ótima, gostei muito. A apresentar uma formação exótica pela ausência de um baixista, pois o seu tecladista supriu os graves com a sua mão direita e o uso de samplers modernos a imitar a sonoridade tradicional de um baixo, apresentou também: bateria, guitarra e dois sopristas, um trombone e um saxofonista. 

De fato o tecladista supriu a necessidade de uma massa com frequências graves, mas um baixista de ofício na banda, encorparia ainda melhor, mesmo por que, com esse forte aceno para a Soul Music que o som dele exibiu, um bom baixista a "swingar" forte, cairia como uma luva no trabalho e para quem acha que "suprir" grave é a única função do baixo em uma banda, tenho a convicção de que é um ledo engano essa avaliação. 

Bem, apreciamos, aplaudimos e apoiamos a exibição de Diego Moraes & Banda, mas a constatação de haver menos de dez pessoas no salão para assistir um show tão bom, além de ser frustrante para o artista no palco, em via de regra, acendeu uma luz amarela para nós, visto que a perspectiva não seria melhorar tal contingente, apesar da maior fama e tradição do Edy Star e sobretudo pelo apelo mais popular do nosso show, a evocar Raul Seixas.

Michel Machado e eu (Luiz Domingues) na primeira foto e Kim Kehl & Carlinhos Machado, na segunda. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star na Turnê "Toca Raul". Casa de Cultura Hip Hop Leste. Bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo / SP. 20 de outubro de 2018. Clicks, acervo e cortesia da equipe da Casa de Cultura Hip Hop Leste

Então, o pessoal de Diego Moraes liberou o palco e nós rapidamente montamos o nosso backline e empreendemos um soundcheck bem simples. O público de fato não melhorou, mas nós fizemos o show normal, sem nenhum prejuízo à performance. 

Inclusive, foi mais firme do que o show anterior em M'Boi Mirim, fator inclusive que o percussionista, Michel Machado salientou-me ao término de nossa apresentação. Verdade, a tendência doravante seria a segurança total, para os próximos e em novembro e dezembro, teríamos muitos. 

Foi um show feito com bastante segurança em que o Edy brincou muito com os poucos que ali tiveram a boa ideia de passar sessenta minutos de um sábado a ouvir-nos. 

Os Kavernistas, Raul Seixas e o próprio Edy foram bem homenageados, e até mesmo os Kurandeiros, certamente. O equipamento disponibilizado deu conta, o nosso backline era bom, mas o salão mostrou-se inadequado, certamente. 

Sujeito a uma forte reverberação e ainda por cima com pouca gente presente, é claro que tivemos que observar dinâmica acima do normal e mesmo assim, o som não ficou cristalino. Paciência, foi o melhor que pudemos fazer e o técnico local teve boa vontade para colaborar ao máximo.

Uma panorâmica da banda no palco. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star na Turnê "Toca Raul". Casa de Cultura Hip Hop Leste. Bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo-SP. 20 de outubro de 2018. Click, acervo e cortesia da equipe da Casa de Cultura Hip Hop Leste 

"Rock'n Roll é Fodaço" (Zeca Baleiro / Edy Star), ao vivo na casa de Cultura Hip Hop Leste do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=kyv6URHvwWk

"Rockixe" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=PkPQgsUcL7Y

"Pro Raul" (Kim Kehl/Osvaldo Vecchione), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=O7xOJm_nSD8 

"Rua Augusta" (Hervê Cordovil)/"O Bom" (Eduardo Araújo), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=rONc08gIJEM 

"Sociedade Alternativa" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=MYHLUhd2RmY 

"Sessão das Dez" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste do bairro Cidade Tiradentes em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado.

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=G7Tf3ccmDMM 

"Toca Raul" (Zeca Baleiro)/"Como Vovó Já Dizia" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste, no bairro Cidade Tiradentes, em São Paulo, em 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=NLx1RW_cpo0 

"Metamorfose Ambulante" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste no bairro Cidade Tiradentes, em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=JxtQgUNy7KM 

"Rock das Aranhas" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste, no bairro Cidade Tiradentes, em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=w-sHLgC-gZE 

"Al Capone" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste, no bairro Cidade Tiradentes, em São Paulo, no dia 20de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=IL36UldhSKQ
 

Solo final em "Sociedade Alternativa" (Raul Seixas), ao vivo na Casa de Cultura Hip Hop Leste, em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado. 

