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sábado, 22 de dezembro de 2018

O Sentido de Jesus Cristo - Por Marcelino Rodriguez

Agora vem chegando Dezembro. Com ele, o Natal, grande norte que o mundo perdeu na últimas décadas de ferocidade mercadológica tecnicista, foi o significado de Jesus Cristo em nossas vidas, que era o centro da boa educação de antigamente. O Messias dos antigos não era apenas um agregador de "tribos" religiosas que se dizem cristãos. Ele era o grande amigo educador e salvador das almas, que nos ensinava o amor, a misericórdia e a poesia de nossa interioridade profunda, ligada diretamente ao pai divino. O Jesus Cristo de antigamente nos ensinava a ser bom e o caminho da integridade. Não era um provedor de "bens concretos", apenas. Com isso, hoje temos uma sociedade doente, fria, ególatra e perdida, sem compaixão. Gerações de jovens que crescem sem nunca ter ido numa missa, sem nunca ter contemplado anjos nos vitrais. Uma gente que não sustenta uma conversa delicada de quinze minutos. O amor pelas coisas sagradas e pelo próximo são os primeiro passos a serem aprendidos numa educação séria. 
Acreditem, sem o referencial messiânico, raramente o ser humano sai do padrão da máquina biológica de só pensar em si mesmo, de ter empatia pelo outro. Cedo ou tarde, o materialismo que não sustenta a alma, o individualismo destrutivo, leva o indivíduo para uma espécie qualquer de encruzilhada. Felizes os pais que deixaram aos filhos o amor como ensinamento e as Igrejas como um referencial de verdadeiro sentido. Existem uma dezena de corpos de santos que até hoje não se corromperam. Triste é a vida de quem nunca conta com milagres. 


Marcelino Rodriguez é colaborador ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra literária, lançada no mercado editorial brasileiro, apresenta aqui uma crônica curta a falar sobretudo em valores verdadeiramente crísticos, uma base primordial para o avançar da humanidade, mas bem pouco observada nos dias atuais

domingo, 23 de setembro de 2018

Pessoas Especiais - Por Marcelino Rodriguez

Já contei em um de meus Best-Sellers, O Tigre de Deus Em Seu Jardim, que fui amigo próximo de uma mãe de Santo numa época da minha vida, e ela destruiu um gráfico que estava atrapalhando meu trabalho. Quem leu, sabe. Naquele tempo, eu era um escritor relativamente pobre. Sequer podia ter uma garrafa de Ballantines em casa. 
Também conto que eu e ela emprestávamos pequenas quantias de dinheiro um para o outro. Era um rito nosso. Um dia Mãe Nancy me pediu uma quantia, eu não tinha, e ela então disse o seguinte :
-- Olha, já que você está sem dinheiro e eu estou com pouco, vamos celebrar nossa vida que miséria pouca é bobagem. 
-- Filho, vem cá - Gritou para o menino que estava na vila. - Toma esse dinheiro aqui e me traz uma cerveja.
Minutos depois estávamos com a espuma subindo no copo como se fossem as cataratas de Iguaçu e a gente sorria mais que artista de Hollywood em dia de Oscar. Acredito que Mãe Nancy, apesar de ser macumbeira das boas, ou exatamente por isso, vai ser uma daquelas cinquenta e cinco que vão pro céu entre os sete bilhões de pessoas desse globo estranho.
As pessoas especiais são sempre generosas. A miséria e a escassez são invenções humanas. Os fortes celebram seus encontros


Marcelino Rodriguez é colaborador sazonal do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra, oferece aos leitores deste Blog uma crônica curta sobre a solidariedade humana, em linha geral.
 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Chopp de Inverno - Por Marcelino Rodriguez

