sexta-feira, 8 de junho de 2012

Fran Alves, Sob Duas Visões... - Por Julio Revoredo e Luiz Domingues

 
No ano de 1984, o meu amigo Luiz Domingues, após a saída problemática dos vocalistas: Veronica Luhr e Chico Dias, pediu-me para fazer uma sondagem em bares e shows, analisando possíveis vocalistas para A Chave do Sol.

Confesso que não me empenhei muito. Lembro-me que fui num sábado a um barzinho perto da casa do Rubens Gióia, depois a um show da banda Salário Mínimo no Teatro Paulo Eiró, em que fiz até um relatório, mas foi exatamente na terceira vez, num show ao ar livre no Parque da Aclimação, que eu descobri o vocalista que para mim seria o vocalista ideal para A Chave.
Foto de Fran no show citado pelo poeta Julio Revoredo, e click do próprio. Acervo: Julio Revoredo

Era o show de uma banda chamada "Ano Luz" e o vocalista, dono de uma voz rouca, potente e metálica, chamava-se Fran.

Após o final do show, eu fiz uma sutil abordagem, expliquei-lhe a situação e dias depois ele entrou para A Chave do Sol.

O seu nome real era Francisco Alves, nome de um antigo e famoso cantor dos anos de 1930 e 1940.
Fui parceiro dele em "Ufos", música da qual ele tirou uma frase da minha letra e usou-a como um autógrafo para mim.

Fran, aonde você estiver, um minuto além vamos nos encontrar.


Julio Revoredo


Após frustradas tentativas de agregar um novo vocalista para a banda, a indicação do poeta Julio Revoredo foi uma grande oportunidade.

Isso se aliara com o fato de que a então banda do Fran Alves, o "Ano Luz", estava a viver os seus últimos momentos, já decidida a encerrar atividades e dessa forma, foi um achado recrutar um vocalista de voz tão potente e com passe livre, sem outros vínculos artísticos.
Fran era um cara humilde, trabalhador e muito esforçado. Sua voz era de uma potência absurda, e a rouquidão natural dava-lhe um diferencial, um autêntico"drive" na garganta.

A sua performance de palco era dramática. Tinha um gestual forte e seu olhar fulminava a plateia. 

Gravou o segundo trabalho da banda, em 1985, o EP sem título, que os fãs apelidaram de "Anjo Rebelde", a primeira faixa da bolacha.

Ficou pouco tempo na banda. Entrou no final de dezembro de 1984 e em outubro do ano posterior, já estava de saída.
Curta, porém marcante participação.

Recebi no final de 2008 a notícia que Fran Alves nos deixara. Lá onde ele está agora, deve estar cantando uma letra do poeta Julio Revoredo que eu gosto muito, e que num verso diz : "A humildade é o caminho para a felicidade superior".

Luiz Domingues


Julio Revoredo é colaborador fixo do Blog Luiz Domingues 2. Ele é o letrista das músicas: Ufos e Segredos, que foram gravadas no EP de 1985, d'A Chave do Sol, a contar com a voz de Fran Alves.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 9 - Por Luiz Domingues

Mas chegou a hora de contar sobre o nosso imbróglio com Ezequiel Neves, poucos dias depois de fazermos o nosso primeiro show.

Foi em fevereiro de 1977, que o “Made in Brazil” iniciou uma temporada com duas semanas no teatro Aquarius, em São Paulo. Então o Laert propôs que fôssemos, e apresentássemo-nos ao Ezequiel Neves, e quem sabe assim ele não interessar-se-ia em ajudar-nos de fato, visto ter publicado meses antes, ainda em 1976, que era o nosso "padrinho"?
Essa dose de ousadia do Laert era muito salutar, mas contrastava com nossa ingenuidade juvenil, pois era óbvio que o Ezequiel não houvera levado a sério esse suposto "apadrinhamento". Eu e o Laert chegamos decididos à porta do teatro, em um domingo, por volta das dezenove horas. Ouvíamos a banda a realizar seu soundcheck ainda, quando falamos com o bilheteiro do teatro, ao perguntarmos-lhe se o Ezequiel estava presente.
O bilheteiro pôs-se a emitir evasivas e nós a insistir, até que vimos o Ezequiel a circular nas dependências do teatro e o chamamos. Ele demonstrou uma certa irritação e ignorou-nos por um tempo. Mas como insistimos, ele enfim veio e seu semblante era de alguém muito irritado. 