Eis o Link para assistir no YouTube:


Melhores momentos do show completo na Casa de Cultura Hip Hop Leste, em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2018. Com Edy Star e Michel Machado.

Eis o Link para assistir no YouTube:
https://www.youtube.com/watch?v=O7xOJm_nSD8&t=147s 

Quase dez da noite e já estávamos a deixar a simpática Casa de Cultura Hip Hop Leste. Sem aplicativos ou GPS, eu não tive alternativa a não ser seguir a orientação do carro de Lara Pap e Kim Kehl, que segui e como eles costumavam obedecer fielmente o que o aplicativo indicava-lhes, foi um caminho permeado por passagens por ruas estreitas e escuras, até atingirmos uma avenida larga e fartamente sinalizada, caso da Avenida Jacú-Pêssego e dali até atingir um ponto da própria zona leste, onde eu tivesse uma mínima familiaridade visual, foram muitos Kms percorridos. 

Eis que eu vejo uma placa a indicar um caminho que levaria para alguma parte do bairro da Penha, mas daí a atravessar os demais bairros não periféricos da zona leste e finalmente vislumbrar o centro da capital e uma saída para a zona sul, realmente demorou. Portanto, a constatação, aliás, duas: 

1) São Paulo é muito maior do que aparenta ser na teoria de sua dimensão geográfica. 

2) Uma Casa de Cultura encravada em um bairro tão longínquo e carente, administrada por pessoas que mantinham o idealismo em torno do seu ativismo, com tanta predisposição, e a apresentar tantas opções ricas em suas atividades e tudo absolutamente gratuito, realmente não merecia ter tão pouco apoio da comunidade que a cerca e pela qual foi fundada para atendê-la.

Da esquerda para a direita: Kim Kehl, Carlinhos Machado, Edy Star, Michel Machado na percussão (encoberto) e eu (Luiz Domingues), só pelo detalhe do baixo. Kim Kehl & Os Kurandeiros + Edy Star na Turnê "Toca Raul". Casa de Cultura Hip Hop Leste. Bairro Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo-SP. 20 de outubro de 2018.

E ao chegar em casa, eu fiz uma rápida pesquisa no Google e descobri que o cantor Diego Moraes estava na luta, como nós. Naquela altura ele já possuía muitos vídeos no postados no YouTube, apresentava-se onde era possível, detinha apoio moderado de pequenos programas de internet e já tentara a fama em programa de calouros na TV, desses que dizem revelar cantores para o mundo mainstream, mas que na prática só proporciona-lhes a fama efêmera. 

Enfim, foi mais um bom artista que merecia um espaço melhor, mas estava ali no limbo do underground. Que tivesse boa sorte nessa luta, que eu sei bem, é muito árdua, para não dizer inglória, ante as adversidades. 

Bem, o próximo show dessa turnê com Edy Star, seria dali a quinze dias e a ser realizado em uma outra Casa de Cultura de um bairro distante da zona leste, mas antes disso, estava programado mais um show regular d'Os Kurandeiros em sua rotina, extra "Turnê Toca Raul". 

Continua...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Patrulha do Espaço - Capítulo 323 - Por Luiz Domingues

Eis que chegamos em Curitiba com tranquilidade, apesar do mau tempo na cidade, naquele instante. Por ser véspera de feriado, não tivemos outra alternativa a não ser irmos para a capital paranaense nesse dia e viajarmos para Caçador-SC, mediante o uso de uma van, no dia seguinte. 

No entanto, a van contratada teve um problema mecânico e dessa maneira, uma outra teve que ser contratada a culminar que a viagem foi remarcada para o dia do festival, no sábado. Como resultado prático, tivemos os dias de quinta e sexta a se configurarem como ociosos na capital paranaense. 

