O Xando
gravou todas as suas partes com rapidez, apesar da complexidade observada nos
arranjos elaborados, através de várias dobras de guitarras, e do uso sofisticado
de efeitos, fruto de uma planificação detalhista da parte dele.
O
entrosamento dele com Renato Carneiro foi perfeito, e eu tive o prazer
de acompanhar in loco, quase todas as sessões de sua gravação.
Com o desinteresse da parte do Tadeu pelo projeto, o Xando não teve outra alternativa a não ser deletar a sua parte na gravação. O ponto onde
ele, Tadeu, sentiu-se desestimulado com o Pedra, ficou obscuro. Não houve nenhuma
explicação plausível, pois ele mudou de comportamento de uma forma abrupta, e
passou a comportar-se dessa forma, sem maiores esclarecimentos de sua parte.
Mas como já salientei, hoje, está claro
que ele estava a envolver-se com músicos orientados pelo Heavy Metal, e este seria
de fato o trabalho que sonhava realizar, visto que o Pedra tocava, aos
olhos dele, praticamente no mesmo espectro de som em que ele costumava tocar, ao
acompanhar o cantor, Simoninha, e outros artistas do elenco da gravadora Trama. Nós
pensávamos que ele gostava e muito desse som, pois desempenhava muito bem
nos temas mais MPB, com harmonizações sofisticadas, e nos temas mais
Soul, tinha soluções muito boas, a denotar o swing inerente do gênero. Mas não sabíamos que ele realmente gostava era de Heavy-Metal.
Assim,
ele saiu da banda sem uma despedida formal de sua parte, mas tudo bem. Dali em diante, abriu-se o caminho para o Rodrigo assumir a segunda guitarra, e o Pedra formatou-se, enfim como um quarteto.
Continua...
Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Autobiografia na Música - Pedra - Capítulo 17 - Por Luiz Domingues
Realmente essa é a minha metodologia na hora de gravar um disco.
Eu tenho as minhas influências na cabeça, e conforme identifico em uma música nova, características que remetem-me à qualquer influência dessas, vou deixar fluir naturalmente essa sincronicidade. Por exemplo, se identifico algo que lembre os anos sessenta em um a determinada canção, trato por afunilar tal percepção, até chegar ao ponto de semelhança, onde uma ou mais bandas dessa época, especificamente vem-me à minha lembrança.
Feito isso, identificada a influência, o meu arquivo interior começa a formular lembranças de como esse ou aquele baixista da banda, ou das bandas em questão, tocaria; que formulações de frases usaria; qual instrumento usaria, e finalmente o timbre empregado. Aí imprimo esse estilo, claro, com a minha personalidade e o meu jeito pessoal para tocar.
Se a música pede um estilo, tenho tantas influências, que culmino em ter um manancial de ideias na imaginação, e raramente erro, pois toda essa resolução foi decorrente de uma observação da música em si, que praticamente pediu-me esse caminho. Esse é o meu método de criação. Deixo que ela peça-me a influência que quer que eu imprima, e o seu respectivo baixo adequado pelo timbre.
Por exemplo : se eu notar que ela tem um aspecto progressivo setentista, vou a acionar as minhas influências. Se sob uma segunda prospecção, noto que parece mais cerebral do que "silvestre" com raízes folk, descarto o Rickenbacker, tanto pelo timbre do "Yes", quanto "Renaissance", duas de tantas possibilidades em torno desse instrumento.
Praticamente centro os esforços no Precision, e vou especificar mais. Se tiver densidade, penso mais no som do John Wetton na época do LP "Lark's Tongues in Aspic" (King Crimson). Se for mais com brilho de médio / agudo, vou imaginar o som do Greg Lake no ELP, ou do Bert Ruiter do Focus... e estou a citar apenas alguns, entre centenas de nomes ! Muitas vezes, um mesmo baixista ou banda tem diversas nuances. Por exemplo : posso sentir uma influência Beatle, mas de que fase ?
Se tiver característica da época do LP "Revolver" é uma coisa; "Sgt° Peppers" é outra etc. Se lembrar-me o trabalho do "Wings", é um outro Paul McCartney que vou buscar, com o Rickenbacker usado com a chave de captador na posição do meio, a obter um lindo médio / grave anasalado. E assim por diante, sinto que as minhas influências representam o maior tesouro que tenho dentro da minha memória, exatamente por ter inúmeras referências. E tem o coração, também. Não é só o racional que trabalha, pois se não provocar emoção, nada funciona...