Mesmo assim, quando aproximou-se, o Laert educadamente apresentou-se e ao falar que éramos o "Boca do Céu", antigo "Injeção na Veia", e que havia mandado-lhe exemplares do "Sarrumorjovem" etc. Ezequiel ficou possesso e aos gritos, dizia não lembrar-se de nada disso, e que nós deveríamos pagar os ingressos, se quiséssemos assistir o show. Foi quando o Laert (até hoje não sei se foi por ingenuidade ou deboche), falou que ele era “nosso padrinho” e poderia pelo menos dar-nos ingressos sob cortesia...

O Ezequiel ficou irado e ao afirmar que não era padrinho de "porra nenhuma", pegou dois ingressos, deu-nos com truculência gestual e advertiu-nos a nunca mais o abordarmos com essa conversa de "padrinho", e que deveríamos pagar pelos ingressos, doravante. Garotos que éramos, não incomodamo-nos com o “chilique” e fomos ver o show... claro, perdermos um "padrinho", talvez para um concorrente tão juvenil quanto nós na época, um tal de Cazuza...
Essa foto acima, que achei na internet, é de fato do show "Massacre", do Made in Brazil, que assistimos no Teatro Aquarius em 1977, não necessariamente do dia em que fomos, mas da mesma turnê, sem dúvida

Continua...

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pérolas e Porcos - Por Luiz Domingues

Uma semente é lançada ao vento,

Uma palavra condenada ao esquecimento.

Poema escrito em 1982 e agora salvo do esquecimento...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Livre Especulação - Por Luiz Domingues

Todo sistema concebido e premeditado por uma força constante, talvez aqui seja explicado.
Aforismo criado em 1982 e engavetado desde então...

sábado, 2 de junho de 2012

O Brasileiro e o Livro - Por Marcelino Rodriguez

Dentre tantas as constatações que já fiz sobre a deficiência da educação no Brasil, a mais dramática é que o brasileiro não tem noção alguma da essência do livro. Ele sabe apenas que o livro é um objeto.

Ele não vê o livro como uma parte do espírito da vida, e uma das mais importantes, sem dúvida. O homem sem conhecimento e sem uma mínima cultura sabe pouco, pensa pouco, produz pouco e desperdiça muito.
O livro na verdade é a escova de dente do espírito, se me permitem a metáfora inusitada. Como escritor, evidente que essa ignorância consentida e essa indiferença em relação ao livro, doem mais.

Pude sentir na pele o desconhecimento da importância do livro por parte da população. Para o brasileiro médio, um livro não é algo diferente de um artesanato de madeira ou que um porta CD. É apenas um objeto sem substância viva de vida, para ele. Algo descartável.
Quem conhece pouco, valoriza pouco. O que está contido nos livros não são apenas palavras, mas espírito.

O que deve ser feito para se mudar essa cegueira absurda, que muito me estranha que mesmo muitos intelectuais não tocam no assunto ?

Em primeiro lugar, denunciar o crime. O país é um dos mais atrasados do mundo no quesito leitura, que bem poderia passar a ser uma matéria escolar. Por que não ? Se isso é barato e necessário ?
Com investimento na leitura na base educacional garanto que em duas décadas a economia do país e a qualidade de vida vão melhorar em no mínimo, trinta por cento. Teremos uma gente mais qualificada, com senso crítico, consciência, imaginação, maior empatia humana, mais responsabilidade e menos preguiça mental.

Com uma população nutrida de livros, a vida aqui deixará de ser uma mera luta pela sobrevivência para passar a ser alguma coisa mais interessante para todos. Como dizia tantos sábios, só há um bem, o conhecimento; só há um mal, a ignorância.
Uma população que não lê é uma população de ignorantes.

 
Marcelino Rodriguez é colaborador sazonal do
Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta obra publicada, é um difusor cultural inflamado e inconformado com o fato do Brasil ser um dos piores países do mundo no ranking mundial de leitura. O livro é a grande ferramenta contra a ignorância, sem dúvida alguma. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Cada Um - Por Julio Revoredo

Resíduo e ideia

Nuvens de vidro

Visitação ocular
Hesitação e ruptura

Mergulho.


Julio Revoredo é colunista fixo no Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas canções que compusemos em parceria, em três bandas pelas quais eu: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. Tal como neste poema em específico, mergulha sem hesitação na criação.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Anenun - Por Julio Revoredo

Untre a entrenoute





Antre o entrelunho






Entre o antrelunho.




Julio Revoredo é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta e letrista de diversas canções que compusemos em parceria em três bandas pelas quais eu toquei: A Chave do Sol, Sidharta e Patrulha do Espaço. É um poeta que busca sempre o não usual em suas criações e sempre de improviso, a explorar a inspiração pelo impulso da emoção.