Neste meu segundo Blog, convido amigos para escrever; publico material alternativo de minha autoria, e não publicado em meu Blog 1, além de estar a publicar sob um formato em micro capítulos, o texto de minha autobiografia na música, inclusive com atualizações que não constam no livro oficial. E também anuncio as minhas atividades musicais mais recentes.
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segunda-feira, 25 de março de 2013
Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jungô) - Capítulo 31 - Por Luiz Domingues
Assim que chegamos ao ensaio, no dia seguinte, e por não ter demonstrado nada estranho, durante o percurso em que viajamos juntos até o local, Cido pediu a palavra, e surpreendeu a todos (e dada a circunstância descrita, principalmente eu mesmo), ao comunicar-nos que estava a sair da banda. Sua alegação foi a de que pensara em sua casa, na última noite, e chegara à conclusão de que precisava parar de tocar por um período, para dedicar-se o dia inteiro ao estudo de seu instrumento, assim a visar melhorar seu nível técnico a ser atingido. Tudo bem em ter esse pensamento, mas e nós, como ficaríamos diante dessa resolução pessoal e repentina de sua parte ?Pois jogamos fora um mês de trabalho, na verdade mais que isso, pois um mês foi o meu período na banda, entretanto, eles já vinham juntos desde 1979, a acompanhar o Paulinho Boca de Cantor, e posteriormente, Eliete Negreiros, fora o tempo em que compuseram aquelas músicas instrumentais, todas.
Fiquei muito desapontado com a atitude volúvel, e pouco compreensiva dele, mas nem senti muito pela banda, pois aquele trabalho, apesar da sua sofisticação musical, não era de minha predileção, e os membros, veladamente, achavam-me fraco e deslocado ali. A banda desintegrou-se com essa notícia, pois ninguém mais esboçou forças em prosseguir, pois isso denotaria ter que arrumar um novo baterista, e ensaiar tudo de novo, após um mês a preparar um novo baixista, no caso, eu mesmo. E assim terminou a história do "Jungô", melancolicamente, em uma tarde de agosto de 1980.
Eu tocaria algumas vezes com o Renato Consorte Filho em 1982, visto que sob um outro trabalho avulso que fiz, novamente coincidiu dele aparecer na minha trajetória. Mais para frente, mencionarei esse trabalho, que consistiu em acompanharmos uma cantora e compositora de MPB.
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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jungô) - Capítulo 30 - Por Luiz Domingues
E assim, passei um mês a dirigir-me ao bairro do Brooklin, zona sul de São Paulo. Foi em julho de 1980. Os ensaios aconteciam na residência do guitarrista, Renato Consorte Filho, que morava nesse bairro paulistano. A banda foi formada por : Cido Trindade na bateria; Julio de Almeida no violão; sax tenor e flauta; Renato Consorte Filho na guitarra; violão e voz; "Guelo" na percussão, e eu, Luiz Domingues, no baixo. Havia um tecladista, mas o rapaz debandou um pouco antes de eu entrar nessa formação. O Renato era filho do ator, Renato Consorte. Eu o vi (Renato Consorte, pai), inúmeras vezes, inclusive quando este atendera-me, quando eu chegava e tocava a campainha da residência.
Eu nunca disse-lhe, mas o admirava como ator, pelos filmes que fizera, e eu como cinéfilo, conhecia a sua participação no cinema nacional, desde criança, praticamente. Como particularidades, não tenho muito a acrescentar, pois o convívio foi pequeno. O Renato Filho era bem hospitaleiro e recebia-nos muito bem. Não tinha o ar de soberba como os demais, certamente. Não tratava-se de um estúdio, mas um salão de festas que existia no fundo da casa, com uma bela piscina, que foi oferecida-nos como opção de recreação, diversas vezes, mas como estávamos em pleno inverno, ninguém cogitou usá-la naquele instante.

Quando o som estava por começar a ganhar forma, o saxofonista, Julio de Almeida, iniciou negociações para obtermos uma data em uma casa noturna, a visar a primeira apresentação dessa banda, entretanto, fomos surpreendidos, negativamente, por uma notícia inesperada : o baterista, Cido Trindade, deixou subitamente, a banda. Então foi assim... um dia encerramos o ensaio, e voltamos juntos a conversarmos nos ônibus que tínhamos que usar, visto que morávamos quase vizinhos no mesmo bairro (Tatuapé, zona leste de São Paulo). Nessa ocasião, não mencionou nada sobre estar insatisfeito ou ter outros planos pessoais etc. Mas no dia seguinte, quando chegamos ao ensaio do Jungô...