As minhas fotos a tocar ao vivo com o Pedra, deste capítulo, são todas de autoria da fotógrafa, Grace Lagôa
Continua...
Eu tenho as minhas influências na cabeça, e conforme identifico em uma música nova, características que remetem-me à qualquer influência dessas, vou deixar fluir naturalmente essa sincronicidade. Por exemplo, se identifico algo que lembre os anos sessenta em um a determinada canção, trato por afunilar tal percepção, até chegar ao ponto de semelhança, onde uma ou mais bandas dessa época, especificamente vem-me à minha lembrança.
Feito isso, identificada a influência, o meu arquivo interior começa a formular lembranças de como esse ou aquele baixista da banda, ou das bandas em questão, tocaria; que formulações de frases usaria; qual instrumento usaria, e finalmente o timbre empregado. Aí imprimo esse estilo, claro, com a minha personalidade e o meu jeito pessoal para tocar.
Se a música pede um estilo, tenho tantas influências, que culmino em ter um manancial de ideias na imaginação, e raramente erro, pois toda essa resolução foi decorrente de uma observação da música em si, que praticamente pediu-me esse caminho. Esse é o meu método de criação. Deixo que ela peça-me a influência que quer que eu imprima, e o seu respectivo baixo adequado pelo timbre.
Por exemplo : se eu notar que ela tem um aspecto progressivo setentista, vou a acionar as minhas influências. Se sob uma segunda prospecção, noto que parece mais cerebral do que "silvestre" com raízes folk, descarto o Rickenbacker, tanto pelo timbre do "Yes", quanto "Renaissance", duas de tantas possibilidades em torno desse instrumento.
Praticamente centro os esforços no Precision, e vou especificar mais. Se tiver densidade, penso mais no som do John Wetton na época do LP "Lark's Tongues in Aspic" (King Crimson). Se for mais com brilho de médio / agudo, vou imaginar o som do Greg Lake no ELP, ou do Bert Ruiter do Focus... e estou a citar apenas alguns, entre centenas de nomes ! Muitas vezes, um mesmo baixista ou banda tem diversas nuances. Por exemplo : posso sentir uma influência Beatle, mas de que fase ?
Se tiver característica da época do LP "Revolver" é uma coisa; "Sgt° Peppers" é outra etc. Se lembrar-me o trabalho do "Wings", é um outro Paul McCartney que vou buscar, com o Rickenbacker usado com a chave de captador na posição do meio, a obter um lindo médio / grave anasalado. E assim por diante, sinto que as minhas influências representam o maior tesouro que tenho dentro da minha memória, exatamente por ter inúmeras referências. E tem o coração, também. Não é só o racional que trabalha, pois se não provocar emoção, nada funciona...
As minhas fotos a tocar ao vivo com o Pedra, deste capítulo, são todas de autoria da fotógrafa, Grace Lagôa
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Xando Zupo.
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E chegou a minha vez de gravar o baixo...
Luiz Domingues a gravar o primeiro disco do Pedra, no início de 2005, com Xando Zupo ao lado, por detalhe. Click de Grace Lagôa.
Digo sem medo de errar, que foram os melhores timbres de toda a minha carreira, até então. O Renato Carneiro soube extrair o melhor de meus instrumentos, amplificador e caixas. A sua experiência em operar equipamentos de P.A. gigantescos, ao vivo, deram-lhe um talento ímpar para detectar frequências, como um professor de química que conhece a tabela periódica de cor e salteada.
Os timbres de Fender, tanto o modelo Jazz Bass, quanto Precision, ficaram magníficos. Tenho muito orgulho desse disco, por vários motivos, entre os quais, o resultado em torno dos timbres dos baixos nele gravados. O Rickenbacker também ficou bom, mas um pouco aquém de sua potencialidade natural. Nesse caso, eu sei que o Renato teve de conter na mixagem, e na masterização, certas frequências excessivas e naturais dele, que chocavam-se sobretudo com o piano de faixas como : "Madalena do Rock'n Roll" e "Reflexo Inverso".