Há muito que a antiga alegria do chopp não existe mais pra mim. Os antigos humanos amistosos que confraternizavam com estranhos não existem mais. Sai mais cedo de casa do encontro que tinha com um amigo. Estava inquieto. Não é um país fácil de se viver atualmente, o Brasil. Um verdadeiro deserto de caráter e ideias. Uma população indiferente e mecanizada na maioria, caminha sem futuro sabido.
Tinha ainda uma hora até meu encontro marcado e resolvi tomar chopp, coisa que não fazia havia algum tempo. Escritor precisa dessas coisas, às vezes, fugir da realidade. Minha humanidade estranha estar entre humanos que andam aos montes pelas cidades e nem se cumprimentam. Os amores à primeira vista parece que fugiram da mitologia. Os melhores sonhos humanos parecem ter ido para um além sem fim. A humanidade desenvolveu a tecnologia e deu, ao mesmo tempo, uns passos atrás na sensibilidade.
Na fila, estava mais na frente uma menina sem um dos braços, que saiu com a amiguinha, ambas com uniforme de colégio. De repente, meus problemas ficaram pequenos, mas deu-me raiva de tudo. No meu chopp, eu ia pensando em escrever : "amável leitora", você não sabe o que é um cronista sozinho no meio da cidade imensa, sem um jardim humano de ternura. Você não sabe, amável leitora, o que é isso. 
Três, quatro chopps. Observo que venta e só Deus sabe dos meus pensamentos. A cidade é gelada. Amável leitora, eu tenho pensamentos idiotas quando estou sozinho, tipo "se eu pudesse voltar no tempo agora", para onde iria ? 
No tempo de Rubem Braga, ele escrevia coisa pras senhoras e recebia cartas como respostas, presentes, ás vezes até flores. Foi ele que inventou a "amável leitora", "gentil senhora" e outras cortesias que jogava em suas crônicas. Se eu pudesse voltar no tempo, iria para aquela sexta-feira, quando uma mulher deslumbrante chegou de branco no meu apartamento; depois, levaria essa mulher para o tempo do Rubem Braga; depois, no tempo do velho Braga, eu acabaria com a guerra mundial e não entraria mais num mundo onde se vê crianças sem braço.

Marcelino Rodriguez é colaborador ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor consagrado, com vasta obra lançada e celebrada pelo público e crítica, aqui brinda-nos com uma saborosa crônica urbana. 

domingo, 25 de março de 2018

Cidadãos Privados de Literatura - Por Marcelino Rodriguez

O que vou escrever aqui, talvez você pense ser pouco importante, mas lamentavelmente a realidade aqui exposta afeta a vida de seus filhos e netos; gostaria, portanto, que esse fato lhe tocasse a ajudar a mudar o quadro da maneira como o livro e a leitura como hábito é negligenciado no Brasil e com isso, claro, também os escritores e outros produtores de cultura. Os brasileiros são cidadãos privados de literatura. Ou seja, desconhecem as tradições básicas do pacto civilizatório. Além disso, apresentam desconhecimento quase que completo da inteligência simbólica e do próprio funcionamento do mundo social, revelando um comportamento primário, com fraca empatia humana, intolerância diante das diferenças, unilateralismo mental e pelo que se conversa no país e vemos no dia a dia, não se pode esperar criação de grandezas humanas. Embora, é claro, existam sujeitos excepcionais aqui e ali, a massa do povo nasce, cresce e morre sem instrumental de cérebro para apreciar uma obra de profundidade média. Pior, os sujeitos excepcionais encontram um terreno muito pedregoso para vingar. O homem comum não vê o intelectual como portador de algum tipo de riqueza ou diferencial. Estamos falando de massas, não de exceções; com isso, com essa falta de cidadãos leitores, o subdesenvolvimento se mostra evidente em todo desconforto que sentimos em nosso dia a dia. A vida é banalizada e o “tudo que move é sagrado” não pode existir em mentes unilaterais.



A questão perante essa inoperância em formar cidadãos que despertem sensos humanos básicos (que fazem parte do ser humano) tais como empatia, imaginação, curiosidade e graça é : será uma condenação eterna do país, ter uma gente sem informação nem assunto ? Será essa condenação eterna ? Somos agentes da história ou cidadãos inertes ? 

Existe uma história muito tradicional do mundo da espiritualidade que Jesus vivia chamando um sujeito que estava em cima do muro, enquanto o diabo ficava quieto ouvindo seus ritmos. Jesus insistia em que o sujeito pulasse para seu lado, o diabo quieto. Até que chega uma hora que o sujeito pergunta ao diabo porque ele também não o chamava.