E como se não bastassem os problemas estruturais para seguirmos a viagem, eis que fomos comunicados que o hotel só poderia hospedar-nos na quinta-feira, portanto, passamos a noite em um hotel no bairro do Batel, na primeira noite em Curitiba, mas tivemos que mudarmo-nos para um outro, mais próximo do centro da cidade, na sexta.

Nesse segundo hotel em que nos instalamos, em pleno feriado, eu pude estabelecer um bom passeio a pé pelo bairro, a se mostrar completamente deserto por tal ocorrência e devo acrescentar que foi bem agradável o meu caminhar solitário, literalmente, pela ausência quase completa de pessoas pelas ruas. 

A comitiva do sambista mainstream, Péricles, esteve hospedada no mesmo hotel. Cumprimentei o artista em pessoa no saguão, mas apesar da simpatia mútua nos cumprimentos, não pude estabelecer um diálogo, visto estarmos, nós, de saída e ele e sua banda preparavam-se para irem cumprir o ritual do soundcheck vespertino, onde apresentar-se-iam naquela noite em Curitiba. 

Doravante, eis que passamos o dia e a noite a conversarmos nas dependências do hotel, quando entre tantos assuntos interessantes eu pude ouvir com atenção as reminiscências de Marta Benévolo sobre ser também uma artista plástica super criativa e de fato, ao ver o processo de criação do álbum, "Veloz", um trabalho mais recente da banda e do qual além de ser componente, responsabilizou-se pela criação e lay-out da capa e encarte do disco, e assim, fiquei bastante impressionado e com o incremento de contar com a sua explanação ilustrada, visto que mostrou-me o passo a passo dessa criação, mediante uma cobertura fotográfica do processo, através de seu lap top. 

Além do mais, ela contou-nos várias histórias a respeito de sua atuação como curadora de espetáculos musicais e exposições de arte em Brasília, verdadeiramente fascinantes pelos projetos que liderou e pelos artistas com os quais lidou, alguns dentro do patamar mainstream, inclusive. Nessa hora, o fato de não termos tido atividades em Curitiba, por dois dias, fez valer a pena a longa espera para viajarmos a Caçador-SC.

Capa de dois álbuns mais recentes da discografia da Patrulha do Espaço, em que Marta Benévolo participa como cantora e foi responsável pelo lay-out, o CD "Veloz" é de sua criação, mediante o uso de material reciclável

E no dia seguinte, ao final da manhã, nós fizemos o check-out e entramos na van que chegou pontualmente à porta do hotel. Gostei de imediato do seu motorista, um rapaz educado e com muito bom humor, todavia na dose certa, sem exageros inconvenientes, chamado: Mauro. 

Acompanhar-nos-iam três amigos, nessa viagem. O casal ultra simpático, solícito e alto astral, formado por Cristiano e Lorena Rocha Affonso Costa, que havia acompanhado-nos em Ponta Grossa-PR, em abril próximo passado. 

Cristiano também é músico, além de ser um militar com alta patente e especialista em segurança e mediação de conflitos. Ele treinou profissionais para grandes eventos, tais com a Copa do Mundo e Olimpíadas do Rio de Janeiro, além de encontros governamentais, cúpulas e afins. 

De fato, logo após o nosso encontro realizado em abril de 2018, na cidade de Ponta Grossa-PR, ele enviou-me um livro técnico de sua autoria, sobre o assunto em questão. Portanto, é também um escritor com talento e além de escrever livros técnicos, pretende lançar livros com biografias de bandas de Rock setentistas que conhece de cor e salteado, a mostrar que é mesmo multifacetado como autor. 

Não obstante tudo isso, Cristiano revela-se um produtor musical, pois assim como ocorrera em Ponta Grossa-PR, muito auxiliar-nos-ia em Caçador-SC e como se não bastasse tudo isso, graças aos seus esforços, uma cobertura fotográfica desse show e algumas filmagens, foram supridas por ele e pela sua não menos simpática e solícita esposa, Lorena. 