Todavia, em músicas como : "Me Chama na Hora"; "Vai Escutando", e "O Dito Popular", o timbre do Fender Precision ficou simplesmente espetacular.
O estalo típico do instrumento realçou-se de uma forma a evocar o som de baixo do Roger Waters; Glenn Hughes na época do Trapeze; John Wetton no Family; King Crimson, e Uriah Heep, e Phil Linnot do Thin Lizzy, entre tantos outros exemplos.
E o Jazz Bass ficou com um som bastante aveludado de tão macio, e absurdamente robusto em músicas como : "Sou Mais Feliz" e "Amanhã de Sonho", ao evocar as maiores tradições da Black Music, em gravações da Motown, pilotadas por músicos do calibre de : James Jamerson, e Donald "Duck" Dunn.
Cabe um interlúdio em minha narrativa para explicar ao leitor, que a minha decisão pessoal em escolher o baixo para cada música, baseia-se desde que a música nasce nos seus primeiros ensaios de composição. Vou a imaginar a vibração da música e daí, escolho uma influência que coadune-se com ela, e na minha cabeça, defino qual instrumento usar, baseado nesse sentimento que a música passa-me. Portanto, com essa metodologia, raramente erro na escolha e no caso do Pedra, tive a sorte em trabalhar com um técnico sensacional que foi / é o Renato Carneiro, e sob um aconchegante estúdio que é o Overdrive. Já gravei discos em estúdios monstruosos, mas no Overdrive, o resultado foi o melhor, graças a essa conjunção de fatores. Terminado o baixo, as próximas sessões foram as do Xando.
Todas as fotos deste capítulo, são clicks de Grace Lagôa
Continua...
Luiz Domingues a gravar o primeiro disco do Pedra, no início de 2005, com Xando Zupo ao lado, por detalhe. Click de Grace Lagôa.
Digo sem medo de errar, que foram os melhores timbres de toda a minha carreira, até então. O Renato Carneiro soube extrair o melhor de meus instrumentos, amplificador e caixas. A sua experiência em operar equipamentos de P.A. gigantescos, ao vivo, deram-lhe um talento ímpar para detectar frequências, como um professor de química que conhece a tabela periódica de cor e salteada.
Os timbres de Fender, tanto o modelo Jazz Bass, quanto Precision, ficaram magníficos. Tenho muito orgulho desse disco, por vários motivos, entre os quais, o resultado em torno dos timbres dos baixos nele gravados. O Rickenbacker também ficou bom, mas um pouco aquém de sua potencialidade natural. Nesse caso, eu sei que o Renato teve de conter na mixagem, e na masterização, certas frequências excessivas e naturais dele, que chocavam-se sobretudo com o piano de faixas como : "Madalena do Rock'n Roll" e "Reflexo Inverso".
Todavia, em músicas como : "Me Chama na Hora"; "Vai Escutando", e "O Dito Popular", o timbre do Fender Precision ficou simplesmente espetacular.
O estalo típico do instrumento realçou-se de uma forma a evocar o som de baixo do Roger Waters; Glenn Hughes na época do Trapeze; John Wetton no Family; King Crimson, e Uriah Heep, e Phil Linnot do Thin Lizzy, entre tantos outros exemplos.
E o Jazz Bass ficou com um som bastante aveludado de tão macio, e absurdamente robusto em músicas como : "Sou Mais Feliz" e "Amanhã de Sonho", ao evocar as maiores tradições da Black Music, em gravações da Motown, pilotadas por músicos do calibre de : James Jamerson, e Donald "Duck" Dunn.
Cabe um interlúdio em minha narrativa para explicar ao leitor, que a minha decisão pessoal em escolher o baixo para cada música, baseia-se desde que a música nasce nos seus primeiros ensaios de composição. Vou a imaginar a vibração da música e daí, escolho uma influência que coadune-se com ela, e na minha cabeça, defino qual instrumento usar, baseado nesse sentimento que a música passa-me. Portanto, com essa metodologia, raramente erro na escolha e no caso do Pedra, tive a sorte em trabalhar com um técnico sensacional que foi / é o Renato Carneiro, e sob um aconchegante estúdio que é o Overdrive. Já gravei discos em estúdios monstruosos, mas no Overdrive, o resultado foi o melhor, graças a essa conjunção de fatores. Terminado o baixo, as próximas sessões foram as do Xando.
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