- O muro é meu, meu caro.

Portanto, caro leitor, não existe meio termo entre luz e trevas; não se pode agradar a dois senhores. Em vinte anos, entre 1980 a 2000, teve mais homicídios no país que a maioria das guerras. Decerto, os praticantes dessas mortes, ao menos noventa e cinco por cento deles, com toda certeza, não eram leitores. Seu filho ou neto poderia ser uma das vítimas. A indiferença, no caso do Brasil, não favorece o bem e sim ao mal. Uma quantia incalculável de dinheiro e bem estar social se perde com um pouco subletrado.



Marcelino Rodriguez é colaborador do Blog Luiz Domingues 2. Escritor a ostentar uma vasta e consagrada obra publicada, aqui oferece-nos uma crônica extraída de seu livro, "O Brasileiro e o Livro", a criticar com veemência a política pública criminosa nos campos educacional e cultural, a não priorizar a leitura à população.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Por Trás da Canção - Por Marcelino Rodriguez

Quem conhece o Leblon, sabe que quando o mar está agitado, as ondas batem com força, fazendo um barulho que parece dividir o tempo do agora com o tempo mitológico. Como se Deuses e sereias nos estivessem chamando da areia.


Cheguei ao Rio tem poucas horas. Após resolver algumas questões, estou indo conhecer pessoalmente meu parceiro Roberto Lempé, para tratarmos da divulgação da nossa música “Paixão”, que parece que já nasceu um Hit. O Parceiro foi um dos integrantes dos Secos e Molhados, um dos conjuntos mais originais da música popular brasileira nos anos setenta, oitenta.
Roberto me disse que meu poema o emocionou, daí resolveu fazer a canção. Fico encabulado pensando que ele vai me perguntar a história de como é isso de “dividirei contigo o ar, senhora”. E mais ainda, me perguntar sobre a senhora.

“ Sabe, parceiro, a senhora disse que estava deprimida. Então, eu quis cuidar dela. Infelizmente, acho que ela prefere morrer queimada a me visitar, e não sente nenhuma vontade de conversar com o poeta que lhe escreveu uns trinta poemas – poeta esse , além do mais, que poderia levá-la à ilha dos anjos. Infelizmente, a senhora da canção não liga pra mim, simplesmente não se importa. Quem sabe não é assim parte da vida e da arte, feita de amores insatisfeitos e senhoras frias?"? 


As ondas do Leblon batem mais forte. O ar frio corta o início da noite. As ondas também, como a canção, parecem dizer “eu não te deixaria só, jamais”. Só que dizem para mim, que atravesso sozinho a rua, com o coração puro e magoado, como a lua minguante que parece com preguiça de brilhar de vez. E as ondas continuam batendo, batendo, eu não te deixaria só: jamais. Eu e o mar somos um.

Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica do cotidiano, mas versando pela questão da emoção que a poesia e a música, trabalhando em parceria, podem gerar.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Aula de Tarô - Por Marcelino Rodriguez

Dando aula de tarô para Bernadete, conversamos uns assuntos que creio ser válido, não só para tarólogos, como para qualquer outro tipo de profissional. Aqui parte de nossa conversa, ao telefone:
-- Boa Noite, querida, como vai?
-- Bem, e você?
-- Bem, mas eu quero seus detalhes.
-- Ah, Marcelino! Vamos começar.
-- Já começamos. Saber de você faz parte da aula. Assim como ao atender pessoas, você terá que saber delas, ao máximo. Você sabia que em geral as pessoas escutam, mas não ouvem? Se você falar que é Flamengo, logo a outra fala que é Vasco. Os egos querem sempre se impor e disputar espaço. Mas ninguém escuta ninguém e para atender pessoas, você tem que pensar primeiro nelas, segundo nelas e terceiro nelas. Na verdade, quando alguém disser que é Flamengo, temos que perguntar se isso é bacana, o que ela sente, deixar a pessoa florir suas emoções. Ser um bom ouvinte é que faz um bom terapeuta. Então, atendendo pessoas, temos que estar completamente atentos e delicados com elas, e pra isso é preciso deixar de lado o ego impaciente. Na verdade, em tudo, primeiro precisamos ser delicados, para depois sermos profissionais. Era isso que Vinicius de Morais queria dizer com ser um "monstro de delicadeza". Ao ouvir uma pessoa, ou uma cliente, devemos deixar que ela se sinta a Barbra Streisand. Uma pessoa espiritualmente madura, se coloca sempre em segundo plano.
--- Nossa, não tinha pensado nisso tudo.
--- Claro que não. O professor serve para fazer o aluno alcançar a outra margem da mente. Mais importante ainda do que saber o que significam as cartas, precisamos saber como tratar as pessoas que recebemos. Não só para dar consultas, como em tudo mais. A sensibilidade é mais importante que o conhecimento em si. O mago é sempre aquele que puxa a cadeira para o outro.
Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra, aqui oferece-nos uma crônica curta, mas intensa, falando sobre a delicadeza que é, ouvir as pessoas, uma qualidade rara, infelizmente. 

sábado, 21 de outubro de 2017

Fim de Tarde no Vietnam - Por Marcelino Rodriguez

A maior saudade que tenho do tempo que passei no Vietnam, eram as conversas de fim de tarde com o Ninja, que me contava histórias fabulosas. A gente tomava uma long neck junto, e ele começava:

- Eu assombrei Nova Iorque com o meu amigo Porco Milagroso, gafanhoto. Onde eu ia com meu porco as coisas começavam a dar certo pra todo mundo.

- O senhor andava com um porco em Nova Iorque, mestre?

- Sim, qual o problema dele ser porco? Era meu amigo.

- Mas como o senhor ficou amigo dele, mestre?

- Ora, eu nunca reparei no que ele comia ou se tomava ou não banho, isso não é problema meu. O que eu reparava é que ele abanava o rabo quando eu chegava e que tinha bom coração. Eu sou uma pessoa educada, gafanhoto, e não fico reparando nos hábitos alheios. Além do mais, você já encontrou algum homem que tenha coração melhor do que um porco ? 
- Era assim o mestre. Uma metáfora viva. Até hoje, por causa dele, tenho saudades dos fins de tarde no Vietnam.

Marcelino Rodriguez é colunista sazonal do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra, aqui mostra-nos uma crônica curta, contendo uma metáfora forte e que só os mais atentos entenderão...

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Ambulatório do Ninja - Por Marcelino Rodriguez

Naum nunca tinha passado pelo ambulatório para se aconselhar. Seria sua primeira vez. Já havia presenciado o quanto alunos abatidos saiam de lá parecendo adquirir superpoderes. O ninja apontou a cadeira vazia e pediu que Naum sentasse, enquanto pegava uma folha de caderno escrita.

-- Tá mal, né, Gafanhoto?

-- Como o senhor sabe, mestre?

-- Todo faixa preta tem um pouco de consciência cósmica. Vamos ao ambulatório.
-- Seu caso foi nocaute de mulher, certo, Gafanhoto?

-- Certo, mestre.

-- Você quebrou. Precisa de terapia caseira – toma isso.

-- O que é, senhor?

-- Filmes. Aí tem uns dez pra você se trancar em casa. Comédia, terror, drama, suspense. Ai tem o último Tubarão. Quando você vê aquele bicho majestoso cortar as pernas de uma meia dúzia, teu testosterona vai subir. Ajuda na libido. Tem umas comédias idiotas para oxigenar os neurônios. Veja durante uns três dias e volta pro treino. Temos um campeonato a conquistar.

Naum foi para casa e durante três dias esqueceu do mundo, do governo, do Trump, do ditador da Coreia, da mulher. Ele nunca havia desconfiado do poder que é assistir ao último Tubarão. Ao fim dos três dias, tudo que pensava era em sexo. 

Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor com vasta e consagrada obra, apresenta-nos aqui uma crônica leve a questionar a nossa sempre presente preocupação com a libido e as frustrações com as relações não correspondidas.

domingo, 20 de agosto de 2017

A Solidão do Brasil - Por Marcelino Rodriguez

Januária só ficou sabendo a frase real da música de Luiz Melodia, Magrelinha, poucos dias depois de sua morte. Ela sempre entendia, na parte que diz “no coração do Brasil”,  como se fosse “na solidão do Brasil”. Agora no morro, enquanto descascava batatas, pensava nisso: "Que coisa estranha. Sempre entendi na solidão do Brasil.” Januária sempre gostava dos negros que faziam sucesso. Com Luiz Melodia, não era diferente. 
Januária lavava, passava e cuidava dos três netos, frutos da filha drogada e do genro assassinado. Sua adoração era o mais velho, Ramon, nove anos, que agora já vendia sorvete e ajudava um pouco. Mas havia muitos custos. Ficou devendo advogado para liberar a filha de boa. Precisava cortar coisas do orçamento.

Ela frequentava a igreja,  porque isso garantia uma cesta básica que era essencial para suas economias. Mas para ela, Januária, o mundo todo e tudo era Deus, não conseguia separar nada de nada. Era uma mística sem saber o real sentido dessa palavra. Sequer a ouvira ou lera. No morro, se tem poucas oportunidades de sair da senzala cultural.
Um vira-lata a observava pela fresta da porta de madeira, punha a língua de fora. Ela teve uma ideia de algo que poderia cortar do orçamento e imediatamente gritou ao neto, que lá fora brincava de bolinhas de gude.

- Ramon, Ramon.

O menino entrou correndo, sem se mostrar contrariado.

- O que foi vó?

-- Vai na igreja pegar o jornal. Vamos usar no banheiro.

 -- Tá bom – disse, e para lá foi saltitante. Ele ainda não sabia ler direito, faltava muito na escola precária; seu mundo era prático e as ordens da Vó jamais eram questionadas.

Sozinha de novo, Januária achava que ficava melhor mesmo se Melodia cantasse “a solidão do Brasil”. De forma primitiva, ela se orgulhava de se achar com alguma forma de talento. Estava contente: poderia substituir a despesa do papel higiênico pelos jornais da igreja. E assim ela, com sua competência simples,  ia criando os três netos. 
 
Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui oferece-nos uma crônica curta, mas de enorme contundência, para explicar o que é o Brasil, assim como o grande Luiz Melodia também fazia tão bem. 

sábado, 24 de junho de 2017

Os Quatro Pilares da Educação - Por Marcelino Rodriguez

Recentemente,  num programa de televisão, eu afirmei que o Brasil só tem quatro problemas básicos: educação, educação, educação e educação. O caso é que, embora as pessoas em geral desconheçam, porque o mundo  é mesmo quase sempre deselegante e mal educado, a educação tem quatro níveis: físico, mental, emocional e espiritual.
A parte física da educação, a mais primitiva, todavia longe de ser desnecessária, tem a ver com o desenvolvimento de nossa parte física que trabalha a estética e a coordenação motora, além da ética aprendida nas artes marciais e esportes coletivos. Claro que essa área existe, embora de forma subdesenvolvida, mesmo porque a parte física apenas não se completa.
A parte mental tem a ver com ler, contar, escrever e aprender as informações das línguas, matemáticas e demais matérias que capacitam para o mundo da profissão, da  técnica e da competitividade. A maioria das pessoas no país só chegam mais ou menos, até esse nível. Você pode ser médico, engenheiro, professor , advogado, qualquer outra coisa e ser mal educado e subdesenvolvido. Saber um sistema de pensamento não é ser educado, mas adestrado. A educação é, por natureza, global.
A parte emocional da educação tem a ver com as artes: música, literatura, pintura, cinema, teatro, dança e afins de culturas, que são bastante precárias no país, uma vez que separou-se aqui educação e cultura. O nível de leitura é baixíssimo. A mídia de massa  propaga lixo no lugar de arte, propiciando uma terrível degeneração e poluição psíquica no povo. Sem arte e cultura, o ser humano é, em sua maioria, bruto, egóico  e predador.
Por fim, na mais delicada e rara das educações, onde se pode atingir a excelência, situa-se a educação espiritual, que trata das religiões e da espiritualidade, se aprofundando nas ordens de iniciação e nas éticas comparadas. Saber apenas de uma religião é saber um pouco menos que nada. Deus é vasto e múltiplo e apenas um. Para saber disso, todavia, é preciso estudar um pouco mais que um pouco. Ser educado, enfim, é ser reverente, razoavelmente bom, razoavelmente culto e disciplinado. Em geral, os gênios estudam muito.

Marcelino Rodriguez é colunista sazonal do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui nos traz uma crônica contundente sobre a questão da educação, que vem a ser a mola mestra de avanço de uma civilização, no entanto, o Brasil vive completamente desconectado dessa necessidade premente.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cruzada Transcendental - Por Marcelino Rodriguez


Chegou o verão, a estação do colírio. Para  mim, míope de carteirinha – só vejo bem as mulheres e o contexto que as formam – é um refrigério. Eis que, por todo lugar em que ando, as vejo à vontade. Shorts, minishorts, saias, minissaias, vestidinhos leves, graciosos, peitinhos isentos de sutiã divinamente delineados, misteriosamente semiocultos. Meu Deus, por que não posso beijá-las, todas? 
Sei, vocês devem estar pensando que eu sou doido. É isso mesmo, sou um deslumbrado, completamente dependente do eterno feminino para sobreviver. Mulheres, já! O resto é complemento, confusões, mal-entendidos. Um dia, creio – a pretensão é grave – escreverei sobre as classes de mulheres que há, de acordo com a cronologia, evidentemente, já que pretender entende-las, em suas individualidades e recantos, é passar-se um atestado de burrice. Sejamos loucos, sim!  Burros, nunca! 

Eu gostei da entrada deste ano. Passei a madrugada de réveillon na Barra, em casa de gente desconhecida (amigos de amigos), porém simpática. Cercado pelo conforto, defronte ao mar. 
Mas, apesar da praia e demais atrativos da noite de festa, o que tornará este réveillon inesquecível foi a cruzada de pernas de uma beldade (perfeita, se não fosse casada), perguntando-me o que eu queria beber.

--- Cerveja, balbuciei, absolutamente extasiado. 

E até hoje não sei se aquela dama estava de short, minishort, saia ou saia short, tal fora a fineza e arte com que cruzara as pernas. O que ela esconderia, meu Deus ? Sem dúvidas, foi uma cruzada de pernas transcendental. E quem pode analisar a transcendência? 


Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui no traz uma crônica curta e leve, falando da ebulição masculina ante os encantos femininos. Extraída de seu livro "O Primeiro Milhão de um Homem"

domingo, 26 de março de 2017

Magos Demais no Mundo - Por Marcelino Rodriguez

Há tempos atrás, encontrei um remanescente da Tradição dos templários em um retiro espiritual. Um desses tipos de homens raros, raríssimos. Sobretudo nesses tempos, onde a educação e os valores estão degenerados. Ao menos nessa humanidade da terra. Os tempos reais e heroicos, plenos de sentido da Tradição Solar, estão dando lugar a uma massificação da mediocridade.

Ele, o cavaleiro que se chama Glauco, dizia-me enquanto organizávamos o estacionamento do retiro espiritual, que os magos negros haviam tomado a mente da humanidade, transformando a maior parte da população em zumbis mecânicos e estúpidos. Na hora, achei que aquilo era uma espécie de metáfora. Todavia, os fatos são evidentes demais se olharmos o mundo. 

Quem ainda não ficou perplexo ao perceber uma criatura andando pela rua de olhos grudados no celular, ignorando tudo o mais ao redor? Glauco, creio, estava certo. 

Na minha estante, preservo com carinho o exemplar de Leadbeater que deu-me, com uma dedicatória chamando-me de irmão.
Esse cavaleiro fez-me ainda outras revelações e convites, mas aí já não é para consumo público. Um escritor deve jogar as varas de pescar aos leitores. Nunca os peixes. No final do filme Doutor Estranho, é dito por um dos personagens que o problema do mundo é haver magos demais nele. Sim, sobretudo negros. Olha ao redor que eles estão aí aos milhões. Basta ver.




 

Marcelino Rodriguez é colunista ocasional do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta e consagrada obra, aqui apresenta-nos uma crônica curta, extraído de seu livro "O Primeiro Milhão de um Homem", onde sutilmente dá o recado sobre um problema que assola a humanidade...