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Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jungô) - Capítulo 29 - Por Luiz Domingues
Assim, o rapaz piorou seu estado de saúde, pois estava nessa vida desde 1974 ou 1975, não sei ao certo, e em 1979, estava por tornar-se catatônico, com o sistema nervoso entorpecido e encharcado com xarope. Quando iniciou-se a segunda metade de 1980, ele ficou realmente mal e foi internado. Foi então que o Cido Trindade convidou-me a entrar na banda, que nesse instante não acompanharia mais a cantora, Eliete Negreiros, e tinha outros planos traçados, a seguir em frente para realizar um trabalho próprio, e totalmente instrumental. Foi o meu primeiro contato com músicos não orientados pelo Rock, como base de influência (além dos primórdios do Língua de Trapo, onde enfrentei situação semelhante), e foi difícil lidar com seus preconceitos tolos.
Eram ótimos músicos, sem dúvida alguma, e apresentavam um nível musical muito maior que o meu nessa ocasião, evidentemente. Além disso, sua orientação e formação mostrava-se muito diferente da minha, embora eu apreciasse muitas tendências das quais eles gostavam também. A mentalidade dos seus componentes era bem orientada pelo Jazz em diversas vertentes, sobretudo o Fusion, e música brasileira instrumental, com raiz na Bossa Nova, ou em folclore nordestino, sobretudo.
Tratou-se de temas intrincados; cheios de convenções; pontes; mudanças de ritmo e fórmulas de compasso; polimelodias; contraponto, e divisões rítmicas muito variadas. Creio que foi, a grosso modo, o período em que mais toquei músicas em fórmulas de compasso, alternativas, quase ao não usar o clássico 4/4.
Os rapazes gostavam de 5/4, 6/8, 7/4 e havia até música dividida em 11/8, que dava um certo "nó na cabeça", para não errar. Mas, maravilha ! Eu estava a apreciar tocar naquela sofisticação harmônica e rítmica, pois cresci demais como músico, ao tocar sob um nível mais alto do que estava acostumado naquela época. O pessoal era gentil, a grosso modo, mas havia um pouco de altivez, coisa típica de quem embrenha-se nesse campo de música mais sofisticada, e passa a sentir-se "superior" em relação a outros músicos que trabalham com formas mais simples de estrutura musical. E se existe uma coisa que não suporto, é arrogância... está certo que nunca desrespeitaram-me frontalmente, mas percebia nas entrelinhas que estavam comigo por falta de uma opção melhor, pois eu era "rockeiro" demais na sua concepção...
Continua...

Eram ótimos músicos, sem dúvida alguma, e apresentavam um nível musical muito maior que o meu nessa ocasião, evidentemente. Além disso, sua orientação e formação mostrava-se muito diferente da minha, embora eu apreciasse muitas tendências das quais eles gostavam também. A mentalidade dos seus componentes era bem orientada pelo Jazz em diversas vertentes, sobretudo o Fusion, e música brasileira instrumental, com raiz na Bossa Nova, ou em folclore nordestino, sobretudo.
Tratou-se de temas intrincados; cheios de convenções; pontes; mudanças de ritmo e fórmulas de compasso; polimelodias; contraponto, e divisões rítmicas muito variadas. Creio que foi, a grosso modo, o período em que mais toquei músicas em fórmulas de compasso, alternativas, quase ao não usar o clássico 4/4.
Os rapazes gostavam de 5/4, 6/8, 7/4 e havia até música dividida em 11/8, que dava um certo "nó na cabeça", para não errar. Mas, maravilha ! Eu estava a apreciar tocar naquela sofisticação harmônica e rítmica, pois cresci demais como músico, ao tocar sob um nível mais alto do que estava acostumado naquela época. O pessoal era gentil, a grosso modo, mas havia um pouco de altivez, coisa típica de quem embrenha-se nesse campo de música mais sofisticada, e passa a sentir-se "superior" em relação a outros músicos que trabalham com formas mais simples de estrutura musical. E se existe uma coisa que não suporto, é arrogância... está certo que nunca desrespeitaram-me frontalmente, mas percebia nas entrelinhas que estavam comigo por falta de uma opção melhor, pois eu era "rockeiro" demais na sua concepção...