E uma terceira pessoa viajou conosco, chamada, Manuela "Manu" Santana, experiente produtora musical com larga experiência ao ter  gerido festivais com grande porte, tendo sido membro da adminstração do festival "Psicodália", por muitos anos. Pois Manuela também auxiliou-nos muito nessa viagem, além de sua simpatia que ajudou a tornar tal convívio, muito agradável.

No interior da van, a partir de Curitiba em direção à Caçador-SC. No primeiro banco, o casal, Lorena e Cristiano Rocha Affonso Costa, no segundo, Rolando Castello Junior e Marta Benévolo. No terceiro, Rodrigo Hid e eu (Luiz Domingues) e no quarto banco, deitada momentaneamente e não presente no enquadramento, Manuela "Manu" Santana. Comitiva da Patrulha do Espaço a locomover-se para Caçador-SC, em 13 de outubro de 2018. Clicks (selfies), acervo e cortesia de Cristiano Rocha Affonso Costa

Apesar da chuva intensa, frio e mediante uma estrada não muito segura, chegamos bem na cidade de Caçador-SC, no meio da tarde e nesta altura, já sabíamos de antemão que devido ao mau tempo, o festival havia transferido o seu local para um ambiente fechado, urbano e saído assim, do espaço rural onde estava anteriormente programado para acontecer. 

Seria para conter camping e barracas ao ar livre, mas com essa brusca mudança, certamente que as mais de cinco mil pessoas aguardadas, na realidade, reduzir-se-iam drasticamente em um ambiente fechado e ainda mais sob frio e chuva. Paciência...

Continua...  

domingo, 2 de dezembro de 2018

Autobiografia na Música - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 96 - Por Luiz Domingues

O nosso próximo show foi no dia 18 de outubro de 2018, no Santa Sede Rock Bar. Uma festa de confraternização de ex-alunos de uma escola, chamada "CEPEF" (Escola Estadual Professor Eurico Figueiredo), localizada no bairro do Jaçanã, na zona norte de São Paulo, foi marcada e a casa convocou-nos para tocar e entreter essa turma. Bem, estávamos acostumados a animar festas dessa natureza, inclusive por nunca furtarmo-nos ao direito de tocar fartamente o nosso material autoral, mesmo diante de tais circunstâncias excepcionais.

Uma panorâmica da banda em ação. Kim Kehl & Os Kurandeiros no Santa Sede Rock Bar de São Paulo, em 18 de outubro de 2018. Clicks: Lara Pap

Colocamo-nos a tocar normalmente e tirante alguns fãs da banda que estiveram desde o início a prestigiar-nos com entusiasmo, notamos que a tal turma de ex-alunos do colégio citado, preferiu reunir-se na parte externa do estabelecimento. 

Nada que incomodasse-nos, mas ficou a estranha constatação de que a turma inteira ignorou-nos e não foi por que não gostaram do som ou acharam o volume muito alto, reações que seriam até esperadas, mas simplesmente em nenhum momento esboçaram ter interesse em nossa performance. 

Tudo bem, não incomodou-nos em nada, não estou em contradição aqui, mas apenas relatei por que achei a ocorrência, exótica, portanto cabível para esta narrativa. Noite do dia 18 de outubro de 2018. 

No dia seguinte, teríamos a continuidade da turnê "Toca Raul", em conjunto com Edy Star e reforçados pelo percussionista, Michel Machado.

 
Continua...

sábado, 1 de dezembro de 2018

Os Kurandeiros + Edy Star - 2/12/2018 - Domingo / 19 Horas - Turnê Toca Raul - Casa de Cultura Butantã - São Paulo / SP

Os Kurandeiros + Edy Star + Michel Machado

2 de dezembro de 2018  -  Domingo  -  19 Horas

Turnê Toca Raul

Casa de Cultura Butantã
Rua Junta Mizumoto, 13
Jardim Peri Peri
Estação São Paulo / Morumbi do Metrô
São Paulo  -  SP

Entrada Gratuita

Edy Star : Voz

Os Kurandeiros :
Kim Kehl : Guitarra e Voz
Carlinhos Machado : Bateria e Voz
Luiz Domingues : Baixo

Convidado Especial :

Michel Machado : Percussão