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Jungô) - Capítulo 28 - Por Luiz Domingues
Era para ter sido uma banda, e ter assim, capítulo próprio, mas minha estada na banda "Jungô", foi tão curta, e terminou de uma forma tão insólita, que relaciono-a apenas como um trabalho avulso. Preciso dar uma explicação sobre a história pregressa dessa banda, para o leitor entender bem como fui parar ali.
Meu amigo, Cido Trindade, que conheci em 1977, e era um pouco mais velho, tinha uma bagagem musical mais avançada quando conhecemo-nos. Eu dava meus primeiros passos na música, e era ainda um mero aspirante a músico, enquanto ele já tinha uma desenvoltura maior. Dessa forma, enquanto eu engatinhava com o Boca do Céu, minha primeira banda, ele já havia encerrado atividades com a sua, inicial, e embrenhava-se em voos maiores.
No início de 1978, conheceu uma trupe de teatro (Grupo Vereda), e foi apresentar-se com uma peça teatral, como músico, e com pequenas inserções cênicas, como ator. Daí, evoluiu para acompanhar a carreira musical do diretor desse grupo, um artista chamado, Tato Fischer, e ao final de 1979, convidou-me a integrar a banda de apoio desse artista, conforme já relatei com detalhes, neste mesmo capítulo dos "trabalhos avulsos".
Tato Fischer, em foto bem mais atual
Ocorre que nesse ínterim, em 1979, o Cido conheceu outros músicos, e formou-se aí a banda de apoio do ex-vocalista dos Novos Baianos, Paulinho Boca de Cantor, que iniciara sua carreira solo. Após alguns shows, o Paulinho resolveu voltar para a Bahia, e a banda então passou a acompanhar uma cantora de MPB emergente, chamada, Eliete Negreiros.
Eu cheguei a assistir um ou dois ensaios nessa fase, e a banda passou a chamar-se : "Jungô". O baixista, cujo nome vou omitir, tinha um belo baixo, Fender Precision, de cor branca (se não engano-me, era um "Olympic White", com escudo Tortoise / "tartaruga", e braço Rosewood), e tocava bem, era um rapaz de boa índole, mas tinha um problema, que era muito comum nos anos setenta : era usuário do xarope, "Pambenil", um medicamento contra a tosse, que era consumido como droga, e viciava rapidamente, a deixar o usuário, literalmente, "xarope"...
E o detalhe, é que o xarope não era ilícito. Era um produto autorizado, e vendido nas farmácias, livremente. Demorou para as autoridades perceberem que ele proporcionava prazer, ou para usar a gíria da época : dava "barato"...
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No início de 1978, conheceu uma trupe de teatro (Grupo Vereda), e foi apresentar-se com uma peça teatral, como músico, e com pequenas inserções cênicas, como ator. Daí, evoluiu para acompanhar a carreira musical do diretor desse grupo, um artista chamado, Tato Fischer, e ao final de 1979, convidou-me a integrar a banda de apoio desse artista, conforme já relatei com detalhes, neste mesmo capítulo dos "trabalhos avulsos".
Tato Fischer, em foto bem mais atual
Ocorre que nesse ínterim, em 1979, o Cido conheceu outros músicos, e formou-se aí a banda de apoio do ex-vocalista dos Novos Baianos, Paulinho Boca de Cantor, que iniciara sua carreira solo. Após alguns shows, o Paulinho resolveu voltar para a Bahia, e a banda então passou a acompanhar uma cantora de MPB emergente, chamada, Eliete Negreiros.
Eu cheguei a assistir um ou dois ensaios nessa fase, e a banda passou a chamar-se : "Jungô". O baixista, cujo nome vou omitir, tinha um belo baixo, Fender Precision, de cor branca (se não engano-me, era um "Olympic White", com escudo Tortoise / "tartaruga", e braço Rosewood), e tocava bem, era um rapaz de boa índole, mas tinha um problema, que era muito comum nos anos setenta : era usuário do xarope, "Pambenil", um medicamento contra a tosse, que era consumido como droga, e viciava rapidamente, a deixar o usuário, literalmente, "xarope"...
E o detalhe, é que o xarope não era ilícito. Era um produto autorizado, e vendido nas farmácias, livremente. Demorou para as autoridades perceberem que ele proporcionava prazer, ou para usar a gíria da época : dava "barato"